Capítulo 91: Uma Espada, Uma Reverência...
— Será que o cérebro desses três está preso por parafusos? Pensam de maneira tão rígida... — resmungou Xu Xingchen internamente, mas logo reconsiderou, percebendo que talvez estivesse sendo ingênuo. Muitas disputas entre facções são, na verdade, lutas por interesses, capazes de provocar sangue e sacrifícios.
Com esse pensamento, perdeu o entusiasmo que antes sentira. Inicialmente, estava animado por finalmente poder testemunhar, sem outros presentes, a famosa Espada Rápida de Feng Buping, mas naquele momento, já não tinha mais interesse.
Feng Buping puxou lentamente a espada do estojo, dizendo friamente:
— Rapaz, saque sua espada. Quero ver se minha Espada Rápida dos Cento e Oito Ventos, criada por mim, consegue superar o chamado “Primeiro Espadachim do Mundo”.
Xu Xingchen olhou calmamente para os três e declarou:
— Tios, lembram-se ainda do antigo Monte Hua?
Feng Buping franziu o cenho:
— O que quer dizer?
Xu Xingchen sorriu:
— Se sabem que fui chamado de Primeiro Espadachim do Mundo, deveriam reconhecer que nenhum de vocês é páreo para mim. Portanto, venham todos juntos!
— Arrogante! — Feng Buping bradou, vibrando a espada. Dezenas de feixes de luz se multiplicaram, formando uma tempestade de lâminas reluzentes, cortando a relva e afastando galhos, avançando como uma avalanche sobre o jovem a três metros de distância.
A luz da espada rugia, o vento sibilava, a força era explosiva e impiedosa, parecendo querer destruir tudo em seu caminho.
Xu Xingchen suspirou longamente, sacando a espada.
Uma luz envolveu seu corpo, brilhando com esplendor inigualável.
Naquele instante, emanou um brilho extraordinário: sombras de ciprestes antigos, a melancolia das folhas caídas, o fervor de sinos e tambores, a alegria de encontros entre poetas e espadachins, a visão de penhascos invertidos, a resistência de pinheiros, e ainda, pássaros dourados e fênix voando juntos, cavalos voando sobre dragões, até que, por fim, um arco-íris rompeu as nuvens e se elevou ao céu.
Era o momento de conquistar o cume mais alto e contemplar todas as montanhas!
Todos os milagres e belezas, toda a alegria e liberdade, reuniram-se na grandiosidade e magnificência do Monte Hua.
A aura poderosa da técnica de espada se espalhou, transformando-se numa voz imponente que reverberou e clamou nos corações de Feng Buping, Cheng Buyou e Cong Buqi.
Monte Hua! Monte Hua!
A espada de Xu Xingchen era de uma suavidade inédita, avançando como mercúrio, lenta e rápida ao mesmo tempo.
As lâminas e ventos furiosos se chocavam contra ela, mas sumiam silenciosamente, como formigas tentando mover árvores.
A luz da espada era uma pintura magnífica, engolindo a figura de Feng Buping e, em seguida, envolvendo Cheng Buyou e Cong Buqi.
Depois de um duelo com Feng Qingyang e meses de aprimoramento, o “Primeira Espada do Monte Hua” de Xu Xingchen evoluíra consideravelmente.
Os três espadachins do clã eram dos mais hábeis do mundo, especialmente Feng Buping, cuja técnica e energia rivalizavam com líderes de outros clãs.
Mas mesmo Feng Qingyang, o Santo da Espada, havia sido abalado por essa técnica meses atrás. Como poderiam resistir os três, diante daquele golpe tão misterioso?
Sem poder resistir, foram envolvidos por aquela espada, suas mentes capturadas.
Em meio à confusão, as memórias mais profundas e esquecidas ressurgiram: imagens de mestres, irmãos, irmãs, todos outrora tão próximos e agora distantes.
Nesse instante, pareciam vivos novamente: passeavam juntos pelo Monte Hua, caminhavam entre ciprestes, admiravam folhas caídas, se maravilhavam com penhascos invertidos, louvavam pinheiros enraizados nas rochas.
Reuniam-se em festivais, sentiam o fervor dos sinos e tambores, ouviam música, recitavam poemas, aprimoravam suas técnicas.
Subiam montanhas e penhascos, viam nuvens rolando, e, ao vento, parecia que alguém voava montando um dragão.
A fileira de pássaros dourados cruzava o céu.
O outono era límpido, tudo transparente.
Todos os irmãos, irmãs, tios, mestres do Monte Hua juntos no cume, apreciando a grandiosidade e beleza do Monte Hua.
As nuvens eram como ondas, o arco-íris atravessava o sol, o céu era limpo.
O mundo era sereno e tranquilo.
Em algum momento, Feng Buping ficou parado, a espada caiu ao chão sem que percebesse, e lágrimas cristalinas brotaram nos olhos endurecidos pela raiva de tantos anos.
Cheng Buyou caiu de joelhos, agarrando relva e terra, os tendões saltando nas mãos, tão claros e assustadores.
