Capítulo 42: Tornei-me um Assassino Implacável

Entre os Mundos: A Espada Suprema do Orgulho Velho Trapaceiro 2468 palavras 2026-01-30 14:26:38

Dois meses depois, Xu Xingchen chegou aos arredores da cidade de Fuzhou, em Fujian.

Naquele dia, como de costume, vestia uma túnica azul simples, usava um chapéu cônico de bambu, tinha no rosto uma barba desgrenhada e falsa, carregava nas costas um embrulho alongado e segurava nas mãos um bastão de madeira reto. Caminhava pela estrada principal.

Percebeu que o fluxo de pessoas, carroças e cavalos aumentava cada vez mais, sinal de que a cidade de Fuzhou já estava próxima.

Nesse momento, uma flecha disparada da floresta atingiu um dos dois coelhos selvagens que saltavam à frente.

— Jovem chefe, que pontaria! — exclamou alguém.

Logo, cerca de uma dúzia de cavaleiros irromperam da floresta com grande alarde. Atrás vinham homens robustos em trajes simples. À frente, sobre um magnífico cavalo branco, estava um jovem de quinze ou dezesseis anos, guiado por uma águia que voava em círculos sobre sua cabeça, seguido por um cão amarelo que corria à frente do animal. Ele mesmo empunhava um grande arco, com o qual disparou uma segunda flecha.

Fiumm!

A segunda flecha errou o alvo, e o coelho sobrevivente fez uma rápida reviravolta, mergulhando numa moita de espinhos próxima.

— Não fuja! — gritou alguém.

— Vamos, pessoal, cerquem logo o coelho! — ordenaram os outros, esporeando os cavalos e distribuindo-se para encurralar o animal, demonstrando mais destreza que o jovem de branco.

Em pouco tempo, um dos cavaleiros deu a volta e mergulhou novamente na floresta.

Os viajantes na estrada, ao assistirem à cena, começaram a comentar.

— Ora, quem serão esses? E aquele jovem tão imponente, de que família será filho?

— Você não é daqui, não é possível que não saiba! É o filho do chefe da Grande Companhia de Escolta Fuwei, o jovem chefe Lin Pingzhi!

— O quê? A famosa Companhia de Escolta Fuwei, reconhecida em dez províncias como a maior do país?

— Ora, se não for ela, quem seria? O ancestral da família Lin, Lin Yuantú, fundou a companhia após dominar a técnica da Espada Dissipadora do Mal, tornando-se invencível em todo o reino. Desde então, onde quer que passem, até mesmo os mais poderosos, honestos ou bandidos, lhes rendem respeito. São realmente temíveis...

— Sem dúvida! A Companhia de Escolta Fuwei é poderosa e numerosa, seus homens são exímios em arco e cavalo, dominam inúmeras habilidades. Comerciantes que contratam seus serviços sempre chegam em segurança ao destino!

Xu Xingchen ouvia os comentários dos transeuntes, desviando o olhar da floresta, suspirando consigo mesmo: “Guiando águias, tocando cães de caça, cavalgando cavalos brancos, empunhando grandes arcos, liderando uma dezena de chefes de escolta pelo campo em caçadas... Realmente, que espírito altivo e grandioso! Quem diria que, no futuro, tudo mudaria assim...”

Após caminhar mais um pouco, avistou à beira da estrada uma bandeira de vinho balançando ao vento: havia ali uma pequena hospedaria.

O estabelecimento era modesto, mas bem equipado, com sete ou oito mesas e cerca de trinta bancos à entrada, onde alguns viajantes descansavam, tomando chá e comendo seus próprios mantimentos, ou bebendo vinho amarelo e saboreando carnes da casa.

Xu Xingchen não estava com fome, mas, tendo caminhado várias horas e ainda sendo cedo, entrou e sentou-se num canto vazio.

O dono, um velho animado, comandava alguns ajudantes que serviam rapidamente comida e bebida aos clientes.

Xu Xingchen pediu uma jarra de chá, testou rapidamente o sabor, serviu-se numa tigela de barro e começou a beber calmamente.

