Capítulo Cinquenta: Reação em Cadeia!

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3378 palavras 2026-02-09 17:18:27

Três horas depois, Feng Han chegou ao mesmo beco de antes, aguardando em silêncio o relatório de seus subordinados. Os minutos se arrastavam, e apenas dois deles haviam retornado; do terceiro, não havia notícias.

Feng Han, já impaciente, disse:
— Não vamos mais esperá-lo. Relatem logo as informações que conseguiram.

Os dois assentiram e contaram a Feng Han sobre como Qi Mu havia caído do céu e matado um homem. Os relatos de ambos eram praticamente idênticos, sem grandes divergências, o que fez com que Feng Han franzisse a testa, passando os dedos pelo espaço entre as sobrancelhas.

Qi Mu havia caído do alto, saindo ileso, mas suas roupas estavam em frangalhos e manchadas de sangue. Considerando as habilidades de Qi Mu, era certo que ele tinha passado por situações extraordinárias. Além disso, ele procurara o pessoal da Inspetoria por vontade própria. Feng Han desconfiava que havia um propósito oculto nisso tudo, mas não conseguia entender por que a conversa com Liu Tai terminara em fracasso, levando à sua prisão.

Enquanto ponderava, finalmente o último homem retornou, ofegante e coberto de suor, nitidamente exausto.

— Capitão, tenho informações valiosas! — disse ele a Feng Han.

Os olhos de Feng Han brilharam, e ele indagou prontamente:
— Diga logo, que informações são essas?

— O senhor me mandou investigar sobre Qi Mu, então tive a ideia de ir até a Inspetoria e ouvir conversas às escondidas. Descobri que Qi Mu e Liu Tai tiveram uma conversa secreta. Qi Mu se recusou a revelar um segredo para Liu Tai e, por isso, Liu Tai arranjou um pretexto para trancafiá-lo no Posto de Detenção!

Ao ouvir isso, um sorriso finalmente surgiu no rosto de Feng Han. Ele já suspeitava que a situação era mais complexa do que aparentava. Qi Mu escondia segredos e, certamente, este não era um caso comum; do contrário, Liu Tai não teria feito tanto esforço para capturá-lo.

Feng Han tomou uma decisão: voltaria à Inspetoria para forçar Liu Tai a revelar toda a verdade.

Ele acenou com a mão e disse:
— Vamos, voltaremos mais uma vez à Inspetoria e trocaremos algumas palavras com o Diretor Liu!

— Capitão, não deveríamos avisar o Chefe Dragão sobre isso? — sugeriu um dos homens, em tom de dúvida.

Feng Han pensou por um instante e respondeu:
— Avise agora mesmo o Chefe Dragão. Vocês dois, venham comigo à Inspetoria. Tenho certeza de que Liu Tai está escondendo um segredo de proporções colossais!

Dito isso, Feng Han partiu com dois subordinados, dirigindo-se à Inspetoria com determinação. O homem que ficou para trás tinha a missão de contatar os espiões da guarnição na cidade e, por meio deles, informar o Chefe Dragão.

Afinal, Feng Han era apenas um capitão dos Guardiões Celestes, enquanto Liu Tai era seu superior. Mesmo que descobrisse as falhas de Liu Tai, não tinha autoridade para agir contra ele. Já o Chefe Dragão era diferente: embora, em muitos casos, tivesse que acatar as ordens de Liu Tai, ambos tinham o mesmo nível de hierarquia. O Chefe Dragão podia expressar objeções e, caso Liu Tai cometesse algum ato que ameaçasse o Grande Domínio de Xia, o Chefe Dragão poderia reportar diretamente ao Ministro da Defesa, que então encaminharia o assunto ao Tribunal de Auditoria. Se as suspeitas se confirmassem, Liu Tai enfrentaria a prisão!

Cada unidade da Guarda tinha espiões infiltrados na cidade, responsáveis por relatar periodicamente a situação aos colegas fora dos muros. A Inspetoria desconhecia isso; na verdade, esses espiões estavam ali para monitorar cada movimento da própria Inspetoria!

