Capítulo Vinte e Três: O Ritual do Sacrifício!

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3362 palavras 2026-02-09 17:15:55

As luzes da noite iluminavam toda a cidade de Beihai. Naquele dia, a cidade estava excepcionalmente animada, diferente de outros dias. As pessoas nas ruas vestiam-se com trajes elegantes, exibindo suas roupas mais bonitas. Visto de cima, a cena parecia um mar de lanternas flutuando sobre a água, pois naquele dia comemorava-se um festival especial: o Festival do Meio dos Fantasmas.

O grupo dos Observadores também entrou na cidade para se juntar à festa. Apesar dos acontecimentos anteriores quase terem exposto sua identidade, em consideração à festividade, Ye Zichen concedeu-lhes uma licença.

Qi Mu despertou ao entardecer, após a aplicação do reforçador. Yan Yan permaneceu sentada à sua frente, cuidando dele. Qi Mu moveu os membros e sentiu-se repleto de uma força quase inesgotável. Um simples golpe fez surgir uma rachadura na parede do alojamento, deixando Qi Mu surpreso com as mudanças em seu corpo, tudo graças ao efeito do reforçador.

Ao testemunhar a transformação de Qi Mu, Ye Zichen sentiu-se repleto de confiança. O senhor do domínio de Grande Xia também fazia preparativos secretos, injetando o reforçador nos mais talentosos de seus soldados, e o poder do domínio crescia silenciosa e rapidamente.

Naquele momento, Qi Mu, feliz, segurava o braço de Yan Yan, como uma criança inocente. Sim, a trajetória de Qi Mu fazia todos esquecerem por um instante que ele acabara de completar dezoito anos, ainda um jovem recém-adulto que já havia perdido o pai e experimentado o limiar da morte.

Eles chegaram a uma pequena ponte, onde muitos se aglomeravam. Debruçados, tocavam levemente a água, fazendo com que pequenas embarcações de lanternas navegassem ao vento.

Qi Mu perguntou a Yan Yan, ao seu lado: “Mana, para que servem esses barcos?”

Yan Yan sorriu e explicou pacientemente: “No Festival do Meio dos Fantasmas, todos soltam lanternas nas águas para homenagear e recordar seus entes queridos que partiram.”

“Ah!”, Qi Mu exclamou, compreendendo. Tendo perdido a mãe ao nascer, foi criado apenas pelo pai, que, devido ao trabalho incessante, mal conseguia estar presente. Qi Mu compreendia o esforço do pai, e por isso, quando todos celebravam, ele permanecia sozinho em casa, esperando o tempo passar. Por isso, desconhecia essas tradições.

“Jiang, vamos para lá! Veja como está animado!”, Yuan Ze e Mu Yuran puxaram a manga de Jiang Tiancheng, arrastando-o para outro lado. Jiang Tiancheng sorriu contrariado, acenando para Qi Mu: “Vamos brincar um pouco. Se precisar de algo, chame pelo comunicador.”

“Está bem!”, Qi Mu respondeu em voz alta. E, segurando o braço de Yan Yan, caminhou devagar para o outro lado. Os irmãos percorriam a cidade, apreciando o cenário festivo. As pessoas compartilhavam saudades com seus familiares. E eles, finalmente, não eram mais órfãos, pois eram uma família!

As luzes da noite aos poucos se apagavam, mas a multidão não diminuía. Enquanto todos se divertiam, os guardas da cidade eram silenciosamente eliminados.

“Alô, 007, setor oeste limpo, setor oeste limpo”, sussurrou uma voz de um canto escuro, mantendo-se escondida.

“Recebido, daqui a quarenta minutos iniciaremos”, respondeu outra voz.

“008, entendido, 008, entendido!”

O silêncio voltou ao local. 008, oculto nas sombras, esperava pacientemente a hora marcada. Quarenta minutos pareciam uma eternidade naquela espera lenta e angustiante.

O tempo passava devagar, como um velho trôpego, lentamente, muito lentamente.

Sob o céu negro, surgiu de repente uma barreira mágica envolvendo toda a cidade de Beihai. A barreira emitia um brilho arroxeado. Um curioso aproximou-se e, ao tocá-la, foi lançado dez metros para trás, derrubando várias pessoas ao redor.

“O que está acontecendo?” O pânico espalhou-se. Tentavam fugir da barreira invisível, mas todos eram repelidos sem exceção.

No escritório da Inspetoria, Mu Hongzhi saboreava calmamente seu chá, enquanto uma música animada tocava ao lado. Mu Hongzhi acompanhava o ritmo com os dedos, desfrutando de um raro momento de tranquilidade proporcionado pelo festival. Pena que essa paz não duraria.

“Bam!” A porta foi aberta com força. Um homem entrou, transtornado: “Chefe, temos um grande problema!”

Mu Hongzhi demonstrou impaciência, mas perguntou com calma: “O que houve?”

“O céu foi tomado por uma barreira roxa, prendendo todos dentro da cidade.” O homem gesticulava, tentando explicar a situação.

