32 Os Três Desafios do Mentor (2)

Armas do Mundo Fantástico Fogo Escarlate Ardente 2594 palavras 2026-02-08 16:58:54

Logo, Chama Ardente foi conduzido à presença do Examinador-Chefe da Prova.

— Você de fato é um patrulheiro Falcão Rubro — disse o examinador, ajustando os óculos no rosto —, mas tem certeza de que quer desafiar o Lobo Prateado?

— Por quê? Há algum problema? — Chama Ardente perguntou.

— Não chega a ser um problema, apenas faz muito tempo que ninguém aceita esse desafio. O Lobo Prateado tem um temperamento complicado, é uma pessoa difícil de lidar e, às vezes, desaparece por meses da Guilda dos Mercenários. Apesar de ser examinador do teste, ninguém sabe realmente em que estado se encontra ou se ainda é adequado para o cargo. — O examinador deixava clara sua insatisfação com a excentricidade do Lobo Prateado.

Ao ouvi-lo, Chama Ardente sentiu um mau pressentimento. — Foi o meu mentor, Trelac, quem marcou isso. Deve ter um motivo.

Ao saber que fora indicação de Trelac, o examinador relaxou um pouco a expressão.

— Sendo assim, pode ser que haja uma razão. O Lobo Prateado está em casa neste momento, mas você terá que ir até lá. É praticamente impossível convencê-lo a vir à Guilda para aplicar o teste; seria mais fácil escalar uma montanha.

— Tudo bem, então irei — assentiu Chama Ardente. — E como saberei que completei o teste?

— Se ele resolver colaborar, talvez tente te ludibriar e não carimbe a autorização. Esqueça os trâmites formais. Faça o seguinte: ele tem um cabelo prateado bem peculiar. Traga um fio do cabelo dele como prova, isso basta.

Chama Ardente permaneceu em silêncio, resignado.

Com um certo desânimo, deixou a Guilda dos Mercenários, trazendo nas mãos um pedaço de papel com o endereço do Lobo Prateado.

‘Rua do Lago do Ermitão, número sete.’

— Que confusão... — suspirou Chama Ardente ao consultar o mapa. O trajeto era longo, e o sol já caminhava para o poente. O bairro ficava na sombra do Lago do Ermitão. — Por que alguém escolheria morar num lugar desses?

Ele não sabia usar transporte público, tampouco montar a cavalo. Só lhe restava seguir a pé, correndo em direção ao bairro indicado.

Ainda bem que, no jogo, o corpo humano era muito mais resistente que na vida real. Do contrário, só um maratonista encararia aquela distância.

Chama Ardente avançou em disparada, cortando caminho por telhados e sob pontes para ganhar tempo, despertando protestos e xingamentos pelo caminho.

Após um périplo, finalmente chegou ao bairro do Lago do Ermitão. O nome fazia jus ao lugar: o bairro se desenrolava ao redor de um lago azul-esverdeado encravado sob uma escarpa, cercado por densas árvores e moitas de arbustos. Entre as folhagens, poucas casas surgiam aqui e ali, quase escondidas.

Por estar sempre à sombra, o bairro transmitia um ar sombrio, e o som ocasional dos pelicanos aumentava a sensação de inquietude em Chama Ardente.

— Deve ser aqui... — murmurou, não sentindo vontade alguma de entrar.

Diante dele erguia-se uma casa de dois andares com sótão, do tipo que aparece em filmes de terror. Pelas janelas alongadas, só escuridão, com um fiapo de luz ao longe, o que a tornava ainda mais assustadora. Trepadeiras subiam pelas paredes, que não viam limpeza há muito tempo, e as paredes e venezianas estavam em frangalhos, sem nenhum reparo.

O jardim, se é que se podia chamar assim, era uma selva de mato, crescendo até a altura da cintura. Em frente à varanda, as antigas roseiras estavam cobertas de cacos de cerâmica.

— Tem alguém aí? — arriscou Chama Ardente, com a voz tremendo. Ninguém respondeu, e mesmo que respondessem, ele não teria certeza se seria uma pessoa.

Bateu no portão de ferro enferrujado, que rangia horrivelmente. Sem resposta, empurrou a entrada e entrou.

