Capítulo Setenta: Sem Retiro Possível

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3476 palavras 2026-02-09 17:19:45

Assim que as palavras de Qi Mu ecoaram, seu corpo inteiro disparou em direção ao Pesadelo como um míssil, o calor gerado pelo atrito com o ar envolvendo-o por completo.

Bum!

Ressoou um estrondo colossal; o Pesadelo conjurou uma bola de fogo para deter o avanço de Qi Mu, e a onda de choque do choque entre as duas massas flamejantes pulverizou toda a igreja.

— Hmph, como você é capaz de empunhar o poder do Devorador? — Qi Mu, de pé sobre os escombros, limpou a poeira do rosto.

— Esqueceu que somos Pesadelos, criaturas de nível superior ao Devorador? Nossos poderes estão além de qualquer imaginação humana.

— O tempo está quase acabando. Nossos companheiros despertarão cada vez mais rápido. No dia em que retornarem, será o fim da humanidade! — O Pesadelo ria descontroladamente, cada palavra impregnada de desprezo por Qi Mu.

— Então você também não verá esse dia! — berrou Qi Mu, cujos braços se transformaram em lâminas flamejantes, golpeando o Pesadelo.

A figura do Pesadelo saltava incessantemente, esquivando-se dos ataques cerrados de Qi Mu. Lâminas de energia mágica desabavam sobre o chão, levantando uma nuvem de poeira que engoliu os dois.

— Por que foge? Venha enfrentar-me de frente se for capaz! Essa covardia é o estilo dos Pesadelos? São todos uns ratos escondidos! — Qi Mu cuspiu no chão, fitando o rosto do inimigo.

— Quem disse que não lutarei com você? Só estou esperando o momento certo — respondeu a criatura, com a face disforme, numa voz arrastada.

Nesse instante, Qi Mu sentiu alguém se aproximando por trás e, num rolamento, desviou-se, identificando o atacante no ar.

Jiang Tiancheng e os outros estavam envoltos numa névoa negra; pareciam marionetes do Pesadelo, atacando Qi Mu de forma insana.

Embora fossem apenas humanos comuns, por ora conseguiam dispersar a atenção de Qi Mu.

O Pesadelo, aproveitando o momento de distração, lançou um tentáculo de seu umbigo, trespassando o ombro de Qi Mu.

O som úmido e cruel do tentáculo rasgando carne ressoou. Em segundos, Qi Mu estava envolto pela criatura, e as ventosas sugavam lentamente sua energia vital através da pele.

— Aargh! — Uma dor lancinante percorreu-lhe o corpo, levando-o a urrar de sofrimento.

— Não era isso que queria? Veja só sua expressão de desespero, é patética! — zombou o Pesadelo.

Qi Mu, porém, não respondeu à provocação; um sorriso frio surgiu-lhe nos lábios.

No instante seguinte, uma onda de energia explodiu de seu corpo, despedaçando os tentáculos e, com um golpe veloz, reduziu-os a pó!

— Isso é impossível! Eu o imobilizei, e com sua força jamais se livraria dos meus tentáculos! — O Pesadelo empalideceu, chocado. Achava que aquele humano já estava à mercê, mas surpreendeu-se ao vê-lo escapar.

— Sinto muito, mas graças ao seu estímulo, acabei de dominar plenamente o poder da magia e, finalmente, compreendi meu verdadeiro estágio!

— Domínio do Fogo!

Sim, esse nome surgiu na mente de Qi Mu ao romper suas amarras, e ele finalmente entendeu como canalizar sua energia mágica.

— Veja se aguenta esse golpe! — Qi Mu bradou.

No céu escuro, vórtices de fogo começaram a surgir, condensando-se em gigantescas bolas ígneas, cujo calor fazia o ar vibrar.

Controlando os inúmeros globos flamejantes, Qi Mu os lançou violentamente contra o Pesadelo.

A luz do fogo iluminou toda a igreja. Jiang Tiancheng e os outros não suportaram o calor e, antes mesmo de serem atingidos, reduziram-se a cinzas, esvaindo-se no ar.

KABUM!

A energia liberada pelos impactos dos globos incinerou todos os edifícios ao redor. Na planície agora desolada, restavam apenas Qi Mu e o Pesadelo, encarando-se à distância.

O corpo do Pesadelo exibia múltiplos ferimentos, e sua enorme boca no umbigo fora queimada; restava-lhe apenas metade do corpo, flutuando, numa aparência miserável.

Qi Mu também não estava bem; aquele ataque consumira quase toda sua energia mágica. Caiu de joelhos, pressionando o ombro ferido.

— E então, que tal minha ofensiva flamejante? — zombou, ofegante.

— Moleque, subestimei você… Mas vocês, humanos, estão condenados! Não terão mais tempo algum! — O Pesadelo ainda tentava manter a arrogância.

Com esforço, Qi Mu se ergueu, caminhou até o inimigo e desferiu um golpe que pulverizou-lhe a cabeça, espalhando um jorro de sangue negro e viscoso por sua roupa.

— Pronto. Finalmente acabou. — Qi Mu soltou um longo suspiro.

