Capítulo 9: Um Ladrão à Noite
— Mestre Yue, peço que faça justiça por mim! Aquela quadrilha de bandidos, não sei de onde surgiram, ocuparam a Montanha Qinglan, desceram para roubar e matar. Meus carregamentos foram saqueados por eles e até os homens que os escoltavam foram assassinados. Um criado só conseguiu escapar com vida e, ao voltar, contou-me o ocorrido...
O comerciante de sobrenome Hou chorava copiosamente diante de Yue Buqun, parecendo uma criança desolada. Não era para menos: além das mercadorias perdidas, só as indenizações pelas mortes já o arruinariam financeiramente.
Yue Buqun ouviu tudo com paciência, depois assumiu uma expressão séria e declarou: — Irmão Hou, pode ficar tranquilo. Desci a montanha com meus discípulos justamente para punir malfeitores e extirpar esses bandidos, trazendo justiça a esta região. Se não venderam ainda suas mercadorias, talvez consigamos recuperar algo para você.
O comerciante Hou vibrou de alegria: — Mestre Yue é um homem de habilidades superiores, e seus discípulos são todos notáveis. Com tais palavras, fico em paz!
Assim, continuaram a beber e comer.
Durante o banquete, Yue Buqun ainda procurou saber mais sobre os bandidos da Montanha Qinglan. O senhor Hou contou que o criado que escapou, em meio ao pânico, não conseguiu contar quantos eram. Sabia apenas que, ao soar de um apito na floresta, surgiram de todos os lados inúmeros salteadores armados, matando sem piedade...
Quando a refeição terminou, a noite já caíra. Os membros da Seita Huashan iriam pousar na residência do senhor Hou, partindo ao amanhecer para a Montanha Qinglan, a algumas léguas dali, a fim de erradicar os bandidos.
Naquela noite, perto da meia-noite...
Dois homens vestidos de negro surgiram do lado de fora da residência. Trazendo roupas escuras de viagem e rostos cobertos por panos, só os olhos brilhavam no escuro. Um empunhava uma espada, o outro uma faca. Trocaram olhares e cochicharam:
— Recebi notícias de que Yue Buqun da Seita Huashan entrou na cidade com seus discípulos e está hospedado nesta casa.
— Vamos investigar esta noite. Quem sabe conseguimos capturar um discípulo para interrogar?
— Dizem que Yue Buqun é o Espadachim Virtuoso. Nestes dois anos, matou muitos mestres notórios do submundo. Não é alguém simples.
— E daí? A maioria dessas histórias é exagerada, rumores de gente do jianghu. Ninguém sabe ao certo quão forte ele é.
— Se fosse incerto, nosso líder não teria mandado gente como nós para testar o terreno. Acho melhor sermos cautelosos e focarmos na vigilância, sem agir por conta própria.
— Como você é medroso! Fique aí fora vigiando. Eu vou entrar primeiro. Com minha leveza de “Falcão Voador”, mesmo que encontre Yue Buqun, saio ileso!
— Não faça isso... — tentou impedir o outro, mas o homem de espada já havia saltado, pulando com leveza o muro de quatro metros e caindo silenciosamente no pátio.
O que ficou do lado de fora murmurou, irritado: — Só porque tem boa leveza, acha que pode fazer o que quiser. Vai acabar alertando os inimigos...
Mesmo reclamando, usou a expressão “alertar os inimigos”, o que mostrava que ainda tinha alguma confiança no parceiro, achando que, com sua habilidade, poderia escapar mesmo se encontrasse Yue Buqun.
O chamado “Falcão Voador” de fato dominava as artes do corpo leve. Avançava pelo vasto quintal, saltando sem ruído, aproximando-se rapidamente do pavilhão onde repousavam os hóspedes.
Xu Xingchen, já havia terminado seus exercícios meditativos, deitava-se vestido, com a espada a seu lado, pronta para ser desembainhada a qualquer instante. Todas as precauções para quem viaja haviam sido ensinadas por seu mestre.
