Capítulo Noventa e Dois: Foi Revelado?

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3580 palavras 2026-02-09 17:22:47

— Não pode ser! — O Dragão da Tocha número vinte e três balançou a cabeça friamente, recusando.

Pronto, tudo o que ele dissera antes não adiantara nada.

No fim das contas, depois de tanto discurso motivacional, esse sujeito continuava irredutível; parece que os que cercam o Senhor do Domínio não são tão ingênuos assim!

Qimu ficou um instante surpreso e, num gesto brusco, afastou-o como quem descarta lixo, jogando o Dragão da Tocha vinte e três para o lado, restando apenas um olhar rancoroso dele...

Caminhou até o número vinte e cinco, repetindo os mesmos gestos de antes: o braço familiar sobre os ombros, as palavras conhecidas, o sorriso habitual.

Mas a resposta foi idêntica à anterior: — Não pode ser!

Qimu suspirou, decepcionado: — Que tal fazermos assim: vocês me emprestam Ouyang Ze por dois dias; quando chegar o momento certo, prometo que o devolvo!

— Para que você quer levá-lo? — O Dragão da Tocha vinte e três perguntou, intrigado.

A tentativa de persuadi-los falhara; agora mudava de tática?

— Na verdade, eu tenho um pequeno passatempo... — Qimu sorriu, envergonhado, olhando-os com um ar tímido.

A pose afetada, unida à expressão maliciosa...

É impossível negar: a imagem era de um impacto quase cômico!

— Chega, chega! — O Dragão da Tocha vinte e três interrompeu imediatamente, gesticulando.

— Ouyang Ze é muito importante para nós. Não importa o que diga, jamais permitiremos que o leve!

Vendo a firmeza no rosto do Dragão da Tocha vinte e três, Qimu compreendeu que não adiantava insistir; era hora de mudar de estratégia.

Após um breve silêncio, seus olhos brilharam subitamente. Claro! Era hora de apelar ao sentimentalismo!

Mudou de postura num instante, assumindo um tom choroso e abafado:

— Se vocês não me deixarem levá-lo, vou ser punido. Depois disso, vou ficar desanimado.

Ergueu os olhos, fitando-os diretamente: — E então não terei ânimo para ajudar vocês na coleta de pistas e na busca de informações.

— Vocês não querem que eu desperdice esta chance de estar infiltrado entre os superiores, querem?

O Dragão da Tocha vinte e três trocou olhares com os demais.

A fala de Qimu... fazia muito sentido!

— Sim, de fato você tem um ponto. Não podemos permitir que desperdice essa posição à toa.

— Certo, você pode levar Ouyang Ze, mas terá que portar nosso comunicador interno, para que possamos falar com você a qualquer momento! — ponderou o Dragão da Tocha vinte e três, assentindo afinal.

Mas, depois de vasculhar os bolsos por um bom tempo, nada encontrou. Resmungou:

— Estranho... Eu tinha certeza de que estava com o comunicador reserva. Onde foi parar?

— Será que deixou cair no caminho? — sugeriu de repente o Dragão da Tocha vinte e sete.

— Bobagem, se tivesse caído eu saberia! — negou prontamente o Dragão da Tocha vinte e três.

No fim, não encontrou nada. Olhou para o vinte e sete com um sorriso malicioso:

— Vinte e sete, que tal você...

— Nem pensar! — o vinte e sete rejeitou de imediato, sacudindo a cabeça antes mesmo que ele terminasse.

— Então você, vinte e cinco.

— Recuso.

— Vinte e quatro?

— Também recuso.

A expressão do vinte e três ficou sombria, como se contivesse uma explosão.

Qimu, ao lado, mal conseguia conter o riso, tapando a boca com uma mão.

Não podia rir naquela hora decisiva; caso contrário, o vinte e três poderia mudar de ideia e não permitir que levasse Ouyang Ze.

Afinal, para quem reclamaria depois?

Ele não se achava capaz de enfrentar aqueles cinco brutamontes de mãos nuas.

No fim, o Dragão da Tocha vinte e três voltou o olhar para o vinte e seis.

Era o único a quem ainda não havia perguntado; todos os outros recusaram, então só restava ele.

Vendo o sorriso sinistro no rosto do vinte e três, o coração de vinte e seis se encheu de maus pressentimentos.

— Eu recu... mmph! — Antes que terminasse, o vinte e três moveu-se como um raio, tapando-lhe a boca com força.

— O que disse? Aceita, não é mesmo! — exclamou em voz alta, ignorando completamente os sentimentos do vinte e seis. — Ótimo, entendi.

— Sabia que você, vinte e seis, sempre foi o que mais valoriza nossa irmandade! — assentiu vigorosamente, mantendo a mão sobre a boca do colega.

— Mmph... mmph... — O vinte e seis tentou protestar, mas não havia força suficiente para se livrar; só conseguia emitir sons abafados.

Os outros, silenciosos, apenas observavam, com um olhar de compaixão.

Não havia escolha, era ele mesmo! Senão, quem cederia seu comunicador?

Qimu, como se nada tivesse acontecido, aguardava o momento em que o vinte e três lhe entregaria o aparelho.

Após breve luta, o Dragão da Tocha vinte e três arrancou o comunicador da mão do vinte e seis e o entregou a Qimu.

