Capítulo Vinte e Um: Fenômenos Celestiais e Terrestres

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3358 palavras 2026-02-09 17:15:39

Dentro da base dos Observadores, todos carregaram Qi Mu até a sala médica e o colocaram na cama. Ye Zichen ordenou:

— Tragam aquela pedra e façam como está escrito nela.

— Long Yan, vá ao depósito buscar um núcleo — disse ele para Long Yan.

— Mas só nos resta um. Os outros dois foram usados nas pesquisas do fortificante — respondeu Long Yan, com frieza. Ele não queria salvar Qi Mu, pois, para ele, usar o último núcleo para salvar a vida de Qi Mu era um desperdício.

— Chega de conversa! Eu disse que Qi Mu não pode morrer, entendeu?! — gritou Ye Zichen, furioso.

Long Yan, ao ouvir isso, foi em silêncio buscar o núcleo. Quando entregou o objeto a Ye Zichen, hesitou, olhando fixamente para ele:

— Tem certeza? É o último núcleo.

— Sim! — Ye Zichen assentiu com firmeza.

Quando estava prestes a dar o núcleo a Qi Mu, Jiang Tiancheng o impediu:

— Tem certeza de que isso vai funcionar? E se tivermos interpretado errado? Há partes daquela pedra que não conseguimos compreender, e mesmo assim vais dar o núcleo para Qi Mu?

Ye Zichen hesitou.

— Então o que sugere? Não há outra opção, só nos resta tentar! — exclamou alguém.

— Não se precipite. Vamos rever as informações da pedra. Só depois de entender tudo, tentamos com Qi Mu — disse Jiang Tiancheng, agora surpreendentemente calmo. Diferente de sua habitual impulsividade, mostrou-se mais racional que Ye Zichen.

Ye Zichen concordou, balançando a cabeça. A morte repentina de Qi Mu o deixara completamente desnorteado; estava inquieto. Eles se concentraram diante da pedra, tentando decifrá-la.

Tudo parecia igual à vez anterior. O que não compreendiam era o seguinte: depois que o morto engoliu a joia, o céu mudou drasticamente, e aquele que o alimentara caiu subitamente, mas depois acordou. Isso intrigava a todos.

— Vocês acham que pode ser uma vida por outra? — sugeriu Yuan Ze, coçando a cabeça.

— Está louco? Se fosse assim, como ele teria acordado? — retrucou Jiang Tiancheng, mas ele também não conseguia decifrar o mistério.

— Talvez tenha apenas afetado a vida da pessoa, por isso ela desmaiou e depois voltou — ponderou Ye Zichen, pensativo.

Ninguém conseguia dar uma resposta definitiva.

Mas era certo que nada viria sem um preço. Trazer alguém de volta da morte não passaria despercebido — e ninguém acreditaria se não houvesse sacrifícios. Só pela mudança do céu já se percebia que o preço não seria pequeno.

— Não importa. Eu vou fazer isso. Se alguém deve ser punido por sua morte, esse alguém sou eu — declarou Ye Zichen, determinado, e se preparou para levar o núcleo até Qi Mu.

Long Yan se colocou à frente dele:

— Não pode. Você é o líder dos Observadores. Não pode correr riscos.

— Long Yan, eu lhe ordeno: saia da frente! — gritou Ye Zichen.

— Sinto muito, mas não obedecerei — respondeu Long Yan, frio como uma muralha entre Ye Zichen e seu objetivo.

Os dois se encararam, nenhum disposto a ceder. O ar parecia eletrificado com a tensão.

— Eu faço isso! — disse uma voz às costas do grupo. Todos se voltaram.

Yan Yan, apoiando-se no pescoço, falou com fraqueza. Após aquela batalha, estava exausta; Long Yan a deixara inconsciente e, ao acordar, ainda sentia a cabeça girar.

Ninguém disse nada. Yan Yan havia deixado os Observadores, não tinha mais direito de estar ali. Mas ela era a irmã de Qi Mu — não de sangue, mas mais próxima que qualquer parente. Viram em seu rosto a determinação; ela queria salvar Qi Mu talvez até mais do que eles próprios.

Pálida, Yan Yan aproximou-se de Ye Zichen, tomou o núcleo de suas mãos com firmeza e foi até Qi Mu.

— Yan Yan... — Ye Zichen tentou detê-la, mas não encontrou palavras e desviou o olhar, incapaz de assistir à cena.

Yan Yan se aproximou de Qi Mu, olhou seu rosto sem cor, tocou-lhe o corpo gelado e, com um sorriso triste, murmurou:

— Pequeno Mu, sua irmã veio salvar você.

Ela ouvira toda a conversa antes, mas não importava o preço: não hesitaria. Precisava trazer Qi Mu de volta, pois era seu único familiar.

Enfiou o núcleo na boca de Qi Mu, forçando-o a engolir, e sorriu, satisfeita.

Naquele espaço caótico onde estava, Qi Mu assistia à cena desesperado:

— Não, irmã, não faça isso! — gritava ele, tomado pela angústia. Preferia sofrer ele mesmo a ver Yan Yan ferida.