Pisou com cuidado na trilha de pedras, atravessou os canteiros destruídos e chegou à varanda. A porta estava tão deteriorada que deixava passar o vento frio pelos buracos, e ninguém se preocupava em consertá-la.

Chama Ardente realmente começou a duvidar se alguém morava ali.

— Tem alguém aí? — manteve a polidez, batendo à porta, sem obter resposta. — Lobo Prateado?

Empurrou a porta e foi recebido por uma onda de mofo, que lhe fez arder os olhos.

— Cof, cof... Meu Deus, alguém consegue viver aqui?

O salão era pura escuridão, iluminado apenas por uma tênue luz que passava pelas janelas compridas. O soalho podre rangia sob seus passos.

Não havia sinais de vida.

— Lobo Prateado? — chamou outra vez, sem resposta. Aquilo parecia cada vez mais uma casa abandonada ou o covil de alguma criatura morta-viva.

Quando pensava em explorar o térreo, ouviu o som de garrafas rolando no andar de cima, um ruído que sob aquelas circunstâncias soava ainda mais sinistro.

Engoliu em seco e subiu a escada, que igualmente rangia e ameaçava ruir sob seu peso. No segundo piso, teve receio de cair direto no salão, já que acabara de ver uma tábua despencar no vazio.

Recobrando a coragem, viu uma luz tremulando adiante e aproximou-se com cautela. No cômodo, encontrou finalmente quem procurava.

Era um homem de meia-idade, cabelo prateado desgrenhado, rosto coberto de barba por fazer, largado num sofá como se não tivesse ossos. Usava uma camisa cheia de manchas de gordura, as mangas enroladas até os cotovelos, o colarinho desabotoado e calças de couro manchadas por líquidos de cor duvidosa — à primeira vista, poderiam ser confundidas com urina. As botas ainda calçava, jogadas sobre o braço do sofá.

Quando Chama Ardente entrou, ele segurava uma garrafa de bebida numa mão e um charuto na outra, os olhos semicerrados, murmurando sons guturais pelo nariz. Uma vela queimava sobre o castiçal, a luz fraca mal iluminando o líquido na garrafa.

— Lobo Prateado? — chamou Chama Ardente.

— Hm? — o homem resmungou, virando-se — Quem é você?! — a voz rouca e áspera.

— Eu, hum, vim para passar pelo seu teste — disse Chama Ardente, um tanto desanimado diante daquele bêbado deplorável, mas manteve a cortesia.

— Que raio de teste? Eu não sei de nada disso... — Lobo Prateado resmungou, enfiando o charuto na boca e tragando fundo.

— A Guilda dos Mercenários deve ter comunicado o senhor — disse Chama Ardente, com um sorriso sem graça.

— Ah... a Guilda dos Mercenários... — o outro soprou uma fumaça. — Acho que ainda tenho meu nome lá. Não era para ser uma função tranquila, sem trabalho? Por que jogaram essa droga de teste pra cima de mim?

— Na verdade, nem eu queria — Chama Ardente coçou a cabeça —. Isso foi coisa do meu mentor na Guilda dos Patrulheiros, Trelac.

— Trelac, é? — Lobo Prateado olhou de novo para ele. — Você é patrulheiro?

— Sim, acabei de assumir o posto.

— E o distintivo?

Chama Ardente exibiu o broche do Falcão Rubro.

— Ora, é mesmo... O que será que esse moleque está tramando? — murmurou o Lobo Prateado, espantando-o como quem afasta uma mosca. — Volte pra casa. Não vou aplicar teste algum, nem assinar nada pra você!

— Não tem problema, o Examinador-Chefe já esperava isso. Só preciso levar um objeto como prova — Chama Ardente não pôde evitar admirar a premonição do chefe.

— Não tenho nada pra te dar, suma daqui! — rosnou o Lobo Prateado.

— Nesse caso, eu mesmo vou pegar — disse Chama Ardente, assumindo posição de combate.

O Lobo Prateado deu uma risada seca, mordendo o charuto.

— Venha, então. Estou esperando!

— Perdoe-me! — bradou Chama Ardente, desembainhando a adaga e avançando em direção ao sofá!