Capítulo 26: O Mestre e a Mestra Estão Desolados
Quando chegou o início da noite, o céu escureceu por completo. As estrelas esparsas brilhavam alto no manto noturno, e o frio cortante do inverno tornava tudo ainda mais silencioso e solene.
No interior da caverna, a pedra ardia com o fogo da fogueira, espalhando calor e conforto pelo ar. Ainda assim, o casal formado por Yue Buqun e Ning Zhongze entrou no corredor estreito, acompanhando o discípulo mais jovem, que segurava uma tocha, com expressões graves estampadas no rosto.
Logo, o salão de pedra voltou à quietude de sempre. Apenas o crepitar da lenha, alimentando as chamas, rompia o silêncio de tempos em tempos. Linghu Chong, encostado num canto, soltou um longo suspiro e sentou-se sobre uma grande pedra próxima à fogueira, seu semblante tomado por emoções contraditórias.
Ainda ecoavam em sua mente as palavras trocadas entre o irmãozinho e os mestres. O espanto e a inquietação em seu coração agitavam-se como ondas revoltas, impossíveis de conter. Demorou um bom tempo até que ele murmurasse suavemente:
— Não é à toa que o irmãozinho disse tratar-se de um segredo capaz de abalar o mundo. Apenas ouvindo algumas frases já fiquei com o coração aos pulos, incapaz de encontrar paz. Impressionante...
No corredor inclinado...
Xu Xingchen conduzia o casal de mestres até uma ampla caverna no coração da montanha, segurando a tocha. Yue Buqun e Ning Zhongze acenderam também suas tochas, aproximaram-se das paredes de pedra e passaram a examinar as gravuras ali entalhadas. Logo, exclamaram surpresos:
— Então eram os dez grandes anciãos da Seita Demoníaca!
— Que arrogância... Derrubaram todas as técnicas das cinco seitas de espada!
— Irmão, aqui há muitos estilos de espada perdidos da nossa própria escola!
— Impossível! Como a minha técnica ‘Sem Igual Sem Par, Espada de Ning’ pode estar aqui? Mesmo que algum predecessor tenha criado algo parecido, como poderia ser neutralizada por movimentos tão incomuns?
— Até ‘Folhas Infinitas ao Cair’ foi vencida...
— ‘Vinda do Fênix’...
— ‘Ciprestes Antigos’...
Diante das gravuras das técnicas de Huashan, Yue Buqun e Ning Zhongze observavam os desenhos agrupados de pequenas figuras, cada vez mais alarmados e temerosos. Ao final, seus rostos estavam pálidos e tremiam, suor frio escorrendo e encharcando as roupas por dentro.
Apesar do alerta dado pelo discípulo mais jovem antes de entrarem, ao verem de fato que as técnicas da Escola Huashan eram todas neutralizadas por um simples bastão, não conseguiram evitar o sentimento devastador de "nenhuma dor é maior que a morte do espírito".
Ao perceber que as habilidades cultivadas ao longo de toda a vida de repente não valiam nada, o choque psicológico foi tão intenso que a visão dos dois ficou turva, os sons e imagens ao redor pareciam se afastar rapidamente. Um desespero profundo, como se caíssem num abismo sem fundo, brotou com violência em seus corações.
Diferente de Xu Xingchen, que tinha um conhecimento prévio e uma mente aberta, fruto de experiências anteriores, aquele mundo ainda vivia numa era conservadora, onde os ensinamentos dos ancestrais eram mais preciosos que a própria vida.
Toda a visão de mundo construída ao longo da vida por Yue Buqun e Ning Zhongze desmoronou naquele instante, com um impacto comparável ao de uma maçã atingindo a cabeça de Newton, ou ao momento em que se ouviu pela primeira vez a teoria heliocêntrica de Copérnico.
Mesmo Linghu Chong, ao ver pela primeira vez as gravuras nas paredes, ficou tão abalado que mal conseguia se mover, sua mente confusa e cheia de dúvidas sobre as técnicas de sua própria escola, caindo numa depressão por meses. Se não fosse por Feng Qingyang, talvez nunca tivesse se recuperado.
Naquele momento, o golpe sentido por Yue Buqun e Ning Zhongze, cujas mentes eram ainda mais rígidas que a do jovem Linghu Chong, era ainda mais devastador, impossível de descrever em palavras.
