Capítulo Sessenta e Dois: O Retorno ao Mundo dos Sonhos

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3497 palavras 2026-02-09 17:19:13

Para derrotar o Pesadelo existe apenas um caminho: vencê-lo e destruí-lo completamente dentro do próprio sonho que ele criou. Finalmente, Qimu compreendeu a diferença entre o Pesadelo e o Devorador; o Pesadelo não pode ser morto por forças externas, apenas com a destruição de seu mundo mental ele pode morrer de fato. E agora era o momento ideal!

Quando Qimu voou ao alto, o Pesadelo tornou a fixar nele um olhar profundo, e Qimu foi novamente puxado ao mundo onírico. Desta vez, porém, ele estava preparado; com base na experiência anterior, tinha confiança de que conseguiria encontrar outra brecha do Pesadelo.

Ao abrir os olhos, Qimu viu diante de si a prosperidade de Cidade do Mar do Norte: pessoas circulando, ruas tomadas pelo alvoroço das vendas. Olhando para aquela cena, sentiu-se tocado. Sabia que Cidade do Mar do Norte fora destruída, desaparecera deste mundo, mas aquela tranquilidade e harmonia fez Qimu se lembrar dos dias em que Jiang e os outros ainda estavam vivos.

Logo recuperou a consciência, lembrando que tudo era mera ilusão criada pelo Pesadelo; sem perceber, fora envolvido pela atmosfera do lugar. Pensou consigo: o Pesadelo não só cria sonhos, mas também influencia emoções. Se Qimu não tivesse uma vontade firme, já teria sucumbido, como tantos outros.

O Pesadelo era realmente aterrador, muito mais do que o Devorador. Não era apenas uma destruição física, mas uma tortura mental. Quando alguém se perde naquele sonho, permanece nele para sempre, morre de fato.

Qimu voltou a si e olhou ao redor, decidido a encontrar, entre tantas pessoas, aquela em que o Pesadelo se disfarçava — encontrá-lo e matá-lo! Da experiência anterior, sabia que o Pesadelo costumava assumir a forma de alguém familiar, como seu próprio pai.

Estava em Cidade do Mar do Norte, e se não estivesse enganado, o Pesadelo simulava o dia do Festival do Meio do Outono — o dia da grande catástrofe. Entre as pessoas ali, apenas Yan Yan e Jiang Tiancheng eram conhecidos seus. Com esse pensamento, Qimu percebeu: o Pesadelo estava escondido entre eles!

Aproximou-se de Yan Yan, olhando com saudade para os rostos familiares. Como queria que Jiang e os outros ainda estivessem vivos, que nada tivesse acontecido à Cidade do Mar do Norte...

Mas tudo aquilo era invenção do Pesadelo! Não podia se deixar enganar. Yan Yan ainda precisava de sua proteção, ainda tinham que investigar como o Portal da Região foi aberto, e mais importante: relatar tudo ao Senhor da Região, capturar o responsável, para que o sacrifício de Jiang Tiancheng e dos demais não fosse em vão!

Com esses pensamentos, os olhos de Qimu reluziram com determinação. Fingindo naturalidade, dirigiu-se a Yan Yan: “Irmã, lembra daquele caso com o Observador?”

“Qimu, a qual caso você se refere?”

“Aquele em que você, para me salvar, tirou sangue do próprio coração.” Qimu falou devagar.

Se Yan Yan confirmasse, a estratégia de Qimu teria êxito! Porque, na verdade, ela nunca usou sangue do coração para salvá-lo — e mais, quem tirasse o próprio sangue do coração morreria, Yan Yan não poderia estar ali.

Yan Yan pareceu confusa por um instante, depois sorriu: “Qimu, do que está falando? Naquela vez, usamos o núcleo do Devorador para te salvar.”

Depois de responder, Yan Yan tocou a testa de Qimu, com expressão curiosa: “Você não está com febre... Qimu, está sentindo-se bem hoje?”

Qimu sorriu constrangido, coçou a nuca: “Nada, irmã, talvez eu tenha me confundido.”

Não quis insistir, desviou: “Irmã, vamos procurar Jiang e os outros. Que tal acharmos um restaurante para comer? Aposto que todos estão com fome.”

Yan Yan riu, cobrindo a boca: “Acho que é você que está com fome, seu guloso!”

Qimu levou Yan Yan até Jiang Tiancheng e os demais, que estavam saboreando espetinhos de frutas glaceadas.

“Qimu, Yan Yan, querem espetinhos?” Jiang Tiancheng saudou os dois alegremente.

“Estão docinhos, o vendedor é ótimo, só cinco moedas do Grande Verão!”

“Não, vamos procurar um lugar para comer, todos devem estar famintos.” Qimu recusou, dirigindo-se ao grupo.

Encontraram um restaurante, e durante a refeição Qimu fez perguntas indiretas, mas os resultados o deixaram intrigado. Após comerem e passearem pelas ruas, Qimu caminhava pensativo, sobrancelhas franzidas e lábios apertados.

Durante o jantar, testou os amigos, mas nenhum mostrou comportamento estranho. Será que desta vez o Pesadelo fora mais esperto, sem se disfarçar de alguém íntimo?

