Capítulo Quarenta e Nove: O Poder Possuído pela Energia Mágica

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3401 palavras 2026-02-09 17:18:24

— Que tédio! — resmungou Qi Mu, já esperando que seu velho pai estivesse novamente evitando suas perguntas. Nada podia fazer, a não ser sair com evidente má vontade de sua própria mente.

Assim que Qi Mu se retirou, Mestre Ye murmurou para si mesmo: — Esse garoto está se envolvendo com coisas muito mais rápido do que eu imaginava! Parece que terei de supervisionar mais de perto o controle dele sobre a energia mágica. Ele está perigosamente fraco agora!

O silêncio voltou a reinar naquele mundo. Qi Mu recostou-se no ombro de Yan Yan, fechando os olhos e desfrutando de um raro instante de tranquilidade, algo que não sentia há muitos dias.

Desde o Festival dos Espíritos até então, Qi Mu não teve uma única noite de sono decente; seu tempo de descanso era escasso. Agora, finalmente, podia respirar um pouco, e em poucos minutos dormiu profundamente, apoiado no ombro de Yan Yan. Ela também respirava suavemente, o peito subindo e descendo com lentidão, e logo adormeceu junto com ele...

Nas ruínas da Cidade do Mar do Norte, He Zhilian e o Dragão das Chamas Número Doze vasculharam a área sem encontrar qualquer pista. He Zhilian balançou a cabeça, abatido, e disse:

— Pelos vestígios, a cidade inteira parece ter desaparecido no ar. Tenho certeza de que há ligação com aquelas quatro montanhas, mas não encontro nenhum método viável.

Com as mãos cruzadas atrás das costas, balançava a cabeça repetidas vezes; ficava claro que o desaparecimento da cidade o deixava profundamente angustiado.

Afinal, uma cidade inteira desaparecera sem deixar rastros, nem mesmo uma folha ou objeto restou. O único elemento digno de nota eram os estranhos cadáveres sob as quatro minas a leste, oeste, norte e sul.

Aquelas cenas macabras confundiam He Zhilian. Não pareciam obra de animais de grande porte, e, considerando a quantidade de mortos, quantas bestas seriam necessárias para tal carnificina?

Além disso, não havia sobreviventes, todos os corpos estavam despedaçados. Não havia pistas.

Talvez, ao desvendar a ligação entre os cadáveres e o desaparecimento da cidade, pudessem encontrar um fio condutor para resolver o mistério.

Quando He Zhilian se virou para partir, uma lâmina afiada rasgou o ar, veloz, em sua direção — ele nem percebeu. O Dragão das Chamas Número Doze, ao lado, bradou:

— Cuidado!

De sua palma, concentrou-se uma energia azul-esverdeada, formando um muro de vento que interceptou a lâmina diante de He Zhilian.

A lâmina passou a poucos centímetros do rosto de He Zhilian — foi o muro de vento que lhe salvou a vida!

O Dragão das Chamas Número Doze destroçou a lâmina e murmurou:

— Incrível... ela contém força mágica.

Ele passou a encarar o entorno com cautela, atento a qualquer movimento daquele que se ocultava, pronto para atacar novamente.

He Zhilian se recompôs, ainda abalado pela proximidade da morte, e disse ao Dragão das Chamas Número Doze:

— Alguém quer me matar. Parece que estamos no caminho certo! Os cadáveres nas quatro montanhas têm relação com o desaparecimento da cidade!

— Fique calado! Quem atacou ainda está por aqui. Não sabemos se sairemos vivos daqui! — O Dragão das Chamas Número Doze prendeu a respiração, olhos atentos ao redor. Havia tentado sentir flutuações de energia mágica, mas não detectou nada; só havia uma explicação: o adversário era mais forte que ele.

— Apareça! Por que se esconde? Se for capaz, enfrente-me! — gritou, espalhando sua voz pelos arredores. Até as folhas no chão foram rasgadas pelo rugido.

Logo, um homem saiu lentamente de um matagal próximo, sorrindo com ironia ao bater palmas:

— Não imaginei que o Domínio do Grande Verão tivesse tantos talentos escondidos!

O Dragão das Chamas Número Doze fixou o olhar no rosto do homem, sentindo uma estranha familiaridade, mas sem conseguir identificar de imediato. Com frieza, perguntou:

— Quem é você? Tem relação com o desaparecimento da cidade?

O homem sorriu com desprezo e, com certo ar de arrogância, respondeu:

— Ha ha ha! Eu sou o Diretor do Departamento de Inspeção da Cidade do Mar do Norte. Diga você: acha que o desaparecimento da cidade tem algo a ver comigo?

Era Mu Hongzhi! Após sair da cidade pouco antes do acontecimento, não foi longe: ficou à espreita, esperando que a isca atraísse suas presas. Sabia que a Casa dos Deuses enviaria investigadores e pretendia capturá-los todos de uma vez.

— O quê?! — O Dragão das Chamas Número Doze mal podia acreditar.

Mu Hongzhi revelou sua identidade e, então, o Dragão das Chamas Número Doze lembrou-se: fazia sentido a familiaridade, era o Diretor do Departamento de Inspeção da Cidade do Mar do Norte! Era inacreditável.

— Você? Diretor do Departamento de Inspeção? Como é possível?! — questionou, incrédulo.

