Capítulo Cento e Dez: Retorno?
Após aceitar a missão secreta de Ouyang Qian, Qi Mu partiu. Como a situação era urgente, a liderança exigiu que chegassem à Cidade da Grande Xia em sete dias. Restavam a Qi Mu apenas cinco, durante os quais ele precisava encontrar uma forma de sair da Província de Bai Zhou e, ainda por cima, infiltrar-se com sucesso na Cidade da Grande Xia.
Sair da província já era um transtorno, quanto mais entrar na capital. Cada cidade possuía seus próprios símbolos de identificação, e o cidadão comum raramente viajava. Mesmo os mercadores que circulavam sempre estavam acompanhados de escoltas, tornando o ambiente hostil e vigiado, o que dificultaria qualquer ação discreta.
Qi Mu ainda se via como um habitante do Domínio da Grande Xia, sem ter assimilado completamente seu papel como protetor da ala direita da seita. No entanto, os outros pensavam de forma diferente; viam na missão uma oportunidade de ouro. Afinal, recompensas generosas aguardavam quem colaborasse com a liderança central.
Entre as filiais, não havia muitos indivíduos no Reino de Controle de Fogo. Ouyang Qian, por exemplo, não possuía nenhum, sendo Qi Mu o responsável por preencher essa lacuna. A maioria era composta por membros da base da seita — não chegavam a ser bucha de canhão, pois, comparados aos que sequer sabiam o que era energia mágica, estavam em um nível superior. Muitos estavam dispostos a agarrar essa chance, não por outro motivo senão o desejo de ascensão. Quem não almejava mais poder e status? Todos tinham essa ambição, mas faltava-lhes a força necessária. Usar esta oportunidade para obter vantagens era seu verdadeiro objetivo.
Qi Mu deixou a filial, com o coração pesado, e seguiu rumo à Cidade da Grande Xia. Ao chegar a uma região selvagem não muito longe da Cidade de Bai Zhou, sentiu uma flutuação de energia mágica. Em sua mente, perguntou: "Mestre Ye, você sentiu isso?"
"Sentir o quê?"
"Energia mágica! Tem alguém lutando por perto! Você não percebeu?" disse Qi Mu, impaciente.
Mestre Ye respondeu com um atraso. "A mil e quinhentos metros à sua esquerda. Mas aviso logo: esses dois estão em um nível muito superior ao seu. É melhor não se meter nessa enrascada."
Qi Mu assentiu. Mestre Ye tinha razão. Independentemente da origem dos combatentes, apenas duas facções dominavam a energia mágica no Domínio da Grande Xia: o governo, representado por aqueles do Dragão de Vela, e o pessoal da seita. Ainda assim, Qi Mu decidiu observar. Cenas de tal magnitude eram raras, e ele desejava testemunhar o verdadeiro poder da energia mágica.
Sem hesitar, Qi Mu desapareceu, deixando apenas uma rajada de vento. Mestre Ye murmurou: "Por que esse garoto não ouve conselhos? Deixa pra lá." Ele balançou a cabeça e voltou a meditar dentro da Torre dos Nove Demônios. Desde que Mestre Ye trouxera Qi Mu para dentro, a torre parecia residir permanentemente em sua mente. Notavelmente, desta vez, a torre brilhava mais do que o habitual, perdendo seu aspecto cinzento e opaco.
Qi Mu chegou rapidamente ao local. As árvores ao redor haviam sido destruídas. Ele se escondeu atrás de um tronco caído, cobrindo a cabeça com folhas em um exercício fútil de autoengano, pois a flutuação da energia mágica era tão intensa no ar que sua presença seria facilmente detectada. Foi justamente a violência do confronto que permitiu que ele sentisse o poder de tão longe.
Ao observar, notou que ambos empunhavam armas azuladas que pareciam feitas de água, pois ele via fluxos correndo sobre as lâminas. Quando focou nos rostos, porém, Qi Mu estremeceu. Ele esfregou os olhos, incrédulo. Ele viu alguém extremamente familiar: Long Yan!
"Os exploradores não deveriam estar por aqui. Por que o irmão Long está aqui?" Uma enxurrada de perguntas inundou sua mente. Antes que pudesse processar, viu que Long Yan estava em desvantagem, com a lâmina do oponente prestes a atingir seu ombro.
