Capítulo Noventa e Três - Eliminar Testemunhas

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3588 palavras 2026-02-09 17:22:47

No momento em que Qi Mu parou, os membros do Dragão da Lâmpada olharam para ele, intrigados.

— Por que parou de repente?

— Você não ia levar Ouyang Zé embora? Se demorar mais, talvez ele já esteja morto — disse em tom sombrio o número vinte e três do Dragão da Lâmpada.

Qi Mu franziu o cenho, virou-se para os outros e disse:

— Vocês não sentem que há alguém por perto?

— Hã? — Ao ouvirem isso, eles se concentraram por um instante, mas logo responderam em uníssono:

— Ninguém.

— Não há ninguém nos arredores, nós não sentimos nada. Por acaso você consegue perceber algo? — perguntou o número vinte e três, sorrindo.

Ele achava que Qi Mu talvez estivesse apenas paranoico, resultado do tempo que passou na seita, vivendo sob constante perigo.

— Não, há alguém nos vigiando! — Qi Mu respondeu com convicção.

Ele confiava em Mestre Ye, que não teria razão para mentir...

Os outros se entreolharam, surpresos. Estaria esse rapaz dizendo a verdade?

Mais uma vez tentaram sentir as ondas de energia ao redor e, ao nada perceberem, voltaram-se para Qi Mu:

— Talvez você precise descansar. O excesso de pressão pode causar alucinações.

Era óbvio que pensavam que Qi Mu estava exausto e, por isso, tendo visões.

Afinal, eles realmente não sentiam a presença de ninguém nas redondezas.

De repente, Qi Mu inclinou a cabeça, o olhar fixo em uma direção — exatamente onde Wang Ping estava escondido.

Os demais acompanharam seu movimento e, de súbito, arregalaram os olhos, pois viram uma pessoa!

Trocaram olhares aflitos.

— Estamos perdidos!

No instante seguinte, um vento súbito varreu o local e, como um vulto, o número vinte e três desapareceu do lado de Qi Mu.

Qi Mu suspirou, ligeiramente emocionado:

— Como é bom ter capangas, nem preciso sujar as mãos.

Quando Wang Ping viu o olhar frio de Qi Mu e percebeu que ele o localizara, confiou em sua própria habilidade de manter distância e não fugiu.

No íntimo, tentava se tranquilizar:

— É só coincidência! Não pode ser que ele tenha me descoberto...

No instante seguinte, um baque ensurdecedor ecoou. O número vinte e três do Dragão da Lâmpada apertava friamente o pescoço de Wang Ping, sem qualquer emoção nos olhos.

— Fale, quem é você?

Seu punho direito apertava, e era possível ouvir o estalar dos ossos de Wang Ping.

Apesar de parecer fácil, na verdade ele aproveitou um momento de distração e o elemento surpresa.

Em um relance, canalizou o poder do vento para abafar o som, teleportando-se à sua frente.

O número vinte e três do Dragão da Lâmpada estava no auge do domínio do vento, prestes a alcançar o domínio da madeira; era apenas questão de tempo.

Já Wang Ping estava apenas no estágio avançado do domínio do fogo, e embora tivesse poder, não sabia como usá-lo.

Wang Ping e outros como ele eram membros externos da seita, diferentes daquele grupo que atacou a Cidade do Mar do Norte.

A seita tinha milhões de seguidores, mas poucos eram realmente internos.

Mesmo entre os internos, havia distinção entre membros centrais e externos.

Aqueles como Wang Ping, infiltrados em territórios inimigos, eram externos.

Já Ouyang Qian e Ouyang Zé, por exemplo, eram membros centrais, não só pelo poder, mas porque cresceram na seita desde crianças.

Aos olhos da seita, lealdade e obediência eram tudo.

Por isso, os principais membros das filiais ou da sede eram de confiança absoluta — poderosos, fiéis e obedientes.

Os outros, como Wang Ping e Rosas, só chegaram a esse nível graças a drogas especiais.

Jamais poderiam superar esse estágio, embora acreditassem que sim — era uma ilusão, uma promessa vã.

Por isso, quando se confrontaram, Wang Ping não teve chance; talvez nem contra Qi Mu pudesse vencer.

— Eu... — Wang Ping balbuciou, sangue escorrendo dos lábios e tingindo sua roupa como uma rosa desabrochando, sombria e assustadora.

— Como vocês me encontraram? — perguntou, surpreso, sem entender como havia sido descoberto, já que estava fora do alcance de percepção deles.

De repente, lembrou-se do olhar de Qi Mu e tudo fez sentido.

— Hahahahaha... — riu, de modo perturbador, com os lábios ensanguentados.

— Chega de conversa. Quem é você? Se não responder, morrerá! — o número vinte e três disse friamente.

Ele já não era mais o mesmo de antes. Com Qi Mu, tinham sido pacientes, dada a importância que ele tinha para o senhor do território.

