Capítulo 59 – Como é que esse garoto ainda está vivo?
O terceiro encontro entre Xu Xingchen e Liu Zhengfeng foi marcado por um constrangimento mútuo.
Xu Xingchen lançou um olhar para trás de Liu Zhengfeng e confirmou que, de fato, o número de pessoas havia diminuído novamente, restando apenas quarenta ou cinquenta. A situação era clara: Liu Zhengfeng estava conduzindo uma espécie de corrida de resistência, eliminando seus inimigos pouco a pouco durante a fuga.
Desta vez, Liu Zhengfeng finalmente parou de fugir. Ele se deteve ao lado de Xu Xingchen, virou-se para enfrentar os inimigos, e perguntou:
— Posso saber de qual seita e escola vem o jovem herói? Seria possível enfrentarmos os inimigos juntos?
Xu Xingchen desmontou do burrinho preto e, com um leve tapa no traseiro do animal, o burrinho, percebendo o perigo, disparou em retirada daquele lugar traiçoeiro.
Com respeito, Xu Xingchen fez uma reverência a Liu Zhengfeng e disse:
— Discípulo de Huashan, Xu Xingchen, saúda o tio-mestre Liu!
Liu Zhengfeng, surpreso, voltou-se para examinar Xu Xingchen por um instante. Seu semblante misturava complexidade e alegria:
— Já há três anos ouvi dizer que Huashan havia produzido um discípulo extraordinário, cuja arte da espada superava todos os da sua geração. Hoje, vejo que a fama não é exagerada!
Naquele momento, os membros da seita Sol e Lua voltaram a alcançá-los. Ao verem que o jovem continuava ileso, seus olhos se arregalaram de espanto. Olharam também para o burrinho preto que se afastava alegremente, e seus olhares iam e vinham entre o animal e o rapaz, todos com expressões de incredulidade.
— Esse garoto ainda está vivo?
— Isso é estranho! Onde está o Velho Jiang? E os outros trinta irmãos?
— Ora essa! O Velho Jiang não era fraco, e aqueles trinta irmãos também eram bons lutadores! Mesmo que estivessem matando trinta porcos, não deveria ter sido tão rápido!
— Liu Zhengfeng se uniu a esse garoto. Agora, complicou!
— Ai, que péssimo! Aquele garoto é discípulo da seita Huashan!
— As Cinco Montanhas são unidas, e agora Liu Zhengfeng encontrou um ótimo aliado!
Os membros da seita Sol e Lua cercaram os dois, com feições ferozes e olhares ora surpresos, ora carregados de ódio assassino.
No centro do círculo, Xu Xingchen respondeu humildemente:
— Tio-mestre Liu exagera em seus elogios.
Levantando-se, ele olhou ao redor para os inimigos; notou que, após duas voltas correndo ao redor da montanha, todos ainda respiravam calmamente, com olhos brilhantes — eram, sem dúvida, a elite daquele grupo. Quanto aos que haviam tentado cercá-lo antes, exceto pelos dois líderes, os demais eram apenas bons lutadores, nada mais.
Liu Zhengfeng brandiu sua espada longa com expressão grave:
— Entre eles, há mais de dez mestres de destaque, e os outros também não são de se menosprezar. Quando a luta começar, devemos ser cautelosos.
Xu Xingchen assentiu:
— O discípulo será cuidadoso.
Enquanto conversavam baixinho, um dos inimigos não aguentou mais e gritou:
— Ataquem todos juntos! Matem-nos!
O brado foi como um sinal de ataque. Todos os membros da seita Sol e Lua avançaram brandindo armas. Num piscar de olhos, sabres e bastões voaram, armas ocultas e lanças dançaram no ar. Uma dúzia de armas desabou sobre eles num ataque cerrado e feroz.
Os demais, sem espaço para atacar, mantinham-se em formação atrás, prontos para substituir os companheiros da linha de frente.
Dentro do círculo, Liu Zhengfeng lançou uma estocada, desdobrando-se em nove clarões gélidos que bloquearam nove ataques simultâneos. Aquela única estocada já justificava sua fama de “Uma Espada, Nove Gansos”.
