Lobo Solitário

Armas do Mundo Fantástico Fogo Escarlate Ardente 3225 palavras 2026-02-08 16:58:59

As chamas não notaram o sarcasmo no olhar do Lobo Prateado; mesmo que o percebessem, nada poderia deter sua determinação de atacar!

A adaga deslizou pela mesa de centro, mirando os cabelos do Lobo Prateado! Mas, ao se aproximar de sua cabeça, o corpo dele pareceu se dissolver como espuma e, num leve estalo, sumiu do sofá!

Assustado, Chamas baixou a cabeça rapidamente, a tempo de ver uma garrafa passar rente ao seu couro cabeludo; apoiou uma mão no chão e rolou para longe.

— Ataqueu com confiança — disse o Lobo Prateado, mordendo um charuto enquanto pousava a arma usada para atacá-lo de volta sobre a mesa. — Pode me dizer, como um combatente de nível um conseguiu executar um ataque desses?

Chamas segurava a adaga invertida numa mão, apoiava-se no chão com a outra, oculto nas sombras. Sorriu ao ouvir a pergunta:

— De fato, sou um recém-promovido combatente de nível um, um caçador de falcões rubros — por enquanto.

— Nada mal, confiança é sempre bom — disse o Lobo Prateado, soprando um círculo de fumaça e estalando os lábios antes de apagar o charuto sobre a mesa. De repente, duas pequenas espadas apareceram em suas mãos. — Mas, se for confiante demais, pode ser fatal!

Em um instante, Chamas sentiu o fio cortante do aço atravessar o ar; sem pensar, rolou para o lado. Quase ao mesmo tempo, as espadas do Lobo Prateado cravaram-se no lugar onde Chamas estivera há instantes!

Sem tempo de celebrar por escapar da morte, Chamas impulsionou-se com as pernas e atacou.

Num piscar de olhos, duas novas espadas surgiram nas mãos do Lobo Prateado. Ele bloqueou o ataque de Chamas com precisão, recuando com calma enquanto o som dos metais se entrechocava sem cessar.

Enquanto se defendia dos golpes de Chamas, o Lobo Prateado atirava rapidamente as pequenas espadas. Cada vez que uma sumia, outra surgia em sua mão, e em poucos instantes mais de vinte lâminas foram lançadas!

Chamas, no entanto, ativara sua técnica de agilidade. Mesmo sustentado apenas por três estrelas ilusórias, anos de treinamento marcial o prepararam para tal investida: desviava de cada golpe com precisão milimétrica.

Vendo que a ofensiva não surtia efeito, o Lobo Prateado abandonou os arremessos. De repente, girou o corpo e desferiu um chute poderoso no abdômen de Chamas. Este conseguiu erguer o joelho para bloquear, mas a força do impacto o lançou contra um monte de entulho.

— Então é isso... essa constituição física... essa habilidade de combate... — murmurou o Lobo Prateado, andando de um lado para o outro sem atacar, coçando o queixo. — Interessante... quer ver este truque...? Nível um... heh...

Após alguns instantes de reflexão, voltou-se para Chamas, observando-o longamente antes de perguntar:

— Garoto, como são suas estrelas ilusórias?

Chamas hesitou, depois respondeu:

— Três, todas com atributos completos.

— Hehehe... — o Lobo Prateado sorriu, mostrando os dentes. — Era isso que me interessava!

— Garoto, também deve estar se perguntando por que foi enviado para uma provação comigo, não?

— Bem, de fato não entendi muito bem.

— Então preste atenção! — disse o Lobo Prateado, sério. De repente, duas adagas surgiram em suas mãos. Com um leve impulso de pulso, lançou-as ao alto. Sem parar, arremessou outras duas, e mais duas, apanhando as próximas no ar.

Chamas, confuso quanto ao intento daquele movimento, arregalou os olhos ao ver duas figuras surgirem no ar, idênticas ao Lobo Prateado! Mesma barba desalinhada, cabelos prateados até os ombros, camisa ensebada — era impossível distinguir.

Três irmãos? Ilusões? Chamas não sabia o que pensar.

Mas o Lobo Prateado não lhe deu tempo para dúvidas. Num piscar de olhos, as três figuras avançaram, e o brilho prateado das lâminas não parecia nada ilusório!

Chamas só teve tempo de bloquear o ataque frontal; os dois lobos laterais aproveitaram e o golpearam com os cabos das espadas na cintura, causando-lhe uma dor tão intensa que quase perdeu as forças. Logo em seguida, o Lobo Prateado à frente o lançou longe com um golpe potente!

Chamas se levantou rapidamente, suportando a dor. Era uma lição que aprendera com os Cavaleiros de Vermelho de Eroquen, reforçada inúmeras vezes pelo Mestre Lorin: "Se lutar, vá até o fim! Abandonar as armas antes da derrota total é coisa de covarde!"

— Você é resistente, admito — observou o Lobo Prateado, surpreso com a tenacidade de Chamas. — Mas tivesse perdido as forças antes, teria sofrido menos. Agora, prepare-se para ser completamente esmagado!

