Capítulo Cinquenta e Sete – O Vice-líder que Fingiu a Própria Morte

Dinastia dos Sabres de Luz Mensageiro de Odin 3409 palavras 2026-02-07 13:15:23

— Ah, então é assim que seus companheiros vendem os próprios colegas?

Desviando-se agilmente do ataque de dois piratas, Lu Chengfeng viu um deles sumir, tornando-se invisível. Soltou uma gargalhada e apontou para o local: — Olhem só, aquele que gritava que lutaria até a morte comigo foi o primeiro a fugir. Pelo visto, entre os bandidos do Lobo Negro, só o próprio Lobo tinha algum talento. O resto não passa de inúteis. Uma pena que até o Lobo Negro já está morto.

— O que você disse? — gritaram, incrédulos.

— O chefe Lobo Negro morreu? Isso não é possível!

Com uma frase leve, Lu Chengfeng atingiu em cheio os bandidos do Vento Selvagem por duas vezes. Primeiro, a fuga do companheiro já havia abalado a moral que mal tinham conseguido reunir. Em seguida, a notícia da morte do Lobo Negro, revelada por Lu Chengfeng, fez desmoronar o último pilar de esperança em seus corações.

— Não acreditem nisso! O chefe Lobo Negro é poderoso demais para morrer. Esse sujeito está inventando histórias só para nos desestabilizar! — gritou um dos mais astutos, tentando expor as intenções de Lu Chengfeng.

Lu Chengfeng apenas sorriu, revelou o endereço do esconderijo do grupo do Lobo Negro no bairro pobre de Kaiyang e, em poucas palavras, narrou como armou para o chefe deles. Cada detalhe verdadeiro fazia os rostos dos bandidos empalidecerem ainda mais. Por fim, quando Lu Chengfeng lhes mostrou os objetos do anel espacial do Lobo Negro, a vontade de lutar dos ladrões foi completamente esmagada.

Alguns dos mais próximos ao chefe Lobo Negro estavam especialmente desalentados. Naquele momento, qualquer aprendiz de espadachim seria capaz de derrotá-los.

Ao perceber que seu objetivo havia sido alcançado, Lu Chengfeng fez florear a espada novamente e partiu para o ataque. Quando a lâmina azulada voltou a se banhar em sangue, os bandidos finalmente entraram em colapso, fugindo em todas as direções. Em meio ao pânico, só havia um pensamento: afastar-se o máximo possível daquele homem, única chance de salvar a própria vida!

Depois de abater mais três em sua perseguição, os bandidos restantes do Lobo Negro, completamente aterrorizados, escaparam trêmulos para as sombras da montanha próxima. Feridos, sem água nem comida, e ainda à mercê das feras noturnas, mesmo que sobrevivessem por sorte, provavelmente estariam acabados.

Naquele instante, a fortaleza já ardia em chamas.

Algumas mulheres raptadas e familiares de bandidos conseguiram escapar, mas, sem saber o que havia acontecido, não ousaram descer a montanha. Ficaram ali, estáticos, observando o incêndio e o desabamento das casas, sem saber o que fazer.

— O bando do Lobo Negro chegou ao fim...

Quando Lu Chengfeng retornou, coberto de sangue e com a espada levemente opaca, deparou-se com essa cena. Permaneceu ali por um momento, suspirou, guardou a espada Relâmpago da Sombra Verde e voltou ao local da emboscada anterior. Ali, jaziam corpos espalhados, inclusive o vice-chefe dos bandidos do Lobo Negro.

Fitando aquele corpo imóvel, com uma poça de sangue sob si, Lu Chengfeng comentou, divertido:

— Ora, você já deveria ter acordado, não? Até quando pretende fingir-se de morto?

Uma rajada de vento noturno trouxe consigo o forte cheiro de sangue, mas o corpo continuava imóvel.

Lu Chengfeng deu de ombros e elevou a voz:

— Você acha que aquela estocada foi um descuido meu? Vou contar até três. Se não se levantar, não me culpe pela minha falta de gentileza!

— Um!

— Dois!

Quando Lu Chengfeng estava prestes a dizer “três”, o vice-chefe finalmente se mexeu e, com dificuldade, ergueu-se. Coberto de sangue, segurando o peito, olhou incrédulo para Lu Chengfeng:

— Você desviou de propósito aquele golpe?

Lu Chengfeng sorriu, saltou para o galho de uma árvore próxima e, sentado acima, devolveu a pergunta:

— O que acha?

— Faz sentido. — O vice-chefe baixou os olhos, resignado. — Nem mesmo o Lobo Negro foi capaz de enfrentá-lo. Para alguém como eu, um mero peão, seria impossível você errar. Se me poupou, certamente quer algo em troca, não é?

— Vejo que não é tolo.

Lu Chengfeng bateu palmas:

— Onde está aquela mercadoria?

Ao ouvir isso, o vice-chefe sentiu um calafrio, mas manteve a expressão inalterada e fingiu confusão:

— Que mercadoria? O bando do Lobo Negro não assaltou ninguém nestes últimos dias. Se estiver falando de alguma operação antiga, pelo menos diga qual navio foi.

— Não tente se fazer de desentendido, isso só vai apressar sua morte! — retrucou Lu Chengfeng com frieza. — Lembre-se: família Lin, da Cidade Longyuan. Vai dizer que não sabe? Ou acha que estou blefando?

— Então você sabe mesmo!

