Capítulo Quarenta e Cinco: O Enigma
Uma gota de suor frio surgiu na testa de Han Mo. Ele mostrava uma expressão de confusão e, com certo receio, perguntou: “Senhor Sagrado, o que significa isso?”
“O que quero dizer é que você será meu amante. Entendeu agora?” O jovem pálido, sentando-se diante do altar elevado, sorriu friamente. Seus olhos, vermelhos e indiferentes, fixavam o rosto de Han Mo com intensidade.
Han Mo, tomado de pavor, caiu de joelhos no chão. Tremendo, balbuciou: “Senhor Sagrado, eu... eu...”
Antes que pudesse terminar, o jovem do altar rugiu de repente: “Não estou discutindo com você, isto é uma ordem, entendeu?”
O grito repentino o aterrorizou ainda mais. Seu corpo todo tremia, o suor frio cobria-lhe o rosto. Ele sabia muito bem o que significava ser amante, mas sua orientação era normal! Queria recusar, mas temia as consequências. O rapaz à sua frente claramente não era alguém com quem se pudesse brincar; Han Mo nem ousava imaginar o que lhe aconteceria caso recusasse.
Prostrado no chão, virou a cabeça, lançando um olhar suplicante para Si Kai, que estava ao lado. Mas este, como se não percebesse o apelo, permaneceu imóvel.
Por fim, Han Mo compreendeu: Si Kai não se envolveria naquilo. Tremendo, ergueu o olhar para o jovem no altar, encarou o rosto pálido e o sorriso sinistro, e suplicou entre soluços: “Senhor Sagrado, por favor, tenha piedade de mim!”
Ele golpeava a testa no chão repetidamente, o som ecoando por todo o salão. O sangue já escorria, mas Han Mo continuava, desesperado.
No entanto, o jovem do altar não se compadeceu. Apoiado nos braços da cadeira, levantou-se, aproximou-se de Han Mo e, exibindo um sorriso aterrador, disse: “Adoro ver você assim, lutando em vão. Em breve, terei todo o prazer de desfrutar de sua companhia.”
O sorriso era insano e opressivo, e a risada fria ressoava incessantemente na mente de Han Mo, atingindo-lhe o âmago. Ele ergueu o olhar, tomado de desespero, incapaz de pronunciar uma palavra. O brilho outrora vivo de seus olhos se apagara. Sabia que seus dias de tranquilidade haviam chegado ao fim.
“Comandante Si, pode se retirar. Deixe o homem que trouxe para que eu possa aproveitá-lo.”
“Obrigado, Senhor Sagrado!” Si Kai, como se já esperasse tal desfecho, agradeceu efusivamente.
Quando Si Kai saiu do salão, gritos lancinantes ecoaram, cheios de dor e loucura. Era fácil imaginar o sofrimento de Han Mo.
Enquanto isso, Si Kai, já longe dali, esboçava um sorriso discreto. Não trouxera Han Mo ali por acaso. Já ouvira falar dos gostos desse jovem, e ao perceber a beleza de Han Mo, decidiu entregá-lo. Não imaginava que o Senhor Sagrado realmente se interessaria!
Si Kai estava radiante, cantarolando enquanto caminhava, o rosto iluminado de alegria. Sabia, enfim, que havia conquistado sua ascensão.
Na Cidade do Meio-dia, Yan Yan e Qi Mu, após se despedirem da anciã, foram até uma loja de roupas. As costas de Qi Mu ainda estavam manchadas de sangue, e ele não queria chamar atenção, por isso decidiram comprar novas vestes. O dinheiro, naturalmente, veio de Qi Mu.
Após tantas batalhas em Beihai, Yan Yan já havia perdido todos os seus pertences. Por sorte, Qi Mu guardara um pouco do dinheiro que o pai lhe dera; assim, não ficaram completamente desamparados.
Satisfeito com as novas roupas, Qi Mu preparava-se para mostrar-se a Yan Yan, quando sentiu de súbito uma ameaça e desviou instintivamente da faca que vinha em sua direção.
Surpreso, voltou-se rapidamente e reconheceu a dona da loja. Qi Mu soltou um resmungo frio, moveu-se num piscar de olhos e agarrou a mulher pelo pescoço, erguendo-a do chão com violência: “Fale! Quem te enviou?”
A mulher debatia-se desesperada, agarrando os pulsos de Qi Mu enquanto seus pés balançavam no ar.
Diante daquela cena, Qi Mu apertou ainda mais o pescoço da mulher, pronto para esmagá-lo, mas Yan Yan interveio, batendo nas mãos do irmão e forçando-o a soltar a presa.
A mulher caiu no chão, respirando com dificuldade, os olhos revirados antes de desmaiar.
Yan Yan repreendeu suavemente: “Pequeno Mu, você foi severo demais. Veja como ela ficou.”
Ela indicou a mulher caída a seus pés.
Qi Mu suspirou: “Mana, ela tentou me matar. Fiquei nervoso e não me controlei. Que tal acordarmos ela e perguntarmos de novo?”
Yan Yan trouxe uma bacia cheia de água do banheiro e despejou-a sobre o rosto da mulher, despertando-a com o choque. Confusa, ela percebeu os dois e, rapidamente, tentou apanhar a adaga caída no chão.
“Hmph!” Qi Mu pisou no braço da mulher, desta vez sem piedade. Usou o poder místico concentrado na perna e, com um golpe, separou o braço do corpo dela, deixando um buraco fundo no chão.
