Capítulo 56: No Cume do Monte Hua, Dança das Garças Celestiais
A luz do sol era radiante, as sombras do bambuzal ondulavam suavemente. Pequenos pontos dourados se espalhavam pelo chão, trazendo ao clima de outubro um leve frescor.
Quão veloz pode ser uma silhueta, um brilho de espada? Tão rápida quanto um espectro, tão fulgurante quanto um relâmpago! Quão esplendoroso pode ser o brilho de uma espada? Era exatamente o que Yú Cānghǎi via diante de seus olhos naquele instante.
Por um momento, ele pareceu enxergar picos majestosos e perigosos, paisagens de beleza grandiosa. Silenciosamente, tudo aquilo o envolveu, esmagando-o como uma montanha. Sim, esmagando! Ele perdeu de vista a figura do jovem odioso; todo o espaço ao redor foi tomado pelo esplendor daquela luz de espada, trazendo-lhe uma sensação de aniquilação do corpo e dispersão da alma, um pânico mortal que o fez mudar de expressão.
Desde que dominou a Técnica da Espada que Afasta o Mal, Yú Cānghǎi sempre acreditou que, com suas habilidades, poderia ir a qualquer lugar do mundo, que nenhum local seria capaz de confiná-lo. Nem mesmo o temido Penhasco de Madeira Negra, nome que fazia tremer incontáveis guerreiros, o intimidava — tinha confiança de entrar e sair dali matando quem quisesse.
Depois de dominar a técnica, tornou-se arrogante, seguro de si. Contudo, diante daquele brilho de espada, esplendoroso ao extremo, sentiu novamente o medo gelado que percorre a espinha, a inquietação da impotência diante da morte, sensação que o fez estremecer e quase enlouquecer.
“Ah! Ahhhh~~~~~!”
Yú Cānghǎi gritou, lançando-se com tudo que tinha, usando a Técnica da Espada que Afasta o Mal; sua figura tornou-se um vulto vermelho indistinto, difícil de discernir entre real e ilusório, cruzando à velocidade do raio por entre a luz magnífica da espada, faiscando em todas as direções.
Os clarões de espada cortavam como raios impiedosos, perfurando e perfurando sem cessar em todas as direções.
Yú Cānghǎi, tomado pela fúria, explodia em poder aterrador.
O vulto vermelho, indistinto, parecia um Sūn Wùkōng em fúria no Palácio Celestial, destroçando ciprestes antigos, desintegrando folhas outonais, fazendo do salão de festividades um caos, dispersando poetas e espadachins que ali confraternizavam.
Logo depois, fez ruir o espetáculo das rochas suspensas, arrancou pinheiros das encostas, assustou grous dourados e fênix coloridas, que fugiram apressadas, espantou dragões serpenteantes, que escaparam desajeitados.
O vulto vermelho, como o próprio Sūn Wùkōng, mergulhou todo o esplendor do Monte Huá em desordem.
Os clarões de espada pareciam querer erguer toda a montanha, rachando-a de alto a baixo.
“Esse Yú Cānghǎi é mais difícil de segurar que porco em véspera de Ano Novo!”
Xǔ Xīngchén, surpreso, esforçava-se ao máximo para manter estável o brilho da espada, determinado a esmagar ali mesmo o inimigo que ele próprio criara.
A Primeira Espada do Huá!
Era o golpe mais poderoso que já desferira, reunindo toda sua força e sabedoria. Sua carta final, fonte de confiança contra Yú Cānghǎi, agora mestre da Técnica da Espada que Afasta o Mal.
Ao desferir este golpe, chegara o momento decisivo — a última investida daquele combate.
Nessa troca, decidir-se-ia vitória e derrota, vida e morte.
Os dois lutavam:
Um, desesperado, buscava romper o cerco, virar as montanhas e escapar da morte.
Outro, sustentava com todas as forças a estabilidade da Primeira Espada do Huá, querendo subjugar e aniquilar o adversário ali mesmo.
