Capítulo Vinte: O Método para Salvar Qi Mu

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3424 palavras 2026-02-09 17:15:33

Naquele momento, Qi Mu estava imerso em um espaço caótico, sentado de pernas cruzadas, cercado por uma escuridão absoluta, sem qualquer resquício de luz.

— Velho, onde estou agora? — ele gritou em direção ao vazio ao seu redor.

— O último traço da sua consciência ainda reside no cérebro, mas o seu corpo já morreu. Em outras palavras, o que resta de você no mundo é apenas essa centelha de consciência — respondeu a voz idosa, com um tom de leve pesar.

Para Qi Mu, não havia diferença entre estar assim e estar morto; até mesmo ele se sentia impotente diante da situação.

— Ah, e quanto à irmã Yan? Eles conseguiram pegar o dono da loja? — Qi Mu, pouco abalado com a resposta, perguntou apressadamente.

Após ouvir tudo o que acontecera em seguida, um longo silêncio se espalhou pelo espaço.

— Quem diria... irmã Yan Yan... — Qi Mu murmurou, forçando um sorriso amargo.

Pelo visto, sua morte tinha sido um golpe devastador para Yan Yan; talvez ela nunca fosse se recuperar disso. Qi Mu sentia-se profundamente culpado.

— E agora, o que devo fazer? — lembrou-se das palavras do velho e, aflito, questionou.

— Faça o que puder e confie no destino — respondeu, com serenidade, a voz antiga, que logo se calou.

— Droga, esse velho foi embora de novo — praguejou Qi Mu.

No interior da base dos Observadores, Ye Zichen e os outros já estavam encharcados de suor, as roupas coladas ao corpo pelo esforço, mas persistiam, buscando desesperadamente uma esperança para salvar Qi Mu.

Enfim, depois de reunirem todas as estelas de pedra com imagens, Ye Zichen comandou:

— Vamos, só mais um pouco. Cada um fica com uma parte das estelas. Prestem muita atenção nos desenhos; se encontrarem qualquer imagem relacionada a salvar vidas, avisem imediatamente, entendido?

Apesar do cansaço extremo, a ansiedade em seu peito não diminuía. Ele bradou com força:

— Sim! — responderam todos em uníssono.

O tempo escorria, e, alheios ao tumulto externo, eles continuavam vasculhando as estelas, à procura daquele fio tênue de esperança.

Xiao Jie, exausto, sentou-se no chão, arrastando uma a uma as estelas. Vasculhava cada uma sem se permitir relaxar. No instante em que estava prestes a desmaiar de fadiga, algo na estela diante de si fez seu ânimo renascer.

Na pedra, via-se uma figura humana indistinta, prostrada no chão, cercada por uma multidão. Alguém extraía de seu corpo uma esfera negra, que o líder do grupo ergueu acima da cabeça, murmurando palavras ininteligíveis.

Em seguida, a esfera era introduzida na boca do humano sobre o altar. Então, um fenômeno sobrenatural: um raio descia do céu atingindo a pessoa no altar. Xiao Jie pensou que o homem morreria, mas, para sua surpresa, a figura na estela começou a se mover, como se tivesse voltado à vida.

Xiao Jie gritou para os demais:

— Venham rápido! Achei uma pista!

Jiang Tiancheng, que quase adormecia de cansaço, ouviu o grito, afastou a exaustão e correu até ele:

— O que você encontrou?

Todos se aproximaram, ansiosos. Xiao Jie entregou a estela a Ye Zichen, que, após um tempo observando, disse lentamente:

— Parece que este é o método para salvar Qi Mu.

— Mas há uma cena aqui que não compreendi — continuou, franzindo a testa diante da estela.

— Vejam, alguém tira uma esfera do abdômen de outro e a dá para aquele que está morto. Que esfera é essa? Será que existe algo assim dentro do corpo humano? — Ye Zichen, apontando para o desenho, perguntou intrigado.

Long Yan aproximou-se silenciosamente por trás de Ye Zichen e disse com frieza:

— Isso se parece mais com o núcleo de um Devorador.

— O quê?! — Ye Zichen virou-se, incrédulo.

— Você está dizendo que é o núcleo de um Devorador, mas a estela mostra claramente uma pessoa! — exclamou, perplexo, franzindo ainda mais o cenho.

Qual seria, afinal, a ligação entre humanos e Devoradores? O pai de Qi Mu já tinha sido identificado como um Devorador pela organização. Mas teria sido ele sempre um Devorador ou era humano antes de, por algum motivo, transformar-se em tal criatura?

Ye Zichen não sabia o que pensar. Após refletir por um momento, decidiu:

— Não importa, primeiro temos que salvar Qi Mu. Long Yan, vá até o depósito buscar o núcleo. Vamos seguir o que está na estela — precisamos tentar de tudo para trazê-lo de volta!

Do lado de fora da base dos Observadores, Yan Yan carregava o corpo de Qi Mu até um gramado, onde o deitou com cuidado, acariciando-lhe o rosto com tristeza.

— Xiao Mu, lembra daqui? Foi aqui que nos tornamos irmãos, uma família...

— Éramos tão felizes... Por que o destino foi tão cruel a ponto de te arrancar de mim? — Yan Yan, tomada pela dor, tombou no chão, os punhos cerrados golpeando com força a relva.

Qi Mu, preso ao mundo dos pensamentos, via claramente tudo o que acontecia do lado de fora. Quis gritar:

— Irmã, eu não morri! Não precisa ficar assim!

Mas sabia que Yan Yan não podia ouvi-lo, então desistiu.

Ver Yan Yan sofrendo lhe apertava o coração; mesmo morto, a dor era insuportável.