Se não estivesse tão enfraquecido, talvez o vice-chefe tivesse saltado do chão. Surpreso, olhou para Lu Chengfeng, ponderando rapidamente, e perguntou:

— Então a desgraça de hoje do nosso bando tem relação com os rivais do senhor da Cidade Longyuan?

Se fosse uma disputa entre grandes famílias, e o bando do Lobo Negro tivesse sido pego no meio, seria uma morte injusta!

Lu Chengfeng nada confirmou, ignorando a pergunta e seguindo:

— Sei que é esperto. O Lobo Negro está morto, o bando acabou, mas você ainda está vivo. Pense em si mesmo: diga onde está a mercadoria e pouparei sua vida. Caso contrário, não me culpe pela crueldade!

O vice-chefe esboçou um sorriso irônico:

— Acha mesmo que, se eu falar, vai me poupar? Não me tome por idiota. Só um tolo acreditaria numa promessa dessas.

Lu Chengfeng também não esperava que uma só frase fosse convencê-lo e continuou com ameaças e promessas:

— Não há motivo para teimar. A mercadoria não é sua. Morrer por coisa alheia é mais que estupidez. Além do mais, a fortaleza não é tão grande. Se não disser, acha que não sou capaz de encontrar por conta própria?

O vice-chefe não se comoveu.

— De fato, o esconderijo do Lobo Negro não é tão secreto, mas mesmo que encontre, talvez não consiga abrir. É um armário mágico com três fechaduras enigmáticas. Gostaria de ver como vai resolver isso. Ou será que nunca ouviu falar? Quer que eu explique?

Três fechaduras enigmáticas!

Como antigo príncipe do Império, Lu Chengfeng sabia bem o que era isso. Muitos tesouros da família imperial eram protegidos por esse tipo de mecanismo. Havia também versões com cinco ou até sete camadas. O segredo máximo do Império Celeste dos Ventos, no passado, era guardado com um enigma desses, de sete camadas.

Para os melhores ladrões e arrombadores, o mecanismo de três camadas não era insolúvel. Dariam conta em poucas horas. Até o de cinco camadas, com alguns dias de trabalho, poderia ser aberto. Mas Lu Chengfeng só tinha conhecimentos superficiais sobre tais dispositivos, estava longe de ser um especialista. Confiar nele para abrir um armário desses era impossível.

Além disso, alguns desses mecanismos traziam sistemas de autodestruição caso fossem acionados de forma errada várias vezes!

Lu Chengfeng saltou da árvore, aproximou-se do vice-chefe e o encarou, tentando encontrar algum sinal de mentira. Contudo, só viu certeza e tranquilidade nos olhos do homem.

Maldição!

O Lobo Negro era realmente astuto, por ter conseguido um dispositivo tão avançado. Não é de se admirar que tenha deixado a mercadoria no esconderijo, confiando plenamente nas defesas do covil.

O vice-chefe percebeu o incômodo de Lu Chengfeng e sorriu:

— Vejo que conhece os mecanismos de três camadas. Impressionante. Se o Lobo Negro não tivesse me contado, eu mesmo não saberia o que era, nem o quão difícil seria abrir! Então, o que pretende fazer agora?

Lu Chengfeng caminhou de um lado para o outro, parou de repente e encarou o vice-chefe:

— Admito, é complicado. Mas você, um mero espadachim de quarto nível, seria capaz de abrir um mecanismo desses? O Lobo Negro revelou esse segredo a você?

O vice-chefe respondeu com indiferença:

— Claro que não, mas isso não significa que eu não saiba como abrir.

Lu Chengfeng ergueu uma sobrancelha e logo entendeu.

Após hesitar por um instante, desistiu da ideia de torturá-lo e declarou:

— Muito bem. Se sabe como abrir o mecanismo, diga quais são suas condições.

Lu Chengfeng decidiu cooperar com aquele homem.

O vice-chefe apenas o olhou, sem dizer nada. Retirou um remédio do saco mágico, tratou os próprios ferimentos e fez um curativo cuidadoso. Lu Chengfeng, seguro de sua superioridade, não interferiu, apenas observou.

Depois de tudo pronto e de um breve descanso, o vice-chefe parecia um pouco melhor. Ergueu-se com esforço e se dirigiu à fortaleza em chamas, dizendo a Lu Chengfeng:

— Siga-me.

Não ia negociar condições?

Lu Chengfeng ficou intrigado, mas não disse nada. Seguiu o vice-chefe de perto, pronto para sacar a espada à menor tentativa de traição.

O vice-chefe, ciente de sua fraqueza, não tentou nada. Apenas guiou Lu Chengfeng contornando as ruínas em chamas, até um prédio de dois andares, ainda preservado no alto da fortaleza. Comparado às outras casas, aquele edifício era bem mais sólido e elegante. Sem dúvida, seria o quarto do próprio Lobo Negro.

— É aqui.

Com medo de despertar desconfiança, o vice-chefe abriu a porta e entrou primeiro.

Lu Chengfeng imaginava que o aposento de um chefe de bandidos seria decorado de forma luxuosa, repleto de espólios. Mas a realidade era outra: o quarto era simples, com poucos móveis e, nas paredes, apenas dois antigos pares de luvas. Quase não havia enfeites.

Se não tivesse visto com os próprios olhos, Lu Chengfeng não acreditaria.

— No andar de cima.

O vice-chefe notou que Lu Chengfeng examinava o local e esperou um pouco. Só depois de ele terminar, explicou e o levou ao andar superior, parando diante de uma parede ao leste. À primeira vista, não havia nada de estranho, mas, acostumado a mecanismos mágicos, Lu Chengfeng logo percebeu as sutis diferenças.