“Além disso, perdemos contato com todos os nossos irmãos em patrulha...”

Mal terminou de falar, Mu Hongzhi bateu com força na mesa: “Como assim? Isso é impossível!”

O homem, apavorado, insistiu: “Chefe, é verdade!”

Mu Hongzhi franziu a testa, refletindo sobre as palavras. A barreira no céu, o sumiço dos patrulheiros — sua intuição dizia que nada era coincidência. Algo grandioso estava para acontecer.

Saiu do escritório e foi até o saguão da Inspetoria. Olhou o céu, onde uma tênue luz violeta se desenhava.

As ruas estavam tomadas pelo caos. Mu Hongzhi compreendia a gravidade do momento e rapidamente reuniu os que restavam, ordenando: “Primeiro grupo, investigue a origem dessa luz; segundo grupo, venha comigo para evacuar a população e evitar que oportunistas causem desordem; terceiro grupo, procurem nossos patrulheiros e descubram para onde foram! Entenderam?”

“Sim!”, responderam todos em uníssono.

Qi Mu e seus companheiros também souberam do ocorrido. Reuniram-se para discutir uma estratégia. Nesse momento, quatro feixes de luz branca surgiram no céu carregado e voaram para os quatro picos que circundavam Beihai. Os picos estremeceram com a chegada das luzes, e até Qi Mu e os outros sentiram o impacto.

Logo em seguida, os quatro feixes se uniram acima da cidade, formando um imenso buraco negro, que se expandia até alcançar as dimensões da própria Beihai.

Todos olhavam atônitos para o céu, curiosos sobre o que emergiria daquele abismo. Enquanto encaravam o fenômeno, Qi Mu, franzindo o cenho, perguntou a Yan Yan: “Mana, o que há de especial nesses quatro montes?”

Qi Mu percebeu que as luzes haviam ignorado outros montes da região e escolhido apenas aqueles quatro. Talvez houvesse uma ligação entre eles, uma pista para o mistério.

Yan Yan pensou por um instante e, subitamente iluminada, disse: “Esses quatro montes pertencem à maior família de mineração de Beihai — a família Han!”

Exatamente! Os quatro montes pertenciam à família Han. Os mineiros, que deveriam estar em casa, continuavam trabalhando, forçados por ordens de última hora do administrador Han. Diante de salários exorbitantes, ninguém recusou.

A violenta vibração foi sentida mais claramente por eles. O tremor do solo deixou os mineiros apreensivos, temendo o desmoronamento das minas, e todos correram para fora. A multidão se amontoava, ninguém se importava com quem era pisoteado; cada um só pensava em salvar a própria vida.

“Calma, calma! As minas estão seguras!”, gritavam os homens da família Han, mas os mineiros não escutavam, só pensavam em fugir.

Se os mineiros escapassem antes do tempo estipulado pelo jovem Han, o responsável pela obra estaria arruinado! Mas ele sequer imaginava que todos ali eram, na verdade, sacrifícios.

No buraco negro acima de Beihai, silhuetas começaram a surgir. Transportadas pelo brilho, desceram até os quatro picos, assumindo formas imponentes.

Gritavam de maneira assustadora. Suas formas lembravam, mas não eram humanas. Se Qi Mu estivesse presente, teria reconhecido imediatamente: eram Devoradores!

Sim, Devoradores! Haviam desaparecido após três aparições em Beihai, mas, agora, o estranho portal e a barreira mágica os trouxeram de volta.

Eram poucos, apenas cerca de dez em cada pico, mas nenhum humano comum poderia enfrentá-los. Dez para cada montanha, quarenta ao todo...

Eles abriram as garras e correram encosta abaixo, em direção aos mineiros! Avançavam em quatro patas, velozes como o vento, deixando atrás de si apenas uma nuvem de poeira.

Os mineiros, que acabavam de sair, achavam-se salvos, mas, sem tempo para respirar, ouviram uma respiração pesada atrás de si. Um deles virou-se, apenas para ser engolido de uma só vez pelo Devorador, que abocanhou metade do corpo. Em um segundo, o monstro fechou a boca, separando torso e pernas do homem; o sangue jorrou por todo lado.

“Ahhh!” O pânico tomou conta da multidão. O cheiro de sangue pareceu excitar ainda mais os Devoradores, que caçavam suas presas escolhidas.

As garras rasgavam a pele dos mineiros, os Devoradores bebiam o sangue e devoravam os corpos, indiferentes aos gritos de dor e desespero.

Os que ainda estavam dentro da mina não sabiam do horror lá fora. Tentavam escalar para a superfície, sem imaginar que, além da catástrofe que escapavam, algo ainda mais aterrador os esperava.

A cena sangrenta e cruel se repetia nos quatro montes. Os mineiros, como pintinhos frágeis, saíam das minas apenas para serem entregues ao ventre dos Devoradores.

A luz do sangue iluminou aquele pedaço de mundo!