Capítulo Vinte e Sete: Uma Pessoa Familiar
Depois de garantir que a criança estava em segurança, Qi Mu o advertiu várias vezes para não fazer barulho e, caso ouvisse algum movimento do lado de fora, deveria escutar cuidadosamente para ver se a pessoa dizia a senha.
A senha que Qi Mu lhe deu foi: “O rei cobre o tigre, você é o número duzentos e cinquenta!” Simples e fácil de lembrar. Qi Mu tinha certeza de que o garoto não esqueceria, e seguiu tranquilamente para o local da explosão. Aquele lugar atraía muitos Devoradores, e certamente Yan Yan e os outros também iriam até lá, o que seria perfeito para o reencontro do grupo.
Qi Mu avançava como um morcego na noite, veloz em direção ao local.
Nesse momento, sobre um pico fora da Cidade do Mar do Norte, uma figura trajando preto estava ajoelhada, com a mão sobre o ombro, reverenciando o homem à sua frente: “Líder, o plano foi um sucesso completo. A Santa Ordem liberou quarenta Devoradores, e esse número ainda vai aumentar. A Cidade do Mar do Norte já foi devastada. Acredito que antes do amanhecer, ela será uma verdadeira cidade morta!”
O homem à sua frente ouviu as palavras e respondeu com frieza: “Já descobriram a origem daquela equipe?”
“Bem...” O subordinado hesitou: “Só conseguimos identificar que pertencem ao Primeiro Departamento de Inspeção da Secretaria de Vigilância. Quanto ao resto, não conseguimos descobrir nada...”
“Ah? Nada? Nem a Santa Ordem conseguiu investigar mais fundo? Interessante, muito interessante! Ha ha ha!” O homem sorriu de canto, abriu as mãos e riu alto.
O subordinado manteve a cabeça baixa em reverência, temendo encarar o rosto do chefe. “Há mais algo que o líder deseje ordenar?”
“Não, pode sair. Se tiver oportunidade, elimine aquela equipe. Não importa quem sejam, todos devem morrer!” O sorriso do homem se transformou em uma expressão venenosa e imprevisível, como se seus humores já fossem gravados em seus ossos.
“Sim!”
Dentro da Cidade do Mar do Norte, Yan Yan e os outros, seguindo o método de imitação, já haviam eliminado alguns Devoradores isolados. Contudo, um acidente ocorreu!
Uma das criaturas escapou do controle de Jiang Tiancheng. Quando Yan Yan cravou a lâmina na cabeça do Devorador, ele lutou com força e o golpe atingiu o braço de Jiang Tiancheng. O sangue escorreu para a boca do monstro, que então murmurou algo, sua força de resistência aumentou de repente. Por sorte, Yan Yan rapidamente decapitou a criatura.
Jiang Tiancheng só conseguia lembrar vagamente do Devorador gritando: “Kukuyaqi... alguma coisa.”
Mas isso não era relevante. Afinal, não havia pistas sobre a decifração das inscrições, então não importava o idioma que o Devorador falava, ninguém entendia mesmo. Deixaram pra lá.
Após o trabalho em equipe, os três já haviam eliminado sete Devoradores. Apesar do cansaço físico, o resultado era animador. Yan Yan sabia, porém, que era hora de descansar.
Ela acenou: “Vamos descansar um pouco. Se estivermos exaustos e encontrarmos outro Devorador, será um problema.”
Jiang Tiancheng e Mu Yuran concordaram, sentando-se desleixadamente entre os escombros, deitando-se e olhando para o céu noturno.
O buraco negro sobre a Cidade do Mar do Norte permanecia inalterado, mas a cor do campo de energia ficava cada vez mais intensa, não se sabia se era impressão deles ou uma mudança real.
Sentiam a respiração cada vez mais difícil, como se faltasse oxigênio.
Mas atribuíram isso ao cansaço e à excitação, sem dar importância.
Fora da cidade, os soldados da Guarda estavam a cerca de mil metros. Quando se preparavam para avançar, um ataque repentino os pegou desprevenidos.
A vanguarda caiu toda numa emboscada. Os veículos despencaram em fossos cheios de estacas, atravessando as pessoas e, em alguns casos, explodindo seus cérebros. A cena era de um horror absoluto!
“Ataque inimigo!” Um grito ecoou, e os guardas se prepararam para o combate.
“Matem!” De repente, vários homens vestidos de preto emergiram da floresta, brandindo espadas contra os soldados.
A Guarda era equipada com materiais de primeira, embora apenas os Dragões tivessem armas de fogo, mas a qualidade dos equipamentos era evidente.
A Guarda era dividida em quatro unidades: vanguarda, Dragões, Celestiais e Humanos.
Os Dragões eram limitados a quinhentos, todos bem equipados e habilidosos. Os Celestiais, cinco mil, protegiam o Líder Dragão. Os Humanos, cinquenta mil, responsáveis por avançar e combater, servindo também de bucha de canhão.
Cada Guarda tinha um número de identificação; o da Cidade do Mar do Norte era 12138.
Eles mantinham o posicionamento conforme o treinamento, sem pânico, apesar das baixas na vanguarda.