Se fosse assim, como conseguia influenciar sua mente?

Qimu seguia cabisbaixo, quando Yan Yan o puxou com força, trazendo-o à frente dela e repreendendo: “Qimu, o que está acontecendo? Distraído desse jeito, nem olha por onde anda!”

Só então Qimu percebeu o que acontecia: um grupo de pessoas formava uma barreira, isolando outros do local.

Qimu chamou um dos presentes e perguntou em voz baixa: “Irmão, o que houve ali?”

O homem suspirou: “É um caso estranho!”

Qimu ficou intrigado — estaria o Pesadelo prestes a agir? Perguntou: “Que caso estranho?”

“A senhora Wang, que vende tofu nesta rua, perdeu o único filho de maneira trágica!”

A senhora Wang estava inconsolável, chorando sobre o corpo do filho; os guardas do Departamento de Inspeção já cercaram o local, investigando.

O homem balançou a cabeça, lamentando; perder o único sustento da família era cruel demais para qualquer um.

Qimu trocou olhares com Yan Yan, dizendo com o olhar: “Irmã, precisamos ajudá-la!”

Yan Yan concordou imediatamente, tocada pela situação; ela própria perdera familiares assim, sem nunca descobrir o verdadeiro culpado.

Por isso, Yan Yan queria ajudar aquela família e desvendar o mistério!

Quanto a Qimu, não era exatamente um bom samaritano, embora se compadecesse da senhora Wang. Mas ali, no mundo do Pesadelo, seu objetivo era encontrar o Pesadelo escondido e golpeá-lo mortalmente!

Além disso, tudo era fruto da imaginação de Qimu — apenas ilusões. Com esse pensamento, sentiu-se mais sereno.

Empurrou a multidão, puxando Yan Yan e usando toda a força para abrir caminho até o centro.

No chão, um homem jazia, sangue escorrendo da cabeça e manchando o solo. Uma mulher de meia idade, ajoelhada, abraçava o corpo do filho e chorava desesperadamente. Era evidente: aquela era a senhora Wang e seu filho morto.

Quando Qimu tentou se aproximar mais para observar, alguém bloqueou seu caminho.

“Pare aí, o Departamento de Inspeção vai chegar em breve; quem quiser assistir, fique do lado de fora.” O homem falou friamente.

Qimu não teve escolha senão ficar fora, fingindo curiosidade, mas na verdade examinando todos ao redor, procurando por alguém estranho.

Nada encontrou; todos pareciam normais — assustados, curiosos, preocupados.

Qimu não percebeu nenhuma anormalidade.

“Deem passagem! Deem passagem!”

Uma voz familiar ecoou atrás de Qimu; ao virar-se, viu Mu Hongzhi.

Com expressão séria, Mu Hongzhi ordenava que abrissem caminho. Seus olhos encontraram os de Qimu; ambos se encararam.

Mu Hongzhi ficou intrigado, achou que já conhecia Qimu, mas não conseguiu lembrar de onde.

Olhou para Yan Yan ao lado de Qimu, e de repente recordou: era o rapaz que o ajudara a resolver o caso dos reforçadores dias atrás!

Mu Hongzhi se lembrou e apressou-se a agradecer aos dois.

Um de seus subordinados, pensando que Mu Hongzhi queria que eles saíssem do caminho, disse: “Vocês dois, saiam já! Se atrapalharem o trabalho do Departamento de Inspeção, vão se dar mal!”

Mu Hongzhi ouviu e, friamente, ordenou: “Cale-se! Quem te deu autoridade para tomar decisões?”

O homem ficou confuso: “Chefe, eu só queria...”

Antes que terminasse, Mu Hongzhi o dispensou com um gesto irritado: “Fora daqui!”

O subordinado saiu de cara fechada, sem entender o motivo.

Mu Hongzhi então se virou, trocando a seriedade por um sorriso radiante — a rapidez da mudança impressionou Qimu.

Não era à toa que Mu Hongzhi conseguira esconder a própria identidade e se tornar chefe do Departamento de Inspeção de Cidade do Mar do Norte; era um verdadeiro lobo em pele de cordeiro, pensou Qimu.

“Senhores, desculpem pelo comportamento do meu subordinado, espero que me perdoem.”

Mu Hongzhi inclinou-se levemente diante de Yan Yan e Qimu.

Qimu aproveitou a oportunidade e sugeriu: “Chefe Mu, que tal nos deixar entrar para ver de perto?”

Apontou para o interior, sorrindo apenas de fachada.

Mu Hongzhi mostrou um sorriso constrangido, pensou por um instante e suspirou: “Está bem, venham comigo.”

Qimu ficou satisfeito, puxou Yan Yan e seguiu Mu Hongzhi até o cadáver. A senhora Wang ainda agarrava o corpo do filho, sem soltar.

Qimu olhou atentamente: a cabeça do morto estava completamente explodida, sangue escorrendo ainda, restando apenas o corpo abaixo do pescoço. O cérebro parecia ter sido drenado, encolhido até perder toda forma.