Capítulo Vinte e Cinco: O Ataque do Plano da Sagrada Doutrina
— 008, a usina elétrica da Cidade Norte já foi detonada, agora é com você. — sussurrou uma sombra na escuridão.
— 008 compreendido, a usina do Sul já foi destruída.
— A usina do Oeste já foi detonada.
— A usina do Leste já foi destruída.
Quando a última frase foi dita, toda a cidade de Beihai mergulhou em trevas. Ruas antes iluminadas, a metrópole vibrante, agora se tornavam uma cidade fantasma, isolada, despencando do céu em direção ao abismo...
— O espetáculo começou... — murmurou alguém.
Naquele momento, todos os olhares se voltaram para a família Han. No grande pátio, Han Mo tragava um cigarro, observando as chamas que subiam na cidade, um sorriso satisfeito se desenhando em seu rosto.
— A Santa Sé realmente não me decepcionou. Beihai está condenada, e finalmente nossa família Han poderá deixar o Domínio de Da Xia! Hahahaha! — sua risada ecoou para fora, e do lado de fora, Jiang Tiancheng e outros que haviam acabado de chegar ouviram suas palavras. Eles logo perceberam que a Santa Sé mencionada por Han Mo certamente era a mente por trás de tudo.
Enquanto Han Mo se deleitava com seu triunfo, Jiang Tiancheng arrombou a porta principal, apontou a arma para Han Mo e gritou com severidade:
— Não se mova! Mãos para o alto!
O sorriso de Han Mo sumiu, tornando-se sombrio num piscar de olhos. Sua mudança de expressão era digna de nota. Ele ergueu as mãos lentamente num gesto de rendição, mas começou a mover discretamente o pé direito.
Jiang Tiancheng se aproximou e o interrogou:
— Han Mo, o que são aquelas coisas no céu? E a tal Santa Sé, quem faz parte disso? Conte tudo o que sabe!
Han Mo respondeu apenas com uma risada silenciosa. Ele jamais se entregaria facilmente. Silenciosamente, pressionou com força uma lajota sob seus pés.
Jiang Tiancheng ouviu um clique vindo de Han Mo, e, ao notar o sorriso reaparecendo nos lábios do inimigo, soube que algo estava errado. Han Mo acenou, como quem se despede:
— Adeus.
Subitamente, o chão sob Han Mo cedeu, e ele despencou. Jiang Tiancheng tentou avançar, mas Yuan Ze se lançou sobre ele, gritando:
— Cuidado, Jiang!
Yuan Ze o derrubou no chão. O som cortante de flechas no ar foi assustadoramente agudo; uma chuva de setas disparou contra eles, obrigando o grupo a buscar abrigo.
Yuan Ze, ao proteger Jiang Tiancheng, foi atingido no ombro por uma flecha, que também lhe cortou o rosto. Seu uniforme ficou manchado de sangue.
— Você é um tolo, devia ter se protegido primeiro — disse Jiang Tiancheng, preocupado.
— Não é nada, Jiang. Também sou membro da equipe, não posso deixar só você nos proteger — respondeu Yuan Ze, rangendo os dentes de dor.
— Cabeça-dura! — Jiang Tiancheng resmungou, sorrindo.
— Parece que realmente há algo errado nesta família Han. Mas agora que Han Mo escapou, o que faremos?
— Vamos primeiro atrás de Yan Yan. Ela está sozinha, temo por sua segurança — disse Jiang Tiancheng, franzindo a testa.
Do lado de fora de Beihai, a cerca de dezoito quilômetros, o exército de guarda preparava a refeição noturna. Acostumados a viver no campo, dependiam dos suprimentos vindos da cidade, mas, naquele dia, ninguém veio de Beihai. Para não passar fome, improvisaram com provisões de emergência.
Os fenômenos estranhos sobre a cidade já haviam sido notados. Homens haviam sido enviados para investigar o que ocorria, enquanto o restante permanecia em alerta, pronto para agir.
De longe, um dos enviados voltou gritando:
— Há uma barreira ao redor da cidade, não conseguimos entrar, nem há resposta de dentro!
O comandante, ao ouvir a notícia, coçou o queixo, pensativo. Virou-se para os soldados e bradou:
— Guerreiros, estão prontos?
— Sempre prontos!
— Então, comigo! Avançar para Beihai!
— Sim! — O brado retumbou. O exército partiu imediatamente, percebendo o perigo, mas mal sabiam que, a poucos metros da cidade, um grupo já os aguardava emboscado na floresta...
No centro da cidade, Yan Yan fitava o céu noturno, onde criaturas devoradoras pairavam, descendo lentamente, como se aguardassem algum sinal.
A cidade estava às escuras, sem energia. Yan Yan sabia que era obra dos conspiradores ocultos, por isso não se surpreendeu. Sem conseguir contato com Qi Mu e Jiang Tiancheng, sentia-se cada vez mais ansiosa.
O caos tomava as ruas: labaredas por toda parte, o buraco negro no céu, as criaturas devoradoras e a sombra de um mestre desconhecido. Yan Yan se arrependia de ter deixado o grupo dos Observadores; talvez, se não tivesse saído, não estariam envolvidos nesse desastre.
Agora estavam isolados, sem apoio, numa situação sem saída.
