Capítulo Quatro: O Pai é um Devorador?

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 2392 palavras 2026-02-09 17:14:11

Qimu levantou-se exausto, caminhou até lá e, ao olhar atentamente, abriu a boca surpreso: era a mesma esfera preta de antes, apenas um pouco menor. Long Yan mencionara que havia retirado aquilo do corpo de outro Devorador; será que cada Devorador possuía esse objeto em seu interior?

Qimu fitou a pérola no chão, mergulhado em pensamentos. Por que, afinal, os Devoradores queriam matá-lo? Duas tentativas de assassinato não pareciam mero acaso; para ele, estava claro que alguém entre os Devoradores queria sua morte para obter algo. Mas o quê? Ele era apenas um estudante do terceiro ano do Instituto Wenfu. Talvez estivesse relacionado àquela voz em sua mente.

Ao pensar nisso, sentiu um calafrio. Se fosse mesmo esse o motivo, sua vida estaria marcada por constantes ameaças; quem sabe quantos outros Devoradores ainda viriam atrás dele? O Instituto Wenfu, presente em todo o Grande Domínio de Xià, tinha como missão ensinar aos alunos sobre línguas e caracteres antigos.

Sobre os Devoradores, entretanto, nada se encontrava nos registros; por isso, as autoridades davam enorme importância ao caso, pois poderia ser uma descoberta inédita na história da civilização humana.

Qimu ignorava tudo isso e começava a cogitar abandonar a missão; não queria envolver-se nesse lugar cheio de perigos ocultos, mas também não tinha meios de se proteger sozinho — dependia da proteção da organização dos Observadores.

Se um dia descobrisse a verdade por trás dos ataques, Qimu não hesitaria em ir embora.

Nesse momento, Long Yan despertou. O ruído de seus movimentos tirou Qimu de seus devaneios.

— Qimu, e o Devorador?

— Ah, morreu — respondeu Qimu, com calma.

Diante dessa resposta, Long Yan olhou para ele com significado. Qimu já havia derrotado dois Devoradores sozinho; era evidente que escondia alguma coisa. Long Yan lembrou-se das palavras do chefe: "Proteja bem esse rapaz. Ele carrega um segredo que será fundamental para nossa pesquisa."

— E a pérola? — perguntou Long Yan.

— Ah, está aqui, pode ficar com ela — disse Qimu, coçando a cabeça de modo constrangido e jogando-lhe a esfera.

Não ousou contar que havia enfiado a pérola de volta no ventre do Devorador momentos antes; não saberia explicar, então preferiu calar-se.

Long Yan guardou a pérola, pegou o comunicador e contatou a base, solicitando reforço.

Qimu olhou com inveja para o comunicador azul nas mãos de Long Yan. Aquele pequeno cubo era valiosíssimo: em Beihai, custava cinquenta mil moedas do Grande Xià cada um — uma fortuna para a família de Qimu!

Meia hora depois, ouviu-se o som de carros ao longe. Qimu soube que eram os enviados para resgatá-los.

Long Yan foi levado para receber tratamento; seus ferimentos não eram graves, apenas perdera muito sangue e desmaiara temporariamente.

Qimu foi acomodado em um dormitório; quanto ao cadáver do Devorador, os funcionários que chegaram recolheram cada pedaço e o transportaram.

Ali, alguém lhe apresentou tudo sobre a organização dos Observadores. Já estava dentro, cedo ou tarde saberia desses detalhes.

O nome "Observadores" já indicava sua missão: desvendar mistérios. Era o propósito fundamental da organização, motivada por essa nova descoberta.

Qimu soube que, no fim do túnel, havia incontáveis estelas de pedra. Especialistas em línguas antigas haviam consultado todos os registros, mas não encontraram vestígios daqueles caracteres.

O Devorador era apenas um dos desenhos nas estelas; havia outros quatro semelhantes, batizados pela organização como Destruição, Pesadelo, Reencarnação e Retorno, além da própria Devorar — totalizando cinco categorias de monstros.

Até agora, só haviam ocorrido três ataques contra humanos, todos por Devoradores; com o que Qimu enfrentou a caminho dali, eram quatro no total.

Ali não havia muita gente; a maioria era composta por idosos, todos especialistas em línguas antigas. Nesse momento, uma voz ansiosa ecoou:

— Qimu, venha rápido, o chefe quer falar com você.

— Eu? — Qimu perguntou, surpreso, apontando para si mesmo e seguindo a mulher.

Ela sorriu para Qimu:

— Meu nome é Yan Yan, sou líder da Equipe Um dos Observadores. Pode me chamar de Irmã Yan.

— Certo, Irmã Yan — respondeu Qimu com docilidade, diante do charme maduro de Yan Yan.

— Venha comigo, fizemos novas descobertas — disse ela, com um olhar sombrio, sinal de que não se tratava de boas notícias, caso contrário não teria aquela expressão.

Qimu a seguiu até uma sala secreta. Yan Yan destravou a porta com reconhecimento facial e, ao entrar, Qimu encontrou um rosto familiar.

O homem que visitara seu quarto de hospital três dias antes estava ali, fitando-o com expressão serena:

— Finalmente chegou — disse como se já o esperasse.

— Bem-vindo aos Observadores! — declarou em voz alta.

— Deixe-me apresentar: sou o responsável geral aqui, Ye Zichen.

— Este ao meu lado é Hou Xianming, o maior especialista em línguas antigas do Grande Domínio de Xià — apresentou, estendendo a mão.

— E este é o especialista em biologia que convidamos. Ele pesquisa os monstros representados nas estelas, tentando descobrir sua verdadeira natureza.

O biólogo ajeitou os óculos e olhou Qimu com um olhar profundo.

— Yan Yan, já se conhecem, certo?

— Sim — respondeu Qimu.

— Chamaram-me aqui, o que está acontecendo? — perguntou Qimu, intrigado.

Diante da dúvida, Ye Zichen permaneceu em silêncio por alguns instantes, hesitando em revelar o que sabia.

— Prepare-se, a notícia é... difícil — disse ele, parando de repente, os olhos penetrantes cravados em Qimu.

— Pode dizer, o que é? — Qimu respondeu, sem preocupação. Não conseguia imaginar o que poderia ser.

— Deixe que eu diga, Chefe Ye — interrompeu o biólogo, aproximando-se. Fitou Qimu intensamente, como se quisesse enxergar sua alma, e disse:

— O sangue extraído do Devorador que os atacou na estrada é idêntico ao do seu pai.

Ao ouvir isso, Qimu abriu a boca em choque, incrédulo:

— O que disse? Igual ao sangue do meu pai?

— Isso é impossível! Meu pai está morto, como poderia ter se tornado um Devorador e nos atacado? — murmurou.

Aquele era um resultado inimaginável para Qimu. Tinha presenciado a morte do pai; como poderia ele ter se tornado um Devorador e agora atacá-lo?

— Também custamos a acreditar, mas após inúmeros testes, podemos afirmar com certeza: o sangue dos dois coincide! — Ye Zichen declarou solenemente.

— E o que pretendem fazer? — Qimu ergueu os olhos.

A notícia o deixara atordoado. Queria saber o que Ye Zichen e os demais fariam.

Ye Zichen fitou Qimu, palavra por palavra:

— Vamos dissecar o corpo do seu pai!