Capítulo Nove: Cortando o Meio de Vida dos Outros

Dinastia dos Sabres de Luz Mensageiro de Odin 3469 palavras 2026-02-07 13:14:48

— Senhor de Longyuan! —

As sobrancelhas de Lu Chengfeng franziram-se de imediato, finalmente percebendo onde estava o problema.

Ele jamais teria imaginado que a rede de informações dos mercadores do Porto Celeste fosse tão ágil. Sua ofensa ao senhor de Longyuan havia ocorrido pouco antes de partir, e o ataque dos Ladrões Lobos Negros se dera há menos de dois dias. Ainda assim, os comerciantes já estavam a par. Devem ter presumido que ele estava sendo pressionado, ansioso para se desfazer das mercadorias, e por isso tentavam esmagar o preço com maldade.

Malditos!

Agora que entendia o motivo, Lu Chengfeng ficou furioso ao ver o olhar seguro do ancião de roupas cinzentas, sentindo uma ira tal que quase desembainhou a espada ali mesmo. Contudo, a razão lhe dizia que aquilo era comum. Não só em Kaiyang, mas mesmo no antigo Império Tianfeng, intrigas semelhantes eram frequentes. Apenas ninguém ousava brincar assim com um príncipe imperial.

— E então, já decidiu? — O ancião, vendo o silêncio de Lu Chengfeng, julgou que o havia intimidado e insistiu: — Afinal, somos conhecidos. Não pretendo te prejudicar. Se fosse outro mercador, talvez nem vinte mil de ouro lhe dariam. No seu lugar, aceitaria logo e fugiria com o dinheiro.

— Não é necessário! — cortou Lu Chengfeng, recusando de forma categórica, contendo o impulso de insultá-lo e saindo sem olhar para trás.

Xingá-lo era inútil, sinal de imaturidade. Apenas hesitou próximo à porta e, friamente, declarou:

— Agradeço a “hospitalidade” de Vossa Senhoria. Até logo.

Deu ênfase irônica à palavra hospitalidade e fechou a porta com estrondo.

— Wang Feng, não vai reconsiderar? — O ancião ainda tentou dissuadi-lo, mas vendo a decisão inabalável de Lu Chengfeng, perdeu a compostura, cuspiu no chão e rosnou: — Arrogante! Vai voltar implorando!

Ainda insatisfeito, chamou um serviçal e ordenou:

— Vigie aquele rapaz. Aonde quer que ele vá vender, avise os outros: ele ofendeu o senhor de Longyuan e os Ladrões Lobos Negros, está perdido. Ah, e acrescente que agora também nos ofendeu, ao Comércio Chumen!

O empregado saiu apressado e o ancião, sentindo-se aliviado, tomou um gole de água, mas engasgou-se com a pressa, tossindo até se recompor. Cheio de raiva, jogou o resto da bebida ao chão, murmurando: — Cachorro ingrato!

Quase ao mesmo tempo, já do lado de fora do Comércio Chumen, Lu Chengfeng também praguejou em pensamento:

— Velho de olhos de cão! Em breve, te arrependes...

Por mais irritado que estivesse, Lu Chengfeng sabia que a natureza dos mercadores era buscar lucro. Falar-lhes de ética comercial era inútil, como tocar harpa para bois. Reprimiu a frustração e logo buscou outra casa mercante, desta vez menor. Seu antigo eu fora um pequeno comerciante; se evitasse as grandes casas, talvez as menores não soubessem de sua situação. Com sorte, poderia vender a carga pelo preço justo.

Mas então, algo estranho aconteceu.

No início, essa casa conferiu sua identidade e lista de mercadorias, ofertando imediatamente um valor adequado: sessenta e dois mil moedas de ouro, a serem creditadas em sua carta de cristal após a confirmação. Porém, ao término das negociações, quando se preparavam para ir ao cais descarregar, alguém chamou o gerente do lado de fora e sussurrou-lhe algo. Lu Chengfeng não deu importância, até que o homem regressou e, subitamente, mudou de atitude e de proposta.

— O preço anterior estava errado. Vamos renegociar. Que tal vinte mil? — O gerente mostrou dois dedos diante dele, o rosto antes amistoso agora desdenhoso. — Incluindo seu navio Tianhong.

A mudança repentina deixou Lu Chengfeng furioso, mas logo percebeu que havia algo errado.

Por que, justo após a saída do gerente, o preço havia caído tanto? Não se tratava de uma variação normal do mercado. Certamente, alguém havia informado sobre o desentendimento com o senhor de Longyuan.

Que azar o seu!

Se o informante tivesse chegado meia hora depois, o negócio estaria fechado.

Resignado, Lu Chengfeng não perdeu tempo discutindo ou barganhando. Simplesmente virou-se e foi embora. No Porto das Montanhas, havia dezenas de casas mercantes. Pertenciam a diferentes facções, com redes de informação distintas; impossível todas saberem de sua situação.

