Capítulo Cinquenta e Um: Os Frutos do Anel
— Como pode haver apenas trinta mil moedas de ouro?
Não era só Liu Yinfu que estava atônito; outro proprietário de barco também ficou pasmo. Seus lábios tremiam e ele, instintivamente, esfregou os olhos com força. Mas o resultado era sempre o mesmo: não importava como olhasse, o número no cartão de cristal permanecia inalterado.
Ao redor, os espadachins também se agitaram, alguns surpresos, outros decepcionados.
— Deve haver outros cartões de cristal, esse deve ser apenas um dos muitos de Lobo Negro. Não pode estar errado, procure melhor! — Liu Yinfu subitamente se agarrou a essa possibilidade, animando-se outra vez e apressando Lu Chengfeng com voz alta.
— Certo.
Lu Chengfeng assentiu, mas naquele momento percebeu algo; após um instante quase imperceptível de hesitação, começou a retirar objetos mais rapidamente.
Enquanto vasculhava mais fundo o anel espacial, tirou de lá diversos itens: alguns materiais mágicos aleatórios, frascos de poções alquímicas e até objetos estranhos e excêntricos. Se sua suspeita estivesse correta, aquilo devia ser o produto de saques do Lobo Negro — bens de difícil revenda, por isso amontoados no anel.
A pilha de objetos no chão crescia sem parar, e Liu Yinfu e os outros ficavam cada vez mais ansiosos. Esticavam o pescoço, chegando cada vez mais perto, temendo perder algum detalhe.
— Acabou! — Por fim, depois de retirar algumas roupas velhas, Lu Chengfeng as jogou displicentemente a seus pés e proferiu exatamente o que Liu Yinfu e os outros não queriam ouvir. Vendo a decepção estampada no rosto dos dois grupos, Lu Chengfeng deu de ombros e jogou o anel para eles conferirem por si mesmos.
Liu Yinfu e o outro proprietário de barco imediatamente se lançaram sobre o anel, acompanhados de perto pelos espadachins curiosos.
Infelizmente, o anel espacial de Lobo Negro já não era dos maiores e, agora vazio, mostrava-se completamente oco. Por mais que revirassem, nada encontraram. Era óbvio que Lu Chengfeng havia retirado absolutamente tudo. Não havia fortuna de oitocentas mil moedas de ouro; somando tudo o que estava no anel, mal chegava a sessenta ou setenta mil!
Esse valor não era nem um décimo do que Lobo Negro havia proclamado.
— Acabou...
Da esperança fervorosa à decepção amarga, o abismo emocional deixou Liu Yinfu atônito. Ele murmurava palavras incompreensíveis, incapaz de aceitar a realidade naquele momento.
Os outros estavam igualmente abalados.
Lu Chengfeng apenas balançou a cabeça, revirando casualmente a pilha de objetos aos seus pés, chutando aqui e ali algo de valor.
Após cerca de dez segundos, Liu Yinfu e o outro proprietário finalmente voltaram à razão. Nesse momento, já estavam certos de terem sido enganados por Lobo Negro. O infame bandido, mesmo à beira da morte, os ludibriara, usando uma fortuna inexistente para incitar a cobiça entre eles. Ao pensar nas intenções mesquinhas que lhes haviam passado pela mente, ambos sentiram um calafrio e uma ponta de vergonha. Se realmente tivessem se matado entre si, Lobo Negro certamente se divertiria às gargalhadas no além.
Diante disso, trocaram olhares e involuntariamente passaram a admirar ainda mais Lu Chengfeng.
A tentação de oitocentas mil moedas de ouro — mesmo uma fração — não era algo que pessoas comuns pudessem resistir.
— Cof, cof... — Após duas tosses secas para disfarçar o constrangimento, Liu Yinfu se recompôs e retomou seu ar de mercador astuto: — Não esperava que tanto eu quanto você fôssemos enganados por Lobo Negro... Maldito seja! Ao menos conseguimos derrotá-lo. Agora, vamos dividir o que restou de seus pertences. Nobre espadachim, desculpe-nos pelo vexame anterior. Como compensação, fique à vontade para escolher o que quiser daqui.
Se fossem oitocentas mil moedas de ouro, Liu Yinfu jamais cederia. Mas agora, com tão pouco, não valia a pena arriscar desagradar um espadachim misterioso.
O outro proprietário de barco, vendo Liu Yinfu agir assim, apenas assentiu em concordância.
Lu Chengfeng sorriu, sem recusar a oferta. Contudo, sob o olhar atento dos dois grupos, não pegou os itens mais valiosos, mas sim algumas garrafas de elixires e um pedaço de material comum de quarto grau para forja, então se deu por satisfeito.
Depois que Lu Chengfeng terminou sua escolha, Liu Yinfu e os outros também não se fizeram de rogados e começaram a separar os objetos mais caros. Contudo, durante esse processo, uma ponta branca apareceu discretamente sob duas roupas velhas próximas aos pés de Lu Chengfeng.
— Quem está aí?
O pensamento de Lu Chengfeng foi mais rápido que a luz; imediatamente gritou com energia, parecendo ter percebido algo, e voltou-se para a escuridão, a mão já repousando no cabo da espada, como se tivesse avistado um inimigo.
Seu gesto alertou todos ao redor.
Liu Yinfu olhou desconfiado para o beco escuro, ponderando: “Será que aquele assassino de quinto grau ousou retornar?” Contudo, por mais que observassem, nada de anormal apareceu no beco sombrio.
