Capítulo Cinquenta e Dois Que dia é hoje?

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3381 palavras 2026-02-09 17:18:35

Feng Han observava Liu Tai com aquela expressão e então falou: “Capitão Liu, se deseja saber algo sobre Qi Mu, naturalmente não tenho autoridade para interferir. Que tal o senhor conversar com nosso Dragão-Mor?”

Havia uma leve pressão oculta no tom de Feng Han, que queria usar o status de Dragão-Mor para forçar Liu Tai a ceder.

“E daí ser Dragão-Mor? Eu sou o diretor da Inspetoria de Cidade do Meio-dia!”, respondeu Liu Tai, inflando as bochechas e encarando Feng Han com desdém, como se desprezasse completamente sua atitude.

Agora, ele deixava claro para Feng Han: não haveria chance de obter informações sobre Qi Mu.

Mas Feng Han, sem se apressar, prosseguiu: “O Dragão-Mor pode não mandar no senhor, diretor Liu, mas e o Senhor do Domínio?”

“Se o Senhor do Domínio souber desse ocorrido, será que ele mesmo não viria buscar Qi Mu?”, disse Feng Han, com um tom carregado de ameaça.

Se Liu Tai não lhe dissesse o que queria saber, ele recorreria ao Dragão-Mor para reportar ao Senhor do Domínio. Quando isso acontecesse, Liu Tai certamente teria problemas.

O olhar de Liu Tai vacilou, ele suspirou profundamente e se sentou, sem saber o que decidir. O Inspetor Huo Lin acabara de sair, e agora a Guarda estava ali. Estar entre esses dois poderes o deixava desconfortável, franzindo fortemente a testa. Após pensar um pouco, disse a Feng Han: “Vou relatar isso ao Senhor do Domínio, não precisam se preocupar.”

Seu olhar frio fixava Feng Han, que apenas soltou um leve sorriso. Já esperava essa resposta de Liu Tai. Não havia mais o que fazer, pressionar Liu Tai para informar o Senhor do Domínio seria o máximo que poderia fazer por Qi Mu.

Feng Han deixou a Inspetoria e, olhando para o sol que se punha no horizonte, deixou escapar um sorriso quase imperceptível.

“Que droga! Um atrás do outro tratando minha Inspetoria como se fosse a casa da mãe Joana! Chegam e saem quando querem!”, Liu Tai explodiu de raiva em seu escritório, não só por causa de Huo Lin, mas também pela pressão de Feng Han, que tentava forçá-lo a ceder.

Como diretor da Inspetoria de Cidade do Meio-dia, Liu Tai sentia-se completamente desmoralizado! No fim das contas, não conseguiu arrancar nada de Qi Mu e ainda se meteu em uma baita confusão.

Liu Tai balançava a cabeça sem parar; a Guarda já tinha ido embora, mas o que fazer com o inspetor? Afinal, ele não era dos deles; era da Inspetoria do Domínio de Daxia, enquanto o inspetor vinha do Palácio dos Deuses. Chamá-lo de Inspetor era educado, mas, na prática, ele não passava de um informante, responsável por reportar tudo que faziam ao Palácio dos Deuses!

Se Huo Lin soubesse disso antes, o Senhor do Domínio com certeza o destituiria, pensou Liu Tai, balançando a cabeça aflito. Não podia deixar Huo Lin encontrar Qi Mu. Se o rapaz falasse demais, ele mesmo seria o prejudicado!

Com isso em mente, Liu Tai imediatamente chamou Zhang Lin. Ele se aproximou, curioso: “Diretor Liu, em que posso servi-lo?”

“Zhang, você sabe que sempre depositei grande confiança em você, e sei que no futuro fará grandes coisas!”, disse Liu Tai, tentando esconder sua preocupação e fingindo tranquilidade.

“Sim, diretor! Sei que tudo isso é para me testar e fortalecer!”, respondeu Zhang Lin em voz alta, cheio de respeito, o brilho nos olhos revelando sua emoção.

“Agora tenho uma missão importante para você!”, Liu Tai revelou seu objetivo.

Ele queria que Zhang Lin reunisse alguns homens e retirasse Qi Mu discretamente do Posto de Confinamento, antes que Huo Lin chegasse. Assim, quando o inspetor aparecesse, descobriria que Qi Mu havia fugido. Mesmo que desconfiasse, nada poderia fazer!

Liu Tai sorriu consigo mesmo, orgulhoso de sua astúcia.

“Diretor? Diretor Liu?”, Zhang Lin acenou diante de Liu Tai, confuso.

Tinha sido chamado, mas até agora não sabia qual era a tarefa, enquanto Liu Tai sorria sozinho. Sem ousar dizer nada, apenas acenou mais uma vez.

Liu Tai se recompôs, percebeu seu deslize, tossiu e falou em tom grave: “Zhang, quero que selecione alguns funcionários desocupados e vá libertar Qi Mu do Posto de Confinamento!”

“Libertar?”, Zhang Lin ficou atônito e, hesitante, perguntou: “Diretor Liu, não foi um grande esforço prendê-lo? Por que agora quer soltá-lo?”

Liu Tai não respondeu. Apenas disse em tom sério: “Zhang, não questione ordens superiores! Entendeu?”

