Capítulo Seis: A Tristeza de Yan Yan
Ao ouvir a notícia, Qi Mu fechou os olhos com dor, o rosto tomado por uma expressão contorcida, e disse:
— Então qual é o resultado? Meu pai realmente se tornou um Devorador?
Yan Yan olhou para ele com certa compaixão, passando a mão em sua cabeça:
— Pelo que parece, sim. Aquele Devorador deve ser seu pai.
— Não, eu não acredito! Meu pai é humano! Ele não tem nada a ver com Devoradores, alguém deve ter roubado os restos mortais dele! — Qi Mu balançou a cabeça, incapaz de aceitar esse fato, murmurando para si mesmo.
— Não pode ser, eu preciso ir até a Estrada do Silêncio, com certeza encontrarei alguma pista! — Qi Mu olhou para os outros, buscando confirmação.
— Eu vou com você. Acabei de voltar de lá e hoje não tenho nenhuma missão. Não é mesmo, chefe? — Yan Yan, com pena, sorriu ao olhar para Ye Zichen.
Ye Zichen apenas assentiu levemente, sem dizer nada.
Quando Qi Mu e Yan Yan saíram da base e pegaram o carro rumo à Estrada do Silêncio, Ye Zichen caminhou sério até o escritório.
O corpo do pai de Qi Mu havia desaparecido, e, diante da situação, era quase certo que o Devorador que atacou Qi Mu na estrada era, de fato, seu próprio pai!
Se isso fosse verdade, a situação seria muito complicada...
Um humano transformado em Devorador, tornando-se uma criatura jamais registrada antes; se essa notícia se espalhasse, desencadearia pânico entre a população, disso não havia dúvidas!
Ninguém saberia quando poderia se tornar um monstro. As pessoas perderiam a vontade de viver, e, consequentemente, a sociedade ruiria, a fé dos humanos desabaria — algo absolutamente inaceitável!
Ye Zichen sentou-se à frente da mesa do escritório, refletindo silenciosamente sobre qual deveria ser o próximo passo.
Nesse momento, a porta do escritório soou. Abrindo-se suavemente, quem entrou foi o especialista em biologia do dia anterior — Yan Wendong.
— Algum problema?
— Capitão Ye, trouxemos algumas novas descobertas. — Yan Wendong franziu a testa, colocando os documentos diante dele com cuidado.
Ye Zichen folheou as páginas rapidamente. Após alguns instantes, fechou o arquivo e suspirou levemente, perguntando em tom grave:
— Tudo isso é verdade?
— Após diversas verificações, temos plena certeza! — Yan Wendong respondeu com firmeza, encarando-o nos olhos.
— Hm... — Ye Zichen recostou-se na cadeira, preocupado, franzindo ainda mais o cenho. Depois, ordenou:
— Façam conforme orientado, e lembrem-se, total sigilo!
— Sim! — respondeu Yan Wendong, retirando-se lentamente.
O vento se ergueu de repente, rindo estranhamente pelo ar, as folhas das árvores caíam no chão. Por trás de tudo isso, algo estava apenas começando!
Qi Mu, naquele momento, estava sentado no banco do passageiro, cabisbaixo e abatido. Sua mente era um turbilhão; os acontecimentos se sucediam tão depressa que ele mal conseguia reagir. Tudo o que desejava agora era encontrar alguma pista sobre os restos mortais do pai — ele se negava a aceitar que ele pudesse ser um Devorador.
O vento lá fora acariciava suavemente o rosto de Qi Mu, enquanto Yan Yan, concentrada na direção, dizia algumas palavras de vez em quando, tentando aliviar o clima constrangedor do carro.
Logo chegaram ao destino. Desceram do veículo e pararam diante do portão da Estrada do Silêncio.
Apesar do nome, Estrada do Silêncio era apenas um apelido. O verdadeiro local era aquele prédio à frente; o nome provavelmente vinha do fato de ali se armazenarem cadáveres e proceder-se com as cremações, conduzindo os mortos em sua derradeira jornada rumo ao inferno. O nome passou de boca em boca, perpetuando-se até os dias de hoje.