Mas, com inimigos, eram impiedosos.

Afinal, eram o segredo mais bem guardado do Domínio do Grande Verão. Embora não tivessem aparecido nos registros do Palácio dos Deuses, ainda cumpriam missões secretas, como assassinar líderes ou figuras importantes de outros territórios.

Nos últimos anos, as disputas internas entre domínios eram intensas, e mortes de figuras poderosas eram comuns.

Na verdade, a morte de um senhor de domínio não chamava atenção do Palácio dos Deuses, mas a morte de vários, sim, e isso poderia desencadear uma tempestade de sangue.

Por isso, até então haviam eliminado apenas nobres, sem tocar nos senhores de domínio.

Esses nobres eram descendentes de linhagens antigas, e, embora agora os senhores de domínio fossem eleitos pelo povo, o processo era pouco transparente...

O Palácio dos Deuses não se importava, só exigia subordinação, não importando quem estivesse no cargo.

Wang Ping ria loucamente, zombando de sua própria arrogância e dos que estavam à sua frente.

— Vocês nunca saberão! Um dia, dominaremos toda a humanidade! — sua risada insana ecoou nos ouvidos dos presentes.

O número vinte e três do Dragão da Lâmpada sorriu sedento por sangue e quebrou o pescoço de Wang Ping.

Num instante, o sangue jorrou como um rio. A cabeça de Wang Ping foi arrancada e segurada pelo agressor, enquanto o corpo tombava sem vida ao chão.

— Quem planta, colhe! — murmurou.

Quando Qi Mu chegou ao local, Wang Ping já estava morto; tudo o que viu foi uma poça de sangue e uma cabeça com um sorriso macabro.

A cena era de arrepiar, mesmo para alguém acostumado aos horrores da guerra.

— Maldição, foi rápido demais... — murmurou.

O número vinte e três limpou o sangue das mãos e respondeu, indiferente:

— Com inimigos, é preciso ser rápido, preciso e impiedoso!

— Se hesitar, só acabará se machucando.

— Pelas informações que você deu, esse homem era da seita. Está no estágio avançado do domínio do fogo. Em todo o Domínio do Grande Verão, só a seita teria alguém assim...

Qi Mu estava confuso. Não entendia por que a seita o vigiava. Seria desconfiança?

Mas, se suspeitassem dele, por que Ouyang Qian o nomearia Guardião da Mão Direita? Por que o encarregaria de salvar seu irmão?

Nada disso fazia sentido para Qi Mu.

O número vinte e três o encarou e disse, lentamente:

— Parece que alguém na seita já começou a desconfiar de você. Será que seu status entre os líderes é mesmo tão seguro?

— ...

Qi Mu ficou em silêncio diante do olhar desconfiado.

— Ainda não terminou. Há mais três ratos, a dois mil metros, a noroeste — a voz de Mestre Ye ressoou novamente em sua mente.

Qi Mu se surpreendeu e avisou os outros:

— Atenção, ainda há mais gente, dois mil metros a noroeste.

Repetiu exatamente as palavras de Mestre Ye.

O número vinte e três franziu a testa, mas não duvidou de Qi Mu.

Afinal, Wang Ping era prova suficiente: nenhum deles sentira sua presença, só Qi Mu.

Agora, ouvir tal informação já nem parecia tão estranho.

Mas dois mil metros...

Engoliram em seco.

Se Qi Mu estivesse certo, conseguir perceber alguém a dois mil metros era assustador!

Só tinham visto tal capacidade entre os mais poderosos do Dragão da Lâmpada, e Qi Mu ainda estava apenas no domínio do fogo...

— Vamos, não podemos deixar que esses informantes revelem sua identidade, ou todo o plano terá sido em vão — disse o número vinte e três.

No instante seguinte, mais um vento forte soprou no rosto de Qi Mu, e o grupo desapareceu, deixando apenas folhas caídas e relva amassada.

Mais uma vez...

Qi Mu já estava acostumado. Ele só conseguia voar temporariamente, a vinte metros por segundo, limitado ao domínio do fogo.

Já aqueles do Dragão da Lâmpada...

Dominavam o vento e se moviam com ele. E, ao alcançar o domínio da madeira, deixariam de ser humanos, tornando-se verdadeiros monstros!

Nesse estágio, sua velocidade e poder destrutivo seriam aterradores.

Quando Qi Mu chegou ao ponto indicado, os membros do Dragão da Lâmpada já haviam matado dois dos inimigos, e o número vinte e três, segurando o último como se fosse um pintinho, jogou-o aos pés de Qi Mu.

O peito do homem estava afundado, o sangue tingindo todo o corpo. Ele fitou Qi Mu com um sorriso sarcástico:

— Quem diria, Guardião da Mão Direita, que você está aliado ao Domínio do Grande Verão...

— Tenho certeza de que o Mestre de Ouyang ficará muito surpreso! — murmurou, zombeteiro.