Esse era um segredo exclusivo dos Guardiões; caso a Inspetoria prejudicasse o território de Xia ou seus habitantes, os guardas poderiam agir sem dar satisfações e prender todos os envolvidos da Inspetoria local.

Por isso, as duas instituições coexistiam em equilíbrio e se contrabalançavam. Não era permitido que a Guarda ficasse aquartelada dentro da cidade justamente para evitar conflitos e disputas pelo poder.

Quanto ao Governador, ele era apenas um representante do Grande Domínio de Xia, encarregado principalmente da arrecadação de impostos — sem nenhum poder real, uma mera figura simbólica.

Portanto, a Inspetoria detinha o verdadeiro poder sobre uma cidade. Eis por que Liu Tai era tão arrogante: em Cidade Alvorada, ele mandava e desmandava! Desde que não desse motivos graves para a Guarda intervir, tudo seguiria sem maiores problemas.

No entanto, desta vez Liu Tai havia ido longe demais: não apenas prendeu Qi Mu no portão da cidade, como também pediu auxílio à Guarda. Se, sendo tão cauteloso, Liu Tai não resolvesse bem essa situação, enfrentaria consequências muito mais sérias do que uma simples reprimenda.

Qi Mu escondia um segredo, e Liu Tai pretendia se beneficiar disso. Caso o Senhor do Domínio descobrisse, o desfecho seria previsível...

Liu Tai, naquele momento, estava em seu escritório. A parede, antes destruída por Qi Mu, já havia sido consertada. Ele fitava a mesa, imerso nos próprios pensamentos sobre o caso Qi Mu.

Precisava arrancar logo a verdade daquele rapaz!

A confusão já era grande, e todas as partes interessadas logo saberiam dos acontecimentos. Se o Senhor do Domínio exigisse explicações e ele não tivesse uma resposta convincente, estaria em apuros!

Pensando nisso, Liu Tai pretendia mandar buscar Qi Mu no Posto de Detenção. Mas, de repente, a porta se escancarou com estrondo, e um homem de rosto pálido e olhar frio entrou, fitando Liu Tai. Os olhos de Liu Tai se arregalaram: não esperava que viesse tão depressa!

A figura trajava um manto preto com o símbolo exclusivo do Palácio dos Deuses — era Huo Lin, o Inspetor de Cidade Alvorada.

Huo Lin sentou-se elegantemente à frente da mesa, retirou as luvas e as depositou lentamente sobre o tampo. Sorriu com desdém e disse:
— Ouvi dizer que o Diretor Liu mandou seus homens causar confusão no portão da cidade, tudo para capturar uma única pessoa! Ainda por cima, esse indivíduo derrotou toda a equipe de repressão, e só foi capturado depois da intervenção da Guarda. Será que o Diretor Liu poderia me apresentar esse sujeito tão habilidoso?

O olhar de Huo Lin era enigmático, e seu tom transbordava ironia.

Liu Tai, esforçando-se para manter a compostura, respondeu:
— Está brincando, Inspetor Huo. O senhor é enviado do Palácio dos Deuses, claro que pode vê-lo. Só que já mandei trancafiá-lo no Posto de Detenção e, como sabe, só é possível retirar um detento de lá às nove da noite. Se eu mandasse buscar agora, não haveria necessidade, certo?

Tentava enrolar Huo Lin, respondendo com cautela.

O Posto de Detenção permitia a remoção de prisioneiros apenas às nove da noite, quando a Inspetoria podia, graças aos poderes do local, retirar diretamente o detento desejado. Em outros horários, só restava o método antigo: enviar alguém pela entrada, atravessar o posto e tirar o preso pela saída — um processo trabalhoso.

No passado, em Cidade do Mar do Norte, Chen Guohua só conseguiu escapar porque Mu Hongzhi mandou buscá-lo. No entanto, foi surpreendido e sequestrado na saída do Posto de Detenção!

Foi uma coincidência, mas considerando o envolvimento de Mu Hongzhi, não era de se estranhar. Talvez tenha sido apenas uma cooperação ocasional entre a Santa Igreja, o Pavilhão Linglong e o Salão da Estrela Negra. O real motivo por trás disso permanecia um mistério.