Ambos exauriam cada gota de energia; o confronto tornou-se um impasse mortal, onde nenhum dos dois parecia ceder.
“Ahh! Quebre! Quebre! Quebre agora!”
Yú Cānghǎi, sentindo o perigo mortal, gritava com os olhos injetados de sangue, impulsionando ao máximo sua energia interna, tornando ainda mais caótico e fervilhante o fluxo de seu qi.
Sua túnica vermelha transformou-se em uma sombra indistinta, como se inúmeras cobras vermelhas e esguias se contorcessem e se debatessem, acelerando seus movimentos até que ele se tornasse uma nuvem rubra.
Dentro dessa nuvem, a luz das espadas cortava como trovão, resistindo ao brilho esmagador da espada e expandindo-se, tentando arrebentar a prisão criada pela sombra da montanha.
Xǔ Xīngchén também se encontrava no fio da navalha. Sentiu, surpreso, que sua Primeira Espada do Huá já não conseguia manter Yú Cānghǎi subjugado; pelo contrário, parecia prestes a ser rompida e que o inimigo escaparia.
“Não posso, de jeito nenhum, deixá-lo escapar!”
“Todo o meu poder está nesta espada. Se exaurido, não terei forças para um segundo golpe...”
“Se Yú Cānghǎi fugir, certamente... estarei morto!”
Xǔ Xīngchén tinha plena consciência da situação.
Vitória ou derrota, vida ou morte — tudo dependia daquela espada!
Ele se empenhava em restaurar cada cena dentro do brilho da espada, cada imagem era um movimento diferente.
Ciprestes destruídos renasciam; folhas dispersas tornavam a cair; o salão recobrava seu esplendor, poetas e espadachins reuniam-se novamente.
No céu, grous e fênix dançavam; nos ventos, dragões deslizavam; rochas suspensas, pinheiros acolhedores, nuvens brancas deslizavam suavemente.
Mas assim que restaurava a beleza, a nuvem rubra elétrica ao centro destruía tudo outra vez.
Reparava, e tudo era desfeito!
Até que...
Um estrondo!
Não ecoou no bambuzal, mas no âmago dos dois combatentes.
A nuvem rubra finalmente rompeu o cárcere do monte, desfez o brilho esmagador da espada.
“Ha ha ha, estou livre!”
A nuvem vermelha se condensou em uma silhueta indistinta, depois no corpo de Yú Cānghǎi. Ele gargalhou, olhos reluzindo de intenção assassina, e, olhando para o céu onde a luz da espada brilhava após ser repelida, gritou: “Morra!”
No instante seguinte, seu olhar vacilou, tomado pela surpresa: “Aquilo... o que é?”
Na verdade, não fora Yú Cānghǎi quem romperá o cárcere do monte ou dissipara a espada. Xǔ Xīngchén, vendo que não mais poderia vencer, recolhera deliberadamente toda sua força, transformando-a em um arco-íris branco que subiu aos céus.
Esse último arco-íris era a conclusão da Primeira Espada do Huá.
Mas, naquele momento, a conclusão tomou novo rumo, desdobrando-se num movimento inédito.
O arco-íris subiu girando, transformando-se em um etéreo grou celestial, dançando com o vento, leve e gracioso.
Na ponta da espada de Xǔ Xīngchén, um ponto de luz brilhou, tão radiante quanto uma estrela da manhã, tão preciosa quanto uma gema, impossível de ignorar.
No topo do Huá, um grou celestial dançava!
Era a nova variação que ele concebera para a Primeira Espada do Huá.
Toda a energia da espada convergia num único ponto na ponta da lâmina.
Assim, ao erguer a cabeça, Yú Cānghǎi viu a cena que lhe era estranhamente familiar.
Um grou com asas abertas, dançando ao vento; em seu bico, um ponto de luz, reluzente.
Por um momento, Yú Cānghǎi pareceu ver o grou, belo, celestial, etéreo, vindo em sua direção, passando por seu corpo e desaparecendo ao longe...
O grou sumiu, sem deixar vestígio.
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