Capítulo Vinte e Dois: Forjando a Espada
A mais pura essência de um núcleo mágico de quarto nível do elemento relâmpago!
Lu Chengfeng, ignorando as dores, apressou-se e extraiu esse núcleo da carcaça carbonizada da besta do trovão. Embora o núcleo, quase translúcido e de qualidade excepcional, estivesse apagado devido ao consumo total de energia, sua estrutura permanecia intacta. Tudo o que restava a Lu Chengfeng era recarregá-lo quando retornasse.
Recarregar um núcleo mágico exaurido não era tarefa para qualquer um, mas tampouco era impossível.
Após examinar o núcleo sob a chuva por um longo tempo, Lu Chengfeng finalmente confirmou: aquele núcleo de quarto nível do elemento relâmpago poderia perfeitamente servir como o coração de armazenamento de energia de sua espada luminosa. Com os materiais de concentração e o núcleo mágico em mãos, Lu Chengfeng só precisava desenhar o circuito clássico de ativação da espada luminosa que tão bem conhecia para que um mestre ferreiro pudesse forjar sua arma.
A alegria da conquista dissipou toda fadiga e dor pós-batalha.
Após alguns momentos de expectativa, Lu Chengfeng se recompôs, limpou o campo de batalha e retornou sob a chuva à vila nas Alturas do Trovão. O que o desagradou um pouco foi que o jovem guarda que servira de guia, provavelmente acreditando ser impossível derrotar a besta de quarto nível, havia fugido sorrateiramente.
Nem sequer teve paciência para esperar?
Tal falta de respeito irritou Lu Chengfeng, que decidiu dar ao rapaz uma lição ao retornar.
Talvez devido à morte da besta capaz de controlar os ventos e chuvas, a tempestade cessou mais rápido do que a anterior. Quando Lu Chengfeng voltou à vila, a chuva já quase havia parado. Alguns guardas, vestindo capas de palha, preparavam-se para investigar fora da vila; ao verem Lu Chengfeng chegar vitorioso, surpreenderam-se e logo o rodearam.
“Esse é o corpo da criatura que causava problemas?”
“Sim, quando subi ao topo da montanha com o capitão, era essa a fera que invocava relâmpagos.”
“Mas não disseram que era pelo menos uma besta mágica de quarto nível?”
Após um breve momento de surpresa e discussão, os guardas enfim agradeceram a Lu Chengfeng. Ao perceberem que ele estava só, logo compreenderam o ocorrido, e seus semblantes se tornaram constrangidos: “O que houve com Wang Er? Não era para ele acompanhar o senhor espadachim? Como voltou sozinho antes?”
Para quem não lhe dá respeito, Lu Chengfeng também não retribui. Com um toque de desagrado, respondeu: “Não sei ao certo. Pedi que esperasse lá embaixo, mas após o combate com a besta, ele sumiu. Talvez o barulho dos trovões o tenha assustado... Felizmente, lembro o caminho de volta, senão nem conseguiria retornar para dar satisfações.”
“Pedimos desculpas...”
Os guardas não eram tolos, perceberam a insatisfação de Lu Chengfeng.
Apesar de aparentar ter apenas o nível de terceiro grau, era capaz de derrotar uma besta de quarto nível; sua força superava qualquer expectativa. Para não provocar sua ira, os guardas o receberam com calorosa hospitalidade, trouxeram o jovem guarda que fugira e o repreenderam severamente diante de Lu Chengfeng, prometendo puni-lo, o que finalmente lhe arrancou um aceno de aprovação.
Lu Chengfeng sabia que aquelas palavras provavelmente eram apenas para inglês ver e que, após sua partida, talvez não fossem cumpridas. Mas isso já seria suficiente para que o rapaz aprendesse a lição.
Era o bastante.
Após um breve descanso, Lu Chengfeng retornou a Kaiyang.
Após concluir a missão, recolheu-se ao quarto de sua pousada e, entre vários circuitos clássicos de espada luminosa que preparara antes, escolheu o mais adequado e começou a desenhar.
O projeto da estrutura interna da espada luminosa era um segredo reservado aos mestres ferreiros dessa arte. Contudo, para os antigos nobres das espadas luminosas, nada disso era problema. Cada membro da Casa Tianfeng Lu era rigorosamente instruído a conhecer cada parte de uma espada luminosa, pois apenas o domínio absoluto permitia extrair todo seu potencial.
No passado, Lu Chengfeng reclamava dessas exigências rígidas, mas agora só sentia gratidão.
Se não tivesse aprendido tantos circuitos clássicos de espada luminosa, como poderia definir o modelo de sua primeira arma?
Como o núcleo escolhido era do elemento relâmpago, Lu Chengfeng decidiu se inspirar em uma famosa espada do estilo inicial da Casa Tianfeng Lu: a Espada Relâmpago da Sombra Esmeralda!
Essa arma, afiada e leve, reunia quase todas as virtudes convencionais das espadas luminosas. Seu exclusivo circuito de ativação permitia executar cortes triplos com fluidez. Se estivesse nas mãos de Lu Chengfeng, talvez até pudesse estender para quatro cortes. Além disso, com um núcleo de relâmpago de excelente qualidade, quando a energia estivesse plena, seria possível disparar um poderoso raio em pontos específicos.