Com o desaparecimento de Cidade do Mar do Norte, a atenção de todos se voltou para esse evento, e ninguém mais se importava com o paradeiro de Chen Guohua.

Huo Lin apenas sorriu diante da desculpa de Liu Tai e assentiu levemente:
— Não vou incomodar mais o Diretor Liu. Voltarei às nove em ponto para ver com meus próprios olhos esse sujeito de habilidades tão extraordinárias!

— Sem problemas — respondeu Liu Tai, dando uma pancadinha no peito, em garantia.

Apenas após a saída de Huo Lin da Inspetoria, Liu Tai soltou um longo suspiro.
— Não esperava que Huo Lin viesse tão depressa — murmurou. — Ainda nem consegui descobrir o que houve em Cidade do Mar do Norte. Se ele descobrir que Qi Mu escapou de lá, o Palácio dos Deuses certamente o levará de volta. Se o Senhor do Domínio souber disso, vai me culpar por incompetência! Que situação difícil!

Olhou para o alto e lamentou. Sua própria ganância havia causado todos esses problemas. Desde a chegada de Qi Mu, só atraía encrenca. Mal acabara de ser repreendido pelo Senhor do Domínio e, se esse novo problema chegasse aos ouvidos dele, sua vida estaria acabada!

Nesse instante, Liu Tai entrou em pânico. Seu coração estava um turbilhão de emoções. Talvez devesse contar logo tudo ao Senhor do Domínio, para que ele mesmo interrogasse Qi Mu. Quem sabe, até seria recompensado. Mas, agora que Huo Lin também estava por dentro do caso, se o enviado do Palácio dos Deuses falasse com o Senhor do Domínio antes dele, a situação se complicaria ainda mais.

Liu Tai franziu a testa, tentando encontrar uma saída, mas todos os caminhos pareciam levá-lo à ruína. Não sabia o que fazer.

Enquanto se afundava em preocupações, a porta se escancarou novamente. Liu Tai já se preparava para explodir, mas ao ver quem entrava, conteve a raiva e demonstrou surpresa:
— Capitão Feng, você não deveria ter retornado com a Guarda? Por que voltou?

Era Feng Han. Ele e dois companheiros haviam chegado à Inspetoria e, na entrada, cruzaram com Huo Lin. Este, sem saber quem era Feng Han, afastou-se calmamente.

Feng Han, por sua vez, reconheceu o Inspetor Huo, afinal, era o olho e o ouvido do Palácio dos Deuses em cada cidade — impossível não conhecê-lo. Ao vê-lo sair, suas suspeitas se reforçaram: tinha certeza de que Huo Lin viera por causa de Qi Mu.

Sorrindo levemente, Feng Han dirigiu-se a Liu Tai:
— Diretor Liu, gostaria de lhe fazer mais algumas perguntas, se não se importar.

Liu Tai sentiu um calafrio, mas respondeu com aparente tranquilidade:
— Sobre o que seria?

— Sobre a situação de Qi Mu, creio que já lhe esclareci anteriormente, Capitão Feng. Quanto aos próximos passos, não cabe mais a você se envolver, já que estamos em território da Inspetoria.

A fala de Liu Tai era carregada de uma sutil ameaça: queria deixar claro que Feng Han não deveria se intrometer, ou sofreria as consequências.

Feng Han percebeu o recado, mas respondeu friamente:
— Diretor Liu, meus homens descobriram que você teve uma conversa secreta com Qi Mu. O que me diz sobre isso, é verdade?

Liu Tai analisou a expressão de Feng Han. Sabia que estava diante de um homem inteligente e que não adiantaria mais tentar enganá-lo. Mas, sem ter decidido o que fazer em relação a Qi Mu, limitou-se a responder, com a testa franzida:
— Capitão Feng, está se excedendo. Preciso eu, por acaso, lhe prestar contas de meus atos? Aconselho que cuide dos seus próprios assuntos e volte para onde deve estar!