Capítulo Quarenta e Um: A Decisão de Ouyang Kangsheng!

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3460 palavras 2026-02-09 17:17:47

Ali erguia-se uma escarpa íngreme. Skai conduziu Han Mo até ali; olhando para o abismo à sua frente, Han Mo perguntou, confuso:
— Comandante Skai, este lugar é...?
Skai apenas sorriu com desdém:
— Aqui está localizada a filial da Sagrada Ordem no domínio de Daxia.
— Mas… isto é um precipício! Onde construiria uma filial aqui?
Han Mo arregalou os olhos, surpreso.
— Vocês, meros insetos, não compreendem o poder de nossa Ordem. Observe com atenção!
Skai respondeu com desprezo. Na palma da mão, concentrou uma luz púrpura-escura que, como um raio, disparou em velocidade invisível para as profundezas das nuvens.
O rochedo começou a tremer violentamente. Han Mo manteve-se firme, segurando-se à manga de Skai.
Uma estrutura colossal começou a emergir de sob o abismo; Han Mo, diante do palácio surgido repentinamente, exclamou incrédulo:
— A Sagrada Ordem é realmente extraordinária!
— Hmph! Se com esse pequeno truque já ficas tão espantado, é sinal de ignorância!
Skai falou com desdém e entrou no palácio.
— Comandante Skai, espere por mim!
Han Mo gritou apressado, correndo atrás dele para o interior da imensa e sombria construção.
Instantes depois, o colosso afundou lentamente, ocultando-se nas nuvens, como se nada tivesse acontecido...

Na Cidade Celeste de Daxia, no interior do palácio do Senhor do Domínio, Ouyang Kangsheng exalou alívio ao ver os visitantes partirem. Enfim resolvera o problema dos que vieram com más intenções para exigir explicações.
Ouyang Kangsheng contemplou o povo que vivia em harmonia do lado de fora do palácio e, tomado por uma súbita hesitação, murmurou:
— Este domínio de Daxia, cercado de perigos internos e externos, terá ainda salvação?
Com as mãos cruzadas nas costas, caminhou lentamente para o interior.
Uma sombra surgiu ao lado; alguém falou em tom calmo:
— Recebemos notícias de que o Palácio dos Deuses já enviou um inspetor para investigar o ocorrido em Beihai.
— Ah… O inevitável sempre chega. — suspirou Ouyang Kangsheng. — Quem foi designado como inspetor?
— He Zhilián!
Ouyang Kangsheng, ao ouvir o nome, esboçou apenas um sorriso amargo e murmurou:
— Espero que ainda haja tempo.
— Senhor, está preocupado com algo? — perguntou o outro, sem compreender.
— He Zhilián... Não o subestime. Sua vinda ao nosso domínio não trará bênçãos, mas desgraça!
O homem percebeu a expressão carregada de Ouyang Kangsheng; era a primeira vez que via o Senhor do Domínio avaliar alguém com tamanho temor.
— He Zhilián desvendou o brutal assassinato do filho do Senhor do Domínio de Da Huai e, a partir de indícios mínimos, localizou a base do Pavilhão Linglong, enfraquecendo-o gravemente. Esse homem não pode ser subestimado.

O outro ouviu as façanhas de He Zhilián e ficou igualmente chocado. O caso de Da Huai era conhecido: o Senhor do Domínio fechou toda a capital, e após dezessete dias de buscas nada encontraram. Desesperado, pediu ajuda ao Palácio dos Deuses. Porém, em apenas três dias, He Zhilián encontrou o assassino do filho do Senhor do Domínio — um feito estarrecedor!
Dizem ainda que He Zhilián é de difícil trato, de ação implacável: basta uma pista e ele irá até o fim, até desvendar toda a verdade.
Os Espiões deixaram muitos rastros em Beihai, mas agora que a cidade inteira desapareceu, junto com seus habitantes, talvez nem mesmo He Zhilián encontre vestígios.
Pensando nisso, Ouyang Kangsheng sentiu-se um pouco aliviado e perguntou ao companheiro:
— Há pistas sobre Beihai?
O homem hesitou, então respondeu:
— Encontramos os corpos dos guardas nas imediações da cidade.
— Nenhum sobrevivente? — Ouyang Kangsheng franziu levemente a testa.
— Nenhum. E encontrei traços de energia demoníaca em um dos corpos!
— É mesmo? — Desta vez, Ouyang Kangsheng não conseguiu manter a calma. — Energia demoníaca? Tem certeza?
— Não apenas nesse homem. Foram encontrados muitos corpos ao redor da cidade e nas quatro montanhas vizinhas, todos com sinais dessa energia. A origem de tudo isso, ao que me parece, é complexa.
Ouyang Kangsheng tomou um gole de chá e suspirou:
— Energia demoníaca... Então isso está prestes a se revelar ao mundo.
— Senhor, mais cedo ou mais tarde a energia demoníaca enfrentará o mundo. Além disso, o senhor já conseguiu o fortificante: até pessoas comuns poderão dominá-la. Isso não é bom para Daxia? — o homem falou com serenidade.
— Hehe. O fortificante, cedo ou tarde, chegará ao conhecimento do Palácio dos Deuses. Quando esse dia chegar, virão me prender, me forçarão a revelar a fórmula, ou talvez venham me suplicar humildemente. — Ouyang Kangsheng respondeu em tom grave.
Lançou um olhar ao homem e sussurrou:
— Você sabe bem, optar pela segunda alternativa não é da natureza do Palácio dos Deuses.
Ambos sorriram, compreendendo que, quando o Palácio souber que Daxia detém a fórmula do fortificante, só restarão dois caminhos: entregar voluntariamente ou ser eliminado do mapa humano.
Esse dia se aproximava. Quando chegar, Ouyang Kangsheng só poderá entregar a fórmula, restando apenas torcer para que até lá Daxia consiga formar um grupo que domine a energia demoníaca.

