Capítulo Dezoito: O Suspeito

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3452 palavras 2026-02-09 17:15:21

— Hum? — Yan Yan estava procurando em todos os cantos pela origem dos rumores, mas, apesar de ter perguntado a tantas pessoas, não conseguia nenhuma resposta. As informações eram difusas demais. Foi então que, de repente, aquela voz ecoou na mente de Qi Mu.

Desde a última vez que ouvira aquela voz, já havia se passado tanto tempo que Qi Mu quase a esquecera.

— Velho, tem certeza do que está dizendo? — ele gritou em pensamento.

— Hehe, garoto, confia em mim. Por acaso eu iria te enganar? — respondeu a voz idosa, arrastando as palavras.

Qi Mu permaneceu parado, franzindo a testa e olhando desconfiado para a botica. Enquanto os outros estabelecimentos estavam lotados, apenas ali quase não entrava ninguém. Qi Mu decidiu arriscar.

Atravessou a multidão em direção à botica. O gerente estava ocupado arrumando os remédios, e um dos empregados, ao vê-lo entrar apressou-se em perguntar:

— O senhor deseja algo?

— Não, só estou dando uma olhada. Pode continuar seu trabalho — respondeu Qi Mu, acenando com a mão.

— Ah, tudo bem... — o empregado sorriu sem graça e voltou às suas tarefas.

Qi Mu não notou que, enquanto isso, o gerente o observava discretamente, atento a cada movimento, enquanto fingia arrumar as coisas.

Qi Mu circulou pela loja duas vezes, mas não percebeu nada de estranho. Então, intrigado, perguntou mentalmente:

— Velho, cadê a pessoa que você falou? Tem certeza disso?

— Garoto, o gerente é exatamente quem vocês precisam prender. Veja o que ele tem nas mãos — respondeu a voz idosa, calma.

Qi Mu se aproximou. O gerente, notando que era observado, ficou nervoso e deixou algo cair no chão.

Qi Mu olhou com atenção e ficou surpreso: naquela pequena botica havia Sangue de Ossos de Dragão Terrestre.

O Sangue de Ossos de Dragão Terrestre era famoso por curar qualquer ferimento externo, deixando o paciente como novo. Contudo, era tão raro que Qi Mu só ouvira falar dele nos livros da Academia Wenfu.

Mas, se bem lembrava, esse remédio era controlado pela Inspetoria. Isso só podia significar...

Os olhos de Qi Mu brilharam. Agora tinha provas para uma prisão. Aproximou-se discretamente e pegou o comunicador que Yan Yan lhe dera:

— Irmã, venha rápido para a Botica Felicidade, depressa!

— Qi Mu, como está a situação aí? — perguntou Yan Yan, preocupada.

— Venham logo, eu seguro o gerente — respondeu Qi Mu em voz baixa. Desligou o comunicador e virou-se para o gerente.

Sorrindo, perguntou:

— Senhor, notou algo suspeito ultimamente por aqui?

Seus olhos límpidos fitavam o gerente, cheios de inocência, como os de uma criança.

— Está brincando, só vendo remédios, não tem nada de suspeito aqui — o gerente respondeu, rindo desconfortável, apanhando o Sangue de Ossos de Dragão Terrestre do chão e guardando-o no armário.

— Ah... E sobre os rumores do fortificante que estão correndo pela cidade? — Qi Mu insistiu, ainda mais certo de suas suspeitas ao ver a reação do homem.

Ao ouvir a pergunta, o gerente tremeu levemente, mas tentou manter a compostura:

— Ora, esses boatos estão em toda a cidade. Só ouvi falar, nada além disso.

— Disseram que a origem dos rumores é daqui — Qi Mu, agora com um tom grave, apertou o olhar.

— Não diga isso! Só ouvi na rua — rebateu o gerente, cada vez mais pálido e nervoso.

— Basta! Não se mexa! — Qi Mu finalmente revelou seu objetivo. Sacou a pistola da cintura e apontou para o gerente.

O gerente, tomado de pânico, levantou as mãos, a voz trêmula:

— Calma, não faça isso, pode acabar atirando sem querer...

— Fale a verdade! Foram vocês que espalharam os boatos sobre o fortificante? — Qi Mu agora mirava a arma na testa do homem, gritando com autoridade.

— Não, juro que não! — o gerente suplicava, os olhos cheios de terror.

Qi Mu observava atentamente. Será que estava enganado? Mas aquela voz idosa e o Sangue de Ossos de Dragão Terrestre denunciavam que havia algo errado.

O gerente percebeu que Qi Mu se distraíra e, num movimento rápido, pegou uma caixa da mesa e arremessou contra ele.

— Toma! — gritou, tentando acertar o braço de Qi Mu para derrubar a arma.

Qi Mu, absorto em seus pensamentos, não esperava o ataque. Sentiu uma dor aguda no braço, deixou a arma cair ao lado do balcão de remédios.

— Você...! — Qi Mu fitou o gerente, furioso.

Era sua primeira missão e, mesmo já com a arma em punho, o adversário teve coragem de reagir.