— Nem mesmo um Senhor do Abismo poderia me destruir. Venha com tudo! — respondeu Chamas, feroz.

— Que arrogância! — zombou o Lobo Prateado, e as três figuras investiram rapidamente contra Chamas.

Este, concentrado, tentou discernir a direção dos ataques. O Lobo Prateado central parecia ser o original — seus golpes eram os mais potentes, impossível enfrentá-lo de frente. Era preciso encontrar uma brecha, talvez eliminar uma ilusão...

Não! Algo estava errado!

De repente, o Lobo Prateado à frente desviou para o lado! Chamas girou para interceptar o ataque mais forte, mas o Lobo Prateado que ficara atrás acelerou subitamente e o atingiu com o cabo da espada no abdômen!

O impacto o lançou ao ar, e ele cuspiu bile amarga.

— Onde está olhando? — zombou o Lobo Prateado que o acertara.

Afinal, qual era a ilusão? Ou seriam todos reais? Confuso pela dor, Chamas perdeu o controle!

O que se seguiu foi uma sucessão de surras sem chance de defesa. Não era uma questão de atributos, mas sim da habilidade do Lobo Prateado em confundir seus sentidos com maestria: cada golpe vinha de onde menos esperava, sempre encoberto pela movimentação dos outros.

Durante mais de meia hora, Chamas experimentou todos os tipos de golpes, sem repetição! Isso o encheu de frustração — não importava sua criatividade ou esforço, o Lobo Prateado o manipulava como queria. Era como se fosse esmagado por pura inteligência!

Naquele interminável massacre, o piso finalmente cedeu, como Chamas previra. Num potente golpe de cotovelo, o Lobo Prateado rachou o assoalho, e Chamas caiu junto com os destroços para o andar de baixo.

Serragem podre voou pelo ar enquanto Chamas, exausto, jazia entre os escombros, tossindo sem forças.

Ao levantar os olhos, viu os três Lobos Prateados empunhando espadas à beira do buraco, observando-o friamente, como se preparando para outra investida impossível de conter.

Chamas já não tinha forças para resistir.

Deitado, tateou entre os destroços em busca de sua adaga, quando sentiu algo diferente sob os dedos — parecia uma moldura. Sem pensar muito, apanhou-a e ergueu-a diante do rosto.

A luz tênue que entrava pela janela estreita iluminava Chamas e o porta-retrato. Enferrujada e coberta de pó, a moldura revelou, sob o vidro manchado, uma foto.

Era dos canteiros de rosas do lado de fora, quem sabe de quantos anos atrás, quando estavam intactos e repletos de flores, exalando felicidade. No centro, um jovem Lobo Prateado, bonito e elegante, camisa branca impecável, colete preto, sorrindo timidamente. Ao lado dele, uma garota mais jovem, aparentando quinze ou dezesseis anos, com um sorriso cheio de alegria, olhos semicerrados e pequenas presas à mostra — encantadora.

Era a felicidade de outrora, agora reduzida àquela casa arruinada.

De repente, a moldura foi arrancada de suas mãos. O Lobo Prateado, sem que Chamas percebesse, estava a seu lado, segurando-a com força, tremendo dos pés à cabeça, as armas largadas ao chão.

— Lobo Prateado... — murmurou Chamas, compreendendo algo, levantando-se e chamando suavemente.

— Volte para casa... — a voz do Lobo Prateado soou embargada. Sem olhar para trás, saiu do aposento e subiu as escadas.

Sabendo que não era o momento, Chamas ainda assim arriscou:

— E quanto à minha provação?

— Você passou... — veio a resposta baixa do corredor.

— E a prova?

Sem responder, o Lobo Prateado materializou uma pequena espada, que passou por sua cabeça. A arma caiu ruidosamente ao chão, junto com um fio de cabelo prateado.

Ao som dos passos pesados subindo, o Lobo Prateado desapareceu na escuridão.

Chamas, mancando, foi até a escada. Olhou para o breu do andar de cima, depois recolheu a espada e o tufo de cabelos prateados, guardando-os silenciosamente na mochila.

Saiu pela porta quebrada, atravessou o canteiro e parou sobre o caminho de pedras. Ali, em seus olhos, o local já não parecia tão decadente, mas sim um jardim bem cuidado, repleto de rosas exalando um perfume inebriante, e o riso alegre dos donos da casa pairava no ar.

Piscar de olhos, e Chamas sabia que era apenas ilusão. Ali restava apenas o pátio arruinado, canteiros cheios de cacos, muros descascados e um homem derrotado.

Suspirou fundo e, deprimido, saiu pelo portão enferrujado.

...

Na escuridão, o Lobo Prateado entrou no único cômodo preservado da casa. Os móveis e enfeites femininos deixavam claro que ali vivera uma pequena princesa.

Ajoelhou-se ao lado da cama desfeita, mãos trêmulas acariciando a foto no porta-retrato, chorando em silêncio.

— Cecília... — murmurou, o uivo dolorido de um lobo ferido.