— E quanto a Ye Zichen e os outros? — lembrou Ouyang Kangsheng, referindo-se à evacuação dos Espiões.
— O Dragão-Luz 12 está ajudando na migração; a maioria já foi transferida para perto da Cidade Diurna e eliminaram os rastros.
Ouyang Kangsheng sentiu-se aliviado.
— Quantos sabem do plano de migração?
— Apenas o Dragão-Luz e alguns senhores, conforme suas ordens.
— E os encarregados da mudança?
O homem hesitou:
— Contratamos alguns civis para transportar os pertences da base dos Espiões. Sabe como é, se fossem soldados, logo chamaria atenção.

A movimentação dos guardas seria notada facilmente e, se He Zhilián investigasse, traria problemas. Por isso, usaram civis para transportar os bens, evitando envolvimento de funcionários oficiais.
Ouyang Kangsheng ficou pensativo, pegou o chá e despejou lentamente o conteúdo no chão, ouvindo o som das gotas:
— Elimine todos esses civis. Sem deixar vestígios!
O homem olhou, incrédulo, para Ouyang Kangsheng.
— Senhor, são apenas civis. Tem certeza?
Ouyang Kangsheng sorriu friamente, olhando-o nos olhos, como um demônio do inferno:
— Amoleceu?
— Não. Mas eles nada sabem. Não seria necessário matá-los... — hesitou o homem; apesar de já ter matado muitos, nunca tirara a vida de inocentes.
Ouyang Kangsheng o encarou e disse lentamente:
— Mate-os! Só mortos garantem silêncio absoluto!
O homem suspirou e respondeu:
— Providenciarei isso.
— Muito bem. — Ouyang Kangsheng assentiu, serviu-se de mais chá e o degustou em silêncio.

Na Cidade Diurna, Liu Tai trouxe cadeiras para os dois visitantes, sentou-se à frente deles e, esfregando as mãos ansioso, perguntou:
— Como saíram de lá? O que aconteceu em Beihai? Por que a cidade desapareceu?
Três perguntas seguidas. Qi Mu ficou surpreso, então respondeu:
— Diretor Liu, só preciso que me ajude a contatar o Senhor do Domínio de Daxia. Quanto ao ocorrido em Beihai, só posso relatar a ele!
Liu Tai, insatisfeito, exclamou irritado:
— Acham que qualquer um pode ver o Senhor do Domínio?
A resposta dos dois não lhe agradou. Se os deixasse encontrar-se diretamente com o Senhor, ele perderia toda a importância. Apesar de poder fazer o contato, não podia permitir isso!
Qi Mu estranhou a súbita mudança de humor de Liu Tai, que pouco antes sorria.
— Diretor Liu, certos assuntos não posso revelar. Apenas ao Senhor do Domínio. E o tempo urge, por favor, ajude-nos a contatá-lo! — pediu Qi Mu, aflito. Se Liu Tai continuasse a protelar, o responsável pelo ocorrido já teria fugido, e talvez ainda encontrassem alguma pista.
Além disso, apenas a organização dos Espiões e o alto escalão de Daxia sabiam sobre os Devoradores; Qi Mu jamais contaria a Liu Tai que centenas de Devoradores tomaram Beihai, exterminando a cidade, e em seguida tudo foi coberto por uma barreira misteriosa. Quem acreditaria nisso?
Talvez Liu Tai pensasse em prendê-los, o que só atrasaria ainda mais a investigação!
Liu Tai franziu profundamente a testa. Segundo Xiao Zhang, esses dois haviam caído do céu e matado alguém ao aterrissar. Mas, ao observá-los, percebeu que, apesar de sujos, não tinham ferimentos. Como alguém cairia de tão alto e sairia ileso? Era de se espantar.
Além disso, pelas palavras de Qi Mu, o recado era claro: você não tem o direito de saber!
Liu Tai os encarou com olhar cortante, ainda indeciso, quando a porta foi arremessada violentamente...