Capítulo 92: Tian Bergluz, Eliminado!
A luz do sol inclinava-se, banhando a estrada principal e as florestas próximas com um brilho intenso. Cerca de uma dezena de figuras vestidas com túnicas cinzentas surgiram com saltos ágeis, pousando ao lado de Xu Xingchen com leves ruídos. À frente, uma monja de expressão ansiosa e impaciente, de estatura comparável à de um homem, olhou para Tian Berguang, que jazia não muito longe com uma espada cravada no peito, e uma centelha de surpresa reluziu em seus olhos.
Embora nunca tivesse enfrentado o Solitário dos Mil Li, Tian Berguang, o fato de, durante a perseguição, este carregar alguém e ainda assim exibir leveza nos movimentos superior à de todas elas, permitia-lhe imaginar que o domínio de Tian Berguang nas artes marciais não era pouco. Agora, aquele infame vilão, perseguido e odiado no mundo marcial há décadas, fora abatido por um jovem desconhecido surgido do nada: um golpe de espada arrancou-lhe o braço, outro perfurou-lhe o peito. Era como se um mestre eliminasse um bandido vulgar com total facilidade.
Ding Yi, durante sua aproximação, testemunhara toda a cena com clareza e, espantada, não pôde deixar de conjecturar em silêncio a origem daquele jovem de habilidades tão fora do comum.
Inspirando profundamente para acalmar a respiração, Ding Yi dirigiu-se ao rapaz que amparava Yi Lin pelo ombro, agradecendo sinceramente:
— Sou Ding Yi, da Seita do Monte Heng. Muito obrigada, jovem herói, por socorrer-nos!
Xu Xingchen, ao ver as duas monjas apressarem-se para amparar Yi Lin, soltou-lhe o braço, recuou dois passos e retribuiu a cortesia:
— Mestra, não precisa agradecer. Também sou discípulo da Aliança das Cinco Montanhas; somos como irmãos e irmãs, como poderia assistir impassível a um vilão raptar uma irmã da Seita do Monte Heng?
Diante dessas palavras, Ding Yi mostrou-se ainda mais surpresa e logo indagou:
— Também és da Aliança das Cinco Montanhas? Nos últimos anos, tenho estado um tanto alheia aos acontecimentos do mundo, mas não sabia que havia entre nós um discípulo de talento tão extraordinário!
Xu Xingchen sorriu:
— Sou Xu Xingchen, discípulo da Seita do Monte Hua. Meu mestre e benfeitor é o líder da seita, a Espada do Cavalheiro Yue.
— O quê? És tu aquele chamado de Primeira Espada do Mundo?
— És Xu Xingchen?
— O discípulo da Seita do Monte Hua?
As monjas de túnica cinzenta exclamaram, perplexas, os olhos repletos de curiosidade e espanto; o grupo, mesmo um pouco desordenado, manteve a compostura, mas todas olhavam para o rapaz com um fascínio ardente.
Ao ouvir o nome “Xu Xingchen”, Ding Yi teve um instante de revelação, sem se importar com o restante das palavras. O jovem, já chamado de Primeira Espada do Mundo no mundo marcial, passava, em seu coração, a suplantar até mesmo seu mestre Yue Buqun.
— Silêncio! — Ding Yi, um tanto irritada, conteve a agitação de suas discípulas e então, voltando-se para o rapaz, comentou: — Então és tu! Por toda a estrada, não se fala de outra coisa senão do teu nome; meus ouvidos já estão calejados.
— Primeiro, disseram que aprenderas o lendário método de absorção de energia do líder da Seita Demoníaca e que trarias calamidade ao mundo. Depois, que tua espada era inigualável, vencendo todos os adversários, e te chamaram de Primeira Espada do Mundo. Realmente, são tempos movimentados!
— Cheguei a desconfiar que alguém espalhava boatos para prejudicar a Seita do Monte Hua. Agora vejo que a história do método de absorção é certamente falsa, mas tua maestria na espada não deve ser subestimada.
Diante da mestra, Xu Xingchen mostrou-se humilde:
— Mestra, vossas palavras são generosas. Na verdade, jamais pratiquei tal método demoníaco. Quanto à espada, não sou aquilo que dizem, a Primeira Espada do Mundo é um título que não me cabe.
Nesse momento, ouviu-se ao longe o grito de Tian Berguang:
— Ah! Então... és tu... Xu Xingchen? Morrer pelas mãos da Primeira Espada do Mundo... não me deixa... arrependimentos...
Ao pronunciar a última palavra, Tian Berguang exalou o último sopro de vida. O corpo vacilou, tombou para trás e bateu no chão com um som surdo; junto da derradeira frase, o cenário tornava-se ainda mais desolador, como um fundo monocromático.
As monjas da Seita do Monte Heng, enquanto ajudavam a pequena irmã Yi Lin a recuperar-se e desfazer os pontos de pressão, lançavam desprezo à carcaça de Tian Berguang, exclamando com escárnio que “bem feito” por sua morte.
— Xu, tua habilidade com a espada, mesmo que não seja a Primeira do Mundo, supera em muito minha imaginação! — elogiou Ding Yi, satisfeita por ter salvo a jovem Yi Lin e visto o vilão receber seu justo destino. Vendo, porém, que as discípulas ainda não conseguiam desfazer os pontos de Yi Lin, foi ajudar pessoalmente.
