Capítulo Quarenta e Sete: Pico Infinito
— Hum, vocês dois, família humilde, estão aqui para colher ervas para a mãe doente, certo? — O líder do grupo esboçou um leve sorriso, olhando para os olhos de Yan Yan com interesse.
— Sim, tem algum problema nisso? — Yan Yan fingiu não entender, respondendo com um tom despreocupado.
O capitão desmontou do cavalo e se aproximou de Qi Mu, agarrando-o pelo colarinho e aproximando o emblema em seu peito do rosto de Yan Yan.
— Senhor, o que significa isso? — Yan Yan olhou para o símbolo no peito de Qi Mu, contendo a curiosidade.
Amante Branco era apenas uma loja entre tantas em Cidade Diurna; conhecida ali, mas completamente desconhecida em outros lugares. Yan Yan, não sendo de Cidade Diurna, naturalmente não sabia o que o símbolo representava.
O líder do grupo disse friamente:
— Família pobre, mas consegue comprar roupas tão boas? Como explica isso?
Seu olhar era afiado, fixo em Yan Yan.
Qi Mu pensava rapidamente e respondeu num impulso:
— Senhor, eu roubei!
— Ah, interessante. Vai tentar me enganar com essa desculpa? — O líder do grupo respondeu com total desdém.
Pelo visto, não acreditou nem um pouco na justificativa de Qi Mu.
Qi Mu sustentou o olhar com sinceridade, fazendo uma expressão amarga:
— O senhor sabe que somos pobres, não temos roupas para vestir, então só nos restou roubar as roupas de outros, usar para nos proteger do frio e do calor.
Sua voz soava tão lastimável, e, com um olhar sincero, uma lágrima brotou do canto do olho, caindo ao chão.
Até mesmo o soldado que os mantinha presos pareceu sensibilizado e interveio com compaixão:
— Capitão, eles não parecem perigosos. Que tal deixá-los ir?
— Não há negociação. Levem os dois para Cidade Beihai; vamos ver o que o Diretor Liu tem a dizer! — respondeu o capitão, com olhar gélido.
Era evidente que desconfiava da identidade de Qi Mu e Yan Yan; não sabia se eram mesmo os procurados por Liu Tai, mas, pelo número e pelo sexo, coincidiam com as pistas fornecidas. Por cautela, decidiu detê-los.
Qi Mu ficou apreensivo. Eles não podiam voltar para Cidade Diurna. Se fossem descobertos, não seriam só esses homens a vir atrás deles. Mesmo com o poder da magia, Qi Mu não era invencível; diante da força dos números, acabaria sucumbindo.
Além disso, enfrentar pessoas era diferente de enfrentar Devastadores. Devastadores ele podia matar sem remorso, mas aqueles eram inspetores e soldados do exército — agentes oficiais do Domínio Grande Xia! Se Qi Mu matasse algum deles, seria tachado de assassino!
Diante disso, só restava agir.
Quando os soldados os empurravam, Qi Mu estremeceu, arremessando o homem que o segurava a dez metros de distância, e, com um golpe, lançou longe o que prendia Yan Yan, agarrando-a pela mão para fugir dali.
Mas aqueles soldados eram muito mais ágeis do que os inspetores. Embora surpresos com a força de Qi Mu, avançaram sem hesitar.
Vendo que não poderiam escapar, Qi Mu lançou Yan Yan ao ar, rachou o solo com um chute e a apanhou no ar, colocando-a em segurança. Sorriu de modo travesso:
— Irmã, veja como vou acabar com eles!
Yan Yan agarrou rapidamente o braço de Qi Mu:
— Pequeno Mu, não mate ninguém!
— Fique tranquila, irmã, no máximo vou deixá-los incapazes de lutar — respondeu Qi Mu, assentindo com força. Não seria tolo a ponto de matar aqueles soldados. Seria lamentável se eles morressem pelas mãos de um compatriota em vez do inimigo.
— Venham! — Na iminência do combate, Qi Mu parecia uma fera, emanando uma aura tão opressora que dificultava qualquer tentativa de ataque.
Qi Mu, como uma águia caçando pintinhos, cobriu todo o corpo com magia e, a cada soco, lançava alguém para longe, derrubando facilmente os atacantes.
No entanto, isso também o desgastava. Afinal, havia mais de uma centena de soldados, atacando todos juntos, e ele não conseguia responder a todos. Mesmo protegido pela magia, algumas lanças conseguiram perfurar sua pele.
Qi Mu gritou com desdém:
— Só isso? Venham mais!
Os poucos que restavam se entreolharam, chocados com a força de Qi Mu. Olhando para os companheiros caídos e gemendo ao redor, um temor se espalhou entre eles. O capitão percebeu que algo estava errado: aquele homem, sozinho, havia derrubado dezenas dos seus. Não era alguém comum. Decidiu enfrentá-lo pessoalmente.
Saltou ao chão, sacou a longa lâmina e mirou em Qi Mu, e o som cortante da lâmina atravessou o ar, indo direto nos olhos de Qi Mu.
Qi Mu recuou às pressas, segurando com os dedos a lâmina afiada. Mas, para sua surpresa, o capitão emanava uma aura sutil que conseguia bloquear o poder da magia de Qi Mu, estando à altura dela.
