Capítulo Três: Um Novo Ataque
Aproveitando o momento em que o Devorador estava atento a Qi Mu, Long Yan, sem ser notado, aproximou-se por trás. Sacou a adaga presa à cintura e desferiu um golpe com toda a força no pescoço da criatura, mas só conseguiu abrir um pequeno talho, de onde brotou um fio de sangue raso. Long Yan não se surpreendeu com o resultado, pois sabia que a pele do Devorador era extremamente resistente e difícil de perfurar.
A criatura, sentindo a dor do ataque, soltou um urro lancinante e girou-se, cravando o olhar em Long Yan. Em seguida, lançou-se sobre ele a uma velocidade impressionante. Num piscar de olhos, materializou-se diante de Long Yan, cravando as garras no abdômen dele. Tudo aconteceu tão rápido que Long Yan mal teve tempo de reagir antes de ser lançado ao chão pela força do ataque.
— Aaah! — gritou Long Yan, tomado pela dor, apertando o abdômen ensanguentado com uma mão e arrastando-se para trás, tentando afastar-se. O sangue escorria livremente, tingindo de vermelho aquela porção da terra.
A criatura pareceu satisfeita com aquela cena. Mostrou as presas em um sorriso macabro, como se zombasse deles.
Qi Mu estava completamente tomado pelo pânico. Olhava, sem saber o que fazer, para o monstro. Long Yan jazia ao chão, com o rosto tão pálido quanto a morte, arfando e pressionando o ferimento, claramente à beira do fim, enquanto o monstro permanecia ileso. O que ele poderia fazer?
Desesperado, Qi Mu tentava encontrar uma solução, sentindo que seus pensamentos não davam conta do problema. De repente, uma ideia brilhou em sua mente. A voz — aquela voz que ecoava em sua cabeça! Fora ela quem o orientara a escapar de casa antes. Não sabia como, mas aquela voz tinha resolvido o problema da criatura e, agora, parecia que só ela poderia ajudá-lo novamente.
— Ei! Seja lá quem for, apareça logo! O que eu devo fazer? — bradou mentalmente, o rosto tomado pela ansiedade.
— Jovem, não se desespere. O rapaz que te trouxe, chamado Long Yan, carrega algo consigo que pode te ajudar a resolver isso — respondeu a voz, sem pressa, como se a aparição do Devorador nada tivesse de surpreendente.
Qi Mu ficou um instante atordoado. No corpo de Long Yan? Voltou-se para ele e viu que o amigo estava à beira do desmaio, respirando com dificuldade e perdendo sangue rapidamente.
— O que ele carrega? Se tinha algo, por que não usou antes? — questionou Qi Mu, mentalmente.
— Isso você mesmo terá de descobrir — replicou a voz, em tom enigmático, como se se divertisse às custas de Qi Mu.
— Droga! Justo agora você resolve fazer mistério! — resmungou Qi Mu.
Long Yan, vendo o Devorador avançar passo a passo em direção a Qi Mu, segurava o ferimento com todas as forças. Reuniu as últimas energias e gritou:
— Qi Mu, corra!
O grito trouxe Qi Mu de volta à realidade. Ao abrir os olhos, viu que o monstro já estava bem diante de si, os olhos azuis fixos em sua direção.
Sobressaltado, Qi Mu pulou para o outro lado do carro. O monstro, percebendo a tentativa de fuga, lançou-se de imediato em perseguição, saltando com leveza para o teto do veículo.
Qi Mu correu com todas as forças em direção à árvore mais próxima, a frase martelando em sua mente: a chave para escapar estava com Long Yan!
O Devorador surgiu atrás dele num piscar de olhos, tentando cravar as garras em suas costas. Quando ia atacar, porém, seu corpo estremeceu subitamente, interrompendo o movimento. Começou a espumar pela boca e a se contorcer de maneira rígida, quase como um zumbi.
Parecia que aquela carne ainda não lhe pertencia de fato, como se lutassem ali duas consciências opostas. De qualquer forma, os ataques cessaram e o monstro estava visivelmente debilitado.
Qi Mu aproveitou a brecha, apoiou um pé no tronco da árvore e saltou para trás da criatura, correndo até Long Yan.
O Devorador continuava a contorcer-se, agarrando o próprio pescoço, de onde escorria sangue negro que começava a manchar o solo.
Qi Mu observava aquela estranheza, mas não hesitou. Aproveitou o momento para chegar até Long Yan.
— Rápido, Long, o que você carrega que pode matar o Devorador? — perguntou com urgência.
— Só tenho isto — Long Yan, com grande esforço, retirou de sua cintura um objeto.
Era uma pequena esfera negra, que Long Yan revelou na palma da mão.
— O que é isso? — Qi Mu fitou o objeto com estranheza.
Long Yan, contendo a dor, explicou:
— Encontrei isso no abdômen de outro Devorador. Minha missão era levar o objeto para a base da organização e estudá-lo. Não esperava encontrar outro no caminho.
— Fuja! Eu vou tentar detê-lo. Você precisa entregar isso à organização! — Long Yan, lívido e quase inconsciente pela perda de sangue, estendeu a esfera para Qi Mu.
— Vai, depressa!
Qi Mu olhou para a esfera negra, que tinha um estranho símbolo gravado — algo que parecia, ao mesmo tempo, humano e animal, impossível de decifrar no momento.
— Como se usa isso? — perguntou desesperado, mentalmente.
— Basta enfiar isso na boca do Devorador e fazê-lo engolir — respondeu a voz, sempre calma.
— Tem certeza? — Qi Mu ficou surpreso com a simplicidade da resposta.
Não havia outra escolha. Qi Mu sabia que não conseguiria fugir do monstro. Era sua única esperança.
O Devorador jazia no chão, o rosto contorcido em dor, os membros retorcidos. Qi Mu agachou-se diante dele e empurrou a esfera negra em sua boca.
— Engole! Vai, engole logo! — forçou, usando toda a força de que dispunha, até que finalmente conseguiu fazer a criatura deglutir o objeto.
Mal a esfera desceu pela garganta do monstro, ele soltou um longo suspiro. De repente, ficou completamente imóvel.
Qi Mu ficou paralisado diante daquela cena. O que estava acontecendo?
— Afaste-se dele, e leve Long Yan para longe também, para evitar ser atingido — aconselhou a voz em sua mente.
Qi Mu obedeceu, colocou Long Yan sobre os ombros e afastou-se lentamente para o outro lado.
— Cinco, quatro, três, dois, um… — contou a voz. Quando chegou ao fim, Qi Mu ouviu atrás de si o urro furioso do monstro.
— Kukuyaquigula! Kukuyaquigula! — gritava o Devorador, cravando as garras furiosamente no próprio corpo e abrindo longos rasgos sangrentos.
— Gula! — Ao último brado, a criatura se partiu ao meio, de onde escaparam feixes de luz.
— Bum! — O corpo do Devorador explodiu, espalhando fragmentos por toda parte e deixando o solo coberto de sangue negro. Alguns respingos atingiram o rosto de Qi Mu.
Ele limpou o rosto, sentindo a viscosidade do sangue. Deixou Long Yan, inconsciente, no solo e tombou ao lado dele, ofegante.
Finalmente, finalmente estava fora de perigo. Pensou, aliviado, que aquela voz o salvara duas vezes. Era, sem dúvida, seu verdadeiro salvador.
Mal podia acreditar: em poucos dias, fora atacado duas vezes. Era, de fato, alguém de muita sorte.
Observando os restos espalhados da criatura, notou que em determinado ponto uma luz negra brilhava cada vez mais forte.