Na porta da Estrada do Silêncio estava sentado um velho senhor, encurvado, tragando um cigarro com filtro. Puxava uma baforada e soltava, com uma expressão de prazer no rosto.
— Senhor Zhang, acabei de sair e já estou de volta. Poderia abrir o portão para nós, por favor? — Yan Yan se abaixou com um sorriso, dirigindo-se ao idoso.
— Quem é você mesmo? — O velho era um pouco surdo; mesmo com Yan Yan próxima, ele insistiu na pergunta.
— Sou Yan Yan, estive aqui há pouco. O senhor se esqueceu?
— Ah, não me lembro.
— Senhor, temos alguns assuntos a tratar aqui dentro. Poderia nos ajudar e abrir o portão? — Yan Yan ainda sorria.
— O que vieram fazer aqui? Aqui só tem mortos, não há nada de interessante. E sem documento, como vou saber o que querem? Vai que vocês são necrófilos, como é que fica? — O velhinho não se deixava enganar facilmente, e suas palavras iam ficando cada vez mais desconfiadas.
Com a demora, Qi Mu perdeu a paciência. Aproximou-se e puxou Yan Yan:
— Irmã Yan, mostre logo seu documento, assim ele nos deixa entrar e não perdemos mais tempo — disse, impaciente.
Yan Yan também começou a se irritar e, sem rodeios, tirou o distintivo da mochila:
— Senhor, sou diretora da Primeira Inspetoria da Comissão de Vigilância. Por favor, abra o portão.
O velho se aproximou, piscou os olhos algumas vezes, examinou o documento e comparou com a foto. Então, sorriu:
— Agora sim, está tudo certo. Vou abrir para vocês.
Levantou-se lentamente, tirou um molho de chaves do bolso e começou a procurar a certa.
Os dois aguardaram atrás dele, observando-o buscar a chave.
O tempo parecia suspenso no ar. De repente, ouviu-se uma algazarra na rua; os dois olharam e viram um casal puxando os cabelos um do outro, rostos distorcidos pela raiva, xingando sem parar.
Eles não pretendiam se meter, mas nesse instante um homem, vendo a confusão, passou correndo ao lado, arrancou a bolsa de grife de um deles e fugiu, deixando apenas a silhueta à distância.
— Peguem-no, é um ladrão! — Ao perceberem, o casal deixou as brigas de lado e partiu em perseguição ao ladrão, mas logo começaram a perder o fôlego.
O ladrão corria na direção deles.
Yan Yan, atenta, agachou-se levemente. Qi Mu achou que ela fosse imobilizá-lo, mas em vez disso, ela sacou uma arma da cintura e apontou diretamente para o ladrão:
— Pare agora ou atiro! — Sua voz soou fria e precisa.
O ladrão, surpreso, parou imediatamente e largou a bolsa no chão, levantando as mãos:
— Moça, não atire, cuidado com o disparo acidental.
Yan Yan aproximou-se lentamente e, sem hesitar, acertou um chute entre as pernas do homem, que caiu gemendo de dor, rolando pelo chão.
O casal, ao chegar, agradeceu incessantemente a Yan Yan.
— Tudo bem, só tomem mais cuidado da próxima vez — disse Yan Yan, com um tom melancólico.
— Entre companheiros, é preciso valorizar um ao outro. Ficar junto não é fácil, concordam? — Seus belos olhos pousaram no casal, com uma mensagem de consolo.
— Sim, sim, vamos nos tratar melhor daqui para frente. Nunca mais brigaremos — disseram, envergonhados, curvando-se em agradecimento.
Enquanto isso, o velho já havia aberto o portão, mas Yan Yan e Qi Mu estavam de costas para ele. Como sua visão não era das melhores, só conseguiu ver uma sombra cinzenta passando rapidamente por baixo do seu nariz. Pensando ter se enganado, esfregou os olhos e murmurou:
— Estou velho mesmo, os olhos já não servem para nada...