Xu Xingchen respondeu com o golpe “Folhas Que Caem Sem Fim”, interceptando outras seis armas com sua espada.
O som de armas colidindo ecoou fortemente.
Duas luzes de espada — uma leve e ágil, outra cheia de surpresas e perigos — entrelaçaram-se no combate contra seus inimigos.
Em poucos momentos, mais de dez golpes haviam sido trocados. Xu Xingchen, intencionalmente, escondeu sua verdadeira habilidade, fingindo ter dificuldades para manter o ataque e lentamente assumiu uma posição defensiva, protegendo-se e a Liu Zhengfeng de forma impenetrável.
Liu Zhengfeng, ao ver isso, pensou que o discípulo de Huashan era perito na defesa. Como os ataques inimigos realmente não conseguiam se aproximar, ele diminuiu sua própria defesa, aumentando o ataque.
Assim, um defendia, outro atacava: a defesa era sólida como muralha, o ataque, rápido e cortante, e juntos, tornaram-se ainda mais poderosos.
Com o avançar do combate, Liu Zhengfeng, notando que seu aliado o protegia com precisão, relaxou e tornou-se ainda mais ofensivo, sua espada cada vez mais veloz e certeira. Após dezenas de golpes, a luz da espada dançava e se transformava incessantemente, e ele sentia uma satisfação sem igual em sua arte marcial.
Com uma série de nove estocadas, três dos melhores da seita Sol e Lua tombaram com a garganta perfurada, e outros sete ficaram feridos.
— Hahaha! Que delícia! Que maravilha! — exclamou Liu Zhengfeng, sentindo que sua habilidade com a espada havia avançado ainda mais naquela batalha.
Talvez ele nunca tenha ouvido aquele dito popular: quando alguém se entende tão bem com você, pode ser por duas razões — ou vocês realmente compartilham afinidades, ou a outra pessoa é muito mais experiente e sabe manipular suas emoções com facilidade.
O que acontecia ali era justamente isso.
Em termos de força interna, Xu Xingchen e Liu Zhengfeng estavam quase empatados. Mas quando se tratava do domínio da espada, Xu Xingchen superava Liu Zhengfeng em muito.
Com a colaboração deliberada de Xu Xingchen, a habilidade de Liu Zhengfeng crescia ainda mais, atingindo — e até mesmo superando — seu auge nos treinamentos.
Liu Zhengfeng, porém, não compreendia tais sutilezas e jamais imaginaria que algo tão extraordinário pudesse acontecer. Achava apenas que estava em seu melhor momento, sua técnica fluía de forma perfeita; a cada poucos golpes, um inimigo tombava, outros gemiam com braços ou pernas cortados.
Por um tempo, realmente parecia invencível, cheio de vigor e moral elevado.
Em pouco tempo, o chão ao redor deles ficou coberto de corpos — mais de uma dúzia de cadáveres, além de outros vinte ou trinta feridos rolando e gemendo de dor.
Os remanescentes da seita Sol e Lua começaram a se agitar, e sua ofensiva perdeu força.
Quando mais alguns tombaram gritando, um dos líderes, franzindo o cenho, foi obrigado a ordenar:
— Parem!
Ao ouvirem a ordem, os membros da seita Sol e Lua suspiraram aliviados, recuando três metros e baixando as armas.
Liu Zhengfeng e Xu Xingchen também recuaram, atentos e cautelosos.
Após a luta feroz, Liu Zhengfeng, embora satisfeito, estava exausto, sua respiração descompassada.
A situação de Xu Xingchen era ainda mais “crítica”: suor perlava-lhe a testa, a respiração era ofegante, o peito subia e descia com força — aparentava estar exausto.
O líder da seita Sol e Lua hesitava: valeria mesmo a pena sacrificar mais homens para capturar os dois? Raramente tinham a oportunidade de pegar uma figura importante da seita Hengshan longe de sua base, e agora ainda havia um dos mais destacados discípulos da geração jovem de Huashan.
Se conseguissem capturá-los, não só seria um golpe tremendo nas Cinco Montanhas, como também garantiriam uma grande recompensa junto à liderança da seita.
