A Escolha da Guilda (Terceira Atualização)

Armas do Mundo Fantástico Fogo Escarlate Ardente 3348 palavras 2026-02-08 16:58:24

A Guilda dos Escolhidos, na verdade, é praticamente uma extensão da igreja, ou melhor dizendo, é uma das áreas funcionais do templo. Neste mundo, a relação entre os jogadores e a igreja é extremamente próxima, ou, em outras palavras, a ligação entre os jogadores e as “divindades” é indissociável. Quase todas as atividades dos jogadores giram em torno das divindades, que, por sua vez, lhes proporcionam facilidades e recompensas abundantes. Um exemplo disso é a existência da “Água Sagrada”.

A “Água Sagrada” normalmente é concedida como recompensa por concluir missões do templo, embora jogadores com ofício religioso também possam produzi-la. Graças a ela, os jogadores, que neste estágio carecem seriamente de meios de ataque mágico, finalmente encontram uma forma de combater espectros e demônios.

Vestindo uma nova armadura leve de iniciante, Fogo Ardente saiu da Guilda dos Escolhidos com um semblante amargo, acompanhado por Hortelã. Apesar do sucesso de sua travessura, Hortelã estava radiante de bom humor.

— Senhorita Hortelã, você foi longe demais! — Fogo Ardente protestou, ultrajado. No fim, ela o deixou apenas com uma cueca triangular, em estado inalterável, completamente nu diante de duas mulheres. O golpe em sua autoestima foi devastador.

— Hã-hã-hã~! — Hortelã olhou para o céu, fingindo ignorância.

O poder das Estrelas Ilusórias era agora tão frágil! Fogo Ardente, acostumado a uma força esmagadora, agora era facilmente intimidado por uma garota. Precisava evoluir rápido! Entre lágrimas discretas, firmou sua decisão.

Depois de tantas peripécias, o dia já havia clareado. Do alto do templo, via-se a movimentação nos bairros abaixo: não apenas jogadores, mas também muitos habitantes locais, cada qual seguindo seu próprio caminho.

Decidiram então buscar algo para comer, experimentar a culinária local.

“Torre de Prata”

Esse era o nome do restaurante, fundado por jogadores e com um chef nativo no comando da cozinha. Ali, além de especialidades tradicionais da França, podia-se saborear pratos típicos da região. O ambiente era excelente, situado à beira de um penhasco, proporcionando, pelas janelas panorâmicas, uma vista relaxante dos bairros inferiores.

Hortelã, naturalmente, ficou encarregada de escolher os pratos, pois Fogo Ardente não entendia nada do cardápio.

— Senhorita Hortelã, para onde devo ir agora para subir de nível? — Assim que fizeram o pedido, Fogo Ardente perguntou, ansioso.

— Ora, ora! Não tenha pressa~ — respondeu ela, fazendo um gesto com o dedo. — Por que não aproveitamos um pouco mais?

— Senhorita Hortelã! — Fogo Ardente já estava perdendo a paciência.

— Está bem, está bem! — ela deu de ombros, resignada. — Eu ainda queria me divertir mais! — Então começou a explicar sobre os caminhos de evolução.

As atividades dos jogadores giravam em torno das diversas guildas. Além da Guilda dos Escolhidos, havia várias guildas profissionais.

A Guilda dos Guerreiros de Escudo treinava combatentes de armadura pesada. Não se engane achando que são apenas brutamontes empunhando escudos; também dominam armas pesadas. Suas habilidades exigem Força, Resistência e Tenacidade das Estrelas Ilusórias.

A Guilda dos Espadachins era a maior, e apesar do nome, ali se aprendia a manejar quase todo tipo de arma. Quase todos os jogadores passavam por ali. O foco principal era o ataque frontal, variando conforme o estilo: havia esgrimistas como Julien, espadachins pesados como Erdel, além de lanceiros, sabristas e outros especialistas em armas diversas. As Estrelas requisitadas eram Força e Explosão.

A Guilda dos Guardiões era a mais exigente, pois seus membros eram verdadeiros solitários, com habilidades versáteis capazes de sobreviver sozinhos nos perigos do mundo selvagem. Cada guardião era um especialista em combate, por isso, no início, a Tropa da Tulipa Negra pensou que Fogo Ardente fosse um deles. Suas habilidades abrangiam todas as Estrelas Ilusórias, incluindo algumas especiais.

Guildas dos Atiradores de Elite e dos Arqueiros formavam um par. Ambas treinavam franco-atiradores, mas com armas diferentes — armas mágicas de cristal para os primeiros, arcos e flechas para os segundos — e habilidades completamente distintas. Uma técnica suprema de nível 10, por exemplo, exige uma Estrela de Agilidade, uma de Reflexo e uma de Pensamento. Os arqueiros focam em mira concentrada, enquanto os atiradores usam disparos explosivos.

A Guilda dos Batedores, ou dos Escoteiros, treinava principalmente furtividade, rastreamento, armadilhas e sua desativação. Muitos arqueiros aprimoravam ali suas habilidades práticas, o que aumentava significativamente seu poder de combate. As Estrelas mais necessárias eram Resistência, Reflexo, Agilidade e Pensamento.

