Capítulo Oitenta e Três – O Cadáver Estranho

Dinastia dos Sabres de Luz Mensageiro de Odin 3305 palavras 2026-02-07 13:15:44

— Muito bem, vamos às ruínas!

A proposta de Lu Chengfeng agradou profundamente Chen Liu, que já estava muito curioso a respeito das ruínas da linhagem espiritual no interior da bacia. Apenas se continha por consideração a Lu Chengfeng, reprimindo seus próprios desejos. Agora que Lu Chengfeng tomara a iniciativa, ele, naturalmente, apoiava com entusiasmo.

Ao perceber a expressão entusiasmada de Chen Liu, Lu Chengfeng sorriu e alertou:

— Não se descuide. Embora este seja um vestígio da linhagem espiritual, não significa que seja um local seguro. Dez anos atrás, quando os últimos membros dessa linhagem deixaram a Floresta Interminável, é bem possível que tenham deixado mecanismos de proteção. Se notar algo estranho, me avise imediatamente.

— Pode ficar tranquilo, chefe Lu. — Chen Liu, ciente da gravidade da situação, assentiu seriamente.

Vendo que estava tudo em ordem, ambos partiram silenciosamente. A principal passagem das ruínas da linhagem espiritual, que descia das bordas da bacia, ficava bem perto do acampamento onde estavam os mercenários da Lâmina Sangrenta. Hoje, esse acesso estava monopolizado por várias potências. Seria impossível passar despercebido por ali. Felizmente, como a bacia era vasta, havia mais de um caminho para o subterrâneo. Após algum tempo de procura, encontraram uma rampa estreita.

A inclinação daquela trilha não era muito acentuada, e ainda havia cipós resistentes onde podiam se segurar. Seguindo por ali, desceram com facilidade pela borda da bacia, adentrando oficialmente o solo ancestral das ruínas da linhagem espiritual.

Do alto da bacia, Lu Chengfeng já percebera a extensão grandiosa do local, mas só ao pisarem ali de fato sentiram sua vastidão. Caminharam por mais de dez minutos pela antiga estrada de pedra até atingirem o que restava das muralhas externas, agora reduzidas a escombros.

Mesmo nos trechos que ainda se erguiam a mais de vinte metros de altura, Lu Chengfeng podia sentir o poder que o antigo reino da linhagem espiritual detinha. Infelizmente, agora os muros estavam tortos e ruídos, vários pontos haviam desabado. Enormes pedras estavam cobertas de musgo, e as fendas nos escombros davam lugar a amplas trepadeiras, que escalavam as paredes. O portão leste, onde estavam, não passava de tábuas podres, carcomidas pela chuva e pelo vento.

No musgo ao redor, era possível ver muitas pegadas desordenadas, sinal claro de que vários já haviam passado por ali antes deles.

— Vamos. — chamou Lu Chengfeng, entrando tranquilamente pelo portão.

Se o estado das muralhas era um vestígio da história, dentro das ruínas o tempo parecia ter parado. Árvores crescidas encobriam o local, tornando-o ainda mais misterioso. Quanto mais avançavam, mais densa ficava a floresta. Por fim, ruínas de palácios e árvores se misturavam tanto que era difícil distinguir uma coisa da outra.

— Para onde devemos ir? — perguntou Chen Liu, agora que a novidade passara e caminhavam sem rumo aparente. Notou que Lu Chengfeng não andava ao acaso, mas parecia buscar um destino específico.

— Para o templo, é claro — respondeu Lu Chengfeng, e em seguida explicou: — Nessas áreas externas não deve restar nada de valor. Se no coração dessas ruínas ainda existe algo importante, certamente estará no centro.

Chen Liu assentiu e ia acompanhá-lo, quando, de repente, percebeu uma sombra movendo-se entre as árvores e os escombros. Ficou imediatamente alerta.

— Quem está aí? — perguntou alto.

Lu Chengfeng também percebeu algo estranho, puxou sua arma e avançou cautelosamente. Mas antes que se aproximassem, a criatura magra revelou-se por conta própria. Tinha o pelo amarelo, membros e cauda desenvolvidos, e nas garras dianteiras uma energia verde vital se movia sutilmente; os olhos também eram verdes.

— Um demônio felino? — Chen Liu perguntou, incerto. — Até aqui no centro da Floresta Interminável existem dessas criaturas?

De fato, pela aparência, aquela criatura de olhos verdes parecia um demônio felino comum. Mas Lu Chengfeng, conhecedor dos segredos da linhagem espiritual, percebeu pelas sutilezas que não era um demônio felino comum. Pelo menos, não um ordinário.

— Trata-se de uma fera mágica criada pela linhagem espiritual. Muito parecida com um demônio felino, mas na verdade é uma variante. Seu verdadeiro nome só os membros da linhagem conhecem, mas nós a apelidamos de "Jardineiro Ruur".

O "nós" de Lu Chengfeng referia-se, naturalmente, aos registros da família imperial Tianfeng, mas Chen Liu não percebeu nada de estranho e perguntou:

— Jardineiro Ruur? Isso é nome de fera mágica?