Mas ao ver os corpos no chão e o olhar vacilante de seus subordinados, percebeu que a coragem de seu grupo já havia se esgotado; se continuassem, provavelmente todos seriam mortos ali mesmo.
— Hmph! Liu Zhengfeng, considere-se de sorte por ter um discípulo de Huashan a ajudá-lo. Hoje vamos poupar sua vida, mas um dia cobraremos essa dívida de sangue!
Deixando a ameaça, ordenou que levassem corpos e feridos, e partiram apressadamente.
Liu Zhengfeng, claro, não disse nada; dadas as circunstâncias, aquele era o melhor desfecho possível.
Xu Xingchen, como discípulo mais jovem, manteve-se em silêncio, sem criar mais problemas.
Por um tempo, ambos observaram em silêncio os inimigos se afastarem até desaparecerem na estrada, só então soltando um suspiro de alívio.
Liu Zhengfeng limpou o sangue da espada, guardou-a e, voltando-se para Xu Xingchen, elogiou:
— Você é tão jovem e já domina a espada dessa forma, realmente admirável!
Xu Xingchen replicou, respeitoso:
— Se não fosse pela presença do tio-mestre Liu, temo que meu destino teria sido trágico!
Liu Zhengfeng riu:
— Que bobagem, ao ajudá-lo, também me ajudei!
Sem esperar resposta, continuou:
— Vamos sair daqui depressa. Aqueles tipos podem voltar com reforços e nos atacar de surpresa.
— Certo! — respondeu Xu Xingchen, soltando um longo assobio. Ao ouvir o som familiar, o burrinho preto, que pastava ao longe, ergueu a cabeça e correu alegremente até o dono, esfregando-se em sua mão.
Em respeito ao mais velho, Xu Xingchen não montou sozinho, convidou Liu Zhengfeng a subir no burrinho, mas, recusado, os dois seguiram a pé, apressando-se a sair do desfiladeiro conduzindo o animal.
No topo próximo, Qu Yang e sua neta, que observavam tudo, também relaxaram.
Saindo da trilha montanhosa e seguindo a estrada, caminharam por cerca de dez léguas até entrarem em um grande mercado.
Ali, Liu Zhengfeng finalmente se sentiu seguro, encontrou uma estalagem, pediu uma bacia de água limpa ao empregado, tratou de alguns ferimentos e só então os dois sentaram-se num canto do salão para comer e conversar.
— Sobrinho Xu, permita-me brindar a você primeiro, agradecendo por ter me salvado do perigo!
— Tio-mestre Liu, não é justo, eu deveria brindar ao senhor!
— Não precisa de cerimônia, venha, vamos beber!
Entre trocas de cortesia, beberam algumas taças e logo a conversa fluiu.
Quando Liu Zhengfeng soube que Xu Xingchen havia descido a montanha para viajar e ganhar experiência, suspirou, louvando o mestre Yue por ter educado um discípulo tão notável.
Xu Xingchen, enquanto bebia o “bom vinho” sem entusiasmo, elogiava Liu Zhengfeng com humildade, sem perguntar sobre o motivo de sua presença no desfiladeiro.
Assim, entre goles e conversas, o ambiente era de harmonia.
Após a refeição, um precisava retornar logo à cidade de Hengshan, o outro queria seguir viajando. Despediram-se cordialmente.
— Sobrinho Xu, venha me visitar em Hengshan um dia. Farei questão de servi-lo com o melhor vinho da cidade!
— Agradeço, tio-mestre Liu. Boa viagem!
Xu Xingchen observou o tio-mestre se afastar com o estojo de cítara às costas e suspirou em silêncio:
“Quando eu for à seita Hengshan, talvez seja justamente na época em que o tio-mestre Liu decidir abandonar o mundo das armas... Quem sabe se minha jornada poderá mudar seu destino?”
Virou-se, montou o burrinho e seguiu viagem.
Caminhou dia após dia; por mais longa que fosse a estrada para Hangzhou, um dia chegaria ao fim.
E assim, à beira do Lago Oeste, apareceu um jovem montado num burrinho preto.
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