Os Celestiais protegiam o Líder Dragão no centro. Os Dragões avançavam junto aos Humanos, enfrentando dezenas ou centenas de inimigos cada um.
Espadas e tiros soavam em meio ao combate. O sangue tingia a terra.
“Relatório!”
“Mil e quarenta e cinco Humanos mortos, dezesseis Celestiais mortos, um Dragão gravemente ferido, sem outros registros de baixas!”
O Líder Dragão, ao ouvir, animou-se e bradou: “Soldados, avancem!”
“Sim!” A resposta ecoou ensurdecedora.
Nesse instante, uma figura saltou da floresta em direção ao Líder Dragão.
Como diz o ditado: para capturar o ladrão, capture o chefe. O inimigo queria primeiro derrubar o Líder Dragão e, assim, derrotar o moral das tropas.
O som da batalha e dos tiros reverberava por todo o campo.
A cem metros dali, duas figuras observavam a cena, conversando despreocupadamente: “Quem você acha que vai vencer?”
“Hm?” O outro não esperava aquela pergunta.
“Se nós não interferirmos, acha que a Guarda venceria?”
“Ha ha, é claro. Mas digo, se ficarmos de fora, qual a chance dos enviados da Santa Ordem vencerem?” O homem jogou o cigarro ao chão, pisou e sorriu com desprezo.
“Desta vez são em maioria membros externos, e menos de cinquenta realmente treinados pela Santa Ordem.”
“Considerando nós dois, só três viveram desde pequenos na Santa Ordem. Acha que as chances são grandes?” O outro contou nos dedos.
“O exército da Região de Daxia é bem fraco, muito inferior às outras regiões. Acho que há grandes chances.” O homem concordou: “Você está certo. Daxia tem enfraquecido nos últimos anos, quase perdendo até o território do Palácio dos Deuses.”
“Sim, logo só restarão vinte e três regiões. Talvez, após esse ataque, Daxia seja oficialmente extinta!”
O fenômeno no céu era tão impactante que até cidades vizinhas o enxergavam de longe. Tentaram contato via comunicador, mas não obtiveram resposta.
Reportaram à Cidade do Meio-dia, que decidiria se enviaria mais tropas para investigar.
Na Secretaria de Vigilância da Cidade do Meio-dia, Liu Tai estava semideitado na cadeira, abraçando uma mulher de pele clara e rosto bonito. Ela o envolvia, sorrindo e beijando-o.
Tum, tum, tum.
A batida na porta fez o visitante recuar ao ver a cena. Liu Tai pediu que a mulher se afastasse, arrumou a roupa e disse, com voz firme: “Entre.”
“Chefe Liu, cidades próximas à Cidade do Mar do Norte enviaram mensagens. Há um fenômeno no céu e não conseguem contato com ninguém da cidade!”
Ao ouvir, Liu Tai franziu levemente a testa, recordando que aquela era a cidade onde surgira o caso do reforço. Não esperava que mais problemas surgissem tão rápido; certamente havia algo oculto ali.
Liu Tai perguntou: “A informação é confiável?”
“Confirmamos, e nosso comunicador público não detecta sinais da cidade!”
“Certo, envie um terço das tropas de cada cidade próxima para investigar. Se houver perigo, permito que tragam os corpos até mim!”
“Sim!”
Qi Mu seguia rumo ao Sul, procurando por Yan Yan e os outros, mas sem sucesso.
Na Cidade do Mar do Norte, só se via cadáveres espalhados. Mesmo Qi Mu, com sua força mental, sentiu repulsa e vontade de vomitar.
Esses Devoradores eram cruéis demais! Por onde passavam, destruíam tudo, sem deixar sobreviventes. Foi então que uma figura saiu lentamente de trás de um muro: vestia um sobretudo verde-escuro, chapéu preto redondo e óculos escuros.
Caminhou com passos pesados até Qi Mu, estendendo a mão: “Olá, senhor Qi.”
“Quem é você?” Qi Mu ficou extremamente alerta, mas fingiu calma.
A pessoa que sobrevivia entre tantos Devoradores certamente não era comum; era preciso cautela.
“Oh, não somos velhos conhecidos? Você esqueceu? Nos vimos na Secretaria de Vigilância.” O homem ficou surpreso, mas sorriu.
Secretaria de Vigilância... Qi Mu buscou rapidamente na memória, mas não conseguiu encontrar. Sorriu constrangido: “Senhor, deve estar enganado. Esta deve ser nossa primeira vez juntos.”
“Ha ha!” O homem riu, se aproximou, e deu um tapinha no ombro de Qi Mu.
Qi Mu ficou atento, mas o homem apenas tocou seu ombro e caminhou para trás.
Ele falou calmamente: “Senhor Qi, lembra do caso dos reforços? Quando o chefe enviou vocês para investigar, quem procuraram na Secretaria de Vigilância?”
Qi Mu pensou, recordando os acontecimentos, e de repente abriu a boca em espanto: “Você é...!”
O homem assentiu satisfeito, voltou-se para Qi Mu, tirou os óculos e lhe deu um sorriso...