Capítulo Vinte e Nove: Um Novo Encontro com o Imprevisto!

Caçador de Demônios do Abismo Lua Etérea 3398 palavras 2026-02-09 17:16:33

Fora dos muros da cidade de Beihai, os soldados defensores já lutavam com seus inimigos numa batalha de vida ou morte. Ambos os lados estavam exaustos, mas continuavam resistindo, pois sabiam que não podiam cair; caso tombassem, a morte seria certa.

— Chega, o jogo terminou! — Nesse momento, uma voz grave ecoou do bosque próximo.

Um homem, trajando roupas impecáveis, surgiu caminhando tranquilamente, observando o combate com um sorriso no rosto.

— O comandante entrou em ação! Agora é certo que venceremos! — Os soldados defensores ainda não compreendiam a situação, mas seus inimigos já comemoravam.

Desesperançados, os soldados de defesa voltaram seus olhares para o recém-chegado. Já estavam em desvantagem e, agora, parecia que o fim era inevitável.

O homem bateu palmas em alto e bom som, então declarou animado:

— Gostei do espetáculo de vocês. Vi o esforço de cada um, mas, infelizmente, nem todo esforço é recompensado. Sinto muito, mas a apresentação termina aqui. Deixem que eu os acompanhe nessa última jornada.

Mal terminara de falar, lançou punhais que, com uma velocidade impossível de acompanhar, cravaram-se no pescoço dos soldados defensores, matando-os instantaneamente.

Agora, restavam apenas o chefe Dragão e três soldados Dragão do destacamento 12138. Eles formaram uma formação, atentos ao homem diante deles.

Ele havia atacado com tamanha velocidade que era, sem dúvida, um mestre. Os soldados alertaram-se interiormente.

O homem esboçou um sorriso desdenhoso e, num piscar de olhos, apareceu diante de um deles, golpeando seu peito com a palma da mão.

— Puf! — O soldado cuspiu sangue em profusão, olhou incrédulo para o homem e tombou no chão, sem vida.

Então, o homem abateu rapidamente os outros dois, restando apenas o chefe Dragão, que ficou ali, solitário, encarando o adversário com ódio:

— Venha, mate-me!

— Como quiser. — O homem balançou a cabeça, resignado, e num único golpe pôs fim à vida do chefe, de forma limpa e precisa.

— Pronto. Limpem tudo, entrem logo em Beihai. O plano ainda não chegou ao clímax... — Disse, batendo a poeira das mãos e dando ordens aos companheiros.

— Sim, senhor!

No interior da cidade, Yanyan e seus companheiros fugiam do ataque dos Devoradores. Após abaterem dez criaturas, perceberam que as demais começaram a agir em conjunto, procurando-os e perseguindo-os incansavelmente, não importava para onde corressem.

Todos já estavam à beira do colapso, o suor escorria em gotas grossas pelo rosto de cada um, o cansaço era extremo.

— Vamos, não podemos parar, eles não podem nos alcançar! — ordenou Yanyan, com a voz rouca.

— Yanyan, eu não aguento mais. Prefiro ser alcançado pelos Devoradores do que continuar correndo — lamentou Xiao Jie, ofegante, carregando Yuan Ze ferido nas costas.

Durante todo o trajeto, Xiao Jie fugira levando Yuan Ze, e suas forças haviam se esgotado.

Nesse instante, Yuan Ze acordou suavemente e disse:

— Xiao Jie, pode me pôr no chão, consigo caminhar sozinho.

O rosto de Yuan Ze estava pálido como a morte. A flecha recebida na mansão Han continha veneno, o que lhe causava dores intensas e fraqueza.

— Tem certeza? — perguntou Xiao Jie, incerto.

— Sim — assentiu Yuan Ze, sem querer ser um peso para os demais, esforçando-se para ficar de pé.

Apoiando as mãos nos quadris, Yanyan avistou uma casa parcialmente de pé à frente. Era possível entrar ali e descansar um pouco antes de tomar novas decisões, pois continuar fugindo naquele estado era insustentável.

— Equipe, vamos nos esforçar um pouco mais. Chegando naquela casa, descansamos — indicou Yanyan.

— Certo! — responderam todos, animando-se com a perspectiva de uma pausa.

Arrastando os corpos cansados, estavam quase chegando ao destino quando os Devoradores os alcançaram.

Uma dúzia de criaturas se lançou em ataque. Vendo que não havia mais como fugir, Yanyan gritou:

— Ainda têm forças?

— Temos! — responderam.

— Então, lutem até o fim! Quem sobreviver, leve oferendas aos irmãos que tombaram — disse Yanyan, preparada para ser a primeira a se sacrificar, caso não conseguissem escapar.

— Avante! Acabem com eles! — todos gritaram, partindo para o combate.

No corpo a corpo, logo foram repelidos, mas trocaram olhares e, em silêncio, concordaram com um plano ousado.

