Capítulo Cento e Sete: Austeridade no Dojô
O Dojô Qingming situava-se a oitenta li a sudeste da cidade de Kaiyang, no topo de uma montanha. Essa montanha, chamada Qingming, erguia-se a mil e trezentos metros de altura, e sua encosta superior permanecia envolta em névoa tênue durante todo o ano. Devido à sua inclinação íngreme, pessoas comuns sequer ousavam tentar subi-la. No entanto, quinhentos e trinta anos atrás, um mestre do Santo Grau, sozinho, abriu caminho pela montanha, esculpindo um trajeto até o topo. Assim nasceu o Dojô Qingming.
Em todo o Império Lanwu, esse dojô era o mais renomado e prestigioso. Graças à mediação do líder dos Mercenários Espada Dominadora, Lu Chengfeng conseguiu uma reserva para treinar ali. Não só pôde hospedar-se gratuitamente, como também lhe foi concedido o direito de cultivar-se intensamente por três meses.
Após resolver suas pendências, Lu Chengfeng arrumou-se de forma simples e partiu rumo à isolada Montanha Qingming, conforme combinado.
Talvez devido à abundância de energia do mundo, mesmo sendo inverno, a Montanha Qingming permanecia exuberante e verdejante. Do sopé, avistavam-se apenas incontáveis bambus verde-escuros balançando ao vento, exalando um aroma sutil e agradável. Com a brisa, ouvia-se o sussurrar das folhas. No centro desse vasto bambuzal, uma escadaria de pedra, suficientemente larga para que dois caminhantes subissem lado a lado, serpenteava rumo ao topo, onde o Dojô Qingming repousava oculto pela névoa.
Sentindo a energia de combate fervilhar em seu corpo, Lu Chengfeng sorriu satisfeito. Fitou o cume por um longo tempo antes de iniciar, passo a passo, a ascensão.
Segundo o líder da Espada Dominadora, a escadaria da Montanha Qingming contava cinco mil e trezentos degraus. Os mestres podiam ajustar sua energia vital e mental de acordo com os degraus. Ao alcançar o topo, atingiam o auge de sua potência. Assim, o cultivo já começava com o primeiro passo. Lu Chengfeng, em sua vida anterior, já passara por tal treinamento e era familiarizado com ele. Determinado, subiu confiante, rumo ao topo!
No caminho, outros espadachins desciam. Lu Chengfeng, imerso em seu próprio mundo, não lhes prestou atenção. Ali, longe do burburinho mundano, os guerreiros facilmente se desfaziam de distrações, mergulhando em estado de concentração e vazio.
Se alguém o seguisse, notaria que cada passo de Lu Chengfeng era preciso, o ritmo constante como o tique-taque de um relógio. A cada inspiração, sua energia fluía mais intensamente, e sua aura se tornava mais poderosa. Após duas horas de subida pausada, quando finalmente atingiu o topo, estava em seu melhor estado—sua energia de combate pulsava a cento e vinte por cento!
Seu ímpeto era tamanho que até os servos do dojô, trajando túnicas azuis, não puderam deixar de lançar-lhe olhares surpresos.
Esse estado era extremamente benéfico para o cultivo, e Lu Chengfeng precisava de muito esforço para alcançá-lo. Manteve-se assim por uma hora inteira diante do portão do Dojô Qingming, antes de expirar profundamente, retornando ao presente.
Ao abrir os olhos, um servo que esperava pacientemente ao lado se aproximou respeitoso e perguntou:
— Quem seria o senhor?
Satisfeito com a discrição do servo, Lu Chengfeng ofereceu-lhe mil moedas de ouro e apresentou sua reserva.
Os servos do Dojô Qingming eram rigorosamente treinados. Alguns buscavam o caminho marcial, outros a riqueza. Afinal, todos que ali frequentavam eram mestres, e mestres, em geral, eram abastados. O trabalho já oferecia bom salário, somado às gorjetas, atraindo inclusive espadachins de níveis médios e baixos. O servo diante de Lu Chengfeng era deste tipo. Recebendo a generosa gorjeta, sua reverência aumentou, inclinando-se levemente para guiá-lo.
Sob sua orientação, Lu Chengfeng conheceu o dojô mais famoso de Kaiyang.
Em termos de tamanho, o Dojô Qingming era vasto, suficiente para abrigar uma seita de mil membros. Porém, por dentro, era espaçoso, com poucas construções separadas por pequenos pátios. No centro, um campo de treino de mais de cem metros. Ali, mestres hospedados podiam duelar, resolver disputas ou simplesmente se aprimorar.
Nos fundos do dojô, uma nascente gelada escorria pela falésia.
Essa fonte continha energia misteriosa, excelente para fortalecer o corpo dos guerreiros. Após o treinamento, banhar-se ali revigorava e aprimorava a constituição, acelerando o progresso do cultivo.
Talvez por sorte, o pavilhão reservado para Lu Chengfeng ficava a cem metros dessa nascente.
