Capítulo Vinte e Oito: As Habilidades de Mu Hongzhi

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3435 palavras 2026-02-09 17:16:23

— Ora, ora, Diretor Mu! — exclamou Qi Mu ao reconhecer o rosto do homem, não conseguindo conter um sorriso frio.

— Não imaginei que você fosse o mais oculto de todos. — Qi Mu estava surpreso com a aparição de Mu Hongzhi. De acordo com as regras, um funcionário do Departamento de Inspeção deveria passar por diversas triagens e não ser alguém suscetível a esse tipo de situação. Mas talvez aquilo que fora dito sobre a Santa Igreja possuir olhos e ouvidos em todo lugar fosse mesmo verdade.

Porém, por que Mu Hongzhi aparecia à sua frente justamente agora? Para barrá-lo? Ou quem sabe... para matá-lo?

O olhar de Qi Mu tornou-se gélido, observando Mu Hongzhi com extrema cautela, enquanto sua mão escorregava discretamente até a adaga presa à cintura. Bastaria um movimento hostil de Mu Hongzhi e ele agiria sem hesitar.

Mu Hongzhi percebeu o olhar vigilante de Qi Mu. Limitou-se a sorrir levemente e disse, com ar despreocupado:

— Não se assuste, rapaz. Se eu realmente quisesse matá-lo, você não duraria três minutos.

— Isso é o que veremos! — respondeu Qi Mu, frio. O soro de aprimoramento tornara seu corpo imensamente superior ao de um homem comum. Quem seria a presa ou o caçador ainda estava por ser decidido.

— Ah, é? Quer tentar? — replicou Mu Hongzhi, balançando a cabeça em desdém.

Sem dizer mais, Mu Hongzhi tirou o chapéu e o lançou ao ar, fazendo um gesto com a mão para Qi Mu, como quem diz: “Venha, se for capaz.”

Qi Mu encheu os pulmões de ar, apoiou o pé direito no chão e, em um impulso, avançou com a adaga em direção à perna direita de Mu Hongzhi, mantendo o corpo baixo, quase roçando o solo, e encurtando rapidamente a distância entre os dois.

Mu Hongzhi, porém, desviou-se com leveza e, com uma palma firme, atingiu as costas de Qi Mu.

Ouviu-se um estalo.

A lâmina de Qi Mu não acertou o alvo; em vez disso, ele foi lançado ao chão pelo golpe de Mu Hongzhi, ouvindo o som de ossos partindo. Suportando a dor, Qi Mu fitava Mu Hongzhi com obstinação.

Mesmo após o soro de aprimoramento, Qi Mu não foi páreo para Mu Hongzhi, que o derrotou com um só golpe. Estava claro que Mu Hongzhi ocultava sua verdadeira força há muito, não podia ser subestimado.

— Eu disse, garoto, você não pode me vencer. Fique aqui por um tempo, depois eu o deixo ir embora.

— Cuspo nisso! — Qi Mu respondeu, cuspindo no chão, claramente inconformado.

Abandonou a adaga e partiu para o combate corporal, avançando com um grito e socando o abdômen de Mu Hongzhi.

Mu Hongzhi, porém, parecia não sentir dor. Sorriu e, com um chute, lançou Qi Mu ao longe.

— Ainda não percebeu? Entre nós dois, a diferença é como entre o céu e a terra — disse Mu Hongzhi, contemplando Qi Mu com um olhar zombeteiro, diante de sua total impotência.

Qi Mu percebeu que seu golpe não surtira efeito algum; nem mesmo Jiang Tiande resistira a um soco seu sem vacilar, mas Mu Hongzhi sim. Isso o deixava em uma situação difícil.

Ergueu as mãos em rendição:

— Se não vai me matar, então fico por aqui. Não muda nada.

— Assim é que se faz. O bom menino é o que obedece — respondeu Mu Hongzhi, satisfeito ao vê-lo quieto.

O ar se fez silêncio naquele instante. Cada um guardava seus próprios planos, mas ninguém podia adivinhar o que passava em suas mentes.

Foi então que um rugido irrompeu ao lado, fazendo com que Mu Hongzhi, intrigado, voltasse a cabeça para ver o que era.

Aproveitando o momento, Qi Mu disparou na direção oposta, pensando consigo: "Se não posso vencê-lo, ao menos posso fugir!"

Despejou toda a energia nas pernas, correndo com velocidade surpreendente.

Quando Mu Hongzhi se virou, Qi Mu já havia desaparecido, restando apenas uma nuvem de poeira no local.

— Muito bem, moleque. Ousou zombar de mim... Está na hora de lhe mostrar o que é dor. — Os olhos de Mu Hongzhi resplandeceram frios; claramente, agora estava furioso.

Por sorte, Qi Mu não estava mais ali. Se estivesse, ficaria boquiaberto ao ver Mu Hongzhi literalmente flutuando no ar, com naturalidade e leveza.

Um humano não deveria ser capaz de voar, mas Mu Hongzhi o fazia. Se tal feito fosse divulgado, abalaria toda a humanidade. Mas Beihai era agora uma cidade em ruínas, e não havia ninguém para testemunhar aquela cena.

Mu Hongzhi alçou voo como uma águia, seguindo o rastro de Qi Mu.

Voar e correr eram coisas muito diferentes; logo, Mu Hongzhi o alcançou com facilidade. Quando estava prestes a alcançá-lo, uma esfera de fogo começou a se formar na palma de sua mão, a qual lançou com força na direção de Qi Mu.

