Capítulo Cinquenta e Oito: O Primeiro Sinal do Pesadelo
Qimu e Yanyan logo alcançaram o grupo de Ganko, ocultando-se atrás de uma enorme pedra para observar os demais em segredo.
Eles pararam no topo da montanha. Qimu viu quando Ganko ergueu uma bússola acima da cabeça, de onde irradiou uma estranha luz púrpura que se transformou em um fio, ligando-se à névoa. Em poucos instantes, um palácio magnífico e imponente surgiu silenciosamente.
O semblante de Qimu mudou, e ele sussurrou para Yanyan ao seu lado: “Mana, e se entrássemos junto com eles?”
Yanyan fitou o palácio, sombrio e lúgubre, transbordando uma aura assassina, mas logo assentiu: “Vamos.”
Aproximaram-se furtivamente do fim da multidão, cobrindo o rosto com um pano para não serem reconhecidos.
Na linha de frente, Ganko bradou: “Vamos, irmãos! Aqui começa o primeiro passo de vocês na Sagrada Seita!”
Todos estavam boquiabertos diante do palácio que surgira das nuvens, incrédulos e atônitos, mas ao mesmo tempo, um júbilo secreto preenchia seus corações: a Sagrada Seita era realmente extraordinária! Entrar para ela lhes garantiria grandes feitos!
Com esse pensamento, seguiram atrás de Ganko, entrando um a um no palácio. Qimu e Yanyan, no final da fila, misturaram-se a eles.
Assim que todos estavam dentro, uma vibração percorreu o local, e o palácio desapareceu silenciosamente entre as nuvens, sumindo sem deixar rastro.
Qimu observou ao redor: a decoração sombria e fria do salão exalava uma atmosfera ameaçadora. Patrulhas circulavam, todos vestidos de negro, com máscaras no rosto, revelando apenas os olhos.
“Mana, este lugar é bem protegido, parecem guardas treinados. Vai ser difícil escapar depois,” murmurou Qimu para Yanyan.
“E agora? Já estamos aqui, temos que investigar, senão todo esse esforço seria em vão.”
Qimu examinou o entorno: havia apenas um caminho de saída, o mesmo por onde entraram. Se houvesse confronto, teriam que atravessar as patrulhas, e seria preciso agir rápido para evitar reforços.
Apesar de dominar a energia arcana, Qimu sentia uma inquietação profunda provocada pela atmosfera do local. Seu instinto gritava que havia ali alguém bem mais poderoso que ele!
“Mana, fiquemos atentos. Se não conseguirmos capturar Ganko nem descobrir como eles quebram a Barreira Territorial, nossa prioridade é sobreviver. Segurança em primeiro lugar!” disse Qimu, com olhar resoluto.
Ele prendeu a respiração, seguindo silenciosamente no fim da fila.
Nesse momento, a voz do Mestre Ye ressoou em sua mente: “Aconselho vocês a saírem daqui imediatamente. No salão à frente há uma força poderosa demais para você!”
Qimu, ao ouvir isso, confirmou sua suspeita: aquele era um lugar perigosíssimo. Ainda assim, respondeu entre dentes: “Mestre Ye, já estou aqui dentro. Como sair agora? E ainda não cumpri meu objetivo!”
Mestre Ye suspirou: “Garoto, o que é mais importante: missão ou vida? Você pode acabar morrendo aqui!”
As palavras do mestre aumentaram a pressão sobre Qimu, mas pensar na bússola de Ganko, capaz de abrir a Barreira Territorial, no mistério do desaparecimento da Cidade do Mar do Norte e, acima de tudo, na morte dos companheiros, tudo isso fazia com que Qimu não aceitasse simplesmente fugir!
Mordendo os dentes, murmurou: “Mestre Ye, você não tem nenhum golpe secreto guardado?”
“Claro que tenho, mas vai causar danos graves ao seu corpo. Da última vez, você quase morreu; as feridas externas sararam, mas sua energia vital está muito abalada. Se eu usar esse método, você ficará inválido!” respondeu o mestre calmamente.
Essa dúvida deixou Qimu dividido. Não queria que seus companheiros tivessem morrido em vão, mas as advertências do mestre o faziam hesitar. Nesse impasse, uma fileira de pessoas surgiu atrás deles, de olhar severo, como se os empurrassem para dentro.
Qimu virou-se e sussurrou para Yanyan: “Mana, não temos como recuar. Parece que só nos resta seguir.”
Yanyan assentiu, com olhar firme, e juntos apressaram o passo para acompanhar o grupo, evitando chamar atenção.
Finalmente, ao entrarem no grande salão, os guardas fecharam as portas atrás deles.
Tudo ficou mergulhado em escuridão e frio.
Qimu segurou a mão de Yanyan, pedindo que ela mantivesse a calma, e concentrou o olhar na plataforma elevada.
Ali, sentava-se alguém de sorriso gelado e sombrio, com uma longa mecha de cabelo; impossível distinguir se era homem ou mulher.
