Capítulo Vinte: O Monstro do Trovão que Invoca Ventos e Chuvas
Obter por acaso o Canto Psíquico deixou Lu Chengfeng de bom humor por um dia inteiro.
No entanto, após sentir a energia vibrante do seu próprio qi de batalha, Lu Chengfeng teve de encarar um fato: depois de arrematar o Canto Psíquico, o dinheiro que lhe restava não era suficiente nem para comprar uma pedra de armazenamento de energia. Isso significava que a via de obtê-la através da casa de comércio estava fechada, restando-lhe apenas a alternativa de agir por conta própria.
Para isso, ele precisava primeiro escolher um alvo.
As missões para obter pedras de armazenamento de energia eram ou difíceis demais, ou totalmente inadequadas para uma pessoa executar sozinha. A melhor escolha de Lu Chengfeng era, portanto, caçar uma besta mágica adequada e obter seu núcleo mágico. Considerando que a qualidade do núcleo geralmente era inferior à das pedras de energia, ele precisava escolher o alvo com extremo cuidado.
Durante dois dias, Lu Chengfeng não encontrou um alvo apropriado.
Foi nesse momento que um novo trabalho de nível D, recém-anunciado pela Guilda dos Mercenários, chamou sua atenção.
Nos últimos trinta dias, o clima na vila das Alturas Trovejantes, situada na orla da Floresta Infinita, vinha mudando de maneira muito estranha, com tempestades de relâmpagos ocorrendo com frequência. Alguns guardas do vilarejo, ao se arriscar para investigar, descobriram que provavelmente uma besta mágica de quarta ordem com afinidade relampejante havia migrado para as redondezas. Diante disso, a vila recorreu à Guilda dos Mercenários de Kaiyang.
A recompensa dessa missão era modesta; a vila, sem grandes recursos, conseguiu reunir apenas quinhentas moedas de ouro.
Uma missão com informações incertas e recompensa tão baixa dificilmente atrairia os mais habilidosos. Por outro lado, guerreiros de nível inferior temiam não ser páreo para uma besta mágica de quarta ordem. Entre a hesitação de uns e outros, Lu Chengfeng acabou por aceitar a missão.
A recompensa não era o mais importante; o fundamental era que, ao assumir o trabalho, Lu Chengfeng teria direito ao apoio da vila e a informações mais detalhadas.
Sem dúvida, o verdadeiro alvo de Lu Chengfeng era o núcleo mágico da besta elétrica de quarta ordem.
Comparado ao cristal de vento, que acelerava seus movimentos, um núcleo mágico com propriedades elétricas poderia adicionar atributo de relâmpago à sua espada luminosa, paralisando os movimentos do inimigo. Um acelerava os seus, o outro reduzia a velocidade adversária – ambos, a seu modo, igualmente eficazes. Pelas informações obtidas, a região das Alturas Trovejantes era frequentemente palco de tempestades, e os núcleos das bestas elétricas dali deviam ser bastante puros, tornando-se excelentes materiais alternativos para forjar sua espada luminosa.
Assim, meio dia depois, Lu Chengfeng já estava na vila das Alturas Trovejantes.
Chamá-la de vila já era generosidade; não era maior que uma fazenda comum. A maioria dos jovens havia partido para buscar emprego em Kaiyang, e a força de defesa local era, por isso, escassa. Havia apenas sete ou oito guardas, com força média de segunda ordem. Para ser franco, Lu Chengfeng poderia derrotá-los sozinho, com uma mão só.
— Quem é você?
Talvez por acharem Lu Chengfeng jovem, mal equipado, portando uma arma comum e um anel sem graça (cuja aparência acabara de ser disfarçada), os guardas designados para recebê-lo o olhavam cheios de desconfiança. A missão deixava claro: o perigo era, provavelmente, uma besta elétrica de quarta ordem. Contra tal ameaça, o mínimo que esperavam era um grupo de mercenários ou um guerreiro de quinta ordem.
Um mero espadachim de terceira ordem, sozinho, não estava ali para se sacrificar?
Lu Chengfeng percebeu a dúvida deles, mas não havia o que fazer. Apenas torceu os lábios. Afinal, se não fosse por sua reencarnação, ele mesmo não teria como se justificar.
Depois de um breve repouso e de se informar sobre a situação, Lu Chengfeng partiu rapidamente, levando consigo um guia. No entanto, o guarda escolhido estava visivelmente relutante, certo de que essa missão era perigosa demais, mas, sem alternativa, acabou se preparando lentamente e seguiu atrás de Lu Chengfeng.
Nesse instante, o que era um dia de verão escaldante e ensolarado foi interrompido por um trovão vindo do céu limpo.
Ao som de estrondos, nuvens se aglomeraram e uma chuva torrencial caiu de repente. O jovem guarda, encarregado de ser o guia, parecia já acostumado e comentou com desdém:
— Está vendo? Esse é o clima estranho que temos tido há um mês.
— Realmente estranho...