Aproveitando a distração, Lu Chengfeng discretamente avançou um passo e pisou sobre aquela ponta branca. Ao perceber que ninguém notara, sentiu-se aliviado.
O clima tenso permaneceu por alguns instantes, até que Liu Yinfu, por fim, voltou-se para Lu Chengfeng:
— Percebeste algo?
Lu Chengfeng manteve a expressão séria e respondeu de forma vaga:
— Vi uma sombra passar rapidamente; talvez aquele assassino de quinto grau ainda esteja por perto. Suspeito que queira nos seguir para buscar vingança pelo Lobo Negro.
Suas palavras pareciam alarmistas, mas nenhum dos presentes ousou ignorá-las. Afinal, mesmo entre espadachins de quinto grau, ninguém tinha certeza de poder resistir a uma investida de um assassino do mesmo nível. E, se não temiam por si, que dizer de suas famílias?
Ninguém deseja ser alvo de um assassino de quinto grau!
Sob essa ameaça invisível, Liu Yinfu e seu grupo não ousaram demorar. Após tentarem, sem sucesso, obter contato com Lu Chengfeng e entenderem que ele não pretendia se aproximar deles, apressaram-se em dividir os objetos de valor no chão, descartaram o restante e se despediram rapidamente.
Lu Chengfeng os observou desaparecer na escuridão, sentindo-se finalmente em paz.
Depois de algum tempo, certificando-se de que não havia mais ninguém por perto, Lu Chengfeng afastou o pé, revelando o objeto até então oculto. Aquele pedaço branco era uma carta já aberta. Embora não soubesse exatamente quem a escrevera, ao encontrá-la no anel há pouco, Lu Chengfeng instintivamente a escondeu. Algo lhe dizia que aquela carta era mais valiosa do que qualquer material ou elixir.
E, de fato, estava certo.
Quando Lu Chengfeng retornou à sua morada, deparou-se imediatamente com informações valiosas na carta.
Não era longa; o papel, grosseiramente cortado, indicava certa displicência do autor. Ainda assim, o tom era de ordens de um senhor a seu subordinado. Embora não houvesse assinatura, pelo teor e pelo estilo autoritário da escrita, Lu Chengfeng adivinhou a identidade do remetente.
Era o senhor da cidade de Changyuan, no Império Tanghe: Lin Dongtian!
A carta mencionava apenas dois tópicos. O primeiro era uma ordem para que Lobo Negro eliminasse Lu Chengfeng o quanto antes. O segundo avisava que um representante da Casa Lin visitaria pessoalmente Luoling no início de outubro, recomendando que Lobo Negro preparasse a mercadoria com antecedência.
A Casa Lin de Changyuan!
O antecessor de Lu Chengfeng havia, por conta de uma mulher, ofendido o filho mais velho de Lin Dongtian, o que motivou a perseguição de Lobo Negro. Agora, com o bandido morto, o perigo estava longe de terminar. Dada a natureza vingativa da Casa Lin, a notícia só faria com que enviassem caçadores ainda mais perigosos atrás dele.
Como antigo príncipe imperial, Lu Chengfeng podia ser generoso em algumas questões, mas inflexível em outras. Em relação à Casa Lin, que buscava sua morte, não sentia qualquer simpatia. Até então, não tivera meios ou oportunidades de causar-lhes problemas. Mas agora, aquela carta lhe dava uma chance.
Luoling!
Pelas memórias que herdara, Lu Chengfeng sabia que Luoling situava-se em uma ponta das colinas orientais — justamente a área de influência do Lobo Negro nas rotas de vento. Se não estivesse enganado, era ali o covil do bando, ou ao menos um local relacionado. Dado que esconderijos de bandidos exigem condições geográficas eólicos específicas, agora, conhecendo a zona de Luoling, Lu Chengfeng poderia facilmente localizar o reduto do Lobo Negro.
Era a chance de ampliar seus feitos.
O bando Lobo Negro nem sequer era dos mais poderosos nas rotas de vento. Além do próprio líder, de quinto grau, o restante era composto por bandidos de terceiro grau, e dos dois capangas de quarto grau, um já havia sido morto por Lu Chengfeng. À época do Tianhong, ainda era de terceiro grau e já havia semeado o pânico entre eles. Agora, tendo alcançado o quarto grau, enfrentar um grupo com apenas um líder de mesmo nível seria tarefa sem suspense — sobretudo com o fator surpresa.
E, com sorte, poderia até interceptar a mercadoria mencionada pela Casa Lin.
Lobo Negro se vangloriava de possuir oitocentas mil moedas de ouro; talvez exagero, mas certamente seu tesouro não se limitava ao que havia no anel. Considerando o que estava na carta, era provável que tivesse convertido a maior parte em mercadorias.
Se conseguisse agir antes que a notícia da morte de Lobo Negro se espalhasse, poderia marchar durante a noite até Luoling e aniquilar o bando de uma vez só.
Só de imaginar livrar-se do perigo, apoderar-se da fortuna acumulada por Lobo Negro e ainda causar problemas à Casa Lin, Lu Chengfeng se decidiu. Uma oportunidade de atingir três objetivos de uma só vez não devia ser desperdiçada.
Assim, após passar a noite analisando mapas das colinas orientais e consultando o sindicato dos mercenários, ao amanhecer do dia seguinte, Lu Chengfeng arrumou rapidamente sua bagagem e embarcou no primeiro navio voador rumo às colinas orientais.
Renascido, após meses de reclusão, Lu Chengfeng deixava Kaiyang pela primeira vez, erguendo sua espada contra os inimigos desta nova vida.