Uma bola de fogo, envolta em chamas intensas, cruzou o ar em direção a Qi Mu, reluzente como uma bomba relógio.

Qi Mu, no meio da fuga, não percebeu nada; não viu Mu Hongzhi voando, tampouco o fogo vindo.

Quando a bola de fogo tocou sua pele, sentiu apenas uma onda de calor nas costas, seguida por uma força avassaladora que o derrubou ao chão.

— Argh! — gritou de dor, o rosto colidindo com o solo. Tentou se levantar apoiando as mãos, mas Mu Hongzhi pisou-lhe a cabeça, esmagando-a contra o chão.

— Corra, por que parou? — zombou Mu Hongzhi.

Metade da cabeça de Qi Mu ficou enterrada nos escombros, pedras cortando-lhe o rosto. Contrariado, retrucou:

— Solte-me, se for homem! Dessa vez, prometo não fugir.

— Heh, dessa vez não caio nas suas mentiras, rapaz. Fique quieto aí. — Mu Hongzhi riu frio, claramente em estado de alerta após a tentativa de fuga anterior. Não deixaria Qi Mu escapar novamente.

Diante da indiferença de Mu Hongzhi, Qi Mu desistiu de lutar. Percebera, desde o primeiro confronto, que não era páreo para ele.

Havia em Mu Hongzhi uma força especial, muito além da humana, que nem mesmo o soro de aprimoramento de Qi Mu conseguia superar.

Assim, entre fumaça e destroços, Mu Hongzhi mantinha o pé sobre a cabeça de Qi Mu, um cigarro nos lábios, olhando para o horizonte.

Ao longe, o sol começava a despontar. Quando a noite desse lugar às luzes do dia, que cena encontrariam os que restassem em Beihai? Ninguém poderia prever.

No céu, o buraco negro começou a brilhar com pontos de luz branca, que se dispersaram para logo depois se reunirem. Se alguém reparasse, veria corpos surgindo, um após o outro...

Naquele momento, Rosto Frio e Ferro Rubro já chegavam ao centro da cidade. Ao depararem-se com a paisagem de devastação, ficaram atônitos. Como um lugar poderia ser destruído tão completamente em tão pouco tempo? O que teria acontecido ali?

Enquanto refletiam, ouviram um grunhido rouco nas costas. Viraram-se e viram uma criatura: tinha forma humanóide, longos braços afiados, quatro olhos azuis e uma boca gigantesca de onde escorria um líquido viscoso e denso. Olhava-os fixamente.

— O que é isso? — perguntou Ferro Rubro a Rosto Frio, buscando uma resposta.

— Não sei. Mesmo tendo estudado muitos textos antigos, nunca vi algo assim — respondeu Rosto Frio, balançando a cabeça.

— Seja o que for, parece pronto para nos atacar — disse Ferro Rubro, engolindo em seco ao encarar o monstro.

— Hmph! Nós somos os melhores de nossos domínios. Não vamos nos intimidar diante de um monstro desses! — replicou Rosto Frio, desdenhoso.

— Guraa! — a criatura avançou sobre eles, garras apontadas para suas gargantas.

— Cuidado! — Os dois desviaram ao mesmo tempo, atentos ao inimigo.

O monstro era mais rápido do que esperavam, mas ainda não era insuperável. Rosto Frio olhou para Ferro Rubro e disse:

— Irmão Ferro, vamos juntos. Eliminamos esse monstro e dividimos o corpo para entregar aos nossos senhores para estudo. Que acha?

— Combinado! — concordou Ferro Rubro, certo de que o monstro já era deles.

A criatura ergueu-se, encarou o céu e começou a formar uma enorme bola de fogo na boca, lançando-a contra os dois.

O projétil era veloz; Rosto Frio conseguiu desviar, mas Ferro Rubro não teve a mesma sorte e foi atingido em cheio.

Quando a fumaça se dissipou, Ferro Rubro estava em estado lastimável: perdera um braço, o corpo queimado, caído ao chão numa dor atroz.

— Aaaah! — berrou, segurando o coto ensanguentado.

Vendo-o naquele estado, Rosto Frio hesitou. O monstro era mais perigoso do que parecia; Ferro Rubro estava praticamente incapacitado. Como enfrentá-lo sozinho?

Pensando nisso, Rosto Frio tomou sua decisão e gritou:

— Monstro, venha morrer!

Sua postura era de desafio, como se fosse lutar até o fim. A criatura agarrou seu punho e, com um simples aperto, reduziu a mão de Rosto Frio a fragmentos, ossos saltando e caindo ao chão.

— Aaaah! Minha mão! — gritou Rosto Frio, incrédulo. Sua intenção era distrair o monstro para fugir, mas não esperava que ele fosse tão forte.

Mesmo assim, reprimiu a dor e correu em direção a Ferro Rubro. Mas não por solidariedade; pretendia usá-lo como escudo, empurrá-lo para o monstro e ganhar tempo para escapar.

Com semblante sombrio, correu até Ferro Rubro, que, ao perceber, ficou radiante. Ferido, não tinha como fugir e pensou que Rosto Frio queria ajudá-lo por respeito à aliança entre seus domínios. Estendeu a mão, grato:

— Rápido, irmão Rosto, obrigado!

Para sua surpresa, Rosto Frio apenas o empurrou com força aos pés da criatura. Atônito, Ferro Rubro viu a cena, enquanto Rosto Frio batia em retirada, tomado pelo medo.

— Rosto Frio! — o grito desesperado de Ferro Rubro ecoou pelo céu, até silenciar de vez.