Nesse instante, ouviram-se vozes ao longe:

— Yan Yan, onde você está? Encontramos uma forma de salvar Qi Mu!

Os gritos arrancaram Yan Yan de seu luto. Ela escutou atentamente e, ao perceber que havia uma esperança, seus olhos se iluminaram. Com esforço, correu na direção das vozes.

Chegando diante do grupo, segurou com força o braço de Ye Zichen, perguntando, incrédula e ansiosa:

— O que vocês disseram? Existe uma forma de salvar Qi Mu? É verdade? É mesmo verdade?

Ye Zichen conteve-se diante dos sacolejos de Yan Yan e respondeu lentamente:

— Ainda não temos certeza, mas pelo menos nos deixe tentar.

Ao ouvir isso, Yan Yan baixou as mãos:

— Então vocês ainda não encontraram um jeito de trazer Xiao Mu de volta...

Jiang Tiancheng rugiu:

— Yan Yan, não nos faça perder mais tempo! Deixe-nos tentar; se não fizermos nada, Qi Mu estará perdido para sempre!

— Não! Não! Não vou deixar que profanem o corpo de Xiao Mu! Ele já se foi, mas não permitirei que destruam seus restos! — murmurou Yan Yan, alheia às palavras de Jiang Tiancheng, olhando para todos com hostilidade.

— Yan Yan, acalme-se! Viemos mesmo para salvar Qi Mu! Se continuar a impedir, não teremos escolha! — disse Ye Zichen, desesperado. Precisavam agir logo, tentar qualquer coisa era melhor do que nada.

Yan Yan, tomada pela fúria, encarou-os com olhar feroz:

— Quem ousar dar mais um passo não terá minha compaixão, mesmo sendo meus antigos companheiros!

Dito isso, sacou a adaga ensanguentada da cintura, assumindo uma postura defensiva.

— Ai... — Ye Zichen suspirou, resignado, e disse a Yan Yan:

— Avancem.

Mal terminara de falar, alguém surgiu por trás de Yan Yan e acertou-lhe um golpe no pescoço, fazendo-a desmaiar e cair para trás.

Long Yan, que já estava emboscado ali perto, seguiu a ordem sem hesitar, imobilizando Yan Yan. Segurando-a nos braços, disse com calma:

— Vão logo, Qi Mu espera por vocês.

— Certo! — responderam em coro, correndo até onde Qi Mu estava.

Ao chegarem ao lado de Qi Mu, Ye Zichen disse:

— Venham, ajudem-me a carregá-lo de volta.

— Vamos!

O sol nascia no horizonte, iluminando o céu. A névoa envolvia as montanhas, tornando impossível discernir seus contornos — tal qual a vida de Qi Mu, submissa aos desígnios do destino...

Na Cidade Beihai, Mu Hongzhi andava de um lado para o outro no escritório, desesperado. Restavam apenas dois dias para o prazo dado por Xu Bin, e não havia qualquer notícia de Chen Guohua. O que fazer?

Quando se preparava para sair, a porta se abriu de repente. Alguém entrou, exclamando, entusiasmado:

— Diretor, encontramos pistas sobre o sequestro de Chen Guohua na farmácia do lado oeste da cidade!

— O quê?! — Mu Hongzhi quase saltou de alegria, mas conteve-se e, tentando parecer calmo, perguntou:

— Quais são as pistas?

O subordinado, animado, explicou:

— Descobrimos na farmácia do oeste um plano do Pavilhão Exquisito e do Salão da Estrela Sombria para sequestrar Chen Guohua.

— Então esses dois grupos estão envolvidos... — Mu Hongzhi franziu o cenho, pensativo, acariciando o queixo. Em seguida, ordenou com frieza:

— Pode sair, reúna todas as informações e traga para mim.

— Sim!

Mu Hongzhi sentou-se à mesa, apoiando o corpo, e falou para si mesmo:

— Posso usar o Pavilhão Exquisito e o Salão da Estrela Sombria como desculpa, alegar que foi tudo um boato espalhado por eles. Assim, consigo enganar o Senhor do Domínio e os enviados do Palácio dos Deuses. Não vão me destituir, no máximo descontam alguns anos de salário...

Dito isso, bateu palmas, iluminado pela ideia.

Sem perder tempo, pegou o comunicador na mesa e ligou para Xu Bin.

Xu Bin atendeu, impaciente:

— O que foi? Estou ocupado. Tem alguma novidade sobre o fortificante?

Mu Hongzhi expôs toda a sua explicação ensaiada. Xu Bin, apenas levemente desconfiado, não questionou muito e assentiu:

— Entendi. Está salvo por enquanto. Vou informar aos superiores.

Ao encerrar a comunicação, Mu Hongzhi recostou-se satisfeito, aliviado, voltando ao habitual semblante despreocupado. Ainda assim, achou prudente ordenar que espalhassem cartazes pela cidade, expondo a farsa do Pavilhão Exquisito e do Salão da Estrela Sombria.

Assim, a questão do fortificante foi finalmente resolvida. Xu Bin reportou aos superiores, que, por sua vez, usaram os dois grupos como bode expiatório. O Palácio dos Deuses ainda suspeitava, mas, considerando o histórico dos dois grupos, concluíram que tudo não passava de mais uma tramóia deles e apenas ordenaram que o emissário local redobrasse a vigilância.

O Senhor do Domínio da Grande Xia, ao saber do sucesso dos Observadores no desenvolvimento do fortificante, ficou eufórico. Secretamente, ordenou que se intensificasse o apoio ao grupo. Tudo caminhava conforme seus planos.