Segurando o pequeno objeto, Qimu hesitou:

— Tem certeza que é este?

— Sim, assim podemos manter contato e é difícil de ser detectado por outros — confirmou o vinte e três.

O vinte e seis lançou a Qimu um olhar carregado de mágoa, que fez um frio percorrer-lhe a espinha.

O comunicador era um pequeno pingente de jade, idêntico aos que se usam normalmente.

Qimu o guardou, pendurando-o no pescoço.

— Ah, lembre-se: esse comunicador tem alcance limitado, só transmite dentro de quinhentos quilômetros — lembrou-se o vinte e três.

Afinal, não era um aparelho milagroso; seu alcance sempre foi restrito.

Por exemplo, o comunicador público que Qimu vira com Longyan só transmitia a até setenta quilômetros.

Um comunicador capaz de transmitir mensagens a quinhentos quilômetros era novidade para Qimu.

Engoliu em seco, perguntando hesitante:

— Isso deve ser caríssimo, não?

— Mais ou menos... O Senhor do Domínio mandou que fosse feito sob medida, mas se fosse vendido... — O vinte e três refletiu e respondeu: — Não tem preço, acho que é por aí.

Ao ouvir o valor, os olhos de Qimu se arregalaram; como podia um objeto tão pequeno ser insubstituível?

Mas, considerando sua utilidade, logo compreendeu.

— E ele, como fica? — apontou para o Dragão da Tocha vinte e seis, que o olhava como se quisesse despedaçá-lo.

— Temos reservas, mas são menos práticas; é melhor usar este mesmo.

— Então aceito, obrigado — Qimu assentiu.

Enquanto Qimu discutia com os demais, Wang Ping, sem que percebessem, aproximou-se cuidadosamente, detendo-se atrás de um arbusto.

— Daqui dá para ver claramente o que estão tramando — murmurou.

Estava a uns quinhentos metros de Qimu e seu grupo.

Graças ao seu domínio avançado do fogo, ainda conseguia enxergar; mas se chegasse mais perto, não conseguiria disfarçar-se.

Eles não podiam se expor; foi o que a irmã Rosa advertira antes de partir.

Antes ver nada do que pôr tudo a perder!

Ele espiava, mantendo os olhos atentos às ações de Qimu e companhia.

Viu-os reunidos, cochichando, e notou que um deles passava algum objeto ao Protetor da Direita.

— Não estarão subornando o Protetor da Direita? — murmurou Wang Ping.

— Não pode ser... Sendo ele um membro do núcleo da Santa Igreja, já não liga para essas coisas, jamais aceitaria suborno! — logo descartou a hipótese.

— Então, por que não estão brigando? Não deveriam estar se enfrentando agora? — O dilema persistia em sua mente.

Depois de acertar os detalhes com os Dragões da Tocha, Qimu preparava-se para partir quando uma voz ecoou em sua mente.

— Estão sendo vigiados.

O rosto de Qimu enrijeceu de repente.

— Quem?

Ao perguntar, imediatamente expandiu sua percepção, espalhando energia mágica ao redor, mas além daqueles ao seu lado, não sentiu ninguém!

— Não percebo nada — disse, intrigado.

— Claro que não percebe. Nem os que estão com você seriam capazes de notar; a distância é grande demais — respondeu a voz de Ye Shi, serena.

O alcance de um mestre do fogo é de cerca de cem metros; um mestre do vento chega a trezentos.

Só ao atingir o domínio da madeira seria possível perceber Wang Ping.

Infelizmente, o mais avançado ali era o Dragão da Tocha vinte e três, que estava apenas no final do domínio do vento, ainda longe do domínio da madeira.

Wang Ping sabia disso e, por isso, mantinha-se a quinhentos metros de distância.

No início, escolheram esconder-se longe por acharem suficiente.

Afinal, não adiantava ouvir nada; estar mais perto seria inútil.

Pela cautela, Wang Ping viera sozinho.

Claro, jamais imaginaria que Ye Shi existia dentro de Qimu; isso estava além de qualquer suposição.

Ao ouvir Ye Shi, Qimu percebeu que era sério: alguém realmente os observava de longe!

Seu semblante tornou-se grave; permaneceu parado.

Quem poderia tê-lo colocado sob vigilância?

Ele era um membro da Santa Igreja, e ainda por cima Protetor da Direita. Pelas atitudes de Ouyang Qian, era improvável que os membros da Santa Igreja o espionassem.

Essa possibilidade foi eliminada de imediato.

Os Dragões da Tocha estavam ali ao lado; não fazia sentido que lhe vigiassem — não havia lógica nisso.

Por um momento, Qimu não conseguiu adivinhar de onde vinha o espião.

Após muito pensar, lembrou-se de Liu Tai.

Antes de partir, Liu Tai o encarara de um modo estranho, deixando Qimu gelado; talvez ele o tivesse reconhecido.

No entanto, só se viram poucas vezes, e, como os membros da Inspeção ainda não dominavam a energia mágica, seria impossível observá-lo à distância.

Além disso, mesmo que Liu Tai desconfiasse, não chegaria a enviar alguém para espioná-lo, especialmente com os Dragões da Tocha por perto.

Assim, Qimu não fazia ideia de quem poderia ser...