Qi Mu decidiu intervir. Embora seu nível fosse baixo, ele poderia ser útil; e se não fosse, havia Mestre Ye para assumir o trabalho sujo. Sem pensar duas vezes, levantou-se e gritou: "Irmão Long! Estou aqui!"
O grito atraiu a atenção de ambos. O Número Doze do Dragão de Vela hesitou por um segundo. Long Yan aproveitou a distração, explodindo em energia e arremessando o oponente para longe. Saltando no ar, ele materializou um tigre colossal, pulsante de energia mágica e uma aura assassina que intimidava apenas por estar presente.
"Tome isso!" rugiu Long Yan. O tigre avançou como um espectro contra o Número Doze, que, furioso por ter tido sua vitória interrompida, avançou para o combate corpo a corpo. O som dos golpes ecoava por toda parte. O Número Doze lutava de igual para igual, mas, com o passar do tempo, começou a dar sinais de exaustão, com marcas de sangue surgindo em seu corpo.
Qi Mu, que pretendia ajudar, percebeu que não era necessário e passou a atuar como um espectador, torcendo por Long Yan: "Isso, irmão Long, acerte ele! Ali! Agora!"
Long Yan, irritado com o barulho, ordenou: "Cale a boca!"
"Certo", respondeu Qi Mu, calando-se. Como Long Yan tinha a vantagem, ele apenas observava.
O Número Doze, cuspindo sangue no chão, lançou um olhar maldoso a Qi Mu: "Garoto, você vai pagar por isso!" Virando-se para Long Yan, disse com desdém: "Você não venceu por mérito! Se não fosse por esse pirralho, você já estaria morto!" Dito isso, ele explodiu em fumaça e desapareceu em um piscar de olhos.
"Irmão Long, por que não o perseguiu? Ele fugiu!" reclamou Qi Mu.
Long Yan recolheu o tigre e suprimiu seus ferimentos. "Nunca se persegue um inimigo encurralado. Você não sabe disso?"
"Entendido", respondeu Qi Mu, submisso.
Long Yan aproximou-se. Ele tinha ferimentos, mas nada grave. Contudo, feridas causadas por energia mágica não curavam com remédios comuns; ele precisaria de tempo para se recuperar.
"Irmão Long, seus ferimentos..."
"Não é nada", cortou Long Yan, encarando-o com curiosidade. "O que faz aqui? Você não tinha fugido da Passagem de Zhen Yu? Finalmente decidiu voltar para casa?" O tom era de reprovação, mas carregava um cuidado genuíno.
"Irmão Long, foi um acaso. Estou apenas de passagem e não posso ficar."
Long Yan franziu a testa. "Você ainda não me explicou como escapou da Cidade de Bei Hai. Mais alguém saiu com você? Onde estão os outros exploradores?"
O coração de Qi Mu apertou. "Apenas eu e a irmã Yan Yan conseguimos fugir. Todos os outros morreram."
Long Yan suspirou. Ele já esperava por isso. Apesar de sua personalidade fria, sentiu uma melancolia profunda. "Voltar vivo já é algo. Pelo menos não foi uma aniquilação total." Ele olhou para as ruínas da base à frente. "Já que voltou, o velho Ye ficará feliz. Vá vê-lo e explique o que aconteceu em Bei Hai."
A base dos exploradores estava devastada. O portão não passava de entulho. O ataque do Número Doze fora uma surpresa total. Long Yan olhou para Qi Mu com desconfiança; ele tinha a sensação de que o rapaz escondia algo.
"Irmão Long, quem era aquele homem? Por que atacou vocês? Por que os exploradores mudaram de base? Não deveriam estar perto da Cidade de Bei Hai?"
Long Yan, cansado do combate, respondeu: "Vá perguntar ao velho Ye. Não estou com paciência para responder." Ele caminhou em direção à base, deixando Qi Mu para trás.
Qi Mu olhou para as costas de Long Yan, pensando que ele estava cansado demais para falar, sem perceber que, na verdade, Long Yan era apenas preguiçoso.
"Espere por mim, irmão Long!" gritou Qi Mu, correndo atrás dele.