Capítulo Quarenta e Seis: Exposição

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3473 palavras 2026-02-09 17:18:07

Qimor e Yan Yan ocultaram-se, movendo-se furtivamente até chegarem ao portão da cidade. Yan Yan virou-se e falou baixinho para Qimor: “Qimor, estamos prestes a sair. Daqui a pouco, seguindo as marcações deste mapa, devemos conseguir encontrar o caminho para Cidade do Mar do Norte.”

Ela apontou para o mapa do Domínio de Da Xia, recém-adquirido numa loja, explicando a Qimor.

Qimor olhou para o mapa com certo ceticismo. “Mana, você tem certeza que dá para encontrar o caminho com um mapa tão simples?”

O mapa mostrava apenas alguns desenhos de pedras, com nomes das cidades escritos em círculos, o que parecia… bastante rudimentar.

Yan Yan sorriu, constrangida, e respondeu: “Não se preocupe, siga-me. Comigo, com certeza encontramos o caminho de volta para o Observador!”

Qimor suspirou levemente, segurou Yan Yan pela mão e se preparou para sair pelo portão.

“Parem aí!” Um homem bloqueou o caminho dos dois, olhando-os com olhos penetrantes.

Qimor ficou surpreso e perguntou, intrigado: “Há algum problema?”

“O nosso chefe nos ordenou que impedíssemos vocês de sair, para evitar que fugissem.” O homem respondeu com um tom arrogante.

Qimor e Yan Yan trocaram olhares, já deduzindo quem estava por trás daquela ordem — provavelmente Liu Tai mandara que eles ficassem de guarda ali. Qimor suspirou resignado. “Parece que teremos que lutar.”

Ele flexionou os braços, encarando friamente o homem. Ao ver Qimor daquela maneira, o homem sentiu uma pressão sutil emanando dele e gritou apressadamente: “Você, assassino, o que pretende fazer? Renda-se imediatamente!”

O grito pôs a multidão ao redor em alvoroço, muitos olhavam para Qimor, comentando: “Tão jovem e já matou alguém!”

“É, nunca se pode julgar pelas aparências!”

“De fato!” respondeu outro.

Em seguida, uma dúzia de homens chegou, posicionando-se atrás do primeiro, gritando: “Toda a equipe de repressão do Comando de Inspeção está aqui!”

O Comando de Inspeção era composto por três grupos: o chefe, a equipe de repressão e outros funcionários administrativos. Normalmente há três equipes de repressão: duas reservas e uma principal, a mais forte, que merece o título.

Os que lutaram com Qimor antes eram apenas reservas. Agora, esses doze homens eram os melhores do Comando de Inspeção de Cidade do Meio-Dia, uniformizados e com uma aura que intimidava qualquer um.

Eles encararam Qimor e Yan Yan com seriedade, ordenando: “Rendam-se e venham conosco ao Comando de Inspeção, ou será emitido um mandado de captura em toda a região!”

Qimor colocou Yan Yan atrás de si, mantendo-se calmo. Apesar de sentir que esses eram bem diferentes dos inúteis de antes, isso não o abalava — eram apenas formigas um pouco mais fortes.

“Se vão atacar, que seja rápido! Estou com pressa!” Qimor disse friamente.

“Muito bem, vamos!” respondeu o líder.

“Certo!”

Com movimentos rápidos, eles surgiram diante de Qimor, desferindo um soco em seu abdômen. Qimor tentou bloquear, mas ficou surpreso com a força do adversário, sentindo seu braço esquerdo quase imóvel.

Nesse momento, outro saltou do alto, tentando acertar sua cabeça com um chute. Qimor percebeu o perigo e, rapidamente, usou a energia mágica para afastar o homem à sua frente e desferiu um soco contra o atacante de cima.

“Pff!” O homem caiu ao chão, cuspindo sangue. Tentou se levantar, respirando com dificuldade. “Que força é essa em você?”

Qimor respondeu com indiferença: “Quer tentar de novo?”

O desprezo em seus olhos enfureceu os demais, que atacaram de todos os lados com máxima força.

“Truques banais!” Qimor resmungou, liberando energia mágica que lançou todos ao ar. Transformando-se numa sombra, derrubou-os com velocidade impossível de acompanhar.

“Ah!”

“Ugh…”

Logo, todos da equipe estavam caídos, segurando o abdômen de dor.

Qimor limpou a poeira das mãos, encarou-os e disse: “Querem tentar novamente?”

“Você é um monstro!”

O medo tomou conta dos homens, que se levantaram apoiando-se uns nos outros, sem a confiança de antes.

Agora, finalmente, compreenderam por que o chefe Liu os advertira a não subestimar aquele duo e a evitar confronto direto. Só ao enfrentá-los perceberam o quão aterrador Qimor era.

Yan Yan, preocupada, perguntou: “Qimor, você não pegou pesado demais? Eles são do Comando de Inspeção.”

