Capítulo Setenta e Cinco: O Ataque dos Lobos do Vento
De qualquer forma, o magro era o iniciador do grupo temporário. Se os membros da equipe se desentendessem, seu semblante também ficaria constrangido. Afinal, a intenção de se juntarem era justamente para se apoiarem mutuamente. Se já começassem com relações tensas, qual seria o sentido de formar uma equipe?
— Está quase na hora.
Após esperar um pouco sem encontrar mais candidatos adequados e vendo que o dia já se aproximava do fim, o magro decidiu não se demorar mais. Consultou os dois mestres de espada de quinto nível do grupo, recebeu a aprovação deles e, em seguida, foi perguntando aos demais. Por fim, lançou um grito entusiasmado, conduzindo os cinco em direção à floresta.
— Esse sujeito é realmente bom em decifrar pessoas — pensou Lu Chengfeng, ao analisar rapidamente o grupo temporário e concluir que nenhum deles merecia atenção especial. Assim, seu interesse recaiu sobre o magro. Embora sua força fosse apenas de quarto nível e sua aparência fosse lamentável, era perspicaz, com uma personalidade e temperamento agradáveis. Um tipo de pessoa muito interessante.
Gente assim costuma se sair melhor do que muitos mais poderosos.
Desde a última vez que foi e voltou das montanhas Tianquan, Lu Chengfeng retornara à Floresta Infinita após pouco tempo. Embora agora não estivesse mais sozinho, mas parte de um grupo de seis, os mercenários que se juntaram ao grupo eram acostumados a agir individualmente, sem hesitações ou atrasos. Por isso, o avanço dos seis não era muito mais lento do que o de um solitário.
Logo, deixaram para trás várias outras equipes e penetraram cada vez mais fundo na Floresta Infinita.
Como aquela região ainda não era perigosa, Lu Chengfeng manteve-se descontraído. Aproveitou a oportunidade de abater uma fera mágica de terceiro nível para aproximar-se do magro e iniciar uma conversa casual.
O magro era fácil de se conversar. Bastaram poucas palavras para Lu Chengfeng descobrir seu nome: Chen Liu. Provavelmente, o nome tinha relação com o grupo de mercenários Liu Liu ao qual pertencia. Embora Chen Liu não fosse particularmente forte, e o grupo Liu Liu não tivesse fama em Kaiyang, o rapaz conhecia muitas coisas. Durante a caminhada, Lu Chengfeng aprendeu bastante sobre Kaiyang conversando com ele.
Provavelmente, por tédio no caminho, os outros mercenários, mesmo sabendo tanto quanto Chen Liu, escutavam com interesse e, vez ou outra, davam seus pitacos.
Em menos de meio dia, Lu Chengfeng já estava familiarizado com todos eles.
Todavia, à medida que o grupo avançava, o ambiente descontraído começou a desaparecer rapidamente. O terreno tornou-se mais difícil, e feras mágicas surgiam de surpresa, obrigando-os a reduzir o ritmo. Um dos mestres de espada de quinto nível, chamado Tang De, reclamou:
— Ainda falta um dia para chegarmos. Aqueles malditos da linhagem espiritual se escondem mesmo fundo na floresta!
Sua queixa logo encontrou eco entre os companheiros.
Antes disso, o ponto mais profundo da Floresta Infinita que Lu Chengfeng conhecera era a cordilheira Tianquan. Porém, as ruínas dos espíritos eram ainda mais distantes. Apesar de sua impaciência com o ambiente abafado e úmido, ele tinha mais paciência do que seus companheiros temporários e caminhava em silêncio no meio do grupo.
Afinal, reclamar não ajudaria em nada.
Por outro lado, o outro mestre de espada de quinto nível não era tão paciente. Careca e com uma feia cicatriz na testa, resmungou mais de dez vezes. No início, todos toleravam. Depois, até Tang De perdeu a paciência e o repreendeu, fazendo-o calar-se por ora.
Logo, não teriam tempo nem para reclamar.
Quando o crepúsculo caiu, um uivo retumbante ecoou das profundezas da floresta. Após esse grito, outros uivos de lobos se seguiram, crescendo em intensidade. Os mercenários empalideceram.
Era uma alcateia!
Lobos comuns não representariam ameaça para mercenários de pelo menos quarto nível. Mas, nas profundezas da Floresta Infinita, não existiam lobos comuns. Pelo uivo cada vez mais alto, os dois mercenários experientes deduziram: lobos de vento de quarto nível, uma variante perigosa.
Essa fera mágica era extremamente comum e espalhada, vista nos três grandes impérios humanos.
Embora cada região tivesse suas diferenças, todos os lobos de vento compartilhavam uma característica: eram cruéis, astutos e manipulavam o elemento vento. Quando se uniam, até combatentes muito mais fortes preferiam evitá-los. Existiam inúmeras alcateias de tamanhos variados pela floresta, mas aquela que se aproximava era, sem dúvida, direcionada ao grupo deles.