— Isso não importa mais. Guarde suas perguntas para o outro mundo! — respondeu Mu Hongzhi com desdém, sem qualquer vontade de explicar.

O Dragão das Chamas Número Doze puxou He Zhilian para trás e lhe disse:

— Quando a luta começar, fuja primeiro. Eu vou logo atrás. Os outros precisam saber: o verdadeiro responsável pelo desaparecimento da cidade está prestes a se revelar!

— Sim! — He Zhilian assentiu levemente, pronto para fugir a qualquer momento.

Mu Hongzhi percebeu seus movimentos e sorriu com escárnio:

— Insignificantes, querem fugir? Pediram minha permissão?

Mal terminou de falar, Mu Hongzhi invocou do céu mil relâmpagos, que caíram de todos os lados sobre o Dragão das Chamas Número Doze.

Este assumiu expressão grave. Sabia que o adversário dominava a energia mágica e era mais forte, mas não imaginava tamanha diferença: ele podia até controlar o clima!

Sem recuar, convocou novamente o muro de vento, que se ergueu imenso, translúcido e esverdeado.

Um raio atingiu o muro, que se rachou instantaneamente em múltiplas fissuras. O Dragão das Chamas Número Doze cuspiu sangue, claramente ferido.

Num rugido, passou da defesa ao ataque: o muro de vento se desfez em milhares de lâminas cortantes, arremetendo contra Mu Hongzhi.

Com um simples gesto, Mu Hongzhi reduziu as lâminas a fragmentos, que caíram ao chão como se pesassem toneladas.

— Só isso? Os do Reino do Vento são mesmo frágeis! — zombou.

Um raio caiu sobre o Dragão das Chamas Número Doze, rasgando-lhe as vestes, que viraram cinzas ao vento, e abrindo cortes sangrentos por todo o corpo.

Ele rangeu os dentes, tentando expulsar a energia destrutiva de Mu Hongzhi de dentro de si. O rosto ruborizado, pressionou o peito, querendo usar o poder do vento para extrair o raio furioso.

Logo percebeu algo errado e murmurou:

— Como é possível? Por que não consigo expulsar essa energia destrutiva?!

Mu Hongzhi riu friamente:

— Esta é a diferença de essência. Um mero iniciado do Vento jamais compreenderia o poder do meu nível!

A energia elétrica saltava do corpo do Dragão das Chamas Número Doze, como se fosse atravessá-lo. Ele caiu de joelhos, exausto, enquanto o sangue jorrava de seus poros, manchando o solo.

Mu Hongzhi recolheu sua força; os relâmpagos que oprimiam o céu desapareceram. Ele flutuava com elegância, aproximando-se do adversário. A cada passo, parecia pisar sobre algo invisível. Parou diante do Dragão das Chamas Número Doze e, com compaixão fingida, acariciou-lhe a cabeça:

— Para quê resistir? Se se render, sofrerá menos.

O Dragão das Chamas Número Doze, contudo, sorriu com desdém:

— Gente como você jamais entenderia. Se for pela Grande Verão, morrerei feliz — mas te juro que não sairá vivo daqui!

— Uma formiga que sonha desafiar um gigante... ridículo! Ridículo! Ha ha ha! — Mu Hongzhi gargalhou, mão sobre o ventre, olhando para o adversário como se assistisse a um espetáculo patético.

Dragão das Chamas Número Doze não respondeu. Justamente nesse instante, a energia elétrica em seu corpo se aquietou; uma imensa força começou a surgir em seu interior, tentando romper as amarras do corpo.

— Aaah! — gritou para o céu, liberando uma onda de energia que lançou Mu Hongzhi a dez metros de distância.

Mu Hongzhi pousou suavemente, rosto impassível, observando:

— Agora sim começo a sentir o gosto da caça!

Exato: o Dragão das Chamas Número Doze acabara de romper seus limites. O poder de Mu Hongzhi estimulou seu corpo, fazendo a energia mágica fundir-se à força destrutiva do raio, e assim ele rompeu a barreira, atingindo um novo patamar: o Reino da Água.

Confiante, ergueu-se, sentindo o vigor em suas mãos. Olhou para Mu Hongzhi e declarou:

— Vamos ver se agora consigo impedir sua fuga!

Mu Hongzhi acenou com os dedos, provocando:

— Você ainda não está à altura!

Essas palavras, para um homem, eram insulto supremo. O Dragão das Chamas Número Doze não suportou a provocação; de sua palma, condensou um dragão de água.

O dragão voou pelo ar, com olhar frio fixo em Mu Hongzhi, pronto para um ataque feroz.

Rapidamente, o Dragão das Chamas Número Doze manipulou suas forças, formando nove dragões aquáticos entrelaçados, que se fundiram em uma criatura colossal.

Nove cabeças surgiram num único pescoço: não mais uma serpente, mas um dragão, cuja imponência era incomparável.

O dragão de nove cabeças emanava uma aura opressora, fitando Mu Hongzhi com indiferença.

O Dragão das Chamas Número Doze, suando profusamente, sorriu satisfeito ao ver sua criação. Para quem acabara de romper os limites, manifestar o dragão de nove cabeças era um feito notável. Sem hesitar, ordenou que a criatura investisse contra Mu Hongzhi.

O embate era colossal; onde passava o dragão de nove cabeças, nada restava.

Mu Hongzhi, ao ver o ataque desenfreado vindo do céu, também assumiu uma expressão séria.