Capítulo Cinquenta e Seis - Destino

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3374 palavras 2026-02-09 17:18:46

Feng Han retornou com seus homens ao Exército da Guarda. Mal havia se sentado, quando o operador de comunicações, com o semblante fechado, aproximou-se dele.

— Velho Li, o que houve? — perguntou Feng Han, confuso.

— O Diretor Liu acaba de nos contatar novamente, exigindo que enviemos pessoas para ajudar a Diretoria de Inspeção na busca dos fugitivos da Fortaleza Territorial! — explicou o homem chamado Velho Li, com expressão séria.

Feng Han bateu na mesa e levantou-se, espantado:

— O que você disse? Os prisioneiros da Fortaleza Territorial fugiram?

— Sim. Segundo o Diretor Liu, a fortaleza está completamente vazia. Ele já mobilizou toda a Diretoria de Inspeção para a busca, mas não tem gente suficiente, por isso pediu nossa ajuda — Velho Li assentiu, evidente o peso da situação.

— Como pode ser? Como alguém fugiria da Fortaleza Territorial? Isso vai dar um problema enorme! — murmurou Feng Han.

Ele ergueu os olhos para Velho Li, perguntando:

— E qual é o plano do Dragão-Chefe?

— O Dragão-Chefe ordenou a mobilização total da Guarda Celeste, além de metade da Guarda Humana; o restante permanece aqui, prontos para apoiar a qualquer momento.

— Maldição, mal voltei e já tem trabalho de novo — resmungou Feng Han, rindo, mas apenas reclamando da boca para fora. Estendeu a mão e pegou a espada ao lado, demonstrando estar pronto.

— Feng Han, você chegou há pouco, mas deve saber que o dever do soldado é obedecer. Entendeu? — Velho Li falou com severidade, endireitando a postura curvada e abandonando a habitual cordialidade.

— Entendi, não se preocupe, vou e volto logo — respondeu Feng Han, de modo displicente, enquanto caminhava para o grupo, deixando a Velho Li um sorriso satisfeito.

— Soldados! Esta missão é árdua. Vocês devem vasculhar toda a área num raio de cem li em torno da Cidade do Dia. Não haverá apoio de outras cidades. Quero que todos os fugitivos sejam capturados! Estão prontos?

— Sempre prontos! Sempre prontos! Sempre prontos! — bradaram todos, respondendo ao Dragão-Chefe com força máxima.

O Dragão-Chefe sorriu satisfeito e gritou:

— Partida imediata!

— Sim!

O estrondo dos passos fazia o chão tremer. Cada um carregava consigo o peso do dever militar, partindo para cumprir uma missão sem precedentes. Muitos eram recém-chegados ao Exército da Guarda, mas não havia medo nem hesitação: estavam determinados a concluir a tarefa.

Do outro lado, o homem chamado Irmão Gan liderava um grupo de figuras brutais por uma encosta íngreme. Um deles se aproximou, curioso:

— Irmão Gan, o que estamos fazendo aqui?

Gan lançou-lhe um olhar frio:

— Se não quiser, pode ir embora. Ninguém obrigou vocês a vir.

Seu olhar ameaçador intimidou o homem, que, constrangido, coçou a cabeça:

— Não, não, Irmão Gan, só uma brincadeira...

Gan ignorou-o, parando subitamente. Os seguidores também pararam, olhando-o com dúvida.

Com o rosto fechado, Gan bradou:

— Irmãos, sei que acabaram de sair da Fortaleza Territorial e estão famintos. Sei que estão curiosos sobre o motivo de estarmos aqui. Declaro: esta ação é totalmente voluntária. Quem quiser sair, que o faça agora, não atrapalhe os demais!

Os homens se entreolharam e, em uníssono, responderam:

— Irmão Gan, o que você fizer, seguimos juntos. Com você, sempre teremos o que comer, não é, rapaziada?

— É isso! — confirmaram.

Gan viu que todos concordaram e nenhum se retirou, assentindo satisfeito:

— Muito bem! Agora vou dizer o propósito de estarmos aqui.

— Sou alguém benevolente, gosto de ajudar os outros a terem uma vida melhor, sem precisar fugir da maldita Diretoria de Inspeção!

— E agora temos uma oportunidade dessas. Eu, Gan, garanto riqueza e glória!

Os olhos dos presentes brilharam de expectativa. Entre eles, não havia inocentes; todos eram criminosos de grande periculosidade, muitos já marcados para execução pela Diretoria de Inspeção. Agora, com uma promessa tão tentadora à frente, a chance de não precisar viver com medo ou fugir da perseguição, quem recusaria?

Felizes, gritaram:

— Irmão Gan, diga logo, o que devemos fazer?

Gan, com um olhar misterioso, sorriu maliciosamente:

— Vamos nos unir à Sagrada Ordem!

— Sagrada Ordem? — perguntaram, sem entender. — Irmão Gan, o que é essa Sagrada Ordem? É melhor que o Salão Terrestre do Pavilhão Linglong?