Ambos olharam para a arma ao mesmo tempo, depois se lançaram em direção ao balcão.

Como flechas, colidiram, cada um tentando dominar o outro.

— Pare de resistir! Venha comigo sem lutar! — rosnou Qi Mu, cerrando os dentes.

— Nunca! — devolveu o gerente, frio.

Ambos sabiam que quem pegasse a arma primeiro teria vantagem, mas também que o outro não facilitaria.

Qi Mu cerrou os dentes, apoiou-se no chão e deslizou a perna como um raio, passando ao lado do gerente.

— Toma! — com um chute no abdômen, lançou o gerente para longe. Mas o homem não era fraco, ignorou a dor e atacou Qi Mu novamente.

Qi Mu, satisfeito com o golpe, aproveitou para se jogar sobre a arma, mas o gerente se atirou sobre ele.

Com o cotovelo, o gerente o atingiu nas costelas, lançando-o longe.

— Moleque, chegou sua hora! — sibilou o gerente, apanhando a arma e apontando para Qi Mu, tomado de satisfação.

Qi Mu sentiu as costelas estalarem, uma dor lancinante o fez ranger os dentes.

— Não pense que venceu — murmurou, cuspindo sangue.

— Morra! — zombou o gerente, pronto para apertar o gatilho.

— Velho! Me ajuda, eu vou morrer aqui! — Qi Mu gritava desesperado em pensamento. Estava ferido, caído ao chão, e o gerente armado. Era sua sentença de morte.

— Ora, um obstáculo tão pequeno e já está desesperado? Ainda falta muito para ser experiente — a voz idosa soou, indiferente ao perigo.

— Pare de enrolar! Se não fizer nada, vou morrer! — rugiu Qi Mu.

— Tudo está nas mãos do destino... — e a voz se calou, ignorando os berros de Qi Mu.

Qi Mu abriu os olhos, resignado. Não podia contar com o velho, teria que confiar apenas em si mesmo.

Num último esforço, rolou para o lado, desviando do tiro.

O disparo perfurou o assoalho, espalhando estilhaços pelo chão.

O gerente ficou surpreso; não esperava que Qi Mu, de olhos fechados, ainda fosse capaz de reagir.

Antes que pudesse atirar de novo, Qi Mu aproveitou a brecha, reuniu toda força na mão e desferiu um golpe no joelho do gerente.

— Ah! — o gerente gritou, caindo de joelhos. O golpe deslocou sua rótula.

Ambos estavam gravemente feridos. Qi Mu desabou no chão, o gerente permaneceu ajoelhado.

O sangue escorria dos lábios de Qi Mu, que já não tinha forças para lutar. O gerente, apesar da dor, zombou:

— Desista, garoto, já era. Morra!

— Parem! — a porta foi arrombada e Yan Yan entrou com violência.

Assim que recebeu o chamado de Qi Mu, ela correu para o local. Chegou a tempo, armada, mirando o gerente com um olhar gélido.

O gerente, porém, não se rendeu. Agarrou Qi Mu e apontou a arma para sua cabeça:

— Não se aproxime! Se tentar algo, eu mato ele!

Yan Yan empalideceu, aflita:

— Não toque nele, ou vai se arrepender amargamente!

— Não vou sair daqui, mas levarei alguém comigo! — ameaçou o gerente, decidido a morrer matando.

— Irmã, não se preocupe comigo! Prenda-o, os boatos do fortificante saíram daqui! — Qi Mu, mesmo estrangulado, gritou com as últimas forças.

— Qi Mu! — lágrimas escorriam dos olhos de Yan Yan, que gritava com o coração despedaçado.

Ela mal acabara de reconhecer Qi Mu como irmão, mal voltara a sentir o calor de uma família, não permitiria que o tirassem dela.

Na hesitação de Yan Yan, Qi Mu, num gesto desesperado, usou a cabeça para acertar o queixo do gerente.

O som surdo de ossos batendo ecoou. O gerente, sentindo dor, soltou Qi Mu, que pôde respirar.

Yan Yan aproveitou e atirou no braço do gerente. O sangue escorreu, a arma caiu, e o gerente, vendo-se em desvantagem, fugiu mancando para o andar de cima.

Yan Yan não se importou com a fuga. Correu até Qi Mu, apoiou sua cabeça no colo e perguntou, angustiada:

— Qi Mu, onde dói? Vou te levar para a base agora, eles vão te curar!

— Irmã, não se preocupe. Vá atrás do gerente, depressa! — Qi Mu, quase sem fôlego, segurou o braço dela.

Logo após, cuspiu um jato de sangue, que respingou em Yan Yan.

— Não, Qi Mu, vou te levar agora. Aguente firme! — Yan Yan, desesperada e em prantos, respondeu.

Qi Mu estava tão ferido que Yan Yan já não sabia o que fazer. Esqueceu-se da missão do grupo; só queria salvar Qi Mu, não suportaria perder mais um ente querido.

— Ah... — a voz idosa voltou a soar na mente de Qi Mu, suspirando levemente.