Capítulo Dezessete: O Cristal do Vento Puro
Ao retornar ao movimentado Portão Oeste de Kaiyang, Xu Yinjie, em seu estado deplorável, não conseguia evitar um suspiro profundo. Embora tivessem se passado apenas quatro ou cinco dias desde que saíra da cidade, para alguém acostumado ao conforto e à tranquilidade, como ele, parecia que meses haviam se passado. Se não fosse pelo encontro afortunado com Lu Chengfeng, provavelmente já teria encontrado a morte nas mãos dos minotauros.
Por isso mesmo, fez questão de convidar Lu Chengfeng para uma visita à Guilda dos Alquimistas, tanto para recepcioná-lo pessoalmente quanto para pagar a recompensa previamente prometida. Apesar dos defeitos comuns aos alquimistas, Xu Yinjie era, sem dúvida, um homem de palavra.
— Muito bem — respondeu Lu Chengfeng, após refletir sobre o convite. Salvara Xu Yinjie, arriscando-se justamente para criar laços com um alquimista intermediário. Além disso, extrair o pó de osso do Gato-Luz não era tarefa simples. E num laboratório de um alquimista desse nível, certamente encontraria todos os equipamentos e reagentes de que precisava.
Seria tolice desperdiçar tal oportunidade.
Guiados por Xu Yinjie, os dois adentraram uma rua pertencente à Guilda dos Alquimistas. Como alquimista intermediário e possuidor de seu próprio mérito, Xu Yinjie tinha direito a uma residência independente ali. Contudo, ao receber Lu Chengfeng, sua primeira atitude não foi tomar banho ou trocar de roupa, mas correr direto para a Guilda dos Mercenários, claramente disposto a acertar contas com o grupo que o abandonara na floresta.
Era, sem dúvida, um homem de sentimentos intensos.
Após alguns dias de convivência, Lu Chengfeng já percebera que Xu Yinjie era alguém de extremos: tratava bem quem lhe fazia o bem, retribuindo com generosidade, mas, se ofendido, não hesitava em buscar vingança. Directo, sim, mas Lu Chengfeng até preferia lidar com pessoas assim — relações sem rodeios são menos cansativas.
Depois de um banho relaxante e de trocar as roupas, Lu Chengfeng cuidou das próprias feridas antes de finalmente poder descansar. Aproveitou para observar o quarto de Xu Yinjie.
Como era comum entre alquimistas, o ambiente era uma bagunça. Materiais e tratados de alquimia estavam espalhados pela escrivaninha e pelo chão; as paredes estavam cobertas de papéis brancos, com anotações em caligrafia apressada — provavelmente ideias e inspirações súbitas. O cheiro de mofo, misturado ao odor penetrante de reagentes alquímicos, denunciava a falta de limpeza e ventilação.
— Mais um solteirão desleixado... — pensou Lu Chengfeng.
Alquimistas que apreciavam o luxo geralmente tinham assistentes, criados e até amantes, mantendo tudo em ordem. Por outro lado, apenas aqueles que se dedicavam inteiramente à alquimia poderiam criar novas fórmulas e medicamentos promissores por conta própria.
Além disso, Xu Yinjie parecia estar próximo de se tornar um alquimista avançado. Lu Chengfeng deduzira isso por algumas palavras despreocupadas do anfitrião. E um alquimista desse nível teria um status completamente diferente.
Não demorou para Xu Yinjie voltar esbaforido, exalando satisfação e autoconfiança. Pelo seu semblante, Lu Chengfeng concluiu que o grupo de mercenários que o abandonara teve o que merecia — multas, penalizações de reputação e, quem sabe, até dissolução forçada.
Após uma breve prece pouco sincera pelos mercenários, Lu Chengfeng aproveitou o jantar generosamente oferecido por Xu Yinjie e, sentindo-se impaciente, dirigiu-se ao laboratório de alquimia para iniciar seu próprio trabalho, com a permissão do anfitrião.
— Use à vontade. Todos os materiais aqui são gratuitos para você — declarou Xu Yinjie, batendo no peito, mas com um olhar curioso e desconfiado. — Tem certeza de que não precisa de ajuda? Se não conhece alquimia, há coisas perigosas aí.
— Pode ficar tranquilo, é só uma extração, nada demais — respondeu Lu Chengfeng, confiante. Em sua vida passada, sempre contara com um mestre alquimista da corte próximo de si. Nunca estudara alquimia formalmente, mas, só de conviver, aprendera as operações básicas de manipulação de materiais.
Com Xu Yinjie fora do caminho, Lu Chengfeng pôde dedicar-se integralmente ao trabalho. Por tratar-se da matéria-prima para sua próxima arma, não poupou esforços em buscar a perfeição, cuidando de cada detalhe. Primeiro, limpou e preparou os ossos do Gato-Luz; depois, mergulhou-os diversas vezes em soluções mágicas de alta concentração até que, ao final, os duros ossos haviam se tornado tão flexíveis quanto macarrão. Quando a solução já não apresentava impurezas, iniciou a etapa final.
Utilizando um extrato de Erva do Orvalho Estelar como base, preparou o reagente de extração para os ossos do Gato-Luz. Essa planta, originária de ambientes sombrios, era incrivelmente sensível à luz, e seu extrato, após tratamento especial, podia absorver ao máximo o pó ósseo do Gato-Luz. Uma vez saturada a solução, bastava evaporar e purificar para obter o material ideal para condensar energia luminosa.
