Capítulo Sete: O Ataque na Estrada de Fenshiji

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 2362 palavras 2026-02-09 17:14:23

— Vamos, a porta está aberta — disse Yan Yan, voltando a si e dirigindo-se a Qi Mu.

— Certo.

Os dois avançaram lentamente para dentro. O velho à porta observava-os entrar com um sorriso gentil, depois curvou-se e fechou a porta devagar.

O som do portão se fechando ecoou no ar, devolvendo o lugar ao silêncio.

Desde que nasceu, Qi Mu nunca estivera ali dentro. Quando criança, às vezes passava por perto, e de fora o lugar parecia apenas um pouco desolado, com um velho sentado à entrada.

Somente ao entrar sentiu o peso sombrio do ambiente; o ar era frio e denso, o que não surpreendia, já que ao redor estavam corpos dispostos em silêncio. Era natural que pessoas comuns se sentissem desconfortáveis, e Qi Mu não era exceção.

Os cadáveres estavam organizados em filas dentro de compartimentos; do lado de fora de cada gaveta havia um puxador, permitindo que se puxasse o corpo para fora. Os nomes estavam gravados nas alças.

— Yan, com tantos corpos aqui, onde está o do meu pai? — Qi Mu perguntou em voz baixa, caminhando atrás de Yan Yan.

— Eu já vim antes. Seu pai está na segunda fileira, terceira gaveta — respondeu ela, apontando para a frente de um dos compartimentos.

— Está vazia? — perguntou Qi Mu.

— Sim.

— Você perguntou ao responsável daqui? Alguém veio aqui antes?

— Perguntei ao velho da porta. Ninguém entrou nos últimos três dias. Ou seja, desde o dia em que trouxeram o corpo do seu pai até ontem, ninguém passou por aqui — respondeu Yan Yan, pensativa.

— Se ninguém entrou em três dias, então, mesmo que o corpo do meu pai tenha sido roubado, ninguém saberia — Qi Mu apontou a falha no raciocínio.

— Mas como ele teria saído daqui sem que o responsável percebesse? Isso não faz sentido — Yan Yan franziu o cenho, duvidando da teoria de Qi Mu.

Qi Mu ficou em silêncio, visivelmente frustrado. Fez um gesto com a mão, dizendo:

— Vamos abrir a gaveta, quero ver se há alguma pista.

Com esforço, puxou a gaveta. Estava vazia. Qi Mu, relutante, passou a mão pelo interior, como se, teimosamente, tentasse encontrar algo.

De repente, seus olhos se estreitaram, e sua expressão tornou-se séria.

Encontrou! Ele puxou uma luva, preta e cinzenta, já um pouco apodrecida na superfície. O cheiro fétido de decomposição era perceptível, como se viesse de um cadáver.

— Yan, veja, estava dentro da gaveta — disse, entregando a luva para ela.

— Ontem, quando vim, não tinha nada. Abri a gaveta, estava vazia, por isso nem procurei direito. Parece que você estava certo, talvez realmente tenham roubado o corpo do seu pai!

A teoria anterior foi imediatamente derrubada por essa descoberta. A luva era prova de que alguém havia furtado o cadáver em segredo. Mas com que propósito?

— Cuidado! — Yan Yan, que refletia sobre o caso, viu um lampejo prateado no escuro. Seu instinto a alertou do perigo iminente!

Ela agarrou o braço de Qi Mu, puxando-o para longe. Qi Mu cambaleou e caiu de lado.

Uma faca brilhante passou exatamente onde Qi Mu estava; se não fosse Yan Yan, provavelmente ele teria sido esfaqueado.

O agressor, vendo que falhou, avançou rapidamente contra Yan Yan, tentando golpeá-la. Ela ergueu o braço para se proteger e, com o outro punho, acertou o abdômen do homem.

Ele gemeu de dor e, com um olhar frio, girou o corpo e acertou um chute na cabeça de Yan Yan.

Ela não conseguiu reagir a tempo e foi derrubada, batendo as costas contra a alça de uma das gavetas, de onde veio um estalo seco.

Qi Mu se levantou e viu Yan Yan caída, gemendo de dor. Ele gritou, correndo para o agressor, agarrou-o pela cintura e o derrubou no chão.

Yan Yan, apesar da dor, levantou-se com esforço e balbuciou:

— Qi Mu, tenha cuidado!

Qi Mu, com o adversário no chão, desferiu socos no abdômen do homem, gritando com força. Mas o agressor não se renderia facilmente; mesmo contorcendo-se de dor, seu rosto crispado, ele levantou a faca.

O som cortante do metal rasgou o ar, e a lâmina cravou-se no braço de Qi Mu.

— Ah! — Qi Mu gritou de dor, mas a pontada o fez recobrar a calma. Tentou arrancar a faca do homem, mas ele aproveitou-se da situação, girou o corpo com força e prendeu Qi Mu sob si. Empunhando a faca, tentou cravá-la no peito de Qi Mu, que segurou a lâmina com as duas mãos, impedindo-a de descer. O tempo parecia suspenso; Qi Mu ouvia apenas as batidas aceleradas do próprio coração.

Foi então que Yan Yan encostou a arma na nuca do agressor. O homem parou imediatamente, levantando as mãos em sinal de rendição.

Qi Mu, ao perceber, imobilizou o homem no chão, com expressão tensa. O sangue continuava a escorrer de seu braço ferido.

— Yan, você está bem? — perguntou, virando-se para ela.

Yan Yan se surpreendeu e, ajeitando os cabelos desalinhados, respondeu:

— Estou bem, e você?

Só então reparou no sangue escorrendo do braço de Qi Mu, pingando no chão.

— Qi Mu, você está ferido — disse ela, preocupada.

— Não é nada, só um arranhão — respondeu ele, forçando um sorriso, o rosto pálido.

— Vamos levá-lo conosco. Ele deve saber o que aconteceu com o corpo do meu pai — disse Qi Mu, mantendo o agressor sob controle.

— De acordo.

Qi Mu golpeou o pescoço do homem, fazendo-o desmaiar.

Com dificuldade, os dois sustentaram o peso do homem desacordado sobre os ombros e dirigiram-se à porta. A luta os deixara exaustos, caminhavam trôpegos.

Empurraram a porta juntos, e do lado de fora o velho ainda fumava, olhando-os surpreso:

— Dois entraram, mas agora saem três?

— O senhor se enganou — respondeu Qi Mu, enquanto carregava o homem até o carro.

No porta-malas, deram um remédio ao agressor para evitar que acordasse e os atacasse durante o trajeto. Ele era a única pista, e Qi Mu não podia arriscar perdê-la. Após cuidarem rapidamente do ferimento, entraram no carro, prontos para partir.

— Vá devagar, rapaz — disse o velho, sorrindo e tragando o cigarro.

— Pode deixar, senhor. Da próxima vez venho visitá-lo — Qi Mu respondeu, também sorrindo, sentindo-se acolhido pela gentileza do velho, como se fosse um parente.

— Vão com cuidado, até logo — despediu-se ele, acenando.

Ao longe, o sol irradiava um vermelho brilhante no horizonte. O crepúsculo caía, tingindo as nuvens finais de um tom flamejante. Qi Mu e Yan Yan trocaram um olhar e sorriram. Haviam retornado sãos e salvos!