Ganko aproximou-se, curvando-se: “Senhora, todos foram trazidos. Há mais alguma ordem?”
“Pode ir receber sua recompensa no Pavilhão Fantasma,” disse ela friamente.
A voz era fraca, mas Qimu ouviu claramente: era uma mulher!
“Sim!” Ganko jubilou-se, dirigiu-se à multidão: “Aguardem aqui as ordens da Senhora da Sede!”
Ninguém ousou contrariar, pois desde que entraram sentiam a aura sinistra do salão, que fazia todos tremerem.
Ganko se retirou, e restou apenas a mulher sentada na plataforma, observando os presentes com interesse.
Ela falou, tranquila: “Sou a líder da Sede Diurna da Região Grande Xia. Vieram todos sinceramente para se juntar à nossa Sagrada Seita?”
A multidão respondeu em uníssono: “Temos corações puros, o céu e a terra podem testemunhar!”
Qimu e Yanyan repetiram em voz alta, apesar de Qimu nunca tirar os olhos da mulher. Ela lhe transmitia um perigo extremo, como se uma serpente venenosa o observasse.
Ela pareceu notar o olhar de Qimu, direcionando-lhe os olhos. Qimu rapidamente baixou a cabeça para evitar contato visual.
No íntimo, Qimu refletia: a Sagrada Seita era a mesma mencionada pelo homem de negro capturado na Cidade do Mar do Norte, e também por Mu Hongzhi, que era um infiltrado deles. Agora estava claro que o desaparecimento da cidade era obra da Sagrada Seita!
Que relação havia entre a Sagrada Seita e os Devoradores? Como eram capazes de invocar tantos deles? Tudo isso era um mistério para Qimu.
A mulher na plataforma notou o olhar que a espionava, mas não conseguiu identificar quem era. Riu suavemente: “Corações leais, ah, ah, ah.”
“Não importa. Só quem passar pela provação poderá se juntar à Sagrada Seita. Depois falaremos de lealdade!” Ela riu, cobrindo a boca, e num gesto, as paredes do salão começaram a subir, e sua cadeira desceu lentamente até sumir.
A risada inquietante permaneceu ecoando pelo salão.
O ruído provocou pânico no grupo, que olhava ao redor enquanto, das paredes erguidas, abriam-se passagens escuras.
Um vento gélido surgiu dos corredores, arrepiando a pele de todos.
“Urso, que diabos será que vão aprontar agora?” perguntou um ao brutamontes ao seu lado.
“A mulher falou em provação, deve ser agora!” respondeu Urso, cuspindo no chão com desdém.
Seu nome era Urso Batian, um nome imponente. Seus feitos também não eram para qualquer um: liderou o assalto ao Ministério das Finanças da Grande Xia, levando mais de quatro milhões de moedas. Foi capturado pelos guardas a cento e trinta quilômetros da Cidade Diurna, numa ravina.
Condenado à morte pelo Tribunal de Justiça, sua execução estava marcada para o mês seguinte. Seus comparsas também foram presos na Barreira Territorial, por períodos de dez a cinquenta anos.
Graças à ajuda de Ganko, conseguiu fugir, e a Sagrada Seita despertava-lhe grande interesse. Quem ousa roubar o ministério não teme provações!
Qimu colocou Yanyan atrás de si, atento aos corredores que surgiam nas paredes. Dali vinham sons ofegantes e pesados; Qimu pressentiu que algo terrível estava por vir.
Logo, as criaturas ocultas nos corredores se revelaram: eram imensas, de rostos macabros e presas afiadas, sem nada do torso para baixo, apenas a parte superior flutuando no ar. No abdômen, uma boca escancarada, dentes à mostra em sorrisos horripilantes.
Os olhos eram verde-escuros, ovais e salientes, os braços recobertos de lâminas curvas, a pele cheia de protuberâncias.
“Que diabos é isso?” Os demais recuaram apavorados, as pernas tremendo.
“Que nojo! Que coisa mais horrível!” Urso Batian gritou, desviando o olhar como se temesse se contaminar.
Qimu viu dezenas dessas criaturas saindo dos corredores e sentiu que já as tinha visto antes.
Coçando o queixo, pensou por um instante, até que ergueu a cabeça e perguntou a Yanyan: “Mana, não acha que são parecidos com Devoradores?”
Yanyan, escondida atrás dele, observou atentamente: a parte superior flutuando, aparência asquerosa. Ela respondeu com voz grave: “Xiaomu, esqueceu? É o Pesadelo, um dos cinco monstros registrados na pedra!”
Lembra? A pedra mencionava cinco seres: Devorador, Pesadelo, Destruição, Reencarnação e Retorno.
Ao ouvir isso, Qimu recordou-se de tudo, como se as imagens dos monstros gravadas na pedra invadissem sua mente em uma enxurrada.
O olhar de Qimu tornou-se sério diante do Pesadelo. Ele recuou alguns passos, dizendo a Yanyan: “Mana, estamos em apuros!”