“Não se preocupe, mana. Só quebrei algumas costelas deles.” Qimor respondeu com tranquilidade.

Quando Qimor achou que poderiam enfim partir em paz, os homens gritaram: “Ajudem-nos a capturar esse assassino! Dez mil moedas de Da Xia do Comando de Inspeção!”

Aquele grito atiçou o desejo das pessoas ao redor. Dez mil moedas de Da Xia era uma fortuna, suficiente para sustentar uma família comum por toda a vida!

Os olhos das pessoas brilharam de ganância, esquecendo como Qimor derrotara facilmente os homens do Comando, tomados pela ânsia de dinheiro.

Num instante, mais de cem pessoas cercaram Qimor e Yan Yan, formando um círculo que os mantinha presos.

Os homens do Comando riram, triunfantes: “Hahaha! Rendam-se! Quero ver se você tem coragem de enfrentar tanta gente!”

Qimor olhou ao redor, vendo o olhar ávido da multidão, indiferente à ameaça que ele representava.

Yan Yan também olhava os presentes, sem saber como agir.

Então, Qimor pisou com força no chão, liberando uma explosão de energia mágica que abriu um buraco enorme. Os dois saltaram para dentro, sumindo da vista de todos.

A multidão correu para ver o buraco, apreensivos. Se ele escapasse, lá se iriam as dez mil moedas…

O buraco era raso. Os homens do Comando saltaram dentro e viram um túnel longo, com pegadas de ambos no solo. Sem acreditar que haviam cavado tão rápido — em poucos segundos, abriram aquele túnel? Ou já estava preparado?

O líder ficou parado, coçando o queixo, indeciso.

“Chefe, não conseguimos impedir, como vamos explicar para o Liu?” Os demais lamentavam.

Liu Tai ordenara que impedissem a passagem de Qimor e Yan Yan, sob pena de perderem o salário anual. Agora, com eles escapando pelo túnel…

“Persigam!” ordenou o líder. Era a única opção: correr atrás, tentar encontrá-los antes que fugissem do perímetro de Cidade do Meio-Dia.

Os homens obedeceram, avançando pelo túnel. Em cima, os espectadores se entreolharam, dispersando-se pouco depois, deixando apenas o buraco à vista no portão da cidade.

Enquanto isso, a equipe da Guarda Celeste galopava rumo à Cidade do Meio-Dia, já próximos do destino. Um deles, olhando para a cidade, reclamou: “A Liu Tai não tem o que fazer? Pediu reforço da nossa guarnição, e ele, com mais de cem homens do Comando, não consegue prender dois? Inútil!”

“Não reclame, se alguém ouvir não será bom. Afinal, ele é o chefe da cidade.” O líder advertiu, olhando para trás.

O outro calou-se, mas com uma expressão de desagrado.

De repente, um ruído veio do mato ao lado. “Quem está aí? Apareça!” O capitão da Guarda Celeste gritou, com expressão alerta.

Ele fixou o olhar no matagal, mas não obteve resposta. Fez sinal para dois colegas investigarem, e o som dos passos tornou-se mais evidente.

“Não se preocupem, não somos perigosos.” Qimor, puxando Yan Yan, levantou-se do mato, com um semblante sincero.

Qimor havia acabado de usar energia mágica para cavar rapidamente um túnel subterrâneo e fugir com Yan Yan. Pensou: “Se não posso lutar, posso escapar.”

Mal saíram da cidade, encontraram a Guarda Celeste. Sem alternativas, levantaram-se, não querendo causar mal-entendidos.

O líder, vendo-os cobertos de terra, perguntou com sobrancelha franzida: “O que estão fazendo aqui?”

“Nós…” Qimor hesitou, olhando para Yan Yan em busca de ajuda.

Yan Yan deu um passo à frente, sorrindo: “Senhor, viemos colher ervas medicinais. Nossa mãe está gravemente doente e somos pobres, então decidi trazer meu irmão para buscar remédios.”

Ela falou tudo sem titubear, com olhar sincero para o capitão.

Qimor não pôde deixar de admirar a habilidade da irmã em inventar desculpas.

“Ah, vieram colher ervas?” O líder os olhou com suspeita, analisando a aparência e as roupas dos dois, sem saber o que pensar.

De repente, notou o emblema de uma rosa branca no peito esquerdo da roupa de Qimor — lembrando-se que era da famosa loja do Amante Branco da cidade. Dois pobres não poderiam comprar roupa daquele lugar. O capitão estreitou o olhar e ordenou: “Vocês dois, tão furtivos, prendam-nos!”

Mal terminou de falar, dois soldados da Guarda Celeste vieram, algemando os dois e fazendo-os ajoelhar com um chute.

Qimor olhou, frustrado, para o homem. Pensou em usar sua energia mágica, mas Yan Yan o impediu, sinalizando para não agir precipitadamente.

“Senhor, por que isso? Vai abusar de pobres cidadãos?” Yan Yan perguntou, esforçando-se para não rir.