O pavilhão era amplo, com um pequeno bosque de bambus e o restante do piso de pedra. No centro, uma cabana de bambu simples. Dentro, apenas uma cama, um futon e uma escrivaninha de madeira de pereira, sobre a qual repousavam livros antigos de técnicas marciais, repletos de anotações feitas por mestres anteriores. Contudo, eram técnicas básicas, pouco úteis para alguém do clã imperial da Espada Luminosa como Lu Chengfeng.
Após folhear algumas páginas, sua atenção voltou-se às obras penduradas nas paredes.
Em frente à porta, havia uma caligrafia evidentemente criada por um mestre: o caractere “Espada”, vigoroso e penetrante, parecia exalar uma aura mortal. De longe, já se sentia sua opressão; de perto, era como ter uma lâmina afiada diante dos olhos. Alguém sem força suficiente poderia até ser ferido pela intenção contida na escrita!
O autor dessa obra seguramente não era inferior ao próprio Lu Chengfeng em sua vida anterior—talvez até superior!
Próximas, mas separadas por certa distância, estavam mais quatro ou cinco caligrafias. Apenas quem tinha grande confiança em seu poder ousava deixar palavras ali. Das seis obras, quatro expressavam clara intenção de espada—ora pesada, ora feroz, ora etérea, todas distintas.
— Não é à toa que este é o dojô supremo da arte da espada!
Satisfeito após observar o ambiente, Lu Chengfeng depositou sua Espada Luminosa no suporte ao lado e sentou-se de pernas cruzadas no chão. Após breve repouso, iniciou seu cultivo formal.
Três meses podem parecer muito, mas para Lu Chengfeng não eram suficientes. O antigo dono de seu corpo desperdiçara tempo demais; ele precisava redobrar seus esforços para recuperar o atraso. Além disso, este local era perfeito para a ascese. O líder da Espada Dominadora provavelmente pagara caro por essa oportunidade—quem sabe quando teria outra chance? Cada segundo agora era precioso!
Ao relaxar completamente, na quietude da cabana, Lu Chengfeng logo retornou ao estado mental alcançado durante a ascensão à montanha.
A cada respiração, sua energia de combate harmonizava-se com as leis naturais. A cada ciclo em seus centros de energia, uma nova onda de poder se integrava aos canais, aumentando o turbilhão em seu corpo. Desde que atingira o quarto grau, seu turbilhão quase dobrara de tamanho, mas ainda estava longe do quinto grau!
Seu objetivo era acelerar ao máximo o progresso nesses três meses.
Com o auxílio do poderoso Elixir de Fusão e do Canto de Energia, sua energia de combate Tianfeng crescia a um ritmo assustador. Guiado pela consciência de um ex-mestre do quase nono grau, Lu Chengfeng cultivava com eficiência cinco a dez vezes superior à de um espadachim comum do quarto grau. Apenas quando sentia dor latejante nos centros de energia, quase ao ponto de ruptura, ele interrompia.
A rotina de cultivo era simples e monótona.
Os servos do dojô traziam três refeições pontualmente. Fora isso, Lu Chengfeng raramente via outra pessoa. Dedicava-se a dois períodos diários de cultivo de energia. No tempo livre, analisava formas de aprimorar sua Arte Tianfeng dos 72 Centros ou estudava técnicas com sua Espada Luminosa. Ao entardecer, após o treino, banhava-se na nascente gelada, usando suas propriedades para fortalecer o corpo.
O corpo ao qual renascera estava longe da perfeição de sua vida anterior, onde, desde os cinco anos, recebera o mais rigoroso treinamento imperial e consumira ervas raríssimas valendo milhões de moedas de ouro. Por isso, o efeito da nascente era ainda mais notável.
Bastava meia hora de imersão para sentir músculos e ossos mais fortes, e o poder crescendo incessantemente.
Além de tudo isso, havia uma vantagem única no Dojô Qingming: o Pico do Sol Nascente, no topo da montanha!
Todos os dias, durante quinze minutos ao redor do nascer do sol, a energia violeta dispersava momentaneamente a névoa do topo. Não só as paisagens se descortinavam por dezenas de li, mas a força luminosa beneficiava enormemente os espadachins. Cultivar-se no Pico do Sol Nascente aumentava a densidade da energia de combate, sendo um método de rara eficácia!
Salvo situações especiais, todos os praticantes do dojô reuniam-se diariamente nesse espaço de menos de cinquenta metros, para cultivar-se em silêncio por um quarto de hora.
Lu Chengfeng soube desse privilégio graças ao servo de túnica azul e, no segundo dia, já seguiu o exemplo. Embora os melhores lugares fossem reservados aos maiores mestres, mesmo à margem podia-se absorver a energia solar reunida pela topografia única. Aqueles quinze minutos valiam mais que uma hora de prática na cabana!
Assim, numa rotina simples e plena, Lu Chengfeng avançava, lenta porém firmemente, rumo ao quinto grau!