Capítulo Oitenta e Quatro

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 2388 palavras 2026-02-09 17:20:57

O tempo voava e as horas corriam; restavam apenas duas horas para a execução pública de Zé Ouyang. A Praça Central da Cidade da Luz Diurna estava lotada há muito, uma multidão ansiosa para ver o verdadeiro culpado pelo desaparecimento da Cidade do Mar do Norte!

O local era um mar de gente, tomado por um burburinho incessante. Os membros da Sagrada Ordem já se misturavam ao povo, disfarçados como cidadãos comuns, como se estivessem ali apenas por curiosidade.

Após as discussões do dia anterior, ficou decidido que apenas Qi Mu agiria diretamente, enquanto os demais dariam suporte. Um membro da Ordem estaria encarregado de distrair o Vigésimo Sétimo Dragão da Tocha, e caberia a Qi Mu resgatar Zé Ouyang diante de todos!

Este plano não admitia falhas; o sucesso era a única opção! Não se tratava apenas dos planos futuros da Ordem, mas também de uma oportunidade de humilhar os adversários perante todos. Kangsheng Ouyang queria estabilizar os ânimos populares? Pois seria exatamente isso que lhe seria negado!

Qi Mu, com um capuz negro ocultando o rosto, observava a praça de longe, do topo de uma hospedaria. No centro da praça, agentes da Inspetoria formavam um círculo, mantendo a multidão afastada, enquanto outros auxiliavam o Vigésimo Sétimo Dragão da Tocha a escoltar Zé Ouyang.

Zé Ouyang estava pálido; as lesões o deixavam visivelmente exausto. Amarrado firmemente a um poste, encarava a multidão abaixo. O sol do meio-dia ardia impiedosamente, lançando seus raios abrasadores sobre todos, tornando o ambiente ainda mais inquietante.

Tai Liu já estava ali, refugiado na sombra, deliciando-se com uma fatia de melancia enquanto um subordinado o abanava.

— Xiao Zhang, está tudo pronto? — perguntou ele, saboreando a brisa.

— Diretor, tudo está em ordem. Assim que o senhor ordenar, garantiremos que ninguém escape, nem mesmo um mosquito! — respondeu Ling Zhang, respeitoso, mas com olhos famintos fitando a melancia de Liu.

— Ótimo, diga a todos para não agirem sem meu comando! — respondeu Liu satisfeito, abocanhando um generoso pedaço da fruta e estreitando os olhos em direção ao cadafalso.

A execução de Zé Ouyang não era apenas punitiva; Kangsheng Ouyang não era ingênuo. Além de acalmar a população, ele havia preparado uma armadilha. Era o momento perfeito para que membros da Sagrada Ordem caíssem na rede! Se tentassem resgatar Zé Ouyang, não sairiam vivos. Prender só Zé Ouyang? Por que não capturar mais alguns?

Seria a oportunidade dos cidadãos comuns conhecerem a verdadeira força do Domínio da Grande Xia! Dois alvos com uma flecha — esse era o real objetivo de Kangsheng Ouyang.

Qi Mu desconhecia tudo isso; recebera apenas a ordem de Qian Ouyang para salvar Zé Ouyang. Sentia-se perdido, tomado por nervosismo, excitação e apreensão. Agir sob tantos olhares era um desafio para qualquer um. Se fosse descoberto, as consequências seriam imprevisíveis — provavelmente seria acusado de traidor.

Era melhor não ser exposto, ainda que isso lhe custasse ferimentos graves. Qi Mu franzia a testa — só sentia a presença de magia no homem sobre o palco: o Vigésimo Sétimo Dragão da Tocha. Este, mesmo sem liberar energia, emanava uma aura intimidadora.

Os que dominavam a magia compartilhavam a mesma essência, e suas energias podiam ser sentidas mutuamente, salvo grandes diferenças de poder.

— Senhor, nossos homens estão prontos. Assim que o senhor resgatar Zé Ouyang, siga-me; temos um túnel secreto que leva para fora da cidade — sussurrou um aliado às costas de Qi Mu.

A hospedaria também pertencia à Sagrada Ordem, mas o túnel não se localizava ali. Afinal, não eram tolos — após a fuga, a Inspetoria certamente revistaria o local. O propósito era não expor mais ninguém.

A missão era solitária: Qi Mu teria que enfrentar todos os olhares e ainda lidar com o Vigésimo Sétimo Dragão da Tocha, sempre alerta. Outros agentes permaneciam ocultos, sem que se soubesse ao certo de que lado estavam.

O relógio avançava e o meio-dia se aproximava. Gotas de suor escorriam pela testa de Qi Mu, molhando-lhe a gola.

— Quanto falta para a hora? — perguntou ao aliado.

— Faltam sete minutos para o meio-dia!

O tempo se esgotava! Qi Mu sentiu o coração apertar. O Vigésimo Sétimo Dragão da Tocha já percebera suas sondagens e sorria com desdém. O domínio havia previsto: eles não conseguiriam se conter.

Aproximou-se de Zé Ouyang, que, sob o sol escaldante, mal se mantinha consciente. Levantando os olhos, Zé Ouyang murmurou:

— Não espere arrancar de mim nenhuma informação.

O Vigésimo Sétimo Dragão da Tocha respondeu, calmo:

— Seus aliados já chegaram. Quero ver sua expressão quando seu salvador aparecer.

— Impossível! Não tente me enganar! — gritou Zé Ouyang, incrédulo. Para ele, a Sagrada Ordem só prezava interesses próprios; arriscar-se por ele diante de tantos seria absurdo.

— Preciso mentir para você? — retrucou o Dragão, desdenhoso.

Na verdade, Qian Ouyang não pretendia salvar o irmão, que julgava sem valor. Mas Qi Mu surgira por acaso, coincidindo com os eventos do Forte do Domínio, e Kangsheng Ouyang ordenara a execução em plena Cidade da Luz Diurna. Uma teia de coincidências tecera aquele momento.

É o destino, afinal.

Quando o ponteiro marcou o meio-dia, um agente da Inspetoria subiu ao cadafalso e bradou:

— Chegou a hora! Aviso aos cidadãos da Cidade da Luz Diurna: dentro do Domínio da Grande Xia, cumpram as leis e vivam honestamente. Não se deixem levar por más intenções!

Apontando desdenhosamente para Zé Ouyang, exclamou:

— Ele serve de exemplo a todos! Será executado pela Inspetoria da Cidade da Luz Diurna, para que sirva de lição!

Ao final do anúncio, um executor surgiu com uma grande lâmina, cujo fio polido refletia o sol, ofuscando quem olhasse.

Qi Mu, percebendo que a hora chegara, saltou do telhado da hospedaria e gritou em voz firme:

— Esperem!