Com isso em mente, em uma hora ele visitou quatro casas diferentes.

Para sua surpresa e ira, além de uma grande casa que, como o Comércio Chumen, já o tratava com arrogância desde o início, as outras três primeiro lhe ofereceram bons preços, mas logo, após receberem notícias, baixavam brutalmente as ofertas. Uma delas chegou ao cúmulo de propor apenas dez mil moedas, navio e carga juntos.

O Tianhong, embora usado, valia sozinho umas trinta mil após uma reforma. Se antes a oferta do Comércio Chumen era uma manobra desleal, aquela última era puro escárnio.

Diante do sorriso satisfeito do gerente gordo, Lu Chengfeng não se conteve:

— Canalha!

Jogou-lhe água na cara e, sem esperar resposta, saiu rapidamente, ouvindo apenas os gritos indignados atrás de si. Ali, no Porto Celeste, era proibido uso de força — não temia represálias. Fora dali, sabia se esconder bem; não temia pequenos comerciantes sem real poder.

Após a quinta tentativa frustrada, se ainda não soubesse quem tramava contra ele, seria um imbecil.

Durante anos antes de renascer, mesmo que focado nas artes da espada luminosa, Lu Chengfeng testemunhara intrigas palacianas suficientes para aprender. Era claro: o Comércio Chumen, inconformado com sua recusa, quebrara propositalmente o código do mercado, espalhando informações negativas para cortarem seus negócios.

Se continuasse batendo de porta em porta, logo teria de voltar de cabeça baixa.

O plano era muito bem urdido. Mas os preceitos da Casa Lu de Tianfeng, que ele seguira desde pequeno, diziam: “Antes morrer, que se curvar!”

Em trinta anos de sua vida passada, nunca se humilhara diante de ninguém. Às vezes, por força das circunstâncias, precisou ceder na aparência, mas no íntimo, jamais se dobrou. Por isso, pôde um dia, em nome da realeza, executar um príncipe rival e erradicar sua linhagem. Agora, um mero gerente ousava humilhá-lo!

De braços cruzados, Lu Chengfeng parou no meio da multidão, olhos gelados como lâminas. Diante de sua postura altiva e ameaçadora, as pessoas instintivamente se afastavam, como se uma rocha irremovível dividisse o fluxo de um rio caudaloso.

Até mesmo um espadachim de quarto nível, passando por ali, desviou, sentindo o peso daquela presença.

Somente após perceber o espaço vazio ao seu redor, Lu Chengfeng notou o próprio descontrole. Rapidamente recolheu a hostilidade, ponderou um instante e, buscando informações numa taverna próxima, logo traçou um novo plano.

No Porto Celeste, o Comércio Chumen era realmente poderoso, mas não monopolizava o mercado. Havia outras quatro ou cinco casas à altura. Entre elas, o Comércio Yunlan era conhecido por rivalizar abertamente com os Chumen. Ninguém sabia ao certo a origem desta inimizade, mas desde a fundação, ambas competiam ferozmente.

Os Chumen certamente evitariam contato com Yunlan. Se a rede de informações dos rivais não tivesse ainda recebido as novidades, talvez Lu Chengfeng tivesse uma oportunidade.

O proprietário do Comércio Yunlan, diziam, não era humano, e sua loja destoava do estilo dominante em Mofeng, repleta de adornos metálicos de nuvens frias, criando uma atmosfera singular, ao mesmo tempo etérea e severa. Mas Lu Chengfeng não se atentou aos detalhes: ao anunciar-se, foi recebido por um homem de trinta e poucos anos, vestindo traje negro de espadachim.

— Impressionante!

Embora o homem disfarçasse bem o próprio poder, olhos comuns não perceberiam nada. Mas Lu Chengfeng, que fora quase um mestre de nono nível, sentiu de imediato a aura de ameaça e pressão. Se não se enganava, o anfitrião era ao menos um espadachim de sexto nível, talvez sétimo!

Muitos clãs e forças menores tinham como núcleo apenas guerreiros de sexto ou sétimo nível.

Esse homem, encarregado do atendimento na Yunlan, estava longe de ser comum. Nem mesmo o antigo Império Tianfeng teria alguém de sétimo nível como simples gerente. Apesar de confiar em sua antiga experiência, Lu Chengfeng sentiu respeito diante dele — afinal, agora não passava de um espadachim de terceiro nível.

— Por favor, sente-se.

O homem indicou-lhe a cadeira, sentando-se também. Após algumas gentilezas, passou ao assunto principal, observando-o atentamente e falando pausadamente:

— Wang Feng, nobre decadente do Império Tianfeng, capitão da nave Tianhong. Há uma semana, por causa de uma mulher, ofendeu o filho do senhor de Longyuan. Depois, foi atacado pela quadrilha dos Ladrões Lobos Negros, mas conseguiu expulsá-los de modo surpreendente. Capitão, estou certo?