Capítulo Sessenta e Quatro: Um Engano Reconhecido

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3402 palavras 2026-02-09 17:19:17

Qi Mu e os demais seguiram Mu Hongzhi até a Inspetoria, onde aguardaram em silêncio no escritório pelo resultado da análise. De repente, a porta foi batida levemente.

— Entre — disse Mu Hongzhi em tom grave.

Um homem entrou, trazendo o relatório da análise, e entregou-o a Mu Hongzhi. Assim que leu o relatório, seu semblante fechou-se, o sorriso em seus lábios congelou. — Senhores, que tal conversarmos outro dia? Tenho alguns assuntos urgentes a tratar.

A evasiva nas palavras de Mu Hongzhi fez Qi Mu franzir levemente a testa. — Diretor Mu, foi você quem nos trouxe até aqui, e agora quer nos dispensar? O que está querendo dizer com isso?

— Estão entendendo errado. Foi algo inesperado, peço que compreendam — Mu Hongzhi levantou-se e pediu desculpas aos presentes.

— Mostre-me o relatório — Qi Mu fixou o olhar em Mu Hongzhi, apontando para o documento em suas mãos.

A expressão de Mu Hongzhi se tornou ainda mais desagradável, hesitava em entregar o relatório a Qi Mu.

Após alguns instantes em silêncio, Mu Hongzhi puxou Qi Mu para um canto. — Senhor, venha comigo, por favor.

Dizendo isso, guiou Qi Mu em direção à porta.

O olhar de Qi Mu seguiu gelado nas costas de Mu Hongzhi; algo estava errado com ele! Era só um relatório, por que tanto mistério? Seria possível que ele fosse uma ilusão criada pelo Pesadelo?

Um calafrio percorreu Qi Mu. Decidiu-se: se Mu Hongzhi o atacasse, ele não hesitaria em responder com toda sua força, aniquilando-o!

Seguindo Mu Hongzhi, Qi Mu foi conduzido a um cômodo isolado no segundo andar.

— Diretor Mu, diga logo o que tem a dizer, não precisa de tantos rodeios! — disse Qi Mu friamente.

Estava cada vez mais convencido de que aquele Mu Hongzhi era, quase certamente, o Pesadelo disfarçado. Tanto pela forma como lidara com os fatos quanto pela coincidência do aparecimento da Inspetoria. Não era coincidência demais?

Qi Mu já havia tomado sua decisão: assim que Mu Hongzhi virasse as costas, ele o atacaria sem piedade.

Mu Hongzhi aproximou-se da janela, observando a movimentação lá fora, e suspirou.

— Senhor, sugiro que não se envolvam mais neste caso. Deixe-o comigo, pode ser?

Qi Mu ficou surpreso; achava que Mu Hongzhi iria atacá-lo, mas, ao contrário, ele apenas sugeria deixar o caso para si. Haveria algo oculto por trás disso?

Aproximando-se com cautela, Qi Mu perguntou:

— Diretor Mu, há algum empecilho para que cuidemos do caso?

— Será melhor para todos se vocês não se envolverem, não acha? — Mu Hongzhi respondeu, franzindo o cenho e deixando transparecer uma leve ameaça.

— Isso não será possível. Preciso saber a causa da morte daquela pessoa, pois está relacionada a outros acontecimentos.

Mu Hongzhi demonstrou confusão, fitando os olhos de Qi Mu.

— Ah, é mesmo? E que acontecimentos seriam esses?

Assim que terminou de falar, Qi Mu transformou o braço em uma lâmina e investiu contra Mu Hongzhi. Pegou-o de surpresa, mas Mu Hongzhi conseguiu esquivar-se, recuando rapidamente, um misto de choque e incredulidade estampado em seu rosto.

— Como você descobriu?

— Era óbvio demais, Pesadelo! Sua habilidade de se passar por outros deixa muito a desejar! — Qi Mu zombou, com desprezo.

Desde o início, Qi Mu sentira uma sutil desconfiança. Investigara todos os membros de sua equipe, mas não encontrara nada; contudo, conhecia Mu Hongzhi bem demais. Na verdade, ele fora quem lhe bloqueou o caminho durante o incidente da Cidade de Beihai; se não fosse por isso, talvez tivesse chegado a tempo de salvar Jiang Tiancheng e os demais.

No fundo, tudo remontava a Mu Hongzhi! O ódio de Qi Mu não era apenas pelo Pesadelo, mas também por Mu Hongzhi — um rancor profundo e avassalador.

— Pesadelo, chegou sua hora! — exclamou Qi Mu, avançando com fúria. Seu ódio transformou-se em poder, envolveu seu corpo em chamas, que começaram a devorar Mu Hongzhi.

Mu Hongzhi, no entanto, apenas franziu as sobrancelhas e, invocando uma tempestade, apagou instantaneamente as chamas que envolviam Qi Mu.

Do chão, surgiram incontáveis cipós, que rapidamente subiram pelo corpo de Qi Mu, imobilizando-o por completo.

— Solte-me! Solte-me! — gritava Qi Mu, esforçando-se para queimar os cipós com sua energia mágica. Estranhamente, por mais que tentasse, os cipós não apresentavam sinal algum de queimadura, permanecendo ilesos.

— Como é possível? O Pesadelo não deveria ter esse tipo de poder! — Qi Mu começou a demonstrar pânico, os olhos dilatados, e berrou para Mu Hongzhi.

Mu Hongzhi aproximou-se, fitou-o nos olhos com um sorriso cruel.

— Como soube sobre o Pesadelo?