Mas ela não podia ouvi-lo. Uma voz ressoou novamente:

— Rapaz, está nos planos do destino que essa garota te salve. Contra o destino, nada se pode fazer.

Essas palavras soaram cruéis aos ouvidos de Qi Mu, com um toque de escárnio.

— Cale-se! Se algo acontecer com minha irmã, não vou te perdoar, não importa quem você seja ou o que queira! — rugiu Qi Mu, envolto em trevas.

Assim que Qi Mu engoliu o núcleo, o céu límpido se cobriu de nuvens escuras. Sobre a base dos Observadores, formou-se um redemoinho púrpura, do qual desceu uma luz que envolveu Qi Mu por completo.

Todos ficaram boquiabertos, espantados com o que viam. Não imaginavam que o fenômeno chamaria tanta atenção — provavelmente os Inspetores já estavam de olho, e Ye Zichen se preocupava em como manter o segredo.

A luz envolveu Qi Mu por muito tempo, até desaparecer lentamente. Yan Yan correu até ele, tocando-lhe o rosto:

— Pequeno Mu! Pequeno Mu!

Qi Mu abriu lentamente os olhos, confuso. Olhou as próprias mãos e murmurou:

— Estou... estou vivo?

Ao ver Qi Mu despertar, Yan Yan chorou de alegria e assentiu vigorosamente:

— Sim, pequeno Mu, você acordou.

Assim que terminou de falar, Yan Yan desabou, desmaiando.

Desesperado, Qi Mu a chamou:

— Irmã, o que houve? Você está bem?

Ele tentou sair da cama, mas estava sem forças. Jiang Tiancheng pegou Yan Yan nos braços, tranquilizando Qi Mu:

— Não se preocupe, ela ficará bem. Você precisa descansar.

Ele saiu carregando Yan Yan. Ye Zichen, aliviado ao ver Qi Mu desperto, aproximou-se:

— Descanse tranquilo. Vamos cuidar de Yan Yan.

Qi Mu, apesar do olhar confiante de Ye Zichen, insistiu:

— Prometam que vão salvar minha irmã!

— Prometo — respondeu Ye Zichen, saindo em seguida.

Yuan Ze e os outros, ao verem Qi Mu desperto, ficaram radiantes. Ainda eram jovens, sem experiência com a morte. Ver o amigo voltar era pura felicidade: correram até ele e o abraçaram, dizendo:

— Qi Mu, você finalmente acordou! Não imagina o quanto sofremos para te trazer de volta. Estamos exaustos!

— Obrigado, obrigado a todos... — respondeu ele, retribuindo o abraço, um sorriso involuntário nos lábios. Ele, Qi Mu, estava de volta!

Nos arredores, Chen Guohua e seu grupo seguiam apressados pela estrada quando o comunicador do líder tocou. Ele atendeu, intrigado:

— O que houve?

— Nosso posto em Beihai foi destruído. Retirem-se imediatamente e protejam Chen Guohua; ele é essencial para o projeto do fortificante — respondeu uma voz furiosa. A destruição do posto o deixara irado.

— Sim, senhor, vamos nos apressar! — respondeu o líder, olhando para Chen Guohua, que reclamava, caído no chão:

— Não aguento mais! Estou exausto, vou morrer de cansaço!

O líder, impaciente, gritou:

— Se não vier, mato você aqui mesmo!

Ergueu a faca contra Chen Guohua, que, aterrorizado, suplicou:

— Eu vou, eu vou!

— Depressa!

Na Cidade Beihai, na mansão do prefeito, um homem observava o fenômeno ao sul, intrigado. O espetáculo era grandioso, impossível de ignorar. Sorveu um gole de chá e murmurou:

— Parece que Beihai ainda esconde segredos. Preciso informar o Mensageiro Divino. Talvez o Domínio Daxia tenha mesmo desenvolvido um fortificante humano.

Era o Inspetor de Beihai. Fora à mansão cobrar explicações sobre o fortificante, mas, ao presenciar o fenômeno, apressou-se a relatar ao maior líder da Casa dos Deuses no Domínio Daxia — o Mensageiro Divino.

Não foi o único a testemunhar o acontecimento. O próprio Senhor do Domínio Daxia também viu. Ele fitou o fenômeno, apreensivo:

"Isso não é bom..."

Sussurrou algo ao ouvido de um assistente, que logo saiu apressado. O Senhor do Domínio acariciou a longa barba e suspirou:

— Os Observadores não podem ser descobertos. É a única chance de redenção deste domínio.

O grande salão voltou ao silêncio, como se nunca houvesse recebido alguém.

No dia seguinte, Yan Yan despertou das sombras. Ao abrir os olhos, viu Qi Mu sentado silenciosamente diante dela. Custava a acreditar; temeu que o despertar do irmão fosse apenas um sonho. Correu até ele, abraçando-o e chorando:

— Pequeno Mu, você voltou! Eu estava com tanto medo de te perder de novo!

— Sim, irmã, estou de volta. Pode descansar o coração — respondeu Qi Mu, envolvendo Yan Yan num abraço e acariciando-lhe os cabelos.

Sobre a base dos Observadores, onde no dia anterior surgira o redemoinho púrpura, uma voz suave ecoou no ar:

— Dez anos!