Cong Buqi escorregou ao pé de uma árvore, cobrindo o rosto, os ombros tremendo violentamente.
Xu Xingchen já havia desaparecido.
Quando recolheu a espada e se afastou, ouviu atrás de si gritos e lamentos, como o choro de cucos e macacos, cheios da tristeza de quem está longe de casa.
— Monte Hua! Monte Hua!
— Uuuu!
Xu Xingchen não atacou os três com a “Primeira Espada do Monte Hua”, mas, com sua intensa aura, despertou as memórias mais profundas, levando-os de volta à juventude, para reviverem as lembranças esquecidas.
Para os mais velhos, esse tipo de nostalgia é a arma mais poderosa.
Os três espadachins foram profundamente abalados, chorando copiosamente.
Ouvindo os lamentos atrás de si, Xu Xingchen suspirou novamente, murmurando:
— Não sei se o que fiz foi certo ou errado...
Meio mês depois, os três apareceram nos fundos do Monte Hua, encontrando Feng Qingyang.
— Vocês três voltaram?
— Depois de vinte anos longe, viemos ver a casa!
— Casa? Hmph! O que aconteceu para ficarem tão desolados?
— Encontramos Xu, o sobrinho.
— Foram procurar problemas com aquele garoto? Bateram de frente com uma parede!
— Sim, tio.
— Vocês... viram aquele golpe?
— Sim, aquela técnica é única, digna do título de Primeira Espada. Com ele entre nós, não há mais o que disputar. Melhor nos esconder nos fundos do Monte Hua.
— Hmph! Assim é melhor! O mundo agora pertence aos jovens. Vocês já têm idade, para que disputar?
Xu Xingchen, claro, não sabia que, graças a ele, os três espadachins, desiludidos e tomados pela nostalgia, haviam se retirado para os fundos do Monte Hua, decididos a nunca mais se envolver em assuntos do mundo.
No dia seguinte, ao meio-dia, ele chegou fora da cidade de Hengshan.
Seguindo pela estrada, percebeu alguém correndo pela floresta, com gritos e reprimendas vindo de trás.
Xu Xingchen virou-se e viu um homem de meia-idade correndo velozmente, como um vendaval, carregando sob o braço uma pessoa de manto cinzento, cabeça raspada, que, pelo corpo delicado, parecia uma jovem.
Atrás, a alguns metros de distância, várias mulheres de cabeça raspada e roupa cinzenta perseguiam, gritando:
— Tian Boguang, seu perverso! Largue Yilin!
— Perverso, pare!
— Rápido, não deixem que ele leve Yilin!
Ouvindo isso, Xu Xingchen apertou os olhos, mudou de direção e, em poucos passos, se colocou diante do homem, perguntando calmamente:
— Você é Tian Boguang?
— Exatamente, sou o Tian, hahaha! Quem bloqueia meu caminho morre!
O homem riu alto, avançando sem parar, sacou a faca e a recolheu, passando como um raio ao lado do jovem.
Tudo aconteceu sem perder o ritmo.
— Tian Boguang, para onde vai?
A voz do jovem fez o rosto de Tian Boguang mudar subitamente. Parou, virou-se para Xu Xingchen a três metros de distância, arregalou os olhos e gritou:
— Isso não é possível!
Xu Xingchen segurava o ombro de Yilin com uma mão, retirando com a outra o braço que a envolvia, jogando-o ao chão, e olhou para Tian Boguang com tranquilidade:
— O que há de impossível nisso?
Tian Boguang, vendo o braço familiar no chão, virou-se rapidamente para seu ombro esquerdo vazio, só então gritou de dor:
— Ah! Meu braço... Quando você o cortou?
Xu Xingchen apoiou Yilin, ajudando-a a ficar de pé e respondeu distraidamente:
— Quando você passou por mim, claro!
— Como sua espada pode ser mais rápida que minha faca?! — Tian Boguang, agitado, viu os vasos selados por Xu Xingchen se romperem, jorrando sangue. Desesperado, pressionou vários pontos no ombro, estancando o fluxo.
Mesmo assim, seu rosto estava pálido, tanto pela perda de sangue quanto pela surpresa diante daquele jovem, cuja espada era muito mais rápida que sua faca.
Xu Xingchen olhou para a jovem paralisada, percebendo que Tian Boguang havia bloqueado seus pontos de energia. Vendo as monjas se aproximando rapidamente, desistiu de ajudá-la.
Ao virar-se para Tian Boguang, viu que o homem já fugia, dois ou três metros adiante. Não pôde deixar de admirar sua esperteza: de fato, um ladrão habilidoso, sobrevivendo tantos anos sem ser capturado.
— Ele acha que estou ocupado demais para persegui-lo?
Pensando nisso, sacou a espada e a lançou à frente.
A lâmina reluziu como um raio, atravessando o peito de Tian Boguang.
Correndo, Tian Boguang viu a lâmina emergir de seu peito, parou abruptamente, a expressão tomada de horror.
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