Capítulo Setenta e Um: Exterminar os Portadores de Pesadelos

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 2378 palavras 2026-02-09 17:19:51

— Mas o quê? — perguntou Quim Mu com ansiedade, e era possível perceber o pânico estampado em seu rosto naquele momento.

Sua energia mágica ainda não havia se recuperado e agora, cercado por dezenas de Pesadelos, encontrava-se em uma situação de morte certa.

— Mu, você está bem? Espere, eu vou te salvar! — Yan Yan gritou aflita naquele instante, fingindo que estava prestes a se lançar num confronto de vida ou morte contra os Pesadelos.

— Mana, não seja imprudente, você não é páreo para eles!

— Mas...

— Não se preocupe, fique aí fora. Se entrar, só vai me atrapalhar — Quim Mu franziu as sobrancelhas.

— Os Pesadelos são mestres em usar sonhos para atacar os inimigos. Os que você está vendo agora ainda não recuperaram suas forças, por isso conseguiu escapar — o Mestre Ye falou com tranquilidade. — Um verdadeiro Pesadelo pode controlar completamente todo o sonho e matar você sem que perceba!

— Por sorte, eles ainda não se fortaleceram, seus corpos estão bastante frágeis. Daqui a pouco, eu vou ajudar a selar sua mente, para que não caia nas ilusões dos Pesadelos.

— Depois, basta fazer como fez ao derrotar o Devorador! — Assim que terminou de falar, o Mestre Ye começou a murmurar palavras inaudíveis.

No instante seguinte, Quim Mu sentiu sua visão clarear como se tudo ao seu redor se tornasse nítido; era como se tivesse se fundido àquele mundo.

Ele sabia que era obra do Mestre Ye; dali em diante, só precisava cumprir seu papel.

Quim Mu cerrou os punhos, lançou um olhar ameaçador aos Pesadelos ao redor — a caçada havia começado!

Enquanto Quim Mu empregava todas as suas forças no confronto contra os Pesadelos, no alto das montanhas, uma mulher de traje provocante e sorriso nos lábios caminhava graciosamente até os agentes Dragão de Fogo 10 e 11.

— O que vieram fazer aqui? — Ela se aproximou dos dois, lançando-lhes um olhar profundamente sedutor.

Dragão de Fogo 10 e 11 a observavam com desconfiança.

A mulher havia surgido de repente, sem que eles notassem sua aproximação, e não emanava qualquer aura de energia — aquilo era realmente estranho.

— Não temos nada a declarar — respondeu Dragão de Fogo 10 friamente.

Ele logo quis agir, tentando nocautear a mulher.

Mas, com um leve gesto da mão, Dragão de Fogo 10 percebeu que seu braço não se movia mais!

Arregalou os olhos para a mulher diante de si.

— Quem é você?

Dragão de Fogo 11 também percebeu que algo estava errado. Num movimento ágil, posicionou-se atrás da mulher; vinhas brotaram do solo e se enrolaram ao redor do corpo dela.

No entanto, no instante seguinte, todas as vinhas se romperam facilmente, caindo despedaçadas ao chão.

— A partir de agora, respondam tudo o que eu perguntar... ou então terão uma morte terrível — disse a mulher, tocando os lábios com um sorriso perverso.

— Sonhe! — responderam os dois em uníssono, sem qualquer intenção de se render.

Inúmeros ataques caíram sobre a mulher, chamas se ergueram aos céus, tudo ao redor virou cinzas!

Mas seus ataques pareciam atingir uma muralha invisível, sem lhe causar o menor dano.

Trocaram um olhar: embora não soubessem de onde aquela mulher viera, seu instinto lhes dizia que a única opção era fugir!

Compreenderam-se num segundo, separaram-se e correram em direções opostas, cortando o ar com tamanha rapidez que o som explodiu ao redor.

A mulher sorriu com desdém. Do solo, irromperam dezenas de vinhas espessas, alcançando os céus como se tocassem as nuvens.

Lançaram-se velozmente sobre os dois agentes — mas a diferença de poder era tamanha que escapar estava fora de questão.