— Atenção! — advertiu Tang De, sério, sacando sua espada e baixando a voz.
Diante de uma alcateia de lobos mágicos de quarto nível, ninguém se arriscava. Nem era preciso avisar: os mercenários já estavam alertas. Os mais experientes espalharam espinhos de ferro envenenados ao redor. Embora o veneno não fosse letal, caso os lobos passassem por ali, teriam uma surpresa desagradável.
— Auuuu!
Os uivos aproximavam-se, e Lu Chengfeng e seus companheiros já sentiam leves tremores no solo.
— Como esses bichos nos encontraram? — questionou Chen Liu, intrigado. Desde que entraram na floresta, não haviam cometido imprudências, e a comida era toda preparada. Se os lobos mágicos sentiram o cheiro deles de longe, seus narizes eram afiados demais!
Ninguém respondeu, mas logo a explicação surgiu.
Não era que a alcateia tivesse localizado o grupo com precisão, mas sim que alguns mercenários azarados, fugindo do cerco, correram em direção ao grupo de Lu Chengfeng. Os seis apenas estavam no caminho de fuga deles.
Por coincidência.
Chen Liu e Tang De sentiram-se involuntariamente envolvidos em um problema, uma verdadeira desventura. Já os mercenários que fugiam, ao ver outro grupo, ficaram radiantes. Após perderem alguns companheiros e escaparem com dificuldade, ainda eram perseguidos por muitos lobos de vento. Já estavam quase sem esperança, quando encontraram outros humanos.
Desesperados, não pensaram nas consequências e correram em direção ao grupo, gritando:
— Socorro! Salvem-nos!
Quem está prestes a se afogar agarra qualquer fio de esperança.
Os lobos mágicos, ao verem novas presas, tornaram-se mais inquietos.
— Malditos idiotas! — murmurou Tang De, impotente. Os lobos já estavam ali; não havia como evitar o perigo. Mas, ressentido por ter sido envolvido, não foi benevolente. Impediu que os três mercenários fugidos entrassem no círculo formado pelo grupo, obrigando-os a ficar do lado de fora.
Com as costas protegidas pelos seis, os três mercenários podiam respirar um pouco, mas, de fato, tornaram-se uma muralha viva para o grupo.
A sugestão pouco humanitária de Tang De não encontrou oposição; Chen Liu concordou abertamente, e Lu Chengfeng apenas observou, focando nos lobos mágicos que avançavam. Um dos três mercenários estava ferido e corria mais devagar. Quando estavam a apenas vinte metros do grupo, ele foi finalmente alcançado por um lobo de vento que saltou sobre ele.
Um grito desesperado ecoou.
O lobo cravou os dentes em sua garganta, matando-o rapidamente. Não pararam para devorar a presa, continuaram a perseguir os demais. Quando os dois sobreviventes se uniram ao grupo de Lu Chengfeng, os lobos pararam, circulando ao redor. Sob comando do alfa, o rei lobo de vento, os astutos lobos dispersaram-se, formando um cerco amplo.
— Maldição, são mais de trinta! — exclamou Chen Liu, tremendo ao ver os olhos verdes brilhando na escuridão. Mesmo cercado de companheiros, não podia evitar o sentimento de ser um prato servido, tal era a ferocidade dos lobos.
— Ei, deixem-nos entrar! Todos somos mercenários de Kaiyang, viemos pelas ruínas dos espíritos, devíamos nos ajudar nesse momento crucial! — imploraram os dois mercenários assustados, excluídos do círculo, sem tirar os olhos dos lobos prestes a atacar, e pressionando os de trás.
Infelizmente, Tang De e o careca com cicatriz não tinham simpatia por quem trouxe calamidade, recusando firmemente e até com certo prazer malicioso:
— Vocês têm identidade e origem desconhecidas. Quem garante que não vão nos apunhalar pelas costas ou fugir novamente quando enfrentarmos os lobos? Se querem sobreviver, lutem por conta própria.
Sua preocupação não era infundada.
Os dois sobreviventes não pareciam muito fortes. Conseguiram escapar, talvez abandonando seus companheiros. Se fossem admitidos na defesa, poderiam fugir novamente no momento de crise, deixando o grupo vulnerável. Isso era comum no mundo dos mercenários.
A cicatriz do careca era resultado de um ato altruísta. Por ter sofrido uma grande perda, tornou-se inflexível. Afinal, quem foge uma vez, pode fugir novamente.
— Ora, você está pensando que somos o quê? — retrucaram os dois mercenários, ruborizados, xingando. Mas, por mais que protestassem, o grupo não cedeu. Cansado da insistência, o careca apontou sua espada para eles, ameaçando virar o jogo a qualquer momento.