A mulher gritou de dor, e Yan Yan rapidamente tapou-lhe a boca para não chamar atenção. Não queriam atrair mais ninguém.
Após algum tempo, a mulher finalmente cessou os gritos, suor frio escorrendo pelo rosto, olhando para os dois de forma debilitada. Yan Yan, com olhar cortante, interrogou: “Fale, quem te enviou?”
A mulher virou o rosto, recusando-se a responder. Yan Yan e Qi Mu se entreolharam, ambos com um brilho curioso nos olhos. Eles adoravam um desafio desses.
Depois de um tormento indescritível, o corpo da mulher estava completamente destruído, os membros espalhados pelo chão. Ela só permanecia viva porque Qi Mu usava sua magia para manter os sinais vitais.
“Eu falo, eu conto tudo.” A mulher murmurou, exausta.
“Sou agente do Pavilhão Linglong na Cidade do Meio-dia. Vocês destruíram nosso posto em Beihai; a organização distribuiu seus retratos e ordenou que fôssemos atrás de vocês, vivos ou mortos.”
Qi Mu e Yan Yan trocaram olhares surpresos. O Pavilhão Linglong? Não esperavam que aquela organização aparecesse de novo. Da última vez, em Beihai, ainda haviam resgatado Chen Guohua do posto deles. Estava claro que o Pavilhão tinha grandes ambições. Será que havia espiões deles entre os Observadores?
Qi Mu retirou a energia mágica do corpo da mulher, que perdeu a consciência e morreu de imediato. Observando o cadáver, Qi Mu sorriu tristemente: “Mana, depois do que vivemos em Beihai, acho que estou ficando sanguinário. Mal chegamos à Cidade do Meio-dia e já matei duas pessoas.”
Yan Yan sorriu, acariciando a cabeça do irmão: “Ora, a primeira foi um acidente. Quanto a ela...”
Yan Yan lançou um olhar frio para o cadáver: “Ela tentou te matar. Era o destino!”
Qi Mu não respondeu, apenas segurou a mão de Yan Yan e disse em voz baixa: “Mana, vamos sair daqui logo. Precisamos encontrar o caminho de volta para os Observadores.”
“Sim.” Yan Yan assentiu, e os dois deixaram a loja, sem que ninguém soubesse que a dona já estava morta.
No mesmo instante, nas ruínas de Beihai, He Zhilian havia chegado com seu grupo. Subiram as montanhas ao redor e encontraram inúmeros cadáveres. Diante de tantos mortos, He Zhilian ficou chocado e perguntou a um dos presentes: “O líder de vocês não me comunicou nada sobre o que aconteceu aqui. O que estão escondendo da Província de Da Xia?”
O homem ao lado também usava uma máscara de dragão, membro do grupo Dragão do Fogo, ali com dois propósitos: proteger a segurança de He Zhilian — afinal, ele vinha em nome do Palácio dos Deuses e qualquer problema em suas terras seria responsabilidade deles — e, ao mesmo tempo, vigiar cada movimento de He Zhilian para informar rapidamente ao governo local, facilitando os próximos passos. Para o Dragão do Fogo, ocultar informações de He Zhilian era uma tarefa simples.
“O líder disse que, chegando aqui, tudo seria esclarecido.” O homem respondeu com indiferença.
He Zhilian retrucou friamente: “Então me explique agora de onde vieram todos esses cadáveres!”
“Essas pessoas foram mortas de forma brutal, muitos restos desapareceram, sobrando apenas partes. A Província de Da Xia não conseguiu descobrir muita coisa, por isso sua presença aqui é essencial.” O homem respondeu com um toque de ironia.
He Zhilian percebeu a provocação e, irritado, insistiu: “Quem eram essas pessoas? Eram nativos de Beihai?”
“Não me diga que nem isso vocês sabem, senão é pura incompetência!” He Zhilian rugiu.
O homem respondeu serenamente: “Sabemos, sim. Eram todos naturais de Beihai e, segundo nossas investigações, eram mineiros. Essa montanha também é uma mina.”
“De quem é essa montanha?” He Zhilian agarrou o fio da meada.
“Pertence à família Han de Beihai.”
He Zhilian acariciou o queixo, pensativo, e perguntou: “Há algo suspeito sobre essa família? Vocês conseguiram identificar ligações deles com outros grupos?”
“Receio que não. A única pista é que a família Han monopoliza as minas em torno de Beihai, nada além disso.”
He Zhilian franziu o cenho, sentindo que havia ligação entre a família Han e o ocorrido. Perguntou: “Há mais montes de cadáveres em outras minas?”
“Sim!” O homem respondeu gravemente.
“Quantos lugares?”
“Quatro minas, uma em cada direção de Beihai. E os ferimentos nos corpos são semelhantes: parece que foram mordidos por alguma coisa.”
He Zhilian já quase podia afirmar: o desaparecimento de Beihai estava ligado à família Han!
Ele ordenou ao homem: “Organize um relatório sobre a família Han e me entregue. Depois, me leve para ver outros lugares.”
“Como desejar!”
Ambos seguiram para o local onde Beihai sumira, buscando observar de perto e encontrar pistas. O que não sabiam era que, sem perceberem, uma sombra negra os seguia, sorrindo friamente: “Vieram encontrar a morte!”