Em poucos segundos, ambos foram capturados e arrastados até a mulher.

— Agora, para onde pretendem fugir? — Ela os fitou com um sorriso malicioso, como se observasse insetos.

Na filial da Santa Igreja em Cidade do Meio-Dia, o rosto de Quim Mu estava coberto pelo sangue azul dos Pesadelos; banhado naquele sangue, parecia uma criatura saída do próprio inferno.

Xiong Batian, horrorizado, tapou a boca e murmurou:

— Monstro! Monstro!

Aos olhos dele, Quim Mu era apenas um homem comum, enquanto os Pesadelos haviam massacrado centenas de pessoas; a diferença de poder era abissal, e ele só queria arrastar Quim Mu para a destruição consigo.

Mas agora, diante do que via, era Quim Mu quem massacrava os Pesadelos sozinho. Ao lembrar do que havia feito contra ele instantes antes, não pôde evitar sentir medo.

Quim Mu limpou o sangue que escorria de seus olhos e encarou Xiong Batian com frieza.

— Agora é a nossa vez de acertar as contas — disse, com um sorriso sinistro no canto dos lábios.

Aquele sorriso, aos olhos de Xiong Batian, era o próprio diabo. Sentou-se no chão, arrastando-se para trás em direção à parede, gritando:

— Não, não venha! Fique aí!

Mas Quim Mu não lhe deu ouvidos. Seus passos eram lentos e pesados, o som das pisadas ressoava nitidamente nos ouvidos de Xiong Batian, como se fosse o momento final no cadafalso. O terror tomou conta de sua mente.

— Pare! Eu estava errado! Não devia ter tentado te arrastar para baixo comigo, eu estava errado... — Ele gritava descontroladamente, até que seu olhar se esvaziou e ele desabou diante de Quim Mu.

Quando Quim Mu se aproximou, Xiong Batian já não dava sinal de vida. Ele levou os dedos até as narinas do corpo.

Nenhum sinal de respiração — estava morto.

— Morreu? Mas eu nem cheguei a encostar nele — Quim Mu ficou surpreso.

Não teve tempo de fazer nada e Xiong Batian morreu de medo?

Logo, Quim Mu sorriu e foi até Yan Yan.

— Mana, está tudo bem agora!

— Sim — respondeu Yan Yan, lágrimas nos olhos, assentindo aliviada.

Mu havia crescido, não precisava mais de sua proteção; agora era um homem capaz de enfrentar o mundo!

Nesse momento, a mulher abriu a porta. Uma luz intensa entrou do lado de fora, e ela, surpresa, encarou a cena diante de si.

Sangue e corpos por toda parte, formando literalmente uma montanha de cadáveres e um mar de sangue; os corpos dos Pesadelos estavam empilhados diante de seus olhos.

Ao se dar conta do que via, ela correu até Quim Mu, furiosa.

— Quem matou eles?

Quim Mu recuou um passo e não respondeu diretamente.

— Os dez minutos já se passaram, missão cumprida, não?

— Estou perguntando quem matou eles! — os olhos da mulher brilhavam em um tom carmesim.

Mais de uma dúzia de Pesadelos mortos de uma vez só; todos os Pesadelos da filial estavam praticamente exterminados! Como explicar aquilo? E as próximas ações contra Cidade do Meio-Dia, como ficariam? O que fazer agora?

Enfurecida, ela lançou Dragão de Fogo 10 e 11 ao chão e agarrou Quim Mu pela gola.

— Fui eu que matei. E daí? As regras não proibiam matar esses monstros, não é? — respondeu Quim Mu, apertando os lábios.

Ele sentia a força e o ódio gelado que emanavam do corpo da mulher. Sabia que não podia provocá-la naquele momento, senão nem ele nem Yan Yan sairiam dali vivos.

— Hahaha! Vocês dois? Acham mesmo que seriam capazes? — A mulher gargalhou alto.

— Vocês acham que podem exterminar uma dúzia dos meus Pesadelos da Santa Igreja? Que presunção!