Yanyan atraiu um Devorador, e os demais imitaram sua estratégia, dividindo as criaturas em grupos que seguiram cada um. Sempre que estavam prestes a ser alcançados, mudavam de direção, reduzindo a velocidade dos monstros.

Correram até uma torre em ruínas. Yanyan foi a primeira a subir ao segundo andar, seguida pelos demais. Os Devoradores estavam apenas a cem metros.

— Rápido, deem-me a mão! — gritou Yanyan.

Yuan Ze, com dificuldade, agarrou o braço de Yanyan, tentando subir, mas não tinha forças. Yanyan pediu ajuda aos outros, e juntos conseguiram puxá-lo para cima.

Todos chegaram ao segundo andar e correram para a escada. Os Devoradores vieram logo atrás, mas, por serem grandes, só conseguiam subir um por vez, enquanto os jovens subiam juntos.

Nessa perseguição frenética, Yanyan e os outros chegaram ao topo. Lá, encontraram uma longa coluna de ferro, que sustentava a estrutura. Se a derrubassem, o prédio desabaria, soterrando os Devoradores e permitindo sua fuga.

Trocaram olhares, uniram forças e tentaram empurrar a coluna, mas ela nem se mexeu.

— O que faremos? — perguntou Jiang Tiancheng, desesperado. Se não derrubassem a coluna, não haveria escapatória.

Por um momento, todos ficaram paralisados. Então, Yanyan sorriu, tendo uma ideia:

— Deixem comigo!

Ela correu e atraiu um Devorador para a coluna.

— Yanyan, você enlouqueceu? — gritou Jiang Tiancheng.

Sem responder, Yanyan desviou do ataque da criatura, fazendo com que suas garras atingissem a coluna.

Três segundos depois, a coluna começou a inclinar-se e, com um estrondo, caiu, arrastando a estrutura. O prédio começou a ruir.

— O que estão esperando? Saltem! — gritou Yanyan.

— Vamos! — todos saltaram, agarrando-se à janela do edifício vizinho. Yanyan segurava firme o parapeito, enquanto os outros se penduravam em suas pernas, unindo forças para não cair.

Os Devoradores tentaram saltar também, mas era tarde demais. Com o desabamento, foram soterrados sob os escombros. Talvez tivessem morrido, talvez não, mas certamente não escapariam tão cedo.

Suspensos no ar, com Yanyan como único apoio, todos celebraram ao ver as criaturas soterradas. Finalmente, um momento de alívio: poderiam descansar, após eliminarem mais de vinte Devoradores sozinhos!

Nesse instante, o buraco negro sobre Beihai emitiu um uivo lancinante. O som era tão penetrante que todos se contorciam de dor, sem poder tapar os ouvidos.

Após um tempo, o ruído cessou. Eles olharam para o céu escuro, de onde um facho de luz incidiu sobre as ruínas no centro da cidade. Yanyan teve um mau pressentimento.

Daquela luz, começaram a sair mais e mais Devoradores, em número crescente, sem parar. Diante daquela cena, todos queriam gritar de raiva, mas estavam impotentes.

— Maldição! Mal acabamos com uma dúzia, e já aparece outra leva. Desde quando esses bichos se espalharam tanto, enchendo as ruas? — reclamou Jiang Tiancheng, resignado.

— Melhor acharmos logo um lugar seguro. Só nos resta esperar que o exército chegue a tempo, senão vamos perecer junto com Beihai... — murmurou Yanyan, exausta, com a voz rouca.

Quando a escuridão dá lugar à luz, o que será que os espera? O primeiro raio do dia iluminou a cidade, trazendo esperança e vida, inclusive para Beihai.

No quartel-general dos Observadores, Ye Zichen acabava de se levantar. Preparou um café e sentou-se à mesa, saboreando tranquilamente.

No dia anterior, concedera folga a Qi Mu e os outros, aproveitando também para descansar. Fazia tempo que não desfrutava de tanto conforto e, ao se espreguiçar, sentiu-se satisfeito.

— Permissão para entrar — disse Long Yan, entrando com semblante frio, mas com certa urgência.

Ye Zichen não via aquela expressão em Long Yan há tempos, e, curioso, perguntou:

— O que houve? Que notícia te deixou tão tenso?

Long Yan aproximou-se da mesa e respondeu secamente:

— Yanyan e os outros ainda não voltaram.

— Ora, talvez estejam apenas se divertindo em Beihai — respondeu Ye Zichen, despreocupado.

Jovens gostam dessas coisas. Se ficaram lá para descansar, não é nada demais; não havia motivo para preocupação.

— Mas surgiu um buraco negro sobre Beihai e o edifício mais alto da cidade, o De Xin, desabou...

O que ouviu fez Ye Zichen tremer, quase deixando cair a xícara.

— O quê? Desabou?

Long Yan confirmou com a cabeça:

— Sim.

— E Qi Mu e os outros? Conseguiu contato?

— Nada. Nenhuma notícia...