Gan esboçou um sorriso de desdém:

— Essas duas formigas se comparam à minha Sagrada Ordem? Para destruí-las basta um movimento de dedo.

Os outros ficaram surpresos, alguns desconfiados, mas não manifestaram isso, preferindo aguardar para ver que oferta Gan lhes faria para entrar na Sagrada Ordem.

— O poder da Sagrada Ordem está além de sua imaginação. Dou apenas um exemplo, suficiente para deixá-los boquiabertos.

Gan aproximou-se, com olhos excitados:

— Dias atrás, a Cidade do Mar do Norte desapareceu sem deixar rastro. Isso foi obra da Sagrada Ordem!

Os ex-prisioneiros da Fortaleza Territorial desconheciam o que acontecia fora, mas alguns bem informados sabiam do sumiço da Cidade do Mar do Norte e logo espalharam a notícia entre os demais.

Gan percebeu o burburinho, mas não disse nada. Sabia que precisavam de tempo para digerir a novidade. Minutos depois, olhou para todos e perguntou calmamente:

— Alguém aqui não quer se unir à Sagrada Ordem?

— Não! Queremos entrar na Sagrada Ordem! — responderam entusiasmados, com olhos cheios de excitação e ganância.

— Pois bem, sigam-me. Vou mostrar a vocês o poder da Sagrada Ordem — resmungou Gan, virando-se e subindo ainda mais, deixando para trás apenas sua silhueta distante.

— O que estão esperando? Andem logo! — alguns impacientes empurraram os hesitantes, apressando-os.

Só então perceberam, apressando-se em seguir Gan obedientemente.

Alguns, ao ouvir que iriam enfrentar a Diretoria de Inspeção, sentiram a ambição ser temporariamente sufocada pela razão. Caminhando discretamente no final do grupo, aproveitaram um descuido e, sem que ninguém percebesse, escaparam em direção ao sopé da montanha.

O grupo de centenas não notou a ausência desses poucos, mas alguém percebeu!

— Velho Wang, você acha que sair assim é muito pouco lucrativo?

— Maldição, quer morrer? Trabalhar para essa Sagrada Ordem é pedir para morrer! — o velho ao lado lhe deu um soco nas costas, pesado.

— Mas o Gan prometeu riqueza e glória... — o homem coçou a cabeça.

— Você é burro? Acredita no que ele diz? Idiota! — Velho Wang o repreendeu, claramente irritado.

Os três vieram do mesmo lugar. Na Cidade do Dia, sequestraram juntos o filho de uma família rica, exigindo dois milhões de moedas de verão, mas acabaram capturados pela Diretoria de Inspeção e sentenciados a dez anos na Fortaleza Territorial pelo Tribunal de Justiça.

Hoje, faltavam apenas três anos para cumprirem a pena, mas a oportunidade de fuga estava diante deles. Apesar de não serem muito corajosos, o fato de terem cometido um sequestro mostrava que não eram covardes.

— Concordo com o Velho Wang. Na Sagrada Ordem, provavelmente seremos usados como carne de canhão. Melhor fugir logo — opinou o outro.

— Vamos logo, antes que Gan nos descubra e mate para não deixar vestígios. Aposto que ele não é nada confiável — Velho Wang olhou assustado para trás. Era aquele que há pouco perguntara a Gan, e não esquecia o olhar frio e venenoso, com uma aura de morte quase imperceptível.

Mal terminou de falar, alguém bloqueou o caminho dos três.

Vestia negro, com máscara cobrindo o rosto, ocultando os olhos, como se não quisesse ser reconhecido.

Velho Wang fitou-o cautelosamente, perguntando, ansioso:

— Irmão, quem é você?

— Depois de saber da existência da Sagrada Ordem, vocês acham que podem simplesmente ir embora? Não é fácil assim — respondeu com voz fria, encarando os três.

Os três recuaram alguns passos, olhando com desconfiança. Velho Wang falou, tentando negociar:

— Irmão, prometemos guardar segredo. Nos poupe, e seremos eternamente gratos!

O homem aproximou-se, apontando o dedo para o peito de Velho Wang e riu friamente:

— Corações humanos são insondáveis!

Ao terminar, uma força colossal despedaçou os três, espalhando restos pelo chão da cratera, destruindo a área e lançando fragmentos dos corpos.

Com expressão impassível, virou-se e murmurou:

— Só os mortos sabem guardar segredos.

Deixou o local como um espectro, a poeira levantada por seus passos pairando no ar.

Nada parecia ter acontecido ali; mesmo quem passasse só veria um trecho quebrado da trilha...

E é isso: jamais imaginariam que, enquanto discutiam se a Sagrada Ordem mataria para silenciar, o assassino apareceria diante deles.

A Sagrada Ordem jamais permitiria que os três partissem. Afinal, sua existência não podia ser revelada, e ainda havia muitos planos a serem executados em segredo.

No momento em que deixaram o grupo, seu destino estava selado; apenas a morte seria sua derradeira morada.