Capítulo Vinte e Quatro – A Crise da Cidade do Mar do Norte

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3388 palavras 2026-02-09 17:16:00

O massacre perdurou por muito tempo, até que aos pés de cada montanha os gritos cessaram, o sangue tingiu aquela terra e, sob o manto negro da noite, os Devoradores erguiam-se altivos, lambendo com suas longas línguas o sangue fresco em seus rostos, parecendo completamente satisfeitos.

Depois de exterminarem os mineiros, os Devoradores correram de volta às montanhas, retornando para aquele feixe de luz branca. Os feixes nos quatro picos recolheram-se lentamente, transportando-os até diante do buraco negro — exatamente acima da Cidade do Mar do Norte!

Os habitantes da cidade, alheios à chacina nos arredores, apenas podiam observar as silhuetas eretas no céu noturno e murmurar entre si:

— Vocês estão vendo aquilo lá em cima? O que são? Seres humanos?

— É, o que será aquilo?

Somente Qimu e seus companheiros sabiam: eram Devoradores. Mesmo de longe, sem poder enxergar nitidamente, Qimu tinha certeza. Voltou-se para Yan Yan, Jiang Tiancheng e os outros:

— Cuidado, aqueles lá em cima devem ser Devoradores.

— Como assim? — Jiang Tiancheng, ao ouvir aquilo, ficou profundamente abalado. Até então, só haviam sido registrados quatro incidentes com Devoradores, todos agindo sozinhos. Embora não fosse possível distinguir ao certo quantos havia no céu, certamente não eram poucos.

Yan Yan também exibia um semblante grave, franzindo a testa enquanto pensava em como agir. Tantos Devoradores, se descessem de súbito, fariam da Cidade do Mar do Norte um matadouro. Os moradores seriam cordeiros esperando o abate.

Após um breve silêncio, ela segurou o braço de Qimu e disse:

— Pequeno Mu, corra até a Inspetoria e avise o Diretor Mu. Ele precisa evacuar a população imediatamente e contatar o Exército de Guarda das proximidades. Só as tropas poderão conter tantos Devoradores!

O Exército de Guarda era uma força presente em cada cidade, mas mantinha-se fora dos muros, a cerca de quinze a vinte quilômetros. As unidades de resposta avançada podiam chegar em dez minutos; o grosso da tropa vinha logo atrás.

Qimu olhou para Yan Yan, preocupado:

— Mana, e vocês, o que vão fazer?

Yan Yan manteve-se serena, comprimindo os lábios:

— Vamos procurar pessoas suspeitas. A aparição repentina das luzes e dos Devoradores não é coincidência. Alguém tramou tudo isso!

Qimu apenas recomendou:

— Então, tomem cuidado.

Abraçaram-se, recomendaram que a segurança viesse em primeiro lugar, e Qimu partiu em disparada para a Inspetoria.

Desde que tomara o reforço corporal, Qimu era capaz de percorrer cem metros em cinco segundos. Parecia uma pantera, deixando atrás de si um rastro de poeira entre a multidão.

Yan Yan, observando Qimu afastar-se, voltou-se para os demais:

— Vamos, é hora de agir.

— Certo. — Jiang Tiancheng recompôs-se, ciente da gravidade da situação.

— Todos, dispersem! — Jiang Tiancheng correu até o lugar mais visível da cidade — a estátua do Deus Supremo.

A estátua fora esculpida segundo a divindade principal do Palácio dos Deuses, mas sem traços fisionômicos, para ocultar sua verdadeira identidade.

Apoiando-se nas pernas da estátua, Jiang Tiancheng bradou à multidão, chamando atenção de todos. Alguém questionou:

— Quem é você? Sabe que está profanando o Deus Supremo? A Inspetoria pode prendê-lo e mantê-lo detido para sempre no Portão da Região!

— Não importa quem eu seja! Dispersem! Aqueles monstros descerão a qualquer momento! Vão esperar aqui para morrer? — Jiang Tiancheng gritou, pois se os Devoradores descessem agora, ninguém sobreviveria.

— Ora, só pode estar brincando! Que monstros? Fala daqueles lá em cima? Que estranho... — zombou alguém, e muitos riram, sem dar importância.

Jiang Tiancheng olhou ao redor, inquieto pela multidão reunida. Procurou Yan Yan, que, de olhos fechados, assentiu discretamente.

Pela primeira vez, Jiang Tiancheng sacou sua arma da cintura e disparou para o alto.

O clarão dos tiros cortou a noite escura, chamando atenção de todos.

Bam! Bam! Bam!

Ao som dos tiros, a multidão correu em pânico, até os zombadores preocupados apenas em salvar a própria vida, sem saber se seriam os próximos alvos.

Vendo o povo dispersar, Jiang Tiancheng sorriu satisfeito, saltou agilmente da estátua e foi até Yan Yan:

— Viu? Meu método funcionou, resultado imediato!