Lu Chengfeng sorriu e, observando o monstro que os fitava fixamente, respondeu:

— Ele possui uma habilidade peculiar: pode fazer brotar, no solo, a Erva do Lamento. Essa erva pode atacar inimigos ou enredar alvos. Quando floresce, é bela como uma obra de jardinagem, mas ao atacar emite um som semelhante a "ruur". Daí o nome.

A variante do demônio felino não era paciente. Antes que Lu Chengfeng terminasse a explicação, ela já rosnava e atacava, tensa.

— Realmente impulsiva — comentou Lu Chengfeng, brandindo sua espada luminosa para enfrentá-la.

A fera era de quarto nível; além da agilidade, sua única ameaça era a Erva do Lamento. Bastava prestar atenção ao solo: ao notar a erva, era só desviar ou cortá-la, e a criatura não representava perigo algum para Lu Chengfeng.

Após duas mudanças de posição, Lu Chengfeng desferiu um golpe de Onda Sísmica, ferindo gravemente o Jardineiro Ruur. Chen Liu, já posicionado atrás da criatura, aproveitou a chance e, antes que ela fugisse, a atingiu em cheio, abatendo-a.

Dentro das ruínas, aquela era, provavelmente, a menor das ameaças.

Se não fossem capazes de lidar com isso, melhor seria voltarem para casa e dormir.

Como o corpo do Jardineiro Ruur não continha materiais valiosos, os dois não perderam tempo e seguiram adiante. No trajeto, viram mais de uma vez cadáveres de feras mágicas e guardiões de estátua, especialidade da linhagem espiritual. Ficava claro que haviam sido mortos por mercenários que passaram antes, poupando trabalho a Lu Chengfeng e Chen Liu.

— Parece que o trajeto já foi todo limpo. — Chen Liu não achava que isso fosse bom sinal, pois, em sua opinião, qualquer coisa de valor já teria sido levada. Mas Lu Chengfeng não respondeu de imediato. Depois de alguns passos, Chen Liu, sentindo algo estranho, olhou para trás e percebeu que Lu Chengfeng se aproximara da margem do caminho e, agachado, examinava um cadáver de Lagarto Explosivo.

— Tem algo errado? — perguntou Chen Liu, ao se aproximar.

Era um cadáver de fera mágica de quarto nível, um dos servos da linhagem espiritual, nada raro entre as ruínas.

— Preste atenção no grau de decomposição — apontou Lu Chengfeng, sério. — Comparando com os outros cadáveres que vimos, podemos afirmar que este morreu há quase meia quinzena. Tem pelo menos duas feridas profundas até o osso, sinais claros de que foi morto por um humano, não por outro monstro. Já os outros corpos que vimos foram mortos há um ou dois dias. Não te parece estranho?

— Isso realmente é esquisito! — Chen Liu, após pensar melhor, percebeu o problema. — Desde que os discípulos da Seita da Alma Terrestre descobriram este local, retornaram para avisar e vazaram a informação, até nossa chegada, não se passaram mais que uns dias. Mesmo contando a mais, não bate com o tempo! Se este corpo tem quase quinze dias, alguém entrou aqui bem antes de nós.

— Exatamente este é o ponto! — Lu Chengfeng limpou a roupa e levantou-se. — Ou seja, alguém descobriu este local há pelo menos duas semanas, mas a notícia só chegou para nós recentemente, e a própria seita ainda não havia explorado. E mais: só encontramos este cadáver mais antigo. Por que não vimos outros corpos semelhantes no caminho?

Esse era outro mistério.

Lu Chengfeng e Chen Liu mataram vários monstros ao entrar. Quem chegou aqui há quinze dias teria enfrentado mais criaturas, não faria sentido restar só um cadáver.

Chen Liu pensou em justificar com sorte, mas logo descartou a hipótese e disse:

— Talvez os outros cadáveres tenham sido removidos.

Lu Chengfeng assentiu, cada vez mais intrigado. Após refletir, disse:

— Venha comigo.

Junto ao confuso Chen Liu, vasculharam o caminho por onde vieram. Cerca de meia hora depois, em um canto escondido das ruínas, encontraram mais um cadáver com igual grau de decomposição. Entretanto, os ferimentos eram distintos: essa fera fora morta com um golpe brutal de uma grande espada.

— Não precisamos procurar mais — declarou Lu Chengfeng, batendo as mãos. Já tinha uma hipótese.

Há quinze dias, um grupo entrou secretamente nas ruínas. Quem eram ou o que buscavam, ele não sabia. Só era certo que tentaram ocultar seus rastros, deixando para trás apenas um cadáver por descuido.

— Quem faz tanto para não ser descoberto, certamente tem segundas intenções — concluiu Chen Liu.

— E provavelmente nada de bom — ponderou Lu Chengfeng, refletindo sobre quem seriam e se algo importante havia acontecido nesse intervalo. Mas com tão poucas pistas, não podia tirar conclusões. Ainda assim, ficou mais alerta: talvez alguém estivesse tramando algo nas ruínas.

Chen Liu pensava o mesmo. Quando estavam prestes a seguir, ouviram vozes vindas das ruínas próximas.

Alguém os seguia!