Uma arma tão potente, uma vez forjada, rivalizaria com a adaga de prata de quinto nível leiloada anteriormente.
Por ser um modelo consagrado, Lu Chengfeng copiou fielmente o circuito de ativação, sem alterações.
Esse processo consumiu quase um dia inteiro.
Com os três elementos da espada luminosa prontos, restava apenas a forja. Desde que chegou a Kaiyang, Lu Chengfeng dedicou seu tempo livre a pesquisar os melhores mestres ferreiros da cidade. Agora, já selecionara cinco ou seis com excelente reputação e confiabilidade.
Kaiyang, com seus milhões de habitantes, certamente tinha muitos mais mestres ferreiros. Mas Lu Chengfeng era exigente: queria um padrão elevado, capaz de garantir sucesso na primeira tentativa, além de integridade, alguém discreto que não divulgaria o circuito de ativação.
Especialmente esse último requisito era fundamental.
Lu Chengfeng sonhava em revitalizar o estilo das espadas luminosas e restaurar a glória dos nobres dessa arte; isso não seria possível sozinho. Os segredos relacionados à espada luminosa seriam revelados, mas não ainda. Com o legado da Casa Lu em mãos, mas ainda sem força suficiente, era como uma criança ostentando ouro em meio à multidão. Nos próximos tempos, seria prudente manter as espadas luminosas restritas ao seu alcance, evitando chamar atenção indesejada.
No entanto, após visitar cada um dos mestres ferreiros, Lu Chengfeng ficou bastante insatisfeito.
Os mestres, dignos de seu renome, ao receberem os materiais e projetos de Lu Chengfeng, garantiam que podiam forjar a arma. Porém, ao analisar os detalhes, nenhum deles assegurava sucesso absoluto na primeira tentativa.
Era compreensível.
A estrutura das espadas luminosas diferia fundamentalmente de outras armas: espadões, adagas ou katanas. O circuito apresentado por Lu Chengfeng era um clássico milenar, sofisticado e complexo. Sem experiência prévia, era impossível prometer perfeição logo de início.
Se pudesse fornecer materiais extras, esses mestres se sentiriam mais seguros para atender às exigências de Lu Chengfeng.
Mas ele já não era o príncipe imperial do antigo Império Tianfeng, rico a ponto de esbanjar. Não podia arcar com tantas tentativas.
Após quatro fracassos consecutivos, Lu Chengfeng, desapontado, foi à última oficina de ferreiro.
Essa loja, renomada em Kaiyang, era comandada por um mestre ferreiro da tribo bárbara do norte. Como esses povos tinham vida bem mais longa que os humanos, Lu Chengfeng depositou suas últimas esperanças nesse mestre.
"Bem, não é uma espada luminosa? Que coisa rara", disse o ferreiro, apoiado numa imensa marreta, semi-embriagado, bebendo aguardente. Após olhar de relance os desenhos e materiais de Lu Chengfeng, coçou o nariz rubro de álcool e perguntou: "Onde conseguiu isso?"
Lu Chengfeng desviou da pergunta: "Isso não importa. O essencial é: pode forjar com sucesso na primeira tentativa?"
"Claro..."
O ferreiro do norte, confiante, acenou com desdém, aparentemente incomodado com a dúvida de Lu Chengfeng: "Pelo material, é uma espada luminosa de terceiro ou quarto nível. Qual a dificuldade?"
Essa resposta animou Lu Chengfeng.
Embora o mestre bárbaro parecesse bêbado e desleixado, quando despertava, seu talento nato para a forja era incomparável, capaz de criar obras-primas. Lu Chengfeng não hesitou: "Muito bem, quais são suas condições para forjar esta espada?"
"Condições, hein..."
O bárbaro bebeu mais um gole, e, sentindo o efeito, respondeu meio confuso: "Como achei interessante a espada luminosa, cobro só cinco mil moedas de ouro como entrada. Mas, ao concluir, quero gravar meu nome nela."
Esse era o método mais comum para ferreiros aumentarem sua fama no Continente Mofeng, nada que preocupasse Lu Chengfeng, que aceitou prontamente.
"Deixe-me ver... Ah, quero também bebida! Vá à Taverna Lua de Prata e traga duas garrafas do destilado Espada de Lírio, do tipo mais forte, produzido em Longxi. Não aceito outro."
Espada de Lírio?
Lu Chengfeng assentiu e anotou o pedido. Confirmando que não havia outras exigências, despediu-se com cortesia e dirigiu-se à Taverna Lua de Prata. Era um estabelecimento famoso, sobre o qual ouvira falar diversas vezes desde seu renascimento, mas nunca visitara, o que despertou sua curiosidade.
Com certa expectativa, Lu Chengfeng chegou à Taverna Lua de Prata.
Por fora, parecia modesta, mas por dentro era um amplo salão de três andares. A decoração tinha forte influência do povo espiritual, e uma banda tocava música leve e alegre com órgão de vento e flauta de cipó. No centro do salão havia uma área de duelo, onde, de tempos em tempos, clientes se enfrentavam para entretenimento dos presentes.
Talvez por ser tarde, a taverna estava relativamente vazia.