De repente, abriu os olhos, girou o corpo, agarrou a espada e, apoiando a mão na cama, impulsionou-se como uma garça, cruzando o aposento e pousando suavemente junto à porta.
— Quem será que vem nos perturbar a esta hora? — pensou.
Desde que sua energia interna aumentara, seus sentidos tornaram-se aguçados; mesmo dormindo, percebia qualquer aproximação ao pavilhão. Nos últimos anos, os outros irmãos de seita sabiam de seu temperamento solitário e raramente o incomodavam. Apenas o Segundo Irmão, Lao Denuo, era frequente, visitando-o algumas vezes ao ano para saber do progresso nos treinamentos e perguntar se precisava de algo, demonstrando verdadeiro afeto fraternal.
Sempre que Lao Denuo aparecia, Xu Xingchen precisava esconder cordas e a “espada pesada” do pátio, para não levantar suspeitas.
Naquela noite, ao sentir alguém se aproximando, acordou imediatamente, espreitando pela fresta da porta.
Com sua energia interna cada vez mais profunda, não via a noite como dia, mas sob a luz tênue das estrelas e da lua, distinguir a figura mascarada não era difícil.
Viu o homem de negro pousar silenciosamente no telhado do outro lado, justo acima do quarto onde repousavam seu mestre e sua esposa. Xu Xingchen não conteve um sorriso irônico: — Que sujeito, de tantos lugares, foi pousar justamente sobre o mestre e a mestra. É como entrar com uma lanterna acesa no banheiro — está pedindo para morrer!
De fato, pouco depois, a porta do quarto abriu-se sem ruído. Yue Buqun, com algumas mechas de barba no queixo, saiu, contornou sob o alpendre e, num salto, apareceu sobre o telhado.
O homem de negro ainda espiava o pátio quando, de súbito, notou uma figura ao lado. Assustado, saltou na direção do muro, abrindo os braços como um falcão na noite.
Mas Yue Buqun era ainda mais rápido. Como uma andorinha dourada cruzando o céu, alcançou o invasor em um instante, e uma risada fria ecoou no ar: — Já que veio, fique!
— Como é possível ser tão rápido? — o Falcão Voador olhou para trás, apavorado ao ver Yue Buqun se aproximar. Um brilho feroz surgiu em seus olhos: decidido a lutar até o fim.
No submundo, tinha nome. Após mil perigos, tornara-se duro e impiedoso; jamais se renderia fácil.
— Tschim! — a espada soou ao ser desembainhada. Girando no ar, lançou três ou quatro golpes rápidos contra o rosto, garganta e peito de Yue Buqun.
Cada golpe era feroz, cheio da intenção de ambos se ferirem. Se Yue Buqun recuasse, as chances de fuga aumentariam.
Mas ele apenas soltou um grunhido frio, sem recuar. Sua espada, cheia de retidão, avançou — era sua especial “Técnica de Nutrir a Espada”.
Tin-tin-tin! Sobre o telhado, sob o véu da noite, trocaram rápidos golpes.
O Falcão Voador era veloz, desferiu mais de uma dezena de golpes, mas foi desmantelado por sete ou oito cortes de Yue Buqun, ficando completamente dominado.
O poder de cada golpe do Falcão Voador não se comparava ao de Yue Buqun; sentiu forças imensas repicando pela lâmina e pelo braço, perdendo o controle do corpo, até ser lançado ao chão por um golpe certeiro.
Nesse momento, os discípulos da Seita Huashan, alertados pelo barulho, saíram correndo armados, saltando para os telhados e olhando para o chão atrás das casas, exclamando:
— O que aconteceu?
— O que foi isso?
— Um ataque...
Xu Xingchen, misturado aos demais, observou o invasor caído, paralisado, evidentemente imobilizado por Yue Buqun, que permanecia ao lado.