Foi então que as criaturas no céu, como se irritadas pela espera, saltaram em massa. Quarenta silhuetas desceram ao chão; no breu, eram quase invisíveis, mas para Yan Yan, ofuscavam como faróis.
— Gula! — O impacto das criaturas rachou o piso, espalhando nuvem de poeira. Olhavam para Yan Yan com grande interesse; aquela humana, solitária no centro da cidade, chamara sua atenção.
— Lokabuchi, kasoyamigusi? — balbuciou uma delas, aproximando-se, numa linguagem incompreensível.
A decifração da antiga inscrição da pedra ainda não avançara, e Yan Yan não fazia ideia do que diziam. Em desvantagem numérica, ela evitava movimentos bruscos, sustentando um tenso impasse com os devoradores.
De repente, como se combinados, todos se dispersaram, aparentemente perdendo o interesse por ela e procurando novas presas.
Yan Yan suspirou aliviada. Contra tantos, nada poderia fazer; se viessem apenas um ou dois, talvez pudesse resistir.
No bairro Norte, o silêncio era absoluto. Todos trancados, sem emitir um som. De repente, o choro de um bebê rompeu o silêncio, atraindo a atenção dos devoradores, que dispararam na direção do som.
Vultos negros avançaram para o edifício de onde vinha o choro. O coração de Yan Yan gelou; ela sacou a arma e mirou numa das sombras em movimento, atirando.
Bang!
O disparo acertou as costas de um devorador, de cuja ferida escorreu sangue negro, mas eles seguiram em frente, ignorando completamente Yan Yan.
Arrebentaram as janelas e, logo em seguida, ouviu-se um grito lancinante:
— Aaaah!
E então, silêncio. Yan Yan sabia que aquela família não sobrevivera, mas estava impotente.
O som de casas se partindo, choros, gritos — tudo se mesclava no caos. Para muitos, era a primeira vez diante de tais monstros. Só pensavam em uma coisa: fugir!
No bairro Norte, Qi Mu chegava finalmente à usina. O fogo consumia tudo, e uma sombra se projetava nas labaredas. Qi Mu gritou:
— Parado!
A silhueta fugiu, mas não havia quem pudesse escapar de Qi Mu.
Com toda sua força, Qi Mu interceptou o fugitivo. O homem, encapuzado, demonstrou surpresa nos olhos, mas logo se recompôs e desferiu um soco.
Para Qi Mu, tudo parecia desacelerado. Aquilo que passaria despercebido a outros, ele via com clareza: o punho vindo em sua direção, lento, quase imóvel...
Qi Mu girou a cabeça, esquivando-se, e chutou o inimigo entre as pernas. Sabia que, para vencer, era preciso atacar o ponto fraco — a primeira lição de Jiang Tiancheng!
— Argh... — gemeu o homem, levando as mãos à virilha. O chute, fortalecido por estimulantes, tinha força descomunal.
O local atingido se desfez em sangue. Mas, surpreendendo Qi Mu, o homem não tombou; cerrando os dentes, urrou e tentou golpear Qi Mu com a cabeça.
— Ah! — exclamou, avançando. Qi Mu, porém, desviou com facilidade e deixou o homem seguir.
De cabeça baixa, o homem não percebeu o obstáculo à frente e colidiu com uma parede, com o rosto.
— Ugh...
Caiu no chão, uma mão cobrindo o rosto ensanguentado, a outra a virilha.
Qi Mu se aproximou, rindo friamente:
— Fale. Quem te mandou?
O homem calou-se, claramente disposto a morrer, não a abrir o bico.
Qi Mu esboçou um sorriso. Gostava de ossos duros de roer.
Tirou da cintura uma faca reluzente, passou-a de leve pelo rosto do homem, depois pressionou com força, cortando a pele. Com uma mão, puxava a pele, enquanto com a outra separava-a com a faca.
— Aaaah! — os gritos do homem eram intermináveis.
Qi Mu, impassível, repetia calmamente o movimento. Sangue espirrava em seu rosto, mas ele já se acostumara a esse espetáculo — uma frieza impressionante para um jovem de dezoito anos.
Só quando metade do rosto do homem estava decepada, ele, trêmulo, balbuciou:
— A Santa Sé não vai te perdoar...
— Santa Sé? O que é isso?
— Por que vocês vieram? E o que são aquelas luzes no céu, e os devoradores? — Qi Mu continuou.
Mas o homem, que até então se debatia, ficou subitamente imóvel. Qi Mu verificou sua respiração — morto.
Talvez morto de dor, talvez por outra razão. Qi Mu se levantou com um suspiro de frustração. Olhou para o céu e percebeu que os devoradores sob o buraco negro haviam sumido.
Fixando o olhar para o centro da cidade, notou faíscas e um vulto negro se movendo rapidamente no topo de um prédio.
Graças aos estimulantes, sua visão estava muito mais apurada, permitindo-lhe enxergar à distância o que se passava.
Maldição! Yan Yan ainda está lá! Preciso ir rápido! — pensou. Saltou da plataforma e correu com toda a sua força, o rosto decidido, como se dissesse: “Espere por mim, irmã!”
Uma sombra silenciosa emergiu do lugar onde antes estava Qi Mu. Observou o cadáver do homem e, com desdém, sussurrou:
— Inútil.