Do relâmpago ao aguaceiro, passaram-se apenas dois ou três minutos. Os arredores de Kaiyang têm clima ameno o ano todo; mesmo no verão, chuvas fortes jamais surgiriam tão abruptamente. Tais extremos climáticos confirmaram a Lu Chengfeng a identidade do monstro. Apenas uma poderosa besta elétrica, ao liberar magia sem controle, poderia alterar o clima local e provocar tempestades repentinas — claro, a peculiaridade climática da vila também favorecia isso.
De toda forma, pela intensidade dos raios, a criatura era de fato formidável!
Apesar de hesitar sobre sua chance de vitória, Lu Chengfeng sentia principalmente excitação. Um núcleo mágico originado de tal besta certamente permitiria forjar uma espada luminosa de relâmpago excepcional.
A chuva cessou apenas às duas da tarde. Com o tempo aberto, Lu Chengfeng apressou o guarda, e ambos entraram na floresta perto das Alturas Trovejantes. Segundo o guia, a suposta besta elétrica de quarta ordem encontrava-se no topo da floresta, a menos de dez quilômetros deles.
Por estar tão próxima, os aldeões estavam preocupados, temendo que, a qualquer momento, a besta pudesse atacar. Com a força dos guardas locais, seria impossível detê-la.
Penetraram em silêncio.
Após a chuva, a floresta estava úmida, gotas caíam das folhas de árvores de até quinze metros de altura, como as madeiras-de-leite e as bétulas. Entrar na floresta nessas condições não era a melhor opção, e o guarda passou boa parte do caminho resmungando, sem esconder seu descontentamento. Mas Lu Chengfeng, seguro de seus motivos, ignorou o jovem e seguiu até o local determinado.
Ali, deparou-se com marcas familiares.
— Kobolds?
Além da besta de quarta ordem no topo, havia por ali um grupo de kobolds. Essas criaturas baixas eram comuns na Floresta Infinita, e não era surpresa encontrá-las. Para evitar que fossem um incômodo na luta contra o monstro elétrico, Lu Chengfeng decidiu eliminá-las antes.
Porém, antes que ele mesmo pudesse procurá-los, alguns guerreiros kobolds já vieram lhe causar problemas.
Como sua base de poder era baixa, seu progresso era notável; a cada dia, Lu Chengfeng percebia avanços evidentes. Quando entrara na Floresta Infinita antes, esses kobolds comuns já não eram páreo para ele. Agora, com seu qi de batalha progredindo a passos largos e com o auxílio do Canto Psíquico, aqueles kobolds não passavam de presas fáceis.
Com poucos golpes de espada, e um golpe final de Onda Sísmica, Lu Chengfeng os derrotou com facilidade.
A rapidez com que concluiu o combate surpreendeu o guarda, que passou a olhá-lo com mais respeito. Ainda assim, não acreditava que um espadachim de terceira ordem pudesse vencer uma besta elétrica de quarta ordem. Mesmo quando, em combates seguintes, Lu Chengfeng matou outros kobolds conjuradores que já dominavam magia elemental, a descrença do guarda não mudou.
Abater kobolds não provava nada.
— Estamos quase no topo — disse o guarda, parando e recusando-se a avançar.
— Tudo bem, espere aqui — respondeu Lu Chengfeng, sem forçar a situação. Deixou o rapaz ali e seguiu sozinho.
Cinco minutos depois, ele finalmente avistou a besta elétrica de quarta ordem, no altar de pedra no cume. Era uma criatura gnoma, cinzenta e branca, ereta, com um único chifre na testa e envolta em energia elétrica intensa. Talvez já tivesse sido atacada por mercenários, pois entre os destroços atrás dela estava uma adaga manchada de sangue seco.
O bestiário das aberrações mágicas do Império Tianfeng a descrevia; ao vê-la, Lu Chengfeng logo reconheceu sua espécie.
Besta de quarta ordem, de poder mágico devastador.
Felizmente, ele estava preparado.
Guerreiros comuns preferem armaduras de metal pesado e espadões, o que lhes dá grande poder defensivo e destrutivo. Mas, contra uma besta elétrica, tal equipamento seria fatal, pois o metal, condutor excelente, potencializaria os feitiços de relâmpago do inimigo.
O mesmo valia para espadas de ferro.
Se estivesse com a espada luminosa, Lu Chengfeng não teria motivo para se preocupar. Infelizmente, usava uma espada longa de aço comum, o que exigia preparação. Antes do combate, retirou de sua mochila uma poção de Salamandra de Fogo, preparada com antecedência. Essa poção temporariamente dava à arma propriedades mágicas de fogo.
Revestida pela energia ígnea, a espada não seria facilmente atingida pela eletricidade.
A poção de Salamandra era vermelha e morna ao toque, sem maiores características. Mas, ao espalhá-la cuidadosamente pela lâmina, esta entrou em combustão, envolta em chamas avermelhadas.
Satisfeito, Lu Chengfeng empunhou a espada, e avançou para enfrentar a besta elétrica, que já percebera sua presença.