Guildas como a dos Mestres de Truques, dos Invocadores, dos Magos e dos Magos de Círculos Mágicos, todas relacionadas à magia, também existiam em grande número, dada a complexidade e variedade das artes arcanas.

Os Mestres de Truques aprendiam magia utilitária — limpeza automática, criação de objetos mágicos, indução de estados anômalos — sendo os mais versáteis, embora fracos em combate. Necessitavam sobretudo das Estrelas de Pensamento, Controle e Poder Mágico, com ênfase no Controle.

Os Invocadores estudavam a criação de autômatos mágicos. Os mais simples eram quase inúteis no combate, servindo mais como iluminação, batedores ou ornamentos. No entanto, quem dominava a criação de autômatos avançados podia alcançar níveis incríveis de poder — como o Grão-Mestre da Cavalaria de Jávia, cujo dragão mecânico era uma verdadeira arma estratégica, considerado um tesouro nacional. Os invocadores priorizavam Pensamento.

Os Magos, no sentido clássico — aqueles dos famosos “raios e bolas de fogo” —, eram teoricamente poderosíssimos, mas poucos conseguiam sobreviver em campo aberto. Mesmo gênios como Amélia haviam fracassado. Ainda assim, a guilda dos magos era a mais popular, com multidões de aprendizes explodindo a si mesmos antes de lançar um único feitiço. Para eles, a Estrela essencial era o Poder Mágico.

A Guilda dos Magos de Círculos era fundamental para as tropas, pois durante acampamentos selvagens, além das armadilhas dos escoteiros, eram os círculos mágicos que proporcionavam segurança. Fosse para defesa ou exclusão, toda tropa precisava de um mago de círculos. O foco ali era o Pensamento.

A Guilda dos Encantadores também era considerada uma vertente dos magos. Seu ofício consistia em imbuir objetos — sólidos, líquidos ou gasosos — com magia. Podiam fabricar venenos, poções de efeito especial, como a poção da fera, elixires para caçar demônios e de cura, ou ainda encantar armas de prata mítica, como a adaga de prata mítica de Fogo Ardente, que havia recebido um encantamento de purificação. Porém, esse tipo de encantamento só podia ser feito uma vez, tornando essas armas as mais poderosas do mundo ilusório. Os encantadores equilibravam Pensamento, Controle e Poder Mágico.

A Cavalaria também era uma guilda profissional. Para ingressar, era preciso passar por testes rigorosos para se tornar um cavaleiro oficial. Podia-se escolher entre a Cavalaria Nacional de Jávia, as tropas privadas dos nobres como a Cavalaria de Sayé, ou ainda ordens internacionais como a Cavalaria Hospitalar, desde que fosse aprovado nos exames. Após a admissão, o novato vestia túnica cinza. Os cavaleiros oficiais usavam branco, sendo chamados de Cavaleiros de Branco. Os capitães, mais avançados, recebiam o vermelho, símbolo de alto status social.

A partir daí, o avanço era difícil, exigindo habilidades ou posições especiais. Por exemplo, os Cavaleiros da Luz Sagrada — também chamados paladinos — vestiam prata. O Grão-Mestre da Cavalaria de Jávia usava dourado, sinal de altíssima distinção. Generais da cavalaria geralmente trajavam azul ou vermelho. Existiam ainda variações como preto, laranja e verde, reservadas a cavaleiros com habilidades especiais.

No templo, os combatentes podiam se tornar clérigos, paladinos ou assumir outras funções especializadas. Vale notar que, embora a Luz Sagrada tenha efeito curativo, os jogadores de nível atual ainda não dominavam tais milagres, e o poder de ataque divino era limitado. Por isso, poucos clérigos iam ao campo de batalha, sendo vistos mais como frascos ambulantes de água sagrada.

Havia ainda outras guildas, como a dos Domadores de Feras, dos Criadores de Demônios, dos Artífices, entre outras, todas com habilidades peculiares e em grande variedade.

O jogador podia escolher uma profissão principal, mas não era impedido de aprender outras, contanto que tivesse Estrelas suficientes e disposição. Antes do nível 10, caso não tivesse concluído o exame do destino, o jogador recebia bônus de aprendizado, facilitando a aquisição de habilidades básicas. Esse benefício cessava após o nível 10, razão pela qual muitos mantinham-se nesse limiar para aprender o máximo possível. Havia muitos “gênios” assim, embora sua força variava muito.

Afinal, conseguir Estrelas extras antes do nível 10 era penoso, e poucos suportavam o sacrifício, preferindo logo ultrapassar o limite em busca de novos horizontes.

Mas esse problema não se aplicava a Fogo Ardente: ele já possuía centenas de Estrelas! Para ele, o único obstáculo era dominar as habilidades; quanto à quantidade de Estrelas, jamais seria um problema!

— Então, Fogo Ardente — perguntou Hortelã, cortando um pedaço de carne e levando à boca —, qual profissão você vai escolher?

— Precisa perguntar? — Fogo Ardente sorriu, ergueu o copo de suco, recostando-se na cadeira e olhando para o mundo que se estendia além da janela. — É claro que vou escolher... a Guilda dos Guardiões!