Antes, pensara apenas em afastá-los do caso, mas a reação violenta de Qi Mu mudou tudo. E o que mais o intrigava era o poder mágico que Qi Mu demonstrara, além de gritar o nome do Pesadelo — aquilo realmente despertou a curiosidade de Mu Hongzhi.

Qi Mu hesitou, incerto.

— Você... não é o Pesadelo?

A expressão de Mu Hongzhi confundiu Qi Mu, que passou a duvidar de si mesmo. Teria cometido um engano? Mas, se não era ele, quem seria?

— É claro que não sou o Pesadelo. Uma criatura tão insignificante não merece sequer que eu me transforme nela! — Mu Hongzhi respondeu com desprezo, como se nutrisse aversão pelo Pesadelo.

Em seguida, lançou a Qi Mu um olhar estranho.

— Ainda não respondeu à minha pergunta! Como obteve informações sobre o Pesadelo?

Qi Mu permaneceu calado, desviando o rosto.

— Não quer colaborar? Então sentirá o que é desejar estar morto! — a voz gélida de Mu Hongzhi ressoou em seus ouvidos.

Em seguida, Qi Mu sentiu-se apertado por todos os lados, como se uma serpente gigante o enlaçasse, apertando cada vez mais, até que lhe faltou o ar.

Sentiu a respiração tornar-se cada vez mais difícil; os cipós apertavam seu pescoço e tórax, impedindo-o de respirar.

— Ugh... ah! — gritou, o suor escorrendo em grandes gotas de sua testa, o corpo encharcado de tanto esforço.

— Não vai falar? — Mu Hongzhi contemplava Qi Mu, agora banhado em suor, com ar de diversão.

A cabeça de Qi Mu pendeu, sua consciência mergulhou na escuridão, e ele desmaiou.

Mu Hongzhi balançou a cabeça, decepcionado.

— Que tédio, apagou tão rápido...

Sentou-se no sofá próximo, fitando o corpo inerte de Qi Mu, e murmurou:

— Aqueles inúteis deixaram uma pista tão evidente assim... Agora, o melhor é manter esse grupo preso aqui na Inspetoria, para não atrapalharem os planos da Santa Igreja...

Com isso em mente, levantou-se e desceu calmamente as escadas. Ao abrir a porta, lançou um olhar frio para Yan Yan e os outros, e gritou:

— Vocês estão sendo acusados de homicídio e de ataque ao diretor da Inspetoria. Estão todos presos e serão enviados imediatamente à Prisão Regional!

Ao ouvir isso, Yan Yan levantou-se, encarando Mu Hongzhi com frieza.

— Mu Hongzhi, o que está pretendendo?

— Já deixei claro. Vão resistir à prisão? — Mu Hongzhi cruzou os braços atrás das costas, sorrindo de forma despreocupada, certo de sua vitória.

Após uma luta feroz, Yan Yan e seus companheiros, em menor número, foram dominados e imobilizados no chão. Yan Yan olhou para Mu Hongzhi com ódio nos olhos.

— Mu Hongzhi, você pretende se rebelar?

— Ameaçar o diretor da Inspetoria é crime ainda maior! Levem-nos! — ordenou Mu Hongzhi, sem ao menos encará-la.

Seus planos não podiam ser arruinados; primeiro, precisava manter todos esses imprevistos sob controle.

Inicialmente, Mu Hongzhi só queria ganhar tempo, mas o ataque de Qi Mu o alertou, forçando-o a agir e prender o grupo.

Mu Hongzhi aproximou-se da janela, de onde observava as nuvens dissipando-se ao longe. O sol poente tingia o céu de vermelho, projetando uma longa sombra às suas costas.

No segundo andar, Qi Mu permanecia preso, incapaz de se mover, sua consciência exilada em um vazio caótico, onde ecoavam os gritos de socorro dos companheiros.

— Xiao Mu, fuja rápido!

— Qi Mu, o Chefe Ye ainda espera seu retorno!

— Qi Mu, eu sabia que você seria o mais inútil! Mesmo assim, Ye Zichen faz tanto esforço para te treinar, você realmente não corresponde às expectativas dele!

As vozes se misturavam na mente de Qi Mu — de Yan Yan, do irmão Jiang, de Yuan Ze...

Aos poucos, Qi Mu recuperou a consciência em meio aos gritos. Soltou um urro:

— Aaah!

Esse grito o despertou do desmaio. Observou o próprio corpo preso, refletindo.

Precisava fugir dali imediatamente; se fosse atacado pelo Pesadelo nesse estado, seria fatal!

Lutou com todas as forças, mas logo esgotou suas energias.

Então, teve uma ideia: se o fogo não destruía aqueles cipós, tentaria outra abordagem. Na palma da mão, formou uma pequena machadinha, que aos poucos se materializou. Com dificuldade, guiou-a até os cipós; como as mãos estavam presas, seus movimentos eram lentos e cautelosos.

Ao desferir o primeiro golpe, surgiu uma fissura nos cipós. Qi Mu animou-se e continuou, insistindo até cortá-los por completo.

Não sabia quanto tempo levou, mas, finalmente, quebrou o último cipó. Caiu ao chão, exausto, ofegando profundamente.

Os cipós dissolveram-se no ar em feixes de luz violeta, fugindo pela porta. Sem se importar com isso, Qi Mu rapidamente se levantou, escalou a janela e saltou para a viga da casa ao lado da Inspetoria.

Por sorte, ninguém notou sua fuga, senão certamente exclamariam: "Olhem! Tem alguém voando!"

Após dominar o poder da magia, Qi Mu finalmente experimentou a sensação de voar, ainda que só conseguisse permanecer suspenso por um curto período antes que sua energia mágica se esgotasse.