Xu Xingchen, observando a reação dos dois, sentiu preocupação. O impacto das gravuras nas paredes claramente superava suas expectativas.
— Será que meu alerta antes de entrar foi inútil? — pensou ele, aflito. Sabendo que não podia deixar os mestres ali por mais tempo, aproximou-se e chamou suavemente:
— Mestre! Mestra! Acordem!
— Mestre! Acorde!
— Mestra, acorde!
Xu Xingchen alternava entre chamar um e outro, até finalmente conseguir trazer de volta o espírito perdido de ambos.
Quando eles voltaram o olhar para si, Xu Xingchen sugeriu cautelosamente:
— Mestre, mestra, talvez seja melhor sairmos por agora...
Os dois permaneceram em silêncio, com um olhar ainda vago. Diante disso, Xu Xingchen apagou as tochas que seguravam, ergueu sua própria tocha e dirigiu-se para fora. Os mestres seguiram lentamente a única luz disponível, deixando a caverna.
Ao retornarem ao salão sobre o penhasco, Linghu Chong, que notara o movimento, levantou-se e saudou Xu Xingchen, o primeiro a sair:
— Irmãozinho, você e os mestres voltaram!
Quando viu o casal de mestres em estado quase apático, como se fossem sombras de si mesmos, seu rosto mudou drasticamente:
— Mestre! Mestra! O que houve? Como ficaram assim?
Ao ouvir, Yue Buqun e Ning Zhongze apenas lançaram um olhar vazio para o discípulo mais velho, como se não o reconhecessem.
Linghu Chong sentiu um arrepio subir pela espinha, seu couro cabeludo formigando de terror. Olhou para Xu Xingchen e perguntou, gaguejando:
— Irmãozinho... os mestres... o que aconteceu? Será que... foram possuídos?
Xu Xingchen respondeu com um sorriso amargo:
— Irmão Linghu, não se assuste! Não imaginei que o segredo da caverna teria tamanho impacto sobre o coração dos mestres!
Vendo que Linghu Chong continuava inquieto, procurou tranquilizá-lo:
— Mas não se preocupe tanto. Depois de uma noite de descanso, creio que amanhã eles estarão melhores.
— É mesmo? — Linghu Chong, ainda desconfiado, não podia fazer mais nada. Junto com Xu Xingchen, ajudou cuidadosamente os mestres a sentarem-se nas pedras ao lado da fogueira.
Talvez o calor e a luz da fogueira trouxessem algum consolo à alma dos dois, que estava mergulhada em escuridão e desespero. Pouco a pouco, o olhar deles foi se tornando menos perdido, mais animado, e, com o tempo, adormeceram encostados à parede de pedra.
Xu Xingchen e Linghu Chong, que velavam ao lado, trocaram olhares e suspiraram aliviados, finalmente relaxando um pouco.
— Espero que os mestres não acordem de cabelos brancos... — pensou Xu Xingchen.
Essa preocupação não se concretizou, mas na manhã seguinte, Yue Buqun e Ning Zhongze despertaram num estado de profunda tristeza.
Yue Buqun, à beira do penhasco, fitava as montanhas de Huashan ao longe, a expressão outrora serena agora marcada pela melancolia:
— Chong’er, Xingchen, digam-me: esta vida tão breve, afinal, qual o sentido de viver?
Linghu Chong e Xu Xingchen trocaram olhares, até que Xu Xingchen respondeu hesitante:
— Viver... talvez seja para experimentar a vida...
Yue Buqun soltou um sorriso frio:
— Experimentar décadas de esforço e dedicação, só para virar motivo de escárnio de um dia para o outro?
Ao lado, Ning Zhongze olhava preocupada na direção do salão principal de Huashan:
— Nesta hora, Ling Shan deve estar acordando... Sem perceber, essa menina cresceu. Daqui a dois anos, quando se tornar adulta, vou permitir que ela se case com Chong’er. Quando tiverem filhos, eu ficarei na montanha para cuidar deles...
Linghu Chong ouviu essas palavras com uma mistura de tristeza e alegria, o rosto ruborizado e incapaz de responder.
Xu Xingchen, frustrado, bateu na própria testa, pensando:
— Deveria ter dado mais avisos a eles... ou talvez esperar mais alguns dias...