Pouco depois, ouviu-se o trotar de cavalos se aproximando, parando ruidosamente em frente ao estabelecimento. Um grupo entrou, rindo e conversando.

— Que coincidência... — murmurou Xu Xingchen, lançando um olhar discreto por baixo do chapéu para Lin Pingzhi e seus acompanhantes, antes de voltar-se ao chá.

O velho dono apressou-se a recebê-los, elogiando sem parar as presas recém-capturadas, dizendo frases como “o jovem chefe tem uma pontaria sem igual, rara neste mundo”, conduzindo-os até as mesas.

O grupo ocupou várias mesas, lotando a frente da hospedaria.

Os homens da Companhia de Escolta Fuwei riam e conversavam, comentando os últimos acontecimentos em Fuzhou ou a caçada daquele dia.

No centro, Lin Pingzhi, o jovem chefe, cercado de elogios e bajulações, ria alto, com um ar ainda juvenil, enquanto entornava tigela após tigela de vinho, cada vez mais animado.

De repente, a conversa tomou outro rumo, e começaram a discutir um grande evento ocorrido nos últimos dois meses no mundo marcial.

— Irmãos, já ouviram falar de um novo mestre cruel que apareceu ultimamente?

— Quer dizer aquele especialista no bastão que só busca encrenca com foras-da-lei?

— Esse mesmo! Dizem que ele mede mais de dois metros, é forte como um touro, poderia sustentar uma pessoa nas mãos ou um cavalo nos ombros, e come um porco inteiro numa única refeição!

— Que absurdo! A versão que ouvi era diferente: dizem que é corcunda, com rosto afilado e olhos frios como serpente, manobra um bastão com destreza e ataca rápido como um raio. Os foras-da-lei nem veem seu golpe e já têm a cabeça esmagada.

— Exato! Por ser tão rápido e impiedoso, ganhou o apelido de Bastão Demoníaco Invisível!

— Dizem que toda a família dele foi massacrada por bandidos, deixando-lhe ódio mortal. Foi para as montanhas, treinou artes marciais por mais de dez anos, e agora, tendo se tornado mestre, desceu para vingar-se dos fora-da-lei...

— Não se sabe se é verdade essa história de família exterminada, mas o Bastão Demoníaco Invisível de fato é cruel e sanguinário. Nem mesmo os seguidores da Seita do Sol e da Lua são tão impiedosos a ponto de eliminar vilas inteiras!

— Ouvi dizer que ele apareceu pela primeira vez nas regiões de Henan e Hebei, e desde então segue para o sul, destruindo dezenas de fortalezas de bandidos e matando milhares de aventureiros — um verdadeiro demônio sedento de sangue!

Ao ouvirem tais relatos assustadores, até mesmo Lin Pingzhi, sempre tão confiante, balançou a cabeça e suspirou, sentindo calafrios.

No canto, Xu Xingchen mal continha o riso. Para ele, os rumores do mundo marcial só ficavam mais exagerados e absurdos.

Embora tentasse ocultar sua identidade, não podia, todas as vezes que matava alguém, eliminar todas as testemunhas. Assim, sua fama de crueldade espalhou-se gradativamente.

No início, os boatos até tinham algum fundamento, descrevendo seu disfarce e os fatos verdadeiros sobre o uso do bastão.

Mas, com o tempo, ao parar nas tavernas e casas de chá, ouvia versões cada vez mais fantasiosas: sua aparência e estatura tornaram-se monstruosas, e seus métodos, infinitamente mais cruéis.

Agora, sua reputação era a de um monstro sanguinário que esmagava cabeças e, após matar, abria os corpos para devorar os corações — um verdadeiro demônio, mais temido até que o próprio líder da Seita Demoníaca, Dongfang Bubai.

Xu Xingchen sabia bem que isso era obra dos chamados foras-da-lei e aventureiros, que, por empatia e medo, procuravam difamar ainda mais seu nome.

Por um lado, lamentavam o destino dos companheiros; por outro, realmente se apavoravam com sua ferocidade...