— Não é hora para brincadeiras. — Yan Yan manteve-se séria, ignorando a provocação.

Havia algo estranho: por que aquelas quatro montanhas? Yan Yan ergueu os olhos, analisou a posição dos picos em relação aos edifícios da cidade e percebeu que estavam nos quatro pontos cardeais.

E eram todas da família Han. Então... primeiro, ir à família Han!

Determinada, Yan Yan ordenou a Jiang Tiancheng:

— Leve Yuan Ze e os outros para a família Han. Eles certamente sabem o motivo disso tudo. Depressa!

Jiang Tiancheng partiu com Yuan Ze. No centro da cidade, restou apenas Yan Yan, sua figura solitária. A multidão dispersara, Qimu e os outros também. Yan Yan aguardava a chegada dos Devoradores, pronta para lutar sozinha.

Qimu, por sua vez, já havia encontrado Mu Hongzhi. Durante as buscas pelos agentes desaparecidos, Mu Hongzhi encontrara os corpos. Sabia que alguém se infiltrara na cidade e tramara o ataque. Tentou contatar o Exército de Guarda pelo comunicador, mas não conseguiu; foi então que encontrou Qimu.

Sabia quem era Qimu, o subordinado do responsável pelo caso dos reforços corporais. Como se visse uma esperança, Mu Hongzhi se aproximou sorrindo:

— Senhor, quais são as ordens?

Qimu, meio surpreso, transmitiu o recado de Yan Yan.

Mas Mu Hongzhi estava preocupado. Percebendo a expressão, Qimu perguntou:

— Há algum problema?

Mu Hongzhi, colocando o braço sobre os ombros de Qimu, falou lentamente:

— O senhor não sabe, mas o comunicador está fora de serviço. Não consigo contato com o Exército de Guarda do lado de fora.

Qimu não se surpreendeu. Se havia alguém por trás daquele plano, tudo estaria preparado. Permitir contato fácil com o exército seria desperdiçar toda a estratégia.

Ele olhou para o céu, onde o campo de força púrpura ficava mais nítido e sólido com o tempo. Decidiu testar sua resistência, e ao mesmo tempo sua própria força.

Correu até um prédio alto ao lado, subiu em poucos saltos e, no topo, preparou-se. Mu Hongzhi e os outros observavam, atônitos. Um dos homens ao lado de Mu Hongzhi puxou-lhe a manga, engolindo em seco:

— Diretor... Ele ainda é humano?

— Não sei, talvez seja um daqueles enviados de cima... — respondeu Mu Hongzhi, absorto.

Qimu girou os ombros, alongou-se e, sentindo-se no auge, cerrou o punho e socou o campo de força. O vento do golpe cortou seu rosto. Bum! Uma explosão violenta.

A força do campo lançou Qimu de volta, voando por dezenas de metros até cair no topo do prédio. No ar, ele recuperou o equilíbrio e, usando a força do impacto, saltou novamente, enquanto o solo sob seus pés se rachava profundamente.

Mu Hongzhi e os outros ficaram boquiabertos, incrédulos.

O reforço corporal era realmente assustador.

Qimu sentia o poder pulsando em seu corpo. Achava que, enfrentando um Devorador, o resultado era incerto: quem sabe quem saía vencedor? O reforço realmente aumentava as capacidades humanas a níveis monstruosos, mesmo sem grandes habilidades.

— Maldição, esse campo é duro como pedra — murmurou Qimu, massageando o braço. O impacto fora doloroso, mesmo com o reforço.

Pela sua avaliação, era impossível romper o campo à força humana. Estariam presos ali? Pensou em testar a arma. Sacou o revólver e atirou no campo.

A bala, invisível a olho nu, riscou o ar, mas ao tocar o campo, desapareceu! Qimu estranhou. Esperava que a bala ricocheteasse, mas não foi o caso.

Com o semblante carregado, olhou para Mu Hongzhi, que, agachado, fumava em silêncio, observando Qimu.

Qimu aproximou-se e disse em tom grave:

— Diretor Mu, com tudo isso acontecendo, ainda tem ânimo para fumar?

— Senhor, à disposição. — Mu Hongzhi levantou-se rapidamente, respeitoso.

— Informe-me sobre a situação da família Han em Cidade do Mar do Norte.

— Sim.

Se quisessem descobrir o responsável, a família Han não podia estar dissociada. Os quatro picos pertenciam a eles, assim como os fenômenos no céu e o campo de força. Qimu tinha certeza: a família Han estava envolvida.

— A família Han é o maior fornecedor de minério da cidade. Nesta geração, resta apenas Han Mo, e os negócios são comandados por seu pai, Han Tian. Metade das montanhas ao redor pertence a eles, incluindo aquelas quatro.

Yan Yan estava certa. Enquanto Qimu planejava os próximos passos, uma explosão estrondosa vinda do norte irrompeu. Ele olhou para lá e, mesmo de longe, viu as labaredas. Alguém começara a agir dentro da cidade...