Os procedimentos, embora simples, eram exaustivos e monótonos. A obtenção de pó ósseo de alta pureza exigia paciência e repetidos ciclos de purificação. Quanto maior a pureza, melhor o resultado na forja da espada de luz.
Assim, enquanto um alquimista comum terminaria o serviço em três ou quatro horas, Lu Chengfeng levou quase dois dias para concluir tudo. Ao final, dos ossos dos Gatos-Luz que abatera, obteve cerca de dez gramas de pó, armazenados num pequeno frasco de cristal.
O pó, de brilho suave e prateado, era tão fino e branco quanto o mais precioso pó de pérola da Baía de Falo. Mesmo a olho nu, podia-se perceber a pureza extraordinária, e até Xu Yinjie não poupou elogios. Em termos de forja de espadas de luz, esse pó superava em cem vezes o pó de pérola da baía. Com apenas dez gramas, seria possível forjar uma espada de luz de nível máximo para um espadachim de terceira ordem, e ainda sobraria material.
— Sua paciência é admirável — elogiou Xu Yinjie, impressionado ao ver Lu Chengfeng passar dois dias no laboratório, quase sem comer ou beber. Ele próprio só conseguiria algo parecido em momentos de obsessão. Agora entendia por que Lu Chengfeng era tão forte: se aplicasse a mesma dedicação às técnicas de espada, qualquer um alcançaria grandes feitos.
— Está pronto — disse Lu Chengfeng, após inspecionar o pó e confirmar sua qualidade quase perfeita. Guardou-o cuidadosamente e agradeceu a Xu Yinjie. Só em reagentes, usara mais de dois mil moedas de ouro nesses dias!
— Não foi nada... — Xu Yinjie respondeu com indiferença, hesitando por um instante antes de perguntar: — O que exatamente pretende fazer com isso? Um elixir de luz? Com essa pureza toda, seria um desperdício.
Lu Chengfeng sorriu enigmaticamente:
— Uma arma.
— Uma arma? — estranhou Xu Yinjie. — Que tipo de arma precisa de pó de osso de Gato-Luz?
Trata-se, claro, de um segredo da forja de espadas de luz, e Lu Chengfeng não pretendia revelar por enquanto. Após agradecer novamente e aceitar um último jantar, despediu-se. Xu Yinjie, compreendendo que o amigo tinha afazeres, não insistiu para que ficasse e apenas reiterou que estaria à disposição para ajudá-lo. Como agradecimento extra, presenteou Lu Chengfeng com dois frascos de Elixir de Ogro recém-preparados.
— Leve, pode ser útil numa emergência.
— Você conquistou minha amizade! — disse Lu Chengfeng, comovido ao examinar os frascos recém-preparados. Apertou a mão de Xu Yinjie com firmeza. — Da mesma forma, se precisar de algo, basta pedir. Ficarei por aqui em Kaiyang por um tempo; lembre-se da minha promessa!
Xu Yinjie alisou os cabelos já grisalhos e sorriu:
— Também gosto de amigos com quem compartilho temperamento. Venha quando quiser.
...
Ao deixar a rua da Guilda dos Alquimistas, Lu Chengfeng pôs-se imediatamente a buscar uma Pedra de Energia. Antes de entrar na Floresta Infinda, já havia deixado pedidos tanto na casa de leilões quanto na Guilda dos Mercenários. Dias depois, começaram a surgir respostas. Como oferecia um bom preço, recebeu propostas de três equipes da guilda. Porém, ao analisar cada oferta, percebeu que as pedras e núcleos apresentados eram inadequados: instáveis, pouco energéticos ou de difícil ativação. Nenhum servia ao seu propósito.
Nesse momento, veio boa notícia da casa de leilões. Na última semana de julho, realizaria-se na cidade de Kaiyang um grande leilão conjunto das três principais casas. Ali seriam ofertados todos os tipos de técnicas de espada, elixires, equipamentos mágicos e até belas escravas de raças exóticas — enfim, de tudo. Na lista de pedras mágicas, Lu Chengfeng encontrou exatamente o que buscava.
Pedra de Vento Puro.
Essa pedra mágica de quarta ordem, proveniente do Desfiladeiro dos Ventos Furiosos, continha energia de vento extremamente pura, acumulada por conta do ambiente peculiar de sua origem. Era perfeita para servir como núcleo de uma espada de luz, conferindo-lhe atributos de vento. Como o estilo da espada de luz já prezava pela leveza e agilidade, aprimorá-la com o elemento vento seria um verdadeiro salto qualitativo.
No momento em que viu a pedra, Lu Chengfeng soube que era a escolha perfeita.
Contudo, não era o único conhecedor do valor do item. Para qualquer guerreiro de até quinta ordem, era uma tentação irresistível. O valor inicial já seria de pelo menos quinze mil moedas de ouro, podendo facilmente chegar a vinte ou vinte e cinco mil no leilão.
Isso deixou Lu Chengfeng preocupado com suas próprias finanças. No momento, tinha trinta mil moedas de ouro. Se nada desse errado, conseguiria arrematar a pedra. No entanto, após pagar pela pedra e encomendar a forja, provavelmente ficaria sem um tostão. Para evitar cair na miséria logo após obter a espada de luz, decidiu aproveitar o tempo até o leilão para ganhar algum dinheiro extra.
Essa, afinal, era a rotina de todo guerreiro antes de alcançar o auge: lutar para crescer — e para sobreviver.