Capítulo Oitenta e Um - O Plano

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 2360 palavras 2026-02-09 17:20:39

— Na minha opinião, a melhor solução é interceptá-los durante o transporte. Caso contrário, ao chegarem à Cidade do Meio-Dia, onde há tantas pessoas e olhares atentos, será ainda mais difícil agir!

Qimu franziu o cenho e perguntou:
— Vocês sabem onde a pessoa está presa? Ou têm algum contato entre os guardas?

— Respondendo ao senhor, um dos nossos está encarregado de vigiar o alvo. Se houver qualquer movimento suspeito, serei informado imediatamente! — declarou Rosa, confiante.

Qimu apoiou o queixo na mão, como se ponderasse algo. Depois de algum tempo, disse:
— O que podemos imaginar, o povo do Domínio Daxia também pode. Talvez eles tenham até preparado uma emboscada esperando que tentemos resgatar o prisioneiro durante o trajeto.

Com isso, descartou a sugestão de Rosa.

De fato, resgatar o alvo na estrada seria mais seguro do que agir dentro da cidade, principalmente porque não podiam ser descobertos, o que tornava a missão ainda mais desafiadora.

Se suas identidades fossem reveladas e a existência da Santa Igreja viesse à tona, poderia eclodir uma guerra aberta, e o povo inocente seria o maior prejudicado.

Além disso, Qimu sabia que, com o poder da Santa Igreja, o sigilo era mantido porque existiam forças capazes de enfrentá-los ou até destruí-los.

Pensando nisso, não pôde deixar de perguntar:
— Sabe por que não podemos expor a nossa Santa Igreja? Com nosso poder, não seria fácil eliminar os vinte e quatro domínios?

Seus olhos fixaram-se intensamente em Rosa, esperando a resposta.

Rosa lançou-lhe um olhar enigmático.
— Senhor, esqueceu-se da Casa dos Deuses? Nos últimos anos, eles têm agido de forma ainda mais misteriosa, e ninguém sabe ao certo o poder de seus três exércitos. Não acredito que a Casa dos Deuses não tenha adeptos da magia. A Santa Igreja não é tola; é preciso sondar o inimigo antes de agir!

Sim, havia também a Casa dos Deuses. Só então Qimu lembrou-se dessa força dominante, uma entidade que pairava sobre todos.

Governando a humanidade há mais de cinquenta mil anos, sua influência não podia ser resumida em poucas palavras.

Parece que, para a Santa Igreja, o único adversário digno de preocupação era a Casa dos Deuses; os demais domínios não passavam de insetos aos seus olhos.

Qimu franziu ainda mais o cenho.
— Seus contatos têm certeza de que entre os responsáveis pelo transporte do alvo não há usuários de magia?

— Há sim, e não apenas no nível de Controle do Fogo — respondeu Rosa, agora também demonstrando apreensão.

Esse era o maior obstáculo: para não se revelarem, a missão ficaria a cargo de Qimu, enquanto os outros apenas o auxiliariam discretamente.

Mas Rosa, ao perceber a energia que emanava de Qimu, não pôde deixar de duvidar: por que o Mestre Ouyang teria enviado um jovem recém-iniciado no Controle do Fogo para uma missão tão delicada?

Qimu percebeu o olhar de Rosa e tossiu constrangido.

Sabia que não era suficientemente forte, mas não precisava ser encarado daquela maneira.

Afinal, ao contrário dos membros da Santa Igreja, que já conheciam a existência da magia, ele próprio estava se inteirando daquele mundo agora.

— Creio que o melhor é resgatar o alvo amanhã mesmo. Provavelmente, o usuário de magia é apenas o senhor do Domínio Daxia responsável por escoltá-lo. E, no momento, nem nós nem eles podemos revelar nossa verdadeira natureza. Se lutarmos em público, a existência da magia não poderá mais ser ocultada — disse Qimu, sorrindo friamente. — Quando a Casa dos Deuses investigar o Domínio Daxia por ocultar usuários de magia, será um verdadeiro espetáculo de cão contra cão!

Os olhos de Qimu voltaram a brilhar com esperança.

Ele não podia ser descoberto; o mesmo valia para os membros do Dragão da Tocha.

Quanto mais tempo a magia permanecesse secreta, melhor — afinal, como Ouyang Kangsheng explicaria a existência dessas pessoas?

A Casa dos Deuses não era ingênua; se ligassem os fatos, certamente perceberiam que ele secretamente treinava usuários de magia. E com que intenção? Nem ele saberia responder.

Era uma situação de impasse para ambos os lados.

Mas Qimu podia tirar proveito disso!

Poderia usar seus poderes mágicos desde que sua identidade não fosse revelada.

Além disso, seria quase impossível tirar o prisioneiro do cerco da Inspetoria sem recorrer à magia.

Com isso em mente, ele olhou para Rosa, confiante:
— Avise-me assim que tiver novidades e prepare a equipe para o local da execução amanhã.

Rosa assentiu e perguntou:
— E o que precisa que façamos?

— Criem o máximo de confusão possível quando eu agir. Quanto mais desordem, mais fácil será minha fuga! — respondeu Qimu, seus olhos ardendo com determinação. Ele estava decidido a cumprir sua missão no dia seguinte.

O sol poente tingia o céu de vermelho, as nuvens vestiam-se de seus tons mais vivos.

Guarnição da Cidade do Meio-Dia.

A unidade de número 12130 descansava sobre a relva. Um homem usando uma máscara de dragão permanecia em pé, silencioso, ao lado de um prisioneiro amarrado, com um pedaço de roupa enfiado na boca.

— Quem será esse sujeito? Está aqui no nosso acampamento há dois dias, sem comer nem beber, sempre vigiando o prisioneiro.

— Aquele amarrado parece ser o condenado que será executado amanhã na praça central — comentou alguém, cauteloso.

Os demais se animaram, curiosos:
— Conte, o que aconteceu?

— Isso mesmo, execução? O que você sabe?

Diante da pressão, ele falou em voz baixa:
— Um amigo meu da cidade contou que amanhã, ao meio-dia, haverá uma execução pública na praça central. Dizem que o condenado é o responsável pelo desastre de Cidade do Mar do Norte!

O espanto estampou-se nos rostos dos soldados, que olharam incrédulos para o prisioneiro.

— Não pode ser! Olhe para ele, tão fraco, parece incapaz de matar uma mosca. Como poderia fazer uma cidade inteira sumir do mapa?

— Pois é, só de olhar já se vê que ele não tem forças nem para se defender. Quem acreditaria nisso? — comentou outro.

O informante encolheu os ombros:
— Também não sei. Mas só apareceu um prisioneiro no nosso acampamento nestes dias; quem mais seria?

O número vinte e sete do Dragão da Tocha ouvia os comentários, um leve sorriso surgindo sob a máscara.

— E aí, como se sente sendo o centro das atenções? — perguntou ele a Ouyang Ze, ao seu lado.

Ouyang Ze, com os meridianos rompidos, reduzido a um inválido, exibia no rosto uma expressão de desalento.

— Vencedores e vencidos, é sempre assim. Mas querem que eu sirva de bode expiatório pela destruição de Cidade do Mar do Norte? Ótimo cálculo! — respondeu, sarcástico.

— Alguém tem que assumir a culpa, não é? Só estamos extraindo o último valor que você pode oferecer — replicou friamente o número vinte e sete do Dragão da Tocha.