— Ha! — gritou Qi Mu, concentrando toda a magia nas palmas das mãos, prendendo a lâmina do capitão com ambas as mãos. Os olhares dos dois colidiram, faiscando no ar.
Qi Mu não esperava que aquele homem conseguisse resistir ao ataque mágico, e a pressão da lâmina crescia cada vez mais, fazendo-o ranger os dentes.
O pensamento de Qi Mu girava rápido: como aquele homem podia resistir à magia, e a aura que emanava rivalizava com seus próprios poderes? Isso o deixava intrigado.
Imaginara que, dominando a magia, seria invencível, mas agora estava sendo detido por um simples capitão dos Guardiões Celestes.
O homem também se surpreendia com a força de Qi Mu. Desde os três anos segurava uma espada, aos cinco começou a treinar esgrima; seu pai era um mestre famoso em Cidade Diurna, e ele herdara o legado, entrando para o exército para proteger o Domínio Grande Xia!
No entanto, aquele jovem à sua frente resistia não só à sua força, mas também à intenção de espada contida naquele golpe.
Afinal, ele usava aquela lâmina há vinte e três anos, já a considerava uma extensão do próprio corpo; há dois anos, finalmente compreendera a essência da lâmina — a chamada unidade entre homem e espada, de onde vinha o poder.
A aura de confronto entre os dois dividia o ar, formando duas forças opostas que lançavam todos ao redor para longe; em um raio de dez metros, tudo foi destruído.
Qi Mu mantinha a magia reforçando os braços, resistindo com todas as forças, sem relaxar um segundo. Se perdesse a proteção mágica, suas mãos se despedaçariam num instante.
Por fim, a magia de Qi Mu chegou ao limite, e ele recuava visivelmente, a lâmina se aproximando cada vez mais de seus olhos, seu brilho cortante faiscando. Num último grito, Qi Mu usou toda a magia restante para lançar a lâmina ao céu e cambaleou para trás, caindo ao chão.
O capitão recolheu rapidamente a lâmina, ainda insatisfeito, mas com um olhar de admiração:
— Garoto, nada mal! Há anos não encontrava alguém que suportasse meu golpe.
Qi Mu, pálido e ofegante no chão, perguntou inconformado:
— Como conseguiu? Ninguém costuma resistir a um golpe meu.
O homem pareceu recordar algo e respondeu com voz calma:
— Esta lâmina sempre busca o sangue. Passei vinte anos aperfeiçoando-a. Você não imagina o quanto foi difícil!
Qi Mu entendeu, sorrindo amargamente:
— Agora faz sentido.
O homem, satisfeito, virou-se para os dois:
— Agora, vão me dizer quem são? Se não contarem, terei de levá-los de volta para Cidade Diurna.
Yan Yan, vendo que Qi Mu não estava gravemente ferido, suspirou aliviada, levantou-se e respondeu ao homem:
— Somos as pessoas que Liu Tai está procurando.
— Ah? Não esperava acertar — o homem ergueu as sobrancelhas, surpreso. Até então, sua análise fora apenas um palpite, mas acertara em cheio.
— Agora está na hora de nos levar. — Qi Mu falou, resignado.
— E você, garoto, como se chama?
— Qi Mu!
— E você? — Qi Mu perguntou, ainda contrariado.
— Eu? Feng Han — respondeu o homem, sem emoção.
— Levem-nos. Não imaginei que, no caminho, acabaria realizando o desejo do Diretor Liu — ordenou Feng Han aos homens que se levantavam, mandando que vigiassem Qi Mu e Yan Yan de perto, já que a força de Qi Mu ainda lhe era um mistério.
O céu limpo escureceu de repente, e uma chuva forte começou a cair. A névoa cobriu o céu castigado, as gotas encharcando a terra e tornando-a escorregadia. O esquadrão dos Guardiões Celestes capturou Qi Mu e Yan Yan, levando-os para Cidade Diurna.
Enquanto isso, Liu Tai andava de um lado para o outro em seu escritório, o rosto cheio de ansiedade. Olhava para o buraco na porta; o vento frio soprava de fora. Ele gritou:
— Xiao Zhang!
— Sim, diretor, estou aqui! — Zhang Ling correu até ele, com expressão respeitosa.
— Trate de arranjar alguém para consertar todas essas áreas do Departamento de Inspeção! Se os outros virem esse lugar caindo aos pedaços, como vai ficar minha reputação?
Berrou, irritado.
— Não que ainda haja reputação para manter... — murmurou Zhang Ling.
— O que disse? — Liu Tai ouviu o comentário e perguntou, severo.
— Nada, nada. Só disse que vou providenciar imediatamente, diretor! — Zhang Ling se recompôs e saiu correndo, sem ousar ficar mais um minuto.
Liu Tai observou-o partir e suspirou:
— Será que aqueles rapazes conseguiram interceptar os dois na porta da cidade? Se não conseguiram, vão se arrepender!
Logo sua expressão voltou à preocupação. Murmurou para si:
— Não sei se tomei a decisão certa ou errada desta vez. Esses dois não parecem fáceis de lidar. Será que meu plano realmente me levará até a Capital de Verão?
Indagava-se, mas a ganância humana nunca encontra limites. Quando a ambição supera a razão, o homem transforma-se em fera, perdendo a capacidade de pensar por si mesmo...