No instante seguinte, tudo girou ao redor; Qi Mu abriu os olhos no mundo real, em pé no salão sombrio, diante do Pesadelo, que explodia em luz.

Como se algo rasgasse seu corpo de dentro para fora, o Pesadelo se dissipou em fumaça negra, flutuando para um destino desconhecido.

Qi Mu virou-se e abraçou Yan Yan.

— Mana, consegui!

Lágrimas escorriam pelos olhos de Yan Yan, molhando o ombro do irmão.

— Qi Mu, ainda não estamos a salvo…

Ao ouvir isso, Qi Mu se deu conta: eliminara apenas um Pesadelo. Voltou o olhar para o outro lado do salão.

Os outros Pesadelos haviam formado um cerco, empurrando os humanos sobreviventes para um canto. Qualquer tentativa de resistência os tornava alvo imediato, e agora restavam apenas pouco mais de uma dezena de pessoas.

Xiong Batian protegia o grupo, rugindo:

— Que monstros são esses?

— Chefe, talvez se corrermos separados tenhamos mais chance de sobreviver… — sugeriu um deles, tremendo de medo.

Mal terminou de falar, tentou fugir pelo flanco, buscando romper o cerco.

Mas, para os Pesadelos, seus movimentos eram lentos demais. Um deles o cortou ao meio com um só golpe, e em instantes devoraram-lhe o corpo, sem deixar vestígios.

Os demais estavam paralisados de terror; tantos morrendo diante de seus olhos, seu psicológico já em frangalhos, recuaram aos tropeços para junto da parede.

Foi então que Xiong Batian avistou Qi Mu e Yan Yan, observando de longe.

Mesmo exausto após matar um Pesadelo, Qi Mu não tinha a menor intenção de salvar Xiong Batian e os outros. Subiu ao assento elevado do salão e, confortavelmente, assistia à fuga do grupo, até mesmo aplaudindo.

Essa atitude inflamou a raiva e o desespero de Xiong Batian:

— Ei! Venha nos ajudar! Vai ficar aí só assistindo?

Os outros, ao perceberem Qi Mu sentado ali, também se revoltaram:

— Isso mesmo, vai nos deixar morrer?

— Somos todos irmãos da Fortaleza, não vai ajudar?

Mas Qi Mu ignorou-os completamente.

Ele não sabia o que aconteceria se salvasse aquele grupo; todos eram gananciosos e não temiam nem mesmo o inspetor, provavelmente criminosos perigosos.

No fim, poderiam até prejudicá-lo! Além disso, Qi Mu estava esgotado após enfrentar o Pesadelo e aproveitava o momento para recuperar suas forças.

Vendo a indiferença de Qi Mu, Xiong Batian xingou mentalmente e se voltou para os sobreviventes:

— Vocês vão deixar aquele moleque fazer o que quiser?

— Não! — responderam em uníssono, oscilando entre raiva e medo.

— Então vamos arrastá-lo conosco! Se formos morrer, ele vai junto! — rosnou Xiong Batian.

Não deixaria Qi Mu de fora daquela tragédia; se fosse morrer, que levasse alguém junto. Se não pudesse escapar, ninguém mais escaparia!

Um ódio intenso se apoderou de Xiong Batian, quase palpável, atraindo os olhares famintos dos Pesadelos ao redor.

Para eles, alguém assim era uma iguaria rara.

Na verdade, com seu poder, os Pesadelos podiam facilmente exterminar aqueles humanos indefesos, mas preferiam saborear a caçada, dilacerando suas presas lentamente, embriagados pelo prazer do massacre.

Qi Mu, alheio à movimentação, concentrava-se na recuperação de sua energia para o próximo confronto.

Xiong Batian e seu grupo, em sua resistência desesperada, manobraram até se aproximarem da posição de Qi Mu. Fizeram uma escada humana e lançaram Xiong Batian para o alto.

Num salto, ele caiu diante de Qi Mu:

— Agora, quero ver se vai continuar rindo! Vai morrer comigo!

Qi Mu acabava de abrir os olhos. Sem energia mágica, era quase um homem comum e foi puxado pelo vigor bruto de Xiong Batian.

Com um resmungo, Qi Mu usou a pouca energia recuperada para estabilizar-se e descer suavemente ao centro do círculo dos Pesadelos.

Já Xiong Batian não teve a mesma sorte; despencou de mais de dez metros, caindo pesadamente no chão.

Um estalo seco ecoou.

Sua perna se quebrou, e ele gritou de dor:

— Minha perna!

Seu papel de bobo não desviou a atenção de Qi Mu, que, naquele momento, gritava em pensamento por seu mestre Ye:

— Velho, apareça! Não aguento mais!

— Se não salvar seu discípulo, é o fim dele!

— Você pode parar de me chamar de velho? Não tenho nome, por acaso? — resmungou Mestre Ye, irritado.

Toda vez que Qi Mu o chamava, era “velho” pra cá, “velho” pra lá, o que o deixava furioso, mesmo depois de tantas correções.

— Ah, esqueça isso. Tem alguma ideia? — perguntou Qi Mu, ansioso.

— Eu sou apenas uma alma em sua consciência, que ideia eu poderia ter? — respondeu Mestre Ye, desdenhoso.

— Mas...