Xu Xingchen, sem se intrometer, aproximou-se do corpo de Tian Berguang, retirou a longa espada de seu peito, sacudiu o sangue e embainhou-a. Diante do morto, cuja expressão ainda parecia inconformada, seu coração mantinha-se sereno como um lago tranquilo.
Por mais que Tian Berguang fosse homem de bravura e fiel à palavra, e que mais tarde viesse a ser estimado por Linghu Chong, hoje não passava de um vilão lascivo, encontrando aqui seu fim.
Nesse ínterim, Ding Yi finalmente libertou Yi Lin dos pontos de pressão e veio ao encontro de Xu Xingchen. A jovem noviça era de beleza singular, de olhos puros e brilhantes, claramente criada longe das impurezas mundanas.
Lançou um olhar receoso ao cadáver, recuou um pouco e, vencendo o medo, curvou-se diante do rapaz, agradecendo:
— Yi Lin agradece ao irmão por salvar-lhe a vida!
— Quem de nós é mais velho? — pensou Xu Xingchen, sorrindo e respondendo:
— Não há de quê, irmã.
Após as manifestações de gratidão, embora todos desprezassem a memória de Tian Berguang, ainda assim, por dever moral, cavaram-lhe uma cova e ali o enterraram. Depois, seguiram juntos rumo à cidade de Hengshan.
No caminho, Ding Yi não cessava de perguntar a Xu Xingchen sobre suas experiências após descer da montanha, ao que ele respondia com parcimônia. Quanto aos rumores que o difamavam, a sempre justa e impulsiva Ding Yi mostrava grande indignação, condenando os métodos traiçoeiros de certos membros do mundo marcial.
Xu Xingchen concordava plenamente, aumentando sua estima pela mestra.
— A propósito, mestra, vosso grupo foi emboscado por... homens encapuzados de preto ultimamente?
Ao ouvir a pergunta, o semblante de Ding Yi escureceu:
— Não há por que esconder. Se a Seita do Monte Song realmente enviou alguém para nos atacar, não podemos afirmar. Contudo, as armas e roupas deixadas pelos atacantes indicam que sim.
Xu Xingchen, ignorando as maquinações de Ren Yingying, pensava que a emboscada da Seita do Monte Song havia ocorrido antes do previsto, o que o preocupava quanto à segurança de seu mestre.
Após refletir, Xu Xingchen comentou:
— Mestra, parece-me que o Líder Zuo é de grandes ambições.
— No ano passado, chegou a enviar o Mestre Lu, acompanhado de três desconhecidos, ao Monte Hua para criar problemas ao meu mestre... Alegando que os três eram antigos discípulos da seita, agora retornados, e exigiam que o cargo de líder lhes fosse transferido.
— Tal atitude, na época, foi para mim inacreditável, especialmente tratando-se de ordens do Líder Zuo.
Xu Xingchen, confiando em Ding Yi, alertava-a sobre as intenções da Seita do Monte Song. Quanto à suposta ofensa aos três mestres da Escola da Espada, não se preocupava.
Se a conversa tivesse ocorrido antes da emboscada, Ding Yi provavelmente teria interrompido Xu Xingchen logo ao mencionar “Líder Zuo, de grandes ambições”, repreendendo-o por desrespeitar o líder da Aliança das Cinco Montanhas. Agora, porém, ela ouviu atentamente até o fim, franzindo a testa:
— Interferir na sucessão de liderança de outra seita... realmente, um ato de tirania.
Não quis prolongar o assunto diante das discípulas, mas sua desconfiança quanto à Seita do Monte Song apenas cresceu.
Ao entrarem na cidade de Hengshan, depararam-se com uma cena vibrante. Era pleno dia, todos ocupados com seus afazeres; e, devido à chegada de inúmeros visitantes para o evento “Bacia de Ouro” do Mestre Liu Zhengfeng, a cidade estava abarrotada de gente, tomada por uma atmosfera festiva.
Ao adentrar a cidade, Xu Xingchen pretendia acompanhar a Seita do Monte Heng até a residência de Liu Zhengfeng, onde certamente estariam hospedados, mas, ao avistar uma figura conhecida, parou e despediu-se temporariamente de Ding Yi e das demais.
Seguiu a silhueta pelas ruas e vielas, até que chegaram a um beco estreito. A figura abriu uma porta dos fundos, fez sinal para Xu Xingchen e entrou rapidamente.
Xu Xingchen hesitou diante da porta entreaberta, recuou, ergueu o olhar por sobre o muro e avistou, à frente, um imponente pavilhão vermelho. Só podia ver a parte de trás, mas, pelos incontáveis lampiões e os véus coloridos pendendo das janelas e paredes, deduziu que se tratava de um local de reputação duvidosa.
Pensando no pequeno vulto que desaparecera pela porta, murmurou:
— Será possível? Será este o famoso estabelecimento de Hengshan?
— Lugares assim não combinam com meu papel atual. Se entrar e alguém me vir, serei certamente repreendido duramente pelo mestre e pela mestra...
Enquanto hesitava, a pessoa que entrara, percebendo sua ausência, reapareceu à porta, olhou ao redor — o beco estava deserto, exceto por eles —, fez-lhe sinal novamente e, com voz clara, chamou:
— O que está esperando? Venha logo!
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