“Bem... está certo.” Vendo a seriedade de Liu Tai, Zhang Lin hesitou, mas assentiu e se virou para sair.

Ao chegar à porta, parou como se lembrasse de algo e perguntou: “Diretor, por que escolher gente desocupada? Posso chamar o esquadrão de contenção para me ajudar a tirar Qi Mu?”

Ele parecia orgulhoso da ideia, mas Liu Tai imediatamente fechou a cara e gritou: “Você não ouviu o que acabei de dizer? Não pergunte! Fora daqui!”

O rosto de Liu Tai estava negro como o de um gorila, e Zhang Lin quase podia ver faíscas saindo de sua cabeça, então saiu correndo.

Sentado diante da mesa, Liu Tai balançou a cabeça, descontente: “Tinha a presa na mão e ela escapa! Tudo culpa desse Qi Mu, por que lutar tanto? Era só se render, me pouparia tanto trabalho! Agora preciso resolver tudo isso, que transtorno!”

Liu Tai resmungava, sentindo-se injustiçado. Afinal, havia sido destituído pelo Senhor do Domínio e deveria estar afastado, mas ali era a Cidade do Meio-dia, onde ele era o dono do pedaço! Desde que o Senhor do Domínio não soubesse, poderia viver à vontade.

Além disso, só ele sabia da ordem de afastamento; ninguém mais sabia que Liu Tai estava sob investigação. Se soubesse, teria informado o Senhor do Domínio assim que Qi Mu chegou, quem sabe teria recuperado o cargo e até recebido uma recompensa.

Agora, arrependido, só lhe restava tirar Qi Mu antes que o inspetor o encontrasse. Caso contrário, se o Palácio dos Deuses levasse o rapaz, nem queria imaginar o que seria de si.

Suspirou, olhando os papéis espalhados na mesa, deitou-se no sofá ao lado, fechou os olhos, entregando-se ao sono, torcendo para acordar com a notícia de que Qi Mu havia escapado do Posto de Confinamento.

No Posto de Confinamento.

Naquele momento, Qi Mu e Yan Yan caminhavam juntos, apoiando-se, sem saber para onde ir. Seguiam sem rumo, sem encontrar uma alma sequer pelo caminho.

Qi Mu perguntou, intrigado: “Mana, é sempre tão vazio assim aqui dentro? Estamos andando há tanto tempo e não vimos ninguém.”

Mesmo Yan Yan, normalmente calma, não pôde deixar de mostrar surpresa. Murmurou: “Não deveria ser tão vazio aqui. Da última vez que vim, estava cheio de gente, e agora sumiram todos.”

Yan Yan já fora responsável pela guarda do Posto de Confinamento quando trabalhava na Inspetoria, e já estivera naquele lugar. Lembrava-se que, ao entrar, era cercada por muitos presos, de roupas esfarrapadas, suplicando para que os tirasse dali.

Naquela época, a cada passo, havia muita gente à vista. Embora não fosse o mesmo posto da Cidade do Meio-dia, por lógica, sendo a capital da Província do Meio-dia, deveria haver ainda mais presos. No entanto, até ali, ela e Qi Mu não tinham encontrado ninguém!

Ambos suspiraram. Não sabiam quanto tempo havia se passado, mas sentiam que já estavam ali quase um dia. Talvez, em breve, a próxima refeição aparecesse.

Trocaram um sorriso amargo e seguiram se apoiando. Não sabiam como sair dali, mas a única opção era encontrar alguém para perguntar detalhes sobre o local. Assim, talvez descobrissem um meio de escapar.

Não se sabe quanto tempo passaram caminhando, até que, de cima de uma duna, avistaram ao longe uma multidão. Qi Mu disse a Yan Yan: “Mana, por que tanta gente reunida ali?”

“Também não sei”, respondeu Yan Yan, franzindo o cenho, intrigada. Ainda estavam longe para entender o que acontecia.

Parecia que todos haviam se reunido naquele lugar, o que explicava o vazio durante o trajeto. Decidiram se aproximar para descobrir o que estava acontecendo.

Trocaram um olhar e, mesmo exaustos, seguiram juntos. Depois de tanto tempo andando, as pernas já estavam doloridas.

A energia mágica de Qi Mu se esgotara lá fora, e não havia sinal de magia naquele mundo; era impossível recuperar forças, restando-lhe apenas a resistência física.

Aproximando-se, perceberam que tinham subestimado a quantidade de pessoas. Era uma verdadeira multidão, ombro a ombro, formando um círculo visto do alto, todos se espremendo para o centro, como se algo os atraísse.

Qi Mu se aproximou de um deles e o puxou.

“Ei, não atrapalhe, estou ocupado!”, reclamou o homem, vestido de trapos, rosto sujo, dentes amarelados e aparência repulsiva.

Resistindo ao mau cheiro, Qi Mu prendeu a respiração e perguntou: “Irmão, o que estão fazendo?”

O homem parecia um pouco surdo, ou talvez fosse o barulho da multidão. Virou-se e perguntou em voz alta: “O que disse?”

Qi Mu se inclinou e repetiu a pergunta.

O homem, então, olhou para os dois como se eles fossem aberrações, franzindo